A história de Messi na seleção argentina, de Budapeste a Nova Jersey

Despedida de Messi na seleção argentina: 21 anos, 125 gols em 207 jogos até o anúncio e um adeus contra o Benin no Monumental

Lionel Messi sentado no vestiário da seleção argentina, entre dois companheiros, com dois troféus

Lionel Andrés Messi nunca teve uma relação simples com a seleção argentina. Chegou a ela como promessa precoce, foi expulso na estreia, acumulou finais perdidas, anunciou o adeus em 2016 e voltou atrás semanas depois. Só em 2021, quase 16 anos depois da primeira convocação, ergueu um troféu pela seleção principal. Dali em diante, a história virou do avesso: uma Copa América, uma Finalíssima, a Copa do Mundo de 2022 e uma segunda Copa América. A despedida de Messi na seleção argentina fecha, depois de mais de duas décadas, um dos percursos mais longos e mais completos da história do futebol de seleções.

Este texto reconstrói essa trajetória do começo ao fim: as categorias de base, a estreia em 2005, os seis Mundiais, as finais perdidas, a reviravolta entre 2021 e 2024 e o adeus, anunciado em 31 de agosto de 2026, depois da derrota na final da Copa do Mundo de 2026. É também um guia dos números, dos técnicos, dos companheiros e das datas que definem a passagem de Messi pela seleção argentina.

O que é a despedida de Messi na seleção argentina

A despedida de Messi na seleção argentina tem duas datas. A primeira é 31 de agosto de 2026, quando Lionel Messi, então com 39 anos, anunciou por meio de uma carta publicada nas redes sociais que não defenderia mais a seleção. Escreveu que a decisão “doeu e dói na alma”, mas que entendia ser aquele o momento. A carta chegou pouco mais de um mês depois da final da Copa do Mundo de 2026, em que a Argentina perdeu para a Espanha por 1 a 0 na prorrogação, e semanas depois da morte do pai, Jorge Horacio Messi, em 8 de agosto de 2026, aos 68 anos. Segundo relatos da imprensa, Messi tomou a decisão dois dias depois da final.

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A segunda data é 6 de outubro de 2026, a noite do jogo de despedida. O adversário é o Benin, em amistoso marcado para as 20h (horário de Brasília e de Buenos Aires), no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires. É o último compromisso da Argentina na data Fifa de outubro, depois das vitórias por 4 a 0 sobre a Bolívia, em Córdoba, e por 7 a 0 sobre Burkina Faso, no próprio Monumental. Messi foi preservado dos dois primeiros jogos e reservado para este. Para ele, é a partida de número 208 com a camisa da seleção principal.

Messi encerra a carreira na seleção como maior artilheiro e recordista de partidas da história da Argentina: foram 125 gols em 207 jogos até o anúncio. Disputou seis Copas do Mundo (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026), foi campeão em 2022 e capitão da seleção finalista em 2026. A aposentadoria vale apenas para a seleção. Messi segue em atividade no futebol de clubes.

Não é a primeira vez que o assunto aparece. Em 2016, depois de mais uma final perdida, Messi anunciou que deixava a seleção e voltou atrás. A diferença é que, desta vez, ele escreve que a decisão é definitiva. Para entender o peso dessa frase, é preciso voltar ao começo.

Rosário, Newell’s e as categorias de base

Messi nasceu em Rosário, em 24 de junho de 1987, e deu os primeiros passos no futebol organizado nas categorias de base do Newell’s Old Boys, o clube em que o futebol de Rosário se confunde com a infância dele. Em 2000, aos 13 anos, mudou-se para Barcelona, onde terminaria de se formar e onde estrearia no time principal em 2004. A vida europeia criou, desde cedo, uma pergunta que acompanharia Messi por quase toda a carreira: como alguém formado na Espanha se tornaria o camisa 10 de uma seleção que se define pelo futebol dos potreiros?

