Um dos confrontos históricos entre Brasil e Argentina se deu no mundial de 1990. No dia 24 de junho daquele ano, o caminho das duas equipes se cruzou no estádio Delle’Alpi, em Turim. Com um gol de Claudio Caniggia, os argentinos venceram por 1 a 0 e seguiram rumo à grande decisão, quando perderiam para os alemães. Já os brasileiros viram o sonho do tetra adiado, e o treinador Sebastião Lazaroni caiu em desgraça.
Quando a bola rolou no estádio de Turim, nenhuma das equipes havia encantado seus torcedores. Comandada por Carlos Bilardo, a albiceleste só havia chegado à segunda fase pelo fato de que na época quatro dos seis terceiros colocados se classificavam. A equipe havia chegado como atual campeã, mas perdeu logo na estréia para os camaroneses. Bateu os soviéticos por 2 a 0 na segunda partida (mas perdeu o goleiro Pumpido), e só garantiram o sofrido terceiro posto ao empatar com os romenos na última rodada.
O Brasil havia vencido suas três partidas na primeira fase, mas sem convencer ninguém. As pálidas vitórias contra Suécia, Costa Rica e Escócia eram muito pouco para a torcida brasileira, que, após muitas criticas a Sebastião Lazaroni pela adoção do sistema 3-5-2 (então desconhecido por aqui) havia reunido grandes esperanças graças ao ótimo desempenho na Copa América de 1989. Numa das partidas daquele torneio, o Brasil havia vencido os argentinos de forma muito convincente no Maracanã, um ótimo jogo em que Bebeto e Romário marcaram os gols na vitória por 2 a 0.
Mas quando o jogo começou um milagre parecia ter acontecido. A seleção brasileira jogava um futebol muito superior ao das outras partidas. Muller e Careca enlouqueciam a zaga argentina, Dunga, Alemão e Valdo controlavam o meio de campo, e a canarinho dominava o jogo de forma evidente. Os argentinos não conseguiam levar perigo nos contra-ataques, anulados pelo trio de zagueiros brasileiros. As chances de gol eram todas brasileiras, e já no primeiro tempo Dunga acertou a trave.
No segundo tempo o panorama não mudou. O Brasil comandava o jogo, e parecia sempre prestes a marcar. A certa altura Careca e Alemão acertaram a trave argentina no mesmo lance. O gol parecia questão de tempo. E de fato era. Só que a bola entrou no gol brasileiro. A dez minutos do fim Maradona, (até então apagado do jogo, graças à contusão que tinha) driblou toda a defesa brasileira e limpou a jogada pra Caniggia marcar.
Os dez minutos minutos finais foram vertiginosos. Lazaroni lançou Renato Gaucho no lugar de Mauro Galvão, e abdicou da defesa. Os argentinos quase marcaram o segundo no contra-ataque, contido apenas em uma falta de Ricardo Gomes, que levou à expulsão do defensor brasileiro. Aos 45 do segundo tempo um cruzamento encontrou Muller na cara do gol, mas o jogador perdeu oportunidade incrível de empatar.
O placar foi traumático para os brasileiros. Aquela geração foi carimbada com o rótulo de perdedora, o que acabou sendo essencial para que as coisas não dessem errado novamente em 1994. Enquanto isso Diego Maradona confirmava seu papel de herói argentino mais uma vez, ao comandar uma vitoria impossível mesmo estando contundido. A história do Deus Maradona tinha mais um capítulo escrito naquele dia.
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