O Boca Juniors na Libertadores estreou em 1963 perdendo a final para o Santos de Pelé, e levou catorze anos até a primeira taça.
E lá vem ela de novo, charmosa e graciosa, fazendo milhões de pessoas sonharem. Um prazer raro e para poucos, conseguir tê-la ali no salão de glórias do clube. Desejo e ambição de muitos, a Copa Libertadores é, sem sombra de dúvidas, o torneio mais importante de todo o continente.
As equipes argentinas são as melhores quando o assunto é Libertadores. O aproveitamento beira o excelente, com 22 títulos conquistados. As equipes que mais somaram troféus foram o Independiente, com sete, e o Boca Juniors, com seis. Em seguida vêm o Estudiantes, com quatro, e o River, com dois. Racing, Argentinos Juniors e Vélez Sarsfield fecham a lista, levando um cada. A Argentina ainda possui quatro vice-campeonatos, sendo um com o Estudiantes e três com o Boca.
Esta é a história completa do Boca Juniors na Copa Libertadores da América, das primeiras participações nos anos 1960 aos anos de glória sob o comando de Carlos Bianchi.
1963: a estreia e a final perdida para o Santos de Pelé
A equipe de La Ribera tem uma história de amor com o torneio que começa logo nos primeiros anos da competição, criada em 1960.
Em sua primeira edição, o uruguaio Peñarol levou o campeonato e repetiu a dose no ano seguinte, sendo freado pelo Santos de Pelé e Coutinho em 1962. Nesse mesmo ano o Boca se sagrou campeão da Primera División argentina, deixando River e Gimnasia La Plata para trás, e teve a sua primeira chance de disputar a Libertadores. O Boca foi a primeira equipe argentina a dar a devida importância à competição e a priorizar o torneio.
No grupo três, com Olimpia de Assunção e Universidad de Chile, o Boca teve um início vacilante e caiu no Paraguai por um gol. Nessa competição a equipe xeneize trocou de treinadores três vezes, chegando a ter no grupo José D’Amico, que pediu licença no meio do torneio e teve Arcadio Julio López como interino. Adolfo Pedernera e Aristóbulo Deambrosi chegaram para colocar a equipe em ordem e assim levaram o Boca à final.
Em oito partidas disputadas, o Boca marcou 15 gols. A equipe tinha, entre outros jogadores, o lendário arquero Antonio Roma, o excepcional lateral-esquerdo Silvio Marzolini, mais tarde treinador do fabuloso time do Boca de 1981, com Maradona e Brindisi, os meio-campistas Antonio Rattín e Ángel Clemente Rojas, além dos artilheiros Paulo Valentim, brasileiro ídolo xeneize, e José Sanfilippo, artilheiro do Boca na Copa com sete gols.
Logo na estreia, um susto com a derrota fora de casa. No entanto, o grupo xeneize recebeu o Olimpia em Buenos Aires e venceu por cinco a três, com um gol de Corbatta, e Méndez e Paulo Valentim fazendo dois cada.
O Boca teria então seu desafio mais complicado na fase de grupos, indo para as partidas mais duras contra a Universidad Católica do Chile. Na primeira partida, em casa, o Boca venceu com gol de Mario González. Aproximadamente um mês depois, em julho, com um Sanfilippo inspiradíssimo marcando três gols, a equipe se classificou e foi à semifinal enfrentar o temido Peñarol.
No jogo de ida, em Montevidéu, El Flaco Martín Errea, arquero que substituía Roma, fechou o gol e fez os uruguaios tremerem. O brasileiro Paulo Valentim abriu o placar aos 27 minutos. Porém o Boca se fechou e esperou demais os uruguaios, que gostam do jogo e partiram para cima. Aos 20 minutos uma bola desviou em outro brasileiro, o defensor Orlando Peçanha de Carvalho, enganando Errea e empatando a partida. Mas, como a história conta, o Peñarol viveu apenas para fazer aquele gol.
Após uma bola enfiada por Ángel Clemente Rojitas, Valentim entrou pela esquerda e tocou com suavidade na saída do arquero uruguaio. Era o gol da vitória em pleno Centenario de Montevidéu. O caminho estava feito para a partida de volta em casa.