A resposta começou a ser dada nas seleções de base, que Messi passou a defender em 2004. O primeiro grande momento veio no Mundial Sub-20 de 2005, disputado nos Países Baixos. A Argentina foi campeã ao vencer a Nigéria por 2 a 1 na final, com dois gols de pênalti de Messi, que também terminou o torneio como melhor jogador e artilheiro. Aos 18 anos, ele já era o nome do futuro, e o torneio funcionou como vitrine para a convocação que viria meses depois.

O segundo título de base chegou em 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim. A seleção olímpica, dirigida por Sergio Batista, derrotou a Nigéria por 1 a 0 na final, com gol de Ángel Di María, em jogada que teve passe de Messi. A ida de Messi a Pequim foi cercada de impasse com o Barcelona, que não queria liberá-lo, e terminou com a convocação mantida. O ouro olímpico e o Mundial Sub-20 formam o primeiro capítulo da relação de Messi com títulos pela Argentina. Seriam os únicos por muito tempo.

A estreia em 2005: expulso em menos de dois minutos

Em 4 de agosto de 2005, o técnico José Pékerman convocou Messi para a seleção principal. A estreia foi em 17 de agosto de 2005, em um amistoso contra a Hungria, em Budapeste, vencido pela Argentina por 2 a 1. Messi entrou no segundo tempo e foi expulso em menos de dois minutos, depois de acertar um cotovelo em um defensor que o havia puxado pela camisa. Foi, nas palavras da imprensa da época, uma estreia de pesadelo.

Há uma coincidência curiosa nesse jogo. A Hungria foi também a adversária da estreia de Diego Maradona pela seleção, em 1977, quando Maradona tinha 16 anos. E, naquele amistoso de 2005, o lateral direito e capitão da Argentina era Lionel Scaloni, que anos depois seria o técnico de Messi em todos os títulos da seleção principal.

O primeiro gol veio em 2006, em um amistoso contra a Croácia, no sexto jogo de Messi pela seleção. O primeiro gol em Copa do Mundo veio meses depois. Na Alemanha, Messi começou o torneio no banco e entrou no segundo jogo, contra Sérvia e Montenegro, aos 74 minutos, no lugar de Maxi Rodríguez. Em 16 de junho de 2006, em Gelsenkirchen, marcou na goleada por 6 a 0 e, aos 18 anos, tornou-se o argentino mais jovem a marcar em uma Copa do Mundo. A campanha terminou nas quartas de final, com derrota para a Alemanha nos pênaltis, jogo que Messi assistiu do banco.

De 2006 a 2008: a promessa que ainda não era líder

Os primeiros anos de Messi na seleção foram os de um jogador brilhante em um grupo que ainda tinha outros donos. A geração de Juan Román Riquelme, Pablo Aimar, Javier Zanetti e Hernán Crespo ainda ditava o ritmo, e Messi era visto, ao mesmo tempo, como o futuro e como uma pergunta aberta. A seleção trocou de técnico depois do Mundial de 2006, com a chegada de Alfio Basile, e a primeira final continental de Messi veio em 2007.

A Copa América de 2007, na Venezuela, terminou com um 3 a 0 do Brasil na final, disputada em Maracaibo. Foi a primeira final perdida de Messi com a seleção principal, e a primeira de uma sequência que marcaria a carreira dele. O placar foi largo, e o recado ficou claro: aos 20 anos, Messi já era o jogador de quem a Argentina esperava que decidisse as finais, e essa expectativa se tornaria uma cobrança permanente.

De 2010 a 2016: a era das finais perdidas

2010: Maradona no banco, Alemanha no caminho

Em 2008, a seleção passou a ser dirigida por Diego Maradona, e o Mundial de 2010, na África do Sul, foi o primeiro em que Messi chegou com a camisa 10 e o status de melhor jogador do mundo, depois de uma temporada em que o Barcelona havia vencido tudo. A Argentina ganhou os três jogos da fase de grupos, mas caiu nas quartas de final com um 4 a 0 da Alemanha, na Cidade do Cabo. Messi terminou aquela Copa sem marcar. A derrota abriu um debate que se repetiria: o que faltava para o melhor jogador do mundo render com a seleção o que rendia no clube?

