De um desacreditado Boca, a vaga na final da Libertadores. A equipe argentina chega a sua décima final após empate sem gols, contra a Universidad do Chile, em Santiago. O Boca jogava com a vantagem por ter vencido em La Bombonera por 2 a 0. O adversário na decisão será o Corinthians, estreante em decisões. O retrospecto Xeneize em decisões contra brasileiros na Libertadores é excelente: só perdeu uma vez para o Santos, em 1963.
O Boca começou a partida em ritmo acelerado e aos oito minutos, após linda tabela de Riquelme com Mouche, o enganche acertou o travessão de Herrera. A equipe da casa marcava de maneira perigosa em linha, deixando o jogadores de sua defesa mano a mano com o ataque do Boca.
La U apertava com jogadas pouco elaboradas e chegava com sempre pelo alto, normalmente em jogadas de bola parada. E a melhor oportunidade aconteceu aos 23 minutos com Fernandes exigindo boa defesa de Orión. Mas as melhores jogadas saiam dos pés de Riquelme que deixava Mouche livre de cara para o gol toda hora. O camisa sete abusou da arte de errar gols. Em uma das escapadas de Mouche, José Rojas parou o jogador argentino com um tapa no rosto, que o árbitro uruguaio Darío Ubriaco aliviou e deu apenas um amarelo.
A equipe Xeneize jogava de maneira primorosa no meio campo e armava jogadas de contra-ataque constantemente. Se Somozae e Erviti eram monstros no meio campo e tinham domínio do setor armando boas jogadas como se o jogo fosse em casa, Ledesma auxiliava na marcação e descidas de Junior Fernandes que apoiava bem o ataque chileno.
As duas equipes imprimiam um ritmo veloz ao jogo e não pareciam cansadas. O primeiro tempo chegava ao fim com o Boca jogando melhor, mas pecando nos metros finais. La U precisava buscar o resultado, mas não parecia ter clareza em suas jogadas.
O segundo tempo começou como terminou o primeiro e se o Boca continuava pecando nas finalizações, sua defesa era precisa. Caruzzo e El FlacoSchiavi rechaçavam até pensamento. As melhores chances de La U continuavam saindo de jogadas de bola parada, como na falta de Marcelo Díaz que explodiu no travessão do gol de Orión.
Mas a estrela da noite era Mouche, que seguia perdendo chances atrás de chances. No entanto, era louvável a participação intensa do jogador que não desistia de correr em nenhuma jogada de ataque. E pasmem, até Riquelme perdeu seu gol cara a cara com Herrera. Se todas as chances tivessem sido aproveitadas pela equipe Xeneize, teríamos a maior goleada do torneio. Em menos de quinze minutos no segundo tempo, foram quatro chances perdidas.
Mas como dito anteriormente, a defesa Xeneize jogava de forma espetacular. Díaz pegou uma bola forte de fora da área e Orión espalmou o que seria um gol certo da equipe chilena. A partida caminhava para os vinte minutos e apesar da vantagem da equipe de La Ribera, seguia indefinida e infartante. A pressão da equipe da casa era rechaçada de todas as maneiras pela defesa do Boca que atuava precisa e de forma heroica.
Aos 26 minutos do segundo tempo, foi a vez de Henríquez cabecear mal sozinho dentro da pequena área do Boca e Orión pegou fácil desta vez. Uma das grandes figuras da noite, sem sombra de dúvidas.
O tempo corria como areia de ampulheta. E se o nervosismo ia tomando conta da equipe da casa, que começava a se desesperar com a defesa Xeneize e errar passes fáceis e abusando dos chutões para a área do Boca, que quando não rechaçava contava com as traves ou o travessão, do outro lado o Boca seguia exausto em campo contando os minutos para terminar o jogo.
Talvez a última chance de ver um gol na noite tenha saído da cabeça de Matías que se esticou e mandou pela esquerda do gol de Orión. A torcida Xeneize cantava feliz a classificação dentro da casa da equipe chilena em uma partida que merecia gols. Mas todos saíram na Bombonera. Cvitanich também errou o seu na cara de Herrera. Mas já não era necessário.
Em um dia como hoje, no ano de 2000, a equipe Xeneize se consagrava campeã da Copa Libertadores, ganhando por 4 a 2 na disputa de pênaltis contra o Palmeiras, depois de um 0 a 0 no tempo regulamentar e após um empate em La Bombonera por 2 a2. Era o terceiro título Xeneize na competição. Doze anos depois a equipe Xeneize dá um largo passo para conquistar seu sétimo título na Copa Libertadores.
Universidad de Chile: Johnny Herrera; Osvaldo González (Paulo Magalhaes), José Rojas e Igor Lichnovsky; Matías Rodríguez, Marcelo Díaz, Charles Aránguiz, Eugenio Mena; Junior Fernandes (Raúl Ruidíaz), Angelo Henríquez e Francisco Castro (Sebastián Ubilla). DT: Jorge Sampaoli.
Boca: Agustín Orión; Facundo Roncaglia, Rolando Schiavi, Matías Caruzzo, Clemente Rodríguez; Pablo Ledesma (Diego Rivero), LeandroSomoza, Walter Erviti; Juan Román Riquelme; Pablo Mouche (Darío Cvitanich) e Santiago Silva (Lucas Viatri). DT: Julio César Falcioni.
Cartão amarelo: José Rojas, JohnnyHerrera (UDC); Riquelme, Silva, Schiavi, Roncaglia (Boca)
Árbitro: Darío Ubriaco (Uruguay).
Estádio: Nacional de Santiago.