Em Buenos Aires, em uma partida muito amarrada e disputada, com dois expulsos para cada lado e um gol de Sanfilippo, o Boca passou à final da sua primeira Copa Libertadores, onde enfrentaria o Santos.
A partida de ida foi um passeio santista em pleno Maracanã, com três gols logo na primeira etapa. Sanfilippo descontou no final do primeiro tempo e ao término da partida. A volta seria a chance de tentar reverter o placar, mas o imbatível Santos conseguiu sair com a Copa de dentro da Argentina, após estar atrás no placar com um gol do artilheiro xeneize. Coutinho e Pelé marcaram para os santistas, que colocaram fim à esperança xeneize. O Boca demoraria 40 anos para devolver a derrota.
Se a primeira participação não trouxe o título, ao menos deixou o gosto de ser campeão continental bem próximo. Mas ainda levariam 14 anos para o primeiro título chegar. Até lá, o Boca trabalharia muito para isso, caindo nas semifinais de 1965 e 1966, sendo eliminado nas quartas de final em 1970 e sofrendo uma eliminação escandalosa em 1971.
1977: a primeira conquista, nos pênaltis contra o Cruzeiro
Para ser xeneize tem que ser, antes de qualquer coisa, guerreiro, ou pelo menos ter um coração guerreiro. A Copa Libertadores de 1977 teve a participação de 21 equipes, sendo que o Brasil enviaria um terceiro representante por ter sido o Cruzeiro o campeão de 1976, contra o River Plate.
Na estreia do torneio, os xeneizes enfrentaram uma equipe forte e, como se não bastasse, seu eterno rival River Plate. Para manter a tradição das coisas, venceu por um gol de Roberto Mouzo em casa, batendo o arquero Fillol em um pênalti cometido por Lonardi em Felman, aos 43 do segundo tempo, em uma partida em que o Boca foi melhor o tempo todo.
Na cobrança, o tiro foi no canto esquerdo e Pato Fillol mergulhou atrás, resvalando seus dedos na bola, que encontrou o poste, bateu em seu calcanhar e quicou na linha do gol. Mouzo correu para a bola e acertou com toda a sua força e raiva para fazê-la entrar, dando o primeiro passo para o campeonato de 1977.
O próximo adversário, fora de casa, ficou no empate, em uma partida dura e sem gols contra o Defensor Sporting do Uruguai. Na continuação do giro, ainda no Uruguai, o Boca enfrentou o sempre perigoso Peñarol e venceu com um gol de Mastrángelo.
O Boca ainda voltaria a enfrentar as mesmas equipes nos jogos de volta e se classificaria em primeiro no grupo, com dez pontos, passando para a próxima fase, disputada em um triangular de ida e volta contra Deportivo Cali, da Colômbia, e Libertad, do Paraguai.
Contando com a ajudinha da equipe paraguaia, a quem derrotou nas duas partidas, o Boca empatou com o Deportivo e viu o adversário cair com um empate e uma derrota para o mesmo Libertad. Estava aberta a estrada que levaria a equipe à final contra o Cruzeiro, que entrara na fase eliminatória por ter sido o campeão do torneio anterior.
Um plantel vencedor
Pouca coisa havia mudado da equipe que vinha do torneio Metropolitano de 1976 e do Nacional, ambos conquistados pelo Boca, sendo que o Metropolitano ocorreu no primeiro semestre e o Nacional no segundo. Torneios distintos que foram conquistados pela mesma equipe, e ainda há quem sempre vá dizer que o Metropolitano daquele ano foi injusto, mas jogadores não fazem regras e torcedores apenas comemoram.
Relatos contam que, na final do Nacional de 1976, em 22 de dezembro, aos 27 minutos de jogo, o árbitro da partida, Ithurralde, marcou uma falta na entrada da área. Rubén Suñé pegou Fillol de surpresa e colocou a bola na gaveta, fazendo o gol da vitória xeneize na final única e histórica entre os dois rivais. A partida tem relatos em gravações feitas por amadores e alguns trechos em preto e branco. Porém, a lenda conta que um militar fanático pelo Millo, o almirante Carlos Alberto Lacoste, apagou o momento do gol, existindo apenas a gravação do áudio.
