Após um fim de semana em que teve de conviver com uma sequência de especulações sobre sua possível demissão, o técnico do Boca Juniors, Julio Cesar Falcioni, não se mostrou aliviado após a contundente vitória de ontem sobre o Unión de Santa Fé.
A tormenta para Falcioni começou na sexta-feira, quando o dirigente Juan Carlos Crespi declarou que se a equipe não vencesse o Unión, a diretoria teria de começar a “pensar em um plano B” para comando técnico xeneize. A opinião mais comum é de que a declaração havia sido bastante precipitada, já que o Boca havia feito apenas uma partida na temporada, empatando com o Olimpo fora de casa. No entanto, nomes de substitutos começaram a ser ventilados, sendo Alfio Basile e Gerado Martino os mais comuns. Falcioni, no entanto, se mostrava irredutível: “só vou dizer uma coisa: não renuncio”.
A convincente vitória de ontem na Bombonera não foi o suficiente para conter o (justo) mal humor do treinador xeneize. Falcioni saiu de campo irritado, com cara de poucos amigos, e sequer deu a tradicional entrevista coletiva pós-jogo. “Estou contente por como a equipe jogou, criamos muitas situações de gol e jogamos muito bem, gostei da atitude, da resposta do plantel e fico muito feliz pelo grupo”. Essas foram as únicas palavras do treinador aos repórteres que o esperavam na saída do vestiário.
A história mostra um aspecto importante do “mundo Boca”: a capacidade de criar crises permanentemente, mesmo que a partir do nada. A equipe teve um bom fim de temporada, treinou normalmente, trouxe alguns novos nomes, e graças a um empate fora de casa na estréia, as declarações inoportunas de um dirigente criam uma situação que poderia ter contaminado o grupo e atrapalhado o início da temporada. Uma situação que escancara o amadorismo que envolve o comando do clube de maior peso do principal torneio do país.
