Argentina 3 x 0 Benin: Messi marca, dá duas assistências e se despede da seleção no Monumental

Argentina goleia Benin, e Messi encerra 21 anos de seleção com o 126º gol, homenagens aos 10 minutos e a família em campo

Lionel Messi, de braçadeira de capitão, com a mão no peito, no Monumental

A Argentina goleou o Benin por 3 a 0 na terça-feira, 6 de outubro de 2026, no Estádio Monumental, em Buenos Aires, na despedida de Lionel Messi da seleção. O capitão participou diretamente dos três gols: deu duas assistências e converteu um pênalti, o 126º dele com a camisa argentina. O amistoso foi o terceiro e último da data Fifa e o jogo de número 208 de Messi pela seleção principal, mais de 21 anos depois da estreia, em 2005.

Uma noite que começou antes da bola rolar

A despedida começou horas antes do jogo. Messi apareceu emocionado, com os olhos molhados, no ônibus que levou a delegação do centro de treinamento de Ezeiza até o Monumental, acompanhado por uma caravana espontânea de torcedores. Horas antes, havia publicado uma mensagem, ao som de “Gracias a la vida”, na voz de Mercedes Sosa. Nela, escreveu que a camisa da seleção foi seu sonho, seu orgulho e sua vida, e agradeceu o amor recebido. O grupo também gravou um vídeo em que jogadores e comissão assinam uma camisa para o capitão, e Scaloni se disse muito agradecido por ter feito parte da história dele.

No estádio, a cerimônia manteve o tom. O Hino Nacional foi cantado por Fabio Santana, ex-combatente da Guerra das Malvinas, e Messi e o técnico Lionel Scaloni choraram durante a execução. No vestiário, o capitão recebeu do presidente do River Plate, Stefano Di Carlo, o título de sócio honorário do clube dono do Monumental. Antes de ir ao campo, fez uma última preleção, pediu que os companheiros jogassem bem, se divertissem e fizessem gols, e foi até o fim do túnel buscar os três filhos, Thiago, Mateo e Ciro, com quem entrou em campo. A mulher, Antonela Roccuzzo, e a mãe, Celia Cuccittini, assistiram do camarote.

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A procura por ingressos já havia mostrado o tamanho da noite: eles se esgotaram em menos de duas horas, e Scaloni chegou a dizer, dias antes, que cinco Monumentais teriam lotado. No dia do jogo, o estádio recebeu mais de 80 mil pessoas. A AFA convidou os campeões do mundo de 2022 para acompanhar a despedida e montou uma Fan Fest na Cidade Universitária, para quem ficou sem entrada.

O jogo: primeiro tempo travado, segundo tempo de festa

Messi saudou as quatro arquibancadas ao entrar em campo. O Benin, dirigido por Gernot Rohr, jogou o amistoso com seriedade, criou uma boa chance de abrir o placar e levou perigo com chutes de fora da área, que o goleiro Emiliano Martínez respondeu. O primeiro tempo terminou sem gols, com a Argentina sem encontrar espaços diante de uma defesa fechada.

O jogo mudou no início do segundo tempo. Aos 48 minutos, Nicolás Otamendi abriu o placar, depois de uma bola levantada por Messi. Aos 61, Nico Paz recebeu de Messi perto da área e chutou de fora para ampliar. A imprensa argentina viu no gol, que nasceu em passe do capitão, um símbolo de sucessão.

Perto dos 70 minutos, Agustín Giay sofreu falta dentro da área, e o árbitro chileno Fernando Véjar marcou pênalti. Messi pegou a bola, cobrou e fez o terceiro. Foi o 126º gol dele pela seleção e o último da carreira internacional. Ele comemorou com os companheiros em roda. Otamendi, que também se despediu da seleção na noite, foi substituído por Facundo Medina e saiu aplaudido.

As homenagens no Monumental

Aos 10 minutos, em referência à camisa que Messi usou na maior parte da carreira, Véjar interrompeu o jogo. O estádio inteiro cantou o nome do camisa 10 por vários minutos, soltaram-se fogos de artifício ao lado do campo, e jogadores do Benin se aproximaram para cumprimentá-lo.

O gesto tinha uma história recente. Depois do anúncio da aposentadoria, em 31 de agosto, a AFA determinou que as partidas do futebol argentino fossem paradas aos 10 minutos para aplausos a Messi e que os estádios com telão exibissem um vídeo em homenagem a ele. Também foi apresentado na Câmara dos Deputados um projeto de lei para declará-lo “embaixador ilustre e itinerante” da Argentina.

A noite teve ainda apresentações musicais, com artistas como La Sole, e a presença de Charly García no estádio. No apito final, o árbitro entregou a bola do jogo a Messi. Para encerrar a noite, um show de drones iluminou o céu do Monumental com imagens do capitão, da Copa do Mundo, das três estrelas e uma mensagem de agradecimento.