2011: a Copa América em casa

Depois de Maradona, assumiu Sergio Batista, o mesmo que havia dirigido o time olímpico campeão em 2008. Em 2011, Messi tornou-se capitão. A Copa América daquele ano foi disputada na Argentina, e o torneio em casa deveria ser a oportunidade do primeiro título da geração. A seleção caiu nas quartas de final, em Santa Fe, para o Uruguai, nos pênaltis. Foi uma eliminação difícil de digerir, em estádio argentino, e que deixou a torcida dividida entre a tristeza e a crítica a Messi.

2014: a final do Maracanã

Alejandro Sabella dirigiu a seleção no Mundial de 2014, no Brasil, e foi com ele que Messi chegou mais perto do troféu até então. Marcou quatro gols, todos na fase de grupos, conduziu a Argentina até a final e foi eleito o melhor jogador do torneio. Em 13 de julho de 2014, no Maracanã, a Argentina enfrentou a Alemanha em uma final equilibrada, resolvida na prorrogação: Götze marcou aos 113 minutos, e o jogo terminou 1 a 0. Messi saiu do Brasil com a Bola de Ouro do torneio e com a sensação de que a Copa do Mundo ficara a um chute de distância.

2015 e 2016: duas finais, dois pênaltis perdidos

A sequência de finais continentais é a parte mais dolorosa da biografia de Messi na seleção. Na Copa América de 2015, no Chile, a Argentina chegou à final contra o dono da casa, empatou em 0 a 0 e perdeu nos pênaltis por 4 a 1. No ano seguinte, na Copa América Centenário, disputada nos Estados Unidos, o cenário foi quase idêntico: final contra o Chile, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, 0 a 0 no tempo normal e derrota nos pênaltis por 4 a 2. Messi chutou por cima na primeira cobrança argentina.

Logo depois da derrota, no próprio estádio, Messi anunciou que deixava a seleção. Tinha 29 anos. A decisão provocou uma reação nacional, com apelos de torcedores, dirigentes e políticos. Semanas depois, ele voltou atrás. Há uma simetria cruel nessa história: o MetLife Stadium, onde Messi disse adeus pela primeira vez, seria também o palco da final de 2026, a última partida dele em Copas do Mundo.

De 2016 a 2019: crise, Quito e a chegada de Scaloni

A volta de Messi coincidiu com um período instável. Em 2016 e 2017, a seleção passou pelas mãos de Edgardo Bauza e depois de Jorge Sampaoli, e as Eliminatórias para a Copa de 2018 quase terminaram em fracasso. A classificação só foi garantida na última rodada, em 10 de outubro de 2017, em Quito, com uma vitória por 3 a 1 sobre o Equador. Os três gols foram de Messi, que sozinho carregou a Argentina para a Rússia.

O Mundial de 2018 foi uma sucessão de problemas. Empate com a Islândia, derrota por 3 a 0 para a Croácia e uma vitória sofrida sobre a Nigéria por 2 a 1, com gol de Messi, resolvida só no fim. Nas oitavas de final, em Kazan, a seleção perdeu por 4 a 3 para a França de Kylian Mbappé, em um jogo que mostrou quanto a equipe dependia de Messi e quanto ainda faltava para sustentar uma Copa.

Depois da eliminação, Sampaoli saiu, e a seleção foi entregue a Lionel Scaloni, ex-jogador, que havia sido capitão no dia da estreia de Messi, em 2005. A escolha parecia modesta: Scaloni nunca havia dirigido uma seleção principal. Mas ele montou uma comissão com nomes ligados à história do futebol argentino, como Pablo Aimar, e começou a renovar o elenco com jogadores que entendiam o grupo como um projeto coletivo, e não como um time montado em torno de uma única estrela.

