Messi quebra jejum, Higuaín marca três e Argentina goleia na estreia das Eliminatórias

Buenos Aires – A noite era para ser de gala para Lionel Messi. Depois de 16 partidas, 1556 minutos, o jogador finalmente quebrou o seu jejum de gols em jogos oficiais com a Seleção. E não parou por ai. La Pulga chamou a responsabilidade e provou, novamente, que joga bem pela Albiceleste. Mas, como tudo conspira contra o jogador do Barcelona, Gonzalo Higuaín decidiu roubar a cena. O ex-River Plate fez a festa sobre a defesa chilena, marcou em três oportunidades e ajudou a Argentina a golear o Chile por 4-1, na estreia da Argentina nas Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial 2014.

A Argentina começou, jogou e terminou melhor. Antes mesmos dos cinco primeiros minutos, já havia ameaçado com perigo o gol da Roja. O gramado molhado pregava uma peça nos atletas, a cada lance que tentavam imprimir um ritmo mais rápido ou quando tentavam algum a gol, escorregavam e terminavam no chão. Apenas Messi parecia ter algum solado especial na sua chuteira, que o deixava em pé e veloz, essa famosa velocidade “messiânica” com a bola dominada que o torna o melhor do mundo. E hoje foi mais um dia em que ele fez por merecer tal status.

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Curiosamente o primeiro gol surgiu quando o Chile atacava. Depois de uma péssima cobrança de falta, o também veloz Di María, encaixou um contra-ataque rápido e numa precisa virada de jogo, encontrou Higuaín dentro da área, que com calma dominou e fuzilou para o fundo das redes. Aos 8 minutos a Argentina já vencia por 1 a 0.

Depois do gol, parecia que o Chile equilibraria o jogo, ficou um pouco mais com a bola, mas raramente produzia algo além de passes para os lados. Então apareceu Suazo. Aos 21 minutos, assustou com um chute de fora da área que passou raspando a trave esquerda do gol de Andújar.

Mas no lance seguinte, a Argentina deu mais uma prova de sua velocidade. Sosa deu um passe milimétrico e Messi, em posição legal, converteu o segundo gol. O detalhe desse lance foi Di María, que diminui sua passada, e deixou a bola para que o capitão finalizasse. Corriam 25 minutos e o placar indicava 2 a 0.

Então o estádio voltou a sentir aquele gostinho da rivalidade histórica e se inflamou ao cantar o tradicional “quem não salta é um inglês”. Daí em diante foi pura festa, muito para ajudar a espantar o frio. Com 30 minutos do primeiro tempo, a torcida local já gritava olé. E coberta de razão.

A Roja só assustou já no finalzinho, quando outra vez Suazo, teve a melhor oportunidade de diminuir a diferença. Dentro da pequena área, o atacante deu um leve toque na bola, tirou de Andújar, mas Zabaleta desviou para escanteio.

Final do primeiro tempo e vitória parcial incontestável do selecionado local. O lado esquerdo comandado por Di María e com o sempre veloz Messi caindo por todos os setores do campo, indicava que o segundo tempo prometia mais gols. E foi o que parecia acontecer quando Higuaín escapou pela esquerda e cruzou para Messi livre dentro da área, mas dessa vez ele não consegui chegar a tempo e a bola se perdeu pela linha de fundo.

O Chile tentava acelerar o jogo principalmente pelo seu lado direito, apostando nos cruzamentos de Isla. Mas aos sete minutos, uma linda troca de passes do ataque argentino terminou com a conclusão certeira de Higuaín. Argentina 3 a 0 e tome mais música. Agora uma adaptação do famoso hit: “quem nao salta é um traidor” cantavam os hinchas argentinos.

O técnico da seleção chilena, Cláudio Borghi, percebendo o pior, promove duas alterações simultâneas, entram Vargas e Gonzalez nos lugares de Pinilla e Beausejour. E a Roja encontra seu gol depois de um lance duvidoso, Suazo choca-se com Andújar que fica pedindo falta, a bola sobra para Matías Fernandez empurrar para o gol vazio, 3 a 1.

Mas a alegria durou pouco, a Argentina estava impossível com Messi e Higuaín em grande noite. Depois de um chute despretensioso, Higuaín tenta o domínio e a bola sobra para Messi, que devolve para o camisa nove sozinho colocar no ângulo esquerdo. Nada pode fazer Bravo a não ser buscá-la no fundo do gol, Argentina 4 a 1.

Aos 22 minutos da etapa complementar, Messi arrancou com a bola controlada, perdeu no primeiro lance, mas com uma disposição particular conseguiu a recuperação e rolou para Higuaín chutar para fora. Foi o suficiente para que todo o estádio aplaudisse de pé a determinação do camisa dez.

O jogo continuava igual, domínio total argentino. E para receber os aplausos da torcida local, Sabella substitui Di María e colocou Jonas Gutiérrez. Depois foi a vez de outro importante jogador receber sua merecida ovação, o nome de Gonzalo Higuaín, autor de três na partida, ecoava no estádio onde começou a marcar seus gols.

Final de jogo e uma vitória maiúscula de uma seleção que mostrou seu potencial frente a um rival importante. Assumiu todos os rótulos de protagonista e apesar de ser apenas o primeiro jogo, se continuar apresentando o futebol desta noite, não deverá passar o susto das últimas eliminatórias, quando só se classificou na última partida. De quebra, conseguiu diminuir um pouco a dor histórica.