O que Messi disse

Com o microfone no centro do campo, Messi falou por cerca de nove minutos. Começou dizendo que era difícil falar e que o primeiro pensamento era para o pai, Jorge Messi, que morreu em 8 de agosto de 2026, aos 68 anos. Disse que foi um orgulho defender a camisa da seleção, que lutou por ela até nos piores momentos e que deixar de ir à seleção vai custar muito. Resumiu a decisão com uma frase: “o dia mais triste da minha carreira”.

Messi explicou que a tristeza vinha de não defender mais as cores da seleção, mas que dali em diante estaria do outro lado, nas arquibancadas, defendendo o time. Agradeceu aos companheiros que o fizeram campeão do mundo, da Finalíssima e da Copa América, e disse que entrava em campo sabendo que tinha guerreiros ao lado, dispostos a dar a vida. Sobre a Copa do Mundo de 2026, afirmou que a seleção chegou muito perto de ser campeã de novo e que o desgaste da semifinal contra a Inglaterra, nas pernas e na parte emocional, foi grande.

Ele também agradeceu ao público que acompanhou a seleção por todo o país e em todos os estádios, e disse que a seleção é sempre local, onde quer que jogue. Lembrou, no Monumental, de um dos dias mais felizes da carreira: o primeiro jogo depois do título mundial, contra o Panamá. E fez um alerta: virão momentos ruins, e quem quiser ver a seleção mal não deve ter esse prazer. O trecho provocou uma das maiores ovações da noite. Ao concluir, disse que estava falando mais do que nunca e que não queria ir embora, que se orgulhava de ser argentino e que ia sentir falta de defender as cores da seleção.

O choro, a família e os companheiros

Enquanto Messi falava, o mais abalado era Enzo Fernández, que chorou durante todo o discurso. A emoção tem uma história: em 2016, quando Messi anunciou que deixava a seleção depois da final da Copa América contra o Chile, Enzo escreveu uma carta a ele. Messi voltou, e anos depois os dois eram companheiros.

Ao final, Messi recebeu o abraço da família. O filho mais velho, Thiago, caiu em lágrimas nos braços do pai, e Antonela Roccuzzo também se emocionou. Depois, os dois e os outros filhos caminharam devagar para deixar o campo.

As reações

A despedida mobilizou o mundo do futebol. Neymar, ex-companheiro de Messi no Barcelona e no PSG, escreveu que não era só a Argentina que o agradecia, mas o mundo todo, pelo que ele fez pelo futebol. Luis Suárez falou de um legado de recordes e de momentos inesquecíveis, e Arturo Vidal, que foi rival e depois companheiro de Messi, o chamou de melhor da história.

Scaloni disse, depois do jogo, que dirigir Messi foi um sonho realizado, nunca imaginado, e que o capitão deixa um legado incrível e é um jogador irrepetível. Perguntado sobre o futuro, afirmou que, se tudo correr bem, seguirá como técnico. O contrato dele com a AFA vai até dezembro de 2026, e o presidente da entidade, Claudio Tapia, já havia oferecido a renovação. Foi Tapia quem anunciou a convocação de Messi para o jogo, para que ele tivesse a despedida que, nas palavras do dirigente, realmente merecia.

O que a despedida deixa

Messi encerra a passagem pela seleção com 208 jogos e 126 gols, recordes de partidas e de gols da história da Argentina. Disputou seis Copas do Mundo, de 2006 a 2026, e foi campeão da Copa América em 2021 e em 2024, da Finalíssima em 2022 e da Copa do Mundo em 2022, além do Mundial Sub-20 de 2005 e do ouro olímpico de 2008. A aposentadoria vale só para a seleção: ele segue jogando no Inter Miami. A trajetória completa está em A história de Messi na seleção argentina, de Budapeste a Nova Jersey.

Para a seleção argentina, a noite fechou uma data Fifa de renovação. Antes do Benin, o time de Scaloni havia vencido a Bolívia por 4 a 0, em Córdoba, e Burkina Faso por 7 a 0, no Monumental, com vários jogadores jovens em campo. Nico Paz, autor do segundo gol contra o Benin, e Franco Mastantuono foram apontados pela imprensa argentina como as apostas de Scaloni para a fase pós-Messi.

Ficha do jogo

Argentina 3 x 0 Benin

Data: terça-feira, 6 de outubro de 2026
Local: Estádio Monumental, Buenos Aires
Competição: amistoso internacional, data Fifa de outubro
Gols: Nicolás Otamendi, aos 48 minutos; Nico Paz, aos 61; Lionel Messi, de pênalti, por volta dos 70
Árbitro: Fernando Véjar (Chile)
Técnicos: Lionel Scaloni (Argentina) e Gernot Rohr (Benin)