A Copa América de 2019, no Brasil, ainda foi dolorosa. A Argentina perdeu a semifinal para o time da casa por 2 a 0, e Messi, depois do jogo, acusou a Conmebol de corrupção. Na disputa do terceiro lugar, foi expulso ao lado do chileno Gary Medel, em um lance de confusão entre os dois. A Argentina venceu o Chile por 2 a 1, mas Messi foi suspenso por três meses. Era um dos pontos mais baixos da relação dele com a seleção. Parecia improvável que, dois anos depois, ele fosse levantar um troféu pela primeira vez.

2021 e 2022: a virada

A Copa América de 2021 e o fim do jejum

A Copa América de 2021 foi disputada no Brasil, em meio à pandemia, e acabou sendo o torneio que mudou a história de Messi com a seleção. Dirigida por Scaloni, a Argentina chegou à final em 10 de julho de 2021, no Maracanã, contra o Brasil. Um gol de Ángel Di María, no primeiro tempo, decidiu o jogo por 1 a 0. Foi o primeiro título da seleção principal em 28 anos, desde a Copa América de 1993, e o primeiro de Messi com a camisa da seleção principal, quase 16 anos depois da estreia.

Messi foi o melhor jogador do torneio. Marcou quatro gols, dividindo a artilharia com o colombiano Luis Díaz, e deu cinco assistências. Depois do apito final, foi lançado ao ar pelos companheiros no gramado do Maracanã. A imagem se tornou um dos símbolos da fase final da carreira dele, e aquele título deu à seleção uma segurança que o grupo não tinha antes.

A Finalíssima de 2022

Em 1º de junho de 2022, no estádio de Wembley, em Londres, a Argentina enfrentou a Itália, campeã europeia, na Finalíssima, o confronto entre os campeões da Copa América e da Eurocopa. A seleção venceu por 3 a 0, com gols de Lautaro Martínez, Ángel Di María e Paulo Dybala, e o título reforçou a ideia de que a Argentina de Scaloni era, naquele momento, a melhor seleção do mundo.

O Mundial do Catar

A Copa do Mundo de 2022 começou com uma derrota inesperada: 2 a 1 para a Arábia Saudita, na estreia, em 22 de novembro. Messi marcou de pênalti, mas o time perdeu, e a pressão foi imediata. A Argentina reagiu com vitórias sobre México, por 2 a 0, e Polônia, por 2 a 0, e passou em primeiro no grupo. Nas oitavas de final, derrotou a Austrália por 2 a 1. Nas quartas, eliminou a Holanda nos pênaltis, depois de um 2 a 2 muito disputado, com atuação decisiva do goleiro Emiliano Martínez. Na semifinal, venceu a Croácia por 3 a 0, em um jogo em que Messi marcou de pênalti e participou de uma jogada espetacular no terceiro gol.

A final foi disputada em 18 de dezembro de 2022, no estádio de Lusail, contra a França. A Argentina fez 2 a 0 e parecia perto do título, mas Kylian Mbappé marcou duas vezes em poucos minutos no fim do tempo normal e a partida foi à prorrogação. Messi fez o 3 a 2 na prorrogação, Mbappé empatou de pênalti e levou o jogo aos pênaltis. A Argentina venceu por 4 a 2 e conquistou o terceiro título mundial, 36 anos depois do de 1986. Messi marcou sete gols no torneio, foi eleito o melhor jogador da Copa e alcançou 26 partidas em Mundiais, o recorde na época.

A conquista de 2022 mudou a forma como o mundo olha para Messi. A pergunta que o acompanhou por anos, a de quando ele conquistaria algo com a seleção, foi substituída por outra: se havia algo que ainda faltasse. Para a Argentina, o título significou a retomada de um orgulho coletivo, e as imagens da celebração em Buenos Aires, com milhões de pessoas nas ruas, ficaram entre as maiores da história do país.