O Boca do treinador Juan Carlos Toto Lorenzo tinha um plantel considerado fraco no início e que pouco impressionava. Porém, após algumas modificações e reposições, a equipe venceu os dois torneios locais e conquistou também a América. Fizeram história em La Ribera: Hugo Gatti, Carlos Alberto Rodríguez, Vicente Pernía, Francisco Sá, Roberto Mouzo, Alberto Tarantini, José Benítez, Rubén Suñé, Jorge Daniel Ribolzi, Ernesto Enrique Mastrángelo, Severiano Pavón, Carlos Veglio, Darío Felman, Nicasio Zanabria, Eduardo Enrique Oviedo, Mario Carballo, José María Suárez, Héctor Oscar Bernabitti, Carlos Enrique Ortiz e José Luis Tesare.
A final decidida nos pênaltis
Os placares iguais conquistados em casa por Boca e Cruzeiro, um a zero, forçaram uma terceira partida entre as equipes finalistas, no Uruguai. O placar permaneceu sem gols por 120 minutos e assim a partida foi decidida nos pênaltis, com Hugo Gatti brilhando e dando o primeiro torneio, também o primeiro disputado nos pênaltis, à equipe xeneize.
Nessa partida, Mouzo, Tesare, Zanabria, Pernía e Felman converteram para o Boca. Darci Menezes, Neca, Morales e Livio marcaram para o Cruzeiro. Gatti defendeu a cobrança de Vanderley, o último pênalti cruzeirense, dando a vitória ao Boca por 5 a 4.
Uma curiosidade: Nelinho havia saído machucado e Vanderley chutou exatamente o pênalti que caberia ao inefável craque da lateral.
Equipe da final. Em pé: Mouzo, Suñé, Tesare, Pernía e Gatti. Agachados: Mastrángelo, Benítez, Veglio, Zanabria, Felman e Tarantini.
1978: o bicampeonato invicto sobre o Deportivo Cali
Após faturar a Copa Libertadores de 1977, o Boca Juniors manteve o grupo e conseguiu repetir a dose em 1978. Vindo de uma conquista importantíssima para o clube, o primeiro título Intercontinental, obtido em cima do Borussia Mönchengladbach da Alemanha, substituto do inglês Liverpool, que não encontrou uma data livre para disputar a Copa Intercontinental, o Boca mostrou um futebol sólido na defesa e eficiente no ataque. A competição intercontinental ocorreu em 1978, no meio do ano.
Por ser campeão da Libertadores anterior, o Boca Juniors entrou na fase semifinal e logo de cara mandou para casa o River Plate e o Atlético Mineiro. Na primeira partida na Copa, o Boca empatou com o seu máximo rival sem gols em casa. Porém, em sua ida ao Brasil, a equipe xeneize mostrou sua força e, com o lateral-esquerdo Miguel Ángel Bordón, deixou dois golaços de falta no Mineirão.
As partidas seguintes seriam os jogos de volta, e assim a equipe que somasse mais pontos avançaria na competição. Sem tomar muito conhecimento dos dois adversários de grupo, o Boca despachou o Atlético Mineiro em casa com uma goleada de 3 a 1, com gols de Mastrángelo e Salinas, além de um gol contra de Modesto.
A partida de volta contra o River foi no dia 17 de outubro, dentro do Monumental, com muitos torcedores xeneizes presentes e um Boca Juniors determinado a chegar à final do torneio. A partida teve todos os ingredientes que um Superclásico poderia ter. Pelo lado do River, foram duas expulsões, Saporiti e Merlo. Pelo lado do Boca, foram dois gols, com Mastrángelo e Salinas. Ambos os jogadores foram importantíssimos, fazendo gols em quase todos os jogos disputados pela equipe xeneize, que agora enfrentaria o Deportivo Cali, da Colômbia, no final de 1978, pelo bicampeonato.
Na decisão, a equipe de La Ribera empatou na Colômbia e atropelou em casa, goleando por quatro a zero, sem piedade, com dois gols de Perotti, um de Mastrángelo e outro de Salinas, dando assim à equipe do treinador Juan Carlos Lorenzo a segunda Copa Libertadores.
