Conforme adiantamos ainda sob o calor da reeleição de Grondona, provavelmente o que se testemunhou nesta semana foi o começo do fim de seu reinado. Jose Luis Meizner, secretário-executivo da presidência e seu principal aliado político confirmou em entrevista à rádio Cooperativa que neste mandato a prioridade de Grondona é fazer a transição para a sua própria sucessão.
Duas coisas chamaram a atenção de todos os observadores do processo que levou à reeleição do poderoso chefão. A primeira foi a aberta oposição de diversos grupos, ligados a empresas de comunicação, clubes argentinos e até fora do país: Lucia Topolansky, primeira-dama uruguaia, chegou a se referir ao presidente da AFA como “mafioso” em entrevista publicada hoje do outro lado do Rio da Prata. A exibição do vídeo comprometedor pela C5N, a incansável campanha anti-Grondona nos veículos comandados por Daniel Vila (rádio La Red e TV America à frente) e a tentativa de candidatura de Fernando Raffaini, tudo isso indica a presença de uma oposição cada vez mais desinibida para enfrentar Julio Grondona.
Por outro lado, ficou evidente para todos que a estrela de Grondona pode estar prestes a se apagar, nem que seja por razões físicas. O presidente da AFA, octogenário, passou por cirurgia delicada, e reapareceu em público no dia das eleições cambaleante, mal conseguindo cumprir seu papel. Sua esposa Nelia garantiu ontem, em entrevista à rádio 10, que o marido cumprirá o mandato até o último dia, e que Don Julio tem forças para comandar o futebol argentino com a mão de ferro de sempre.
No entanto, há inúmeros sinais que um cansado Julio Grondona começa a preparar sua sucessão. Jose Luis Meizner, do Quilmes, e seu assessor mais próximo, confirmou à rádio Cooperativa que o poderoso chefão já começa a pensar no futuro da AFA. Garantiu que o vídeo divulgado na noite prévia às eleições da associação nada mais foi que o resultado de uma infrutífera tentativa de Daniel Vila e Carlos Ávila (empresário paraguaio, ex-aliado do presidente da AFA e ex-proprietário do canal TyC Sports) de chantagear Grondona. Garantiu que Vila e Ávila serão processados mas admitiu: neste mandato, Grondona terá como prioridade delegar poderes e preparar sua sucessão.
Para muitos, isso significa espaço aberto para as pretensões presidenciais de German Lerche, do Colón. No entanto, nos últimos dias outro nome ganhou muita força: Julio Comparada, presidente do Independiente, apontado pelo influente (e controverso) jornalista Fernando Niembro pelos microfones da rádio Belgrano como mais forte candidato a suceder o atual presidente da AFA. Mas nomes à parte uma coisa é clara: a sucessão de Grondona é discutida abertamente, o que indica que é extremamente possível que o poderoso chefão do futebol argentino tenha aceitado que seu reinado está chegando ao fim.
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Já vai demasiado tarde, mafioso sem caráter.
Câncer do futebol argentino.