2024 e 2025: o capitão que não parou

A segunda Copa América

Messi não saiu de cena depois de 2022. Em 2024, disputou a Copa América, nos Estados Unidos, e a Argentina chegou à final contra a Colômbia, em 14 de julho, em Miami. Messi se machucou no tornozelo e deixou o jogo aos 66 minutos, chorando no banco. O jogo foi à prorrogação, e Lautaro Martínez decidiu aos 112 minutos, para o 1 a 0 que deu à Argentina a Copa América de 2024, a 16ª da história, e a segunda de Messi. Foi também a despedida de Ángel Di María da seleção, o companheiro que havia marcado nas finais de 2008, 2021 e 2022.

A despedida do Monumental nas Eliminatórias

A seleção garantiu a classificação para a Copa de 2026 com antecedência nas Eliminatórias sul-americanas. Em 4 de setembro de 2025, no Estádio Monumental, diante de cerca de 80 mil pessoas, a Argentina venceu a Venezuela por 3 a 0, com dois gols de Messi, aos 39 e aos 80 minutos, e um de Lautaro Martínez. Na véspera, Messi havia dito que seria uma partida muito especial, justamente por ser a última das Eliminatórias em casa, e que a família estaria no estádio: a mulher, os filhos, os pais e os irmãos. Foi o último jogo oficial de Messi em casa pelas Eliminatórias, e ele deixou o gramado emocionado. Confirmou também, depois da partida, que não jogaria a última rodada, contra o Equador. Depois da partida, disse que o carinho recebido era “o que sempre sonhei”. Já havia indicado que o Mundial de 2026 provavelmente seria a última competição dele com a seleção.

2026: o último Mundial

A campanha até a final

A Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, no Canadá e no México, foi a sexta de Messi e a primeira com 48 seleções. A Argentina chegou como campeã em título e passou pela fase de grupos com três vitórias em três jogos. O mata-mata foi mais duro. Nas oitavas de final, enfrentou o Egito e chegou a estar perdendo por 2 a 0, mas reagiu e avançou, com gol de Messi. Na semifinal, em Atlanta, em 15 de julho de 2026, venceu a Inglaterra por 2 a 1, de virada.

Do outro lado, a Espanha dirigida por Luis de la Fuente avançou com uma defesa quase perfeita: sofreu um único gol em todo o torneio, e esse gol foi nas quartas de final. A final reuniu, pela primeira vez, Argentina e Espanha em uma decisão de Copa do Mundo.

A final do MetLife Stadium

Em 19 de julho de 2026, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, a Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação. O gol foi de Ferran Torres, no início do segundo tempo da prorrogação, depois de uma jogada com participação de Nico Williams. A Espanha foi superior durante os 120 minutos, obrigou o goleiro Emiliano Martínez a trabalhar com frequência e teve ainda um gol anulado. A Argentina não acertou nenhum chute no alvo ao longo da partida.

Para Messi, a noite teve um sabor duplo. Foi a quinta final perdida na carreira de Messi com a seleção principal e a despedida dele das Copas do Mundo, no mesmo estádio onde, em 2016, havia anunciado que deixava a seleção. Mas também foi a conclusão de um Mundial em que, aos 39 anos, ele marcou oito gols, ficou atrás apenas de Kylian Mbappé na artilharia e fechou a carreira em Copas com 21 gols.

A distância entre a imagem do jogador que perdeu a final de 2014 e a do jogador que perdeu a de 2026 resume a trajetória. Em 2014, Messi era a esperança de uma seleção que ainda não sabia vencer. Em 2026, era o capitão de uma seleção que já sabia, e a derrota veio diante de uma Espanha que, na final, foi superior.

Os números de Messi na seleção argentina

Até o anúncio de 31 de agosto de 2026, os números de Lionel Messi pela seleção principal eram os seguintes:

  • 207 partidas, o recorde de jogos da história da seleção;
  • 125 gols, o recorde de gols da história da seleção;
  • seis Copas do Mundo disputadas: 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026;
  • 21 gols em Copas do Mundo, oito deles em 2026 e sete em 2022;
  • 26 jogos em Copas do Mundo já em 2022, recorde mundial naquele momento;
  • capitão da seleção desde 2011.

