Argentina x Uruguai na Copa América confirmou o que dizem os filhos do Rio da Prata: o clássico tem de ser dramático.
De Santa Fe/ARG – Dizem os filhos do Rio da Prata que o clássico tem de ser dramático. Na noite deste sábado não foi diferente. Argentina e Uruguai protagonizaram uma partida ao estilo dos sul-americanos: pegado, com muitas faltas e drama além do limite. O 1×1 no tempo normal foi uma prova disso. A prorrogação igual. No fim, quem comemorou foi o Uruguai que venceu nos pênaltis e avançou as semifinais, deixando a Argentina na fila por mais um ano e de quebra comemorando 61 anos do Maracanazo de 1950.
As vésperas do clássico, Lionel Messi e Sergio Batista mostraram-se confiantes de que poderiam apresentar um bom futebol na cidade santafesina. Deram mais uma chance aos torcedores, que vaiaram a equipe na partida contra a Colômbia. Hoje saiu sobre aplausos, mas que não serviram para nada. Uma eliminação precoce em um torneio que muitos taxaram como armado para a Albiceleste vencer. Mas, no caminho tinha um gigante, coisa que os argentinos não vencem em Copas América há 12 anos. E continuará sem vencer por mais uma edição.
O melhor do Mundo voltou a mostrar serviço com a Seleção, principalmente no primeiro tempo. No fim da prorrogação também. Mas, por uma vez ficará marcado por não marcar gols – apesar de ter metido uma bola na cabeça de Higuaín no gol de empate – em jogos oficiais há 16 partidas e por ser amarelão. A cena do jogador caído na pequena área após perder mais um gol, já na prorrogação, era o indicio de que a Albiceleste não tinha mais o que fazer. Principalmente ele. A sorte, por certos momentos, não está com os grandes, mas isso não o tira do todo dos melhores dos últimos tempos. Principalmente quando não há reciprocidade dos seus companheiros e técnico (Pastore demonstrou que deveria ser titular há muito tempo).
E não foi apenas com isso que os argentinos sofreram. A má sorte de Messi e os pênaltis (coisa que Batista negou-se a treinar, pois acreditava que poderia decidir nos 90 minutos) foi um mero detalhe perto das bolas aéreas. Apesar de treinador ter dito que treinou jogadas aéreas durante os dois últimos dias, não foi isso que a Seleção demonstrou em campo. Constatação não apenas no gol de Perez, logo aos cinco minutos, mas durante todo o jogo. E os argentinos pareciam não aprender, pois a cada lance, o time caia na malicia dos uruguaios, que buscavam falta na intermediaria.
Junto a isso, Muslera fechou o gol, saindo de campo como um dos personagens da partida, salvando em lances incríveis e pegando um pênalti justamente do jogador do povo, aquele que nunca treme em momentos decisivos. O fato é que durante a bola rolando, os uruguaios mereceram a vitória. Foram mais aguerridos e mostraram mais conjunto. Apesar de não jogar o futebol dos sonhos, mais uma vez chegou as semifinais. E das duas vezes que venceu a Argentina em torneios como a Copa América, foi o vencedor. E a história parece estar prestes a se repetir, assim como a Seleção ficar na fila por mais um tempo.