1979: o vice-campeonato diante do Olimpia
A participação do Boca Juniors na Copa Libertadores de 1979 ficou muito aquém do que se esperava, e a equipe xeneize saiu apenas com o vice. Após entrar na fase semifinal por ter sido o último vencedor, o Boca teve pela frente duas pedreiras e sofreu muito para conseguir a classificação, tendo que jogar uma partida de desempate contra o Independiente, com quem igualou em pontos no triangular decisivo por uma vaga na final.
No primeiro jogo da decisão, a equipe paraguaia do Olimpia não tomou conhecimento do último campeão e venceu por dois gols. Na partida de volta, o Boca entrou buscando o resultado, mas encontrou uma equipe bem postada, que soube segurar o empate dentro da Bombonera. Era o prenúncio de uma década nada boa para o Boca Juniors.
As terríveis décadas de 1980 e 1990
Com a vinda de Diego Maradona para o Boca e uma equipe recheada de nomes como Brindisi, Escudero, Krasouski, Rigante, Trobbiani e Morete, tendo Silvio Marzolini como treinador, se esperavam mais e mais títulos. Porém, o Pibe de Oro nem esquentou direito na equipe e se foi para a Europa, sempre ela.
As participações nas Copas Libertadores de 1982 e 1986 foram sofríveis, e o Boca não passou da primeira fase. Em 1989, uma eliminação logo na segunda fase deixou a equipe xeneize mais uma vez sem saber o que era ter um time competitivo.
Em 1991, o Boca iria até as semifinais, deixando para trás na primeira fase o River, a quem venceu em casa e no Monumental, empatando e perdendo com o Bolívar e empatando e perdendo com o Oriente Petrolero. Nessa partida, a equipe xeneize foi acusada de fazer corpo mole para evitar a classificação do rival. Inclusive, houve um lance curioso em que um jogador xeneize, o Pico, chutou para o gol boliviano e a torcida ficou vaiando. O fato é que o Boca se classificou em segundo e o River ficou fora da Copa, com a equipe boliviana indo para a fase seguinte.
O Boca deixou o Corinthians nas oitavas e o Flamengo nas quartas, com as marcas de Batistuta e Latorre. Porém, a equipe xeneize caiu para o Colo-Colo do Chile em jogos repletos de polêmica e muitas confusões. Após vencer por um a zero em casa, a equipe não soube evitar a provocação e a pressão chilena, que se estendeu para fora de campo, com brigas inclusive com a polícia chilena, que atiçava os cães contra os jogadores, como no caso de Navarro Montoya. O Boca perdeu por três a um, dando mais uma vez adeus à chance de título.
Em 1994, a equipe fez uma campanha digna de ficar em casa vendo os jogos pela televisão, com direito a goleada histórica para o Palmeiras. Além disso, também viu o seu futuro treinador brilhando pela equipe do Vélez, em uma final truncada com o São Paulo. O Boca só retornaria à Copa Libertadores seis longos anos depois.
2000: o terceiro título e a volta por cima com Bianchi
Se as décadas de 1980 e 1990 foram terríveis e facilmente esquecíveis em termos de Copa Libertadores, o novo milênio traria bons ares e novas conquistas, que despertariam a inveja e o temor quando o nome Boca Juniors fosse pronunciado.
Pela terceira vez durante os 41 anos de disputa do torneio, a taça iria para a rua Brandsen 805. E melhor ainda que isso: desclassificando o River dentro de uma Bombonera lotada, com direito a goleada e a um caño histórico de Román em Yepes.
O Boca chegou a essa edição com uma boa equipe, mas logo de cara tropeçou contra o Blooming da Bolívia. Esse foi seu único pecado na primeira fase, ao lado de um empate contra o Peñarol dentro de Montevidéu. A equipe do treinador Carlos Bianchi se classificou com 13 pontos e passou para a fase seguinte de forma bem tranquila, com direito a algumas goleadas, como o seis a um sobre o Blooming no jogo de volta e os três a um sobre o Peñarol dentro da Bombonera.