Os troféus da seleção principal são quatro: a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024. Nas categorias de base, Messi foi campeão mundial Sub-20 em 2005 e campeão olímpico em 2008. São seis títulos com a camisa da Argentina, ao longo de 19 anos entre o primeiro, em 2005, e o último, em 2024.

As finais contam outra parte da história. Com a seleção principal, Messi disputou nove finais, ou partidas decisivas de título. Quatro terminaram em campeonato: Copa América de 2021, Finalíssima de 2022, Copa do Mundo de 2022 e Copa América de 2024. Cinco terminaram em derrota: Copa América de 2007, Copa do Mundo de 2014, Copa América de 2015, Copa América de 2016 e Copa do Mundo de 2026. Das três derrotas entre 2014 e 2016, duas foram decididas nos pênaltis e uma na prorrogação.

As nove finais de Messi com a seleção principal

Cada uma das nove decisões tem um adversário, um placar e uma data, e juntas contam a trajetória de Messi melhor do que qualquer estatística isolada:

  • Copa América de 2007, contra o Brasil: derrota por 3 a 0, em Maracaibo;
  • Copa do Mundo de 2014, contra a Alemanha: derrota por 1 a 0 na prorrogação, no Maracanã;
  • Copa América de 2015, contra o Chile: derrota nos pênaltis, por 4 a 1, depois de 0 a 0;
  • Copa América de 2016, contra o Chile: derrota nos pênaltis, por 4 a 2, depois de 0 a 0, no MetLife Stadium;
  • Copa América de 2021, contra o Brasil: vitória por 1 a 0, no Maracanã;
  • Finalíssima de 2022, contra a Itália: vitória por 3 a 0, em Wembley;
  • Copa do Mundo de 2022, contra a França: empate por 3 a 3 e vitória nos pênaltis, por 4 a 2, em Lusail;
  • Copa América de 2024, contra a Colômbia: vitória por 1 a 0 na prorrogação, em Miami;
  • Copa do Mundo de 2026, contra a Espanha: derrota por 1 a 0 na prorrogação, no MetLife Stadium.

A ordem das datas revela um padrão. Entre 2007 e 2016, Messi perdeu quatro finais seguidas. Entre 2021 e 2024, com Scaloni no comando, venceu outras quatro. A derrota de 2026 foi a primeira em uma final desde 2016. Seis das nove decisões não foram resolvidas no tempo normal: três foram para a prorrogação e três terminaram nos pênaltis, o que mostra quão pequena foi, em muitas delas, a diferença entre vencer e perder.

Há ainda as marcas de equipe. Messi jogou sob o comando de nove técnicos diferentes: José Pékerman, Alfio Basile, Diego Maradona, Sergio Batista, Alejandro Sabella, Gerardo Martino, Edgardo Bauza, Jorge Sampaoli e Lionel Scaloni. Os quatro títulos da seleção principal vieram todos sob o comando de Scaloni.

Os companheiros e os técnicos de uma carreira longa

Poucos jogadores atravessam uma carreira de seleção tão longa e com tanta renovação em volta. Quando Messi estreou, em 2005, o capitão era Scaloni, e o time tinha nomes como Zabaleta, Heinze, Sorín e Maxi Rodríguez. Quando a despedida foi anunciada, em 2026, a seleção tinha Emiliano Martínez no gol, Lautaro Martínez e Julián Álvarez na frente, Alexis Mac Allister e Enzo Fernández no meio-campo e uma nova geração em formação. A seleção que Messi deixa é diferente da que o recebeu.

O companheiro mais ligado aos momentos decisivos foi Ángel Di María, que marcou nas finais de 2008, 2021 e 2022 e se despediu da seleção depois da Copa América de 2024. Entre os técnicos, a relação mais simbólica foi a de Maradona, que dirigiu Messi entre 2008 e 2010 e morreu em 25 de novembro de 2020, antes dos títulos de 2021 e 2022. A comparação entre os dois, que atravessou toda a carreira de Messi, nunca foi totalmente resolvida, mas o título de 2022 colocou os dois lado a lado: Maradona venceu em 1986, e Messi, 36 anos depois.

O técnico decisivo foi Scaloni. Foi ele quem transformou uma seleção sem títulos em uma sequência de conquistas, e quem soube montar o grupo em torno de Messi sem depender apenas dele. Os títulos de 2021, 2022 e 2024 são, em parte, o resultado dessa construção coletiva.

Linha do tempo de Messi na seleção argentina

  • 2004: Messi começa a defender as seleções de base da Argentina.
  • 2005: campeão mundial Sub-20 nos Países Baixos; estreia na seleção principal em 17 de agosto, em Budapeste, contra a Hungria.
  • 2006: primeiro gol pela seleção principal, contra a Croácia; primeiro gol em Copa do Mundo, contra Sérvia e Montenegro.
  • 2007: final da Copa América, perdida por 3 a 0 para o Brasil.
  • 2008: ouro olímpico em Pequim.
  • 2010: quartas de final da Copa do Mundo, com derrota por 4 a 0 para a Alemanha.
  • 2011: Messi torna-se capitão; a Argentina cai nas quartas da Copa América, em casa.
  • 2014: final da Copa do Mundo no Maracanã, perdida por 1 a 0 para a Alemanha na prorrogação.
  • 2015: final da Copa América, perdida para o Chile nos pênaltis.
  • 2016: nova final da Copa América, perdida para o Chile nos pênaltis; Messi anuncia a saída da seleção e volta atrás semanas depois.
  • 2017: três gols de Messi em Quito garantem a classificação para a Copa de 2018.
  • 2018: eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo, contra a França; Scaloni assume a seleção.
  • 2019: terceiro lugar na Copa América, com expulsão e suspensão de Messi.
  • 2021: campeão da Copa América, no Maracanã.
  • 2022: campeão da Finalíssima, em Wembley, e da Copa do Mundo, no Catar.
  • 2024: campeão da Copa América, nos Estados Unidos.
  • 2025: último jogo de Messi em casa pelas Eliminatórias, com dois gols no Monumental.
  • 2026: vice-campeão da Copa do Mundo; em 31 de agosto, anuncia a aposentadoria da seleção.
  • 2026: jogo de despedida, em 6 de outubro, no Monumental, contra o Benin.

Messi e a seleção: o que fica

A história de Messi com a seleção argentina é, antes de tudo, a história de uma reconciliação. A agência Reuters resumiu essa ideia ao dizer que ele transformou uma relação complicada com a seleção em uma história de redenção e de triunfo. Durante boa parte da carreira, Messi foi tratado em seu país como o melhor jogador do mundo que ainda devia algo à camisa celeste e branca, uma cobrança injusta, em muitos aspectos, mas que fez parte do cotidiano dele por mais de uma década. As finais perdidas de 2014, 2015 e 2016 tornaram essa cobrança mais pesada. A decisão de 2016 foi o reflexo mais claro disso.

O que mudou, depois, não foi só a conquista dos troféus. Mudou o ambiente em volta dele. Com Scaloni, a seleção deixou de ser um time em que se esperava que Messi resolvesse tudo e passou a ser um grupo que o protegia, o servia e, em muitos momentos, o liderava. O título de 2021 libertou o time de uma espera de 28 anos. O de 2022 transformou a seleção em uma das mais admiradas do mundo. O de 2024 mostrou que a geração tinha fôlego para repetir. E a final de 2026, mesmo perdida, comprovou que a Argentina continuava entre as melhores.

Há também uma dimensão geracional. A despedida de Messi na seleção argentina tem um efeito especial sobre os jovens do país, que não conheceram uma seleção sem ele. Uma estudante de 18 anos ouvida pela Reuters resumiu esse sentimento com a frase de que nunca havia vivido uma seleção sem Messi. Para quem nasceu depois de 2005, ver a seleção sem o número 10 é uma experiência inédita.