Nas oitavas, já se sabia de antemão que o Boca teria pela frente o River Plate caso passasse às quartas de final. E assim aconteceu, com o Boca superando com certa tranquilidade o Nacional do Equador, após um empate sem gols como visitante e um placar inusitado de cinco a três em casa.
O encontro com o River se deu em clima de tensão e, como não poderia deixar de ser, a primeira partida dentro do Monumental de Núñez foi complicada para a equipe xeneize, que saiu com um placar adverso, algo que era no mínimo perigoso para ser resolvido dentro de casa.
Entretanto, o dois a um no Monumental, com Ángel e Saviola para o River e Román Riquelme para o Boca, não foi sentido em casa. Contando com o retorno de Martín Palermo, que havia ficado afastado por seis meses por conta de uma contusão grave no joelho, o Boca venceu de maneira contundente e passou para as semifinais contra o América do México.
Bianchi, em coletiva de imprensa, havia avisado que daria minutos de jogo a Martín Palermo, o que causou uma série de questionamentos e dúvidas devido ao seu grande período afastado. O treinador do River, Tolo Gallego, ironizou a possibilidade e respondeu que chamaria Enzo Francescoli para jogar, já aposentado havia alguns anos. Martín fez o famoso gol de muletas.
Com gols de Marcelo Delgado, Juan Román Riquelme e Martín Palermo, o Boca deixou o River mais uma vez pelo caminho e passou para a próxima fase, deixando claro que a equipe era forte e brigaria pelo título.
Entretanto, passar pelos mexicanos não foi nada fácil. Após uma vitória por quatro a um, a volta no México foi complicada e a vaga quase escapou quando o elástico placar se transformou em um três a um.
A classificação para a final estava garantida, e o Palmeiras, que não aliviou em nada, foi um adversário à altura para coroar a conquista xeneize. Dois empates nos jogos de ida e volta, dois a dois em Buenos Aires e um empate sem gols em São Paulo, levaram a partida para a decisão por pênaltis.
No final, o Boca saiu campeão, após 22 anos sem conquistar a Copa Libertadores, com o placar de quatro a dois na disputa de pênaltis. Guillermo, Román, Palermo e Bermúdez converteram para o Boca. Óscar Córdoba, um dos heróis da noite, pegou as cobranças de Asprilla e Roque Júnior.
Equipe da final. Em pé: Ibarra, Bermúdez, Córdoba, Riquelme, Arruabarrena, Traverso e Samuel. Agachados: Guillermo, Battaglia, Palermo e Basualdo.
2001: o quarto título e o bicampeonato sobre o Cruz Azul
Após a tríplice coroa de 2000, que tornou aquele um ano inesquecível, com Libertadores, Intercontinental e Apertura, o Boca seguiu dando continuidade ao trabalho e foi em busca de seu quarto título na Copa Libertadores e, consequentemente, do bicampeonato. Nesse momento a equipe xeneize perdeu El Titán Palermo, que se transferiu para a Europa, indo jogar no Villarreal, da Espanha.
Em uma campanha quase perfeita, a mancha foi a derrota na primeira fase, uma goleada por três a zero contra o Deportivo Cali da Colômbia, a mesma equipe que já havia vencido por dois a um dentro da Bombonera.
A equipe de Bianchi chegou à classificação para a segunda fase conseguindo a primeira posição na tabela do grupo oito, com 15 pontos, indo para as oitavas de final contra a Corporación Deportiva Junior, ou simplesmente Junior de Barranquilla, na Colômbia.
Com dois gols de Chelo Delgado e um de Román, o Boca virou o jogo em cima da equipe colombiana, que ameaçou engrossar e saiu vencendo por dois gols logo na primeira etapa. Na partida de volta, um empate pelo placar mínimo, gol de Barros Schelotto, levou a equipe azul y oro para a disputa das quartas contra o Vasco da Gama.
Se pouca gente no Brasil sabia sobre o trabalho do Boca Juniors nessa época, Guillermo Barros Schelotto e companhia fizeram questão de mostrar ao campeão da Taça João Havelange como caminhava a equipe de Carlos Bianchi. Com um resultado global de quatro a zero, a equipe xeneize venceu por um gol de Barros Schelotto dentro do Rio de Janeiro e atropelou em casa por três a zero, com um de Matellán e Barros Schelotto arrasador, fazendo dois.
O próximo adversário seria o Palmeiras, certamente uma das equipes brasileiras que mais dão trabalho ao Boca na competição, vide a histórica goleada de 1994 por seis a um em São Paulo. Porém, a história foi diferente, ainda que não muito menos complicada do que a do último encontro entre as duas equipes. Com dois empates por dois gols, em São Paulo e em Buenos Aires, a partida foi para os pênaltis. E, assim como na final do ano anterior, mais uma vez o Boca saiu com a vitória. Nessa época todos discutiam a tática da equipe de Bianchi para conseguir êxito nas disputas de pênalti.
Juan Román Riquelme foi um monstro naquela partida e recebeu o prêmio de melhor jogador da final da Copa Libertadores de 2001.
Classificado para a final, o Boca Juniors agora enfrentaria o Cruz Azul, do México. O resultado de igualdade nas duas partidas fez com que a disputa mais uma vez fosse para as cobranças de pênalti. Curiosamente, o Boca venceu no México e foi batido dentro da Bombonera pelo placar mínimo, em uma partida de tirar o fôlego.
Assim, mais uma vez o Boca de Bianchi e do monstruoso Óscar Córdoba foi para a disputa de pênaltis. E, que curioso, venceu outra vez, dessa vez pelo placar de três a um.
Na definição por pênaltis, converteram para o Boca: Juan Román Riquelme, Mauricio Serna e Marcelo Delgado. Jorge Bermúdez errou sua cobrança, acertando o travessão. Do lado do Cruz Azul, apenas Juan Francisco Palencia converteu. Óscar Córdoba pegou o tiro de Pablo Galdames. José Alberto Hernández e Julio César Pinheiro erraram suas cobranças, sendo que este último foi o que deu o título à equipe xeneize.
2002: a busca pelo tri para no Paraguai
Com todos os problemas do planeta envolvendo o treinador Carlos Bianchi e o então presidente do clube, Mauricio Macri, em uma relação nada amistosa graças às diferenças entre ambos, que vinham desde a época de sua contratação, e sendo que alguns dirigentes se opunham à sua permanência no clube, o clima não era nada favorável para o treinador.
O clima ficou mais tenso entre as partes e Bianchi anunciou, antes da final da Copa Libertadores de 2001, que não renovaria com o clube, e que seu contrato tinha data de término em 31 de dezembro daquele ano.
O caldo engrossou quando Bianchi deixou Macri falando sozinho na conferência de imprensa dias antes da partida contra o Vasco pela Copa Mercosul, em 23 de setembro de 2001. Em um ato totalmente deselegante, Macri exigiu explicações e desculpas públicas sobre a opção de Bianchi pela não renovação. O treinador saiu da coletiva sem olhar para trás e deixou o dirigente sozinho.
Com isso, a equipe perdeu seu maior referencial e ficou pelo meio do caminho na disputa da Copa Libertadores de 2002, sendo eliminada nas quartas de final. Aliás, foi um ano nada bom, com derrota por goleada para o River por três a zero no Clausura, em que o Boca saiu apenas com a terceira colocação e viu o River sagrar-se campeão. Também ficou pelo meio do caminho na Copa Sul-Americana, quando foi derrotado pelo Gimnasia y Esgrima La Plata. No Apertura, a equipe bateu na trave, ficando com a segunda colocação. E assim o ano foi sem conquistas.
No final do ano, após uma incrível comoção da torcida xeneize, Bianchi voltou ao clube e, com alguns acertos de contas e exigências feitas, estava pronto para ir em busca de mais uma Copa Libertadores.
Nota de edição
Este especial reúne as quatro partes da série “Boca Juniors: uma história vencedora na Copa Libertadores da América”, publicadas pelo Futebol Portenho em 2012, em um único texto. Nenhum trecho foi cortado. Colaborou na pesquisa Martín Russo.
Contexto para o leitor de hoje: a série foi escrita em 2012, quando o Boca somava quatro títulos da Libertadores conquistados e voltava a disputar o torneio após três anos de ausência. O clube venceria a competição outras duas vezes depois disso.