O jogo de despedida contra o Benin

O amistoso contra o Benin foi marcado para 6 de outubro de 2026, às 20h (horário de Brasília e de Buenos Aires), no Estádio Monumental de Núñez, casa do River Plate e palco de muitas das noites mais marcantes de Messi com a seleção, como a vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela nas Eliminatórias, em setembro de 2025. É o terceiro e último jogo da Argentina na data Fifa de outubro, depois de Bolívia e Burkina Faso, e o jogo é um amistoso, pensado como homenagem.

Messi foi chamado especialmente para a ocasião. É a partida de número 208 dele com a camisa da seleção principal e a última de uma sequência iniciada em 17 de agosto de 2005. Depois dela, a Argentina segue sem ele. A renovação da seleção sob o comando de Scaloni já está em curso: nos dois primeiros amistosos da data Fifa, a comissão técnica testou jogadores jovens, entre eles estreantes, e a seleção venceu por 4 a 0 e por 7 a 0.

A despedida de Messi na seleção argentina não encerra a carreira dele. Messi continua em atividade em seu clube. Mas encerra a relação mais importante de toda a trajetória, aquela que, durante mais de duas décadas, o fez ser, ao mesmo tempo, o maior jogador da história da Argentina e o mais cobrado.

Perguntas frequentes sobre a despedida de Messi na seleção argentina

Quando e onde é o jogo de despedida de Messi?

O jogo de despedida foi marcado para 6 de outubro de 2026, às 20h (horário de Brasília e de Buenos Aires), no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires. O adversário é o Benin, em amistoso da data Fifa de outubro.

Quando Messi anunciou a aposentadoria da seleção?

Messi anunciou a aposentadoria da seleção argentina em 31 de agosto de 2026, em uma carta publicada nas redes sociais, pouco mais de um mês depois da final da Copa do Mundo de 2026. Ele tinha 39 anos.

Messi se aposentou do futebol?

Não. A aposentadoria vale apenas para a seleção argentina. Messi segue em atividade no futebol de clubes.

Quantos gols Messi marcou pela seleção argentina?

Messi marcou 125 gols em 207 jogos até o anúncio da aposentadoria, em 31 de agosto de 2026. É o maior artilheiro e o recordista de partidas da história da seleção argentina.

Quando foi a estreia de Messi na seleção?

A estreia foi em 17 de agosto de 2005, em um amistoso contra a Hungria, em Budapeste, vencido pela Argentina por 2 a 1. Messi foi expulso em menos de dois minutos, depois de entrar no segundo tempo.

Quais títulos Messi conquistou com a seleção argentina?

Na seleção principal, Messi foi campeão da Copa América de 2021, da Finalíssima de 2022, da Copa do Mundo de 2022 e da Copa América de 2024. Nas categorias de base, foi campeão mundial Sub-20 em 2005 e campeão olímpico em 2008.

Messi já havia anunciado a saída da seleção antes?

Sim. Em 2016, logo depois da derrota para o Chile na final da Copa América Centenário, Messi anunciou que deixava a seleção. Semanas depois, voltou atrás e seguiu jogando até 2026.

Quantas Copas do Mundo Messi disputou?

Messi disputou seis Copas do Mundo: 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026. Foi campeão em 2022 e vice-campeão em 2014 e em 2026.

Conclusão: a despedida de Messi na seleção argentina

Entre a expulsão em Budapeste, em 2005, e a derrota em Nova Jersey, em 2026, passaram-se 21 anos. Nesse intervalo, Messi perdeu cinco finais, ganhou quatro, chegou a anunciar o adeus e voltou, foi capitão em três finais de Copa do Mundo e deixou números que a seleção argentina dificilmente verá repetidos. A despedida de Messi na seleção argentina é, ao mesmo tempo, o fim de uma era e a prova de que a era valeu a espera.