Categoria: Seleção Argentina

  • O time dos craques amaldiçoados da Seleção Argentina

    O time dos craques amaldiçoados da Seleção Argentina

    Os craques amaldiçoados da Seleção Argentina formam um time de talentos que nunca renderam na Albiceleste. Palermo e os três pênaltis perdidos são o símbolo.

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    Palermo após o 2º dos três pênaltis perdidos em 1999

    Já montamos o time dos sonhos da Argentina na história da Copa América: clique aqui. Agora com mata-mata pela frente (e contra a Colômbia, para o arrepio de Martín Palermo), é a vez de representar fielmente a zica vivida pela Albiceleste no último meio século, com apenas dois títulos em treze disputados. Em que pese a concorrência de peso com Uruguai e Brasil, é muito pouco para quem havia vencido doze vezes em 25 participações até 1967, ou praticamente metade – ressaltando que os argentinos se ausentaram das edições de 1939, 1949 e 1953, oportunizando raríssimos títulos respectivamente de Peru, Brasil (só duas vezes campeão até então) e Paraguai.

    A seleção de 1967 foi poupada de nomes aqui. Embalada pelo artilheiro Luis Artime, que pela seleção fez incríveis 24 gols em 25 jogos, foi ganhando todos até o último, quando jogava pelo empate mas sofreu uma derrota “normal” de 1-0 para o anfitrião Uruguai. A de 1975 não era bem a seleção principal, e sim uma experimental bancada pelo técnico César Menotti, o primeiro a apostar largamente em jogadores do interior. A base foram jogadores das cidades de Rosario e Santa Fe.

    Mesmo perdendo em casa para um Brasil também regionalizado (do futebol mineiro), aquela Argentina de 1975 teve o mérito de garimpar futuros campeões mundiais: Daniel Killer e Mario Kempes, ambos então no Rosario Central; Américo Gallego e Jorge Valdano, os dois do Newell’s; Leopoldo Luque, então no Unión; e Osvaldo Ardiles, do Huracán, raro representante de Buenos Aires. Só Killer não foi titular. Seriam mais se o goleiro Hugo Gatti, outro do Unión, não se lesionasse no fim de 1977 – era ele e não Ubaldo Fillol o titular na seleção às vésperas do mundial.

    De 1979 em diante, a história muda, em que pese eventuais renovações naturais em torneios pós-Copa; ou outras ocasiões onde os técnicos pensaram em um time experimental, como 1997, com só dois do futebol europeu, Gustavo López (Real Zaragoza) e Rodolfo Cardoso (Hamburgo), com ambos a ficar de fora da Copa de 1998 como a maioria dos jogadores locais testados; e como 2004, com basicamente o time olímpico. O título da nota não é a toa: priorizamos jogadores de qualidade, importância e/ou reconhecimento praticamente inquestionáveis na seleção ou ao menos nos clubes.

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    Pumpido ainda com dez dedos em 1983; Zanetti em 1999; Ayala no lance do gol contra em 2007

    GOLEIRO: Carlos Bossio levou três gols no vexaminoso 3-0 para o incipiente Estados Unidos em 1995. Por outro lado, teve o mérito (ou então a culpa foi do treinador Daniel Passarella mesmo) de aparecer naquela seleção vindo da segundona: acabara de subir dela com o Estudiantes. Ao passo que Nery Pumpido já havia participado de Copa do Mundo, em 1982, quando levou dois gols do fraco Equador em 1983. Era a estreia e foi em Quito, mas a Argentina havia aberto 2-0 já no segundo tempo. Carlos Bilardo, que buscava renovação, voltou imediatamente a usar o veterano Fillol nos jogos restantes. A eliminação veio exatamente por aquele ponto perdido – e a zica de Pumpido com o torneio não parou aí, pois foi em um treino na edição de 1987 que ele perdeu um dedo da mão.

    LATERAL-DIREITO: Javier Zanetti, pelas estatísticas. El Pupi é o argentino recordista de participações sem títulos. Foram cinco, entre 1995 e 2011 – só não atuou na de 1997 pela preferência de Passarella em usar um time B e em 2001 pela desistência da Argentina em participar, temendo as condições de segurança em uma Colômbia assombrada pelas FARC. Até na “olímpica” de 2004 havia ido…

    ZAGUEIROS: Daniel Passarella e demais argentinos ficaram na lanterna em grupo-triangular que, se tinha o Brasil, também tinha a Bolívia em 1979, mas se houve culpado foi César Menotti, que mesmo antes do torneio assumia que a prioridade era o mundial de juniores. No lugar do Kaiser no flanco esquerdo, escolhemos Eduardo Berizzo. Bom nome do Newell’s de Marcelo Bielsa, do belo River dos anos 90 e do “Eurocelta” de Vigo da virada do milênio (voltou ao clube este ano, como técnico), reclamou demais com o árbitro contra o Peru na edição 1997 quando já tinha amarelo. Foi a cereja de uma atuação desastrosa de toda a zaga argentina, passiva nas tabelas de um oponente que levaria de 7-0 do Brasil.

    Gallardo já havia sido expulso e o vermelho de Berizzo complicou de vez tudo. Isso porque ele só jogou aquela partida justamente por suspensão do titular Pablo Rotchen por expulsão no jogo anterior. No outro flanco, fácil cravar Roberto Ayala. El Ratón só não foi colega de Zanetti na de 2011: se aposentara da seleção na final de 2007. Marcando gol contra. E numa final onde o campanhão da Argentina se reduziu aos 3-0 para o Brasil. Antes, em 1999, perdeu a treze minutos do fim o pênalti que empataria a partida com o Brasil nas quartas, permitindo Vanderlei Luxemburgo bater Marcelo Bielsa.

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    Berizzo, Carlos Enrique e Astrada: todos marcados por expulsões tolas

    LATERAL-ESQUERDO: Carlos Enrique, apropriadamente apelidado de El Loco – não confundir com Héctor Enrique, El Negro, seu irmão e campeão na Copa de 1986. Era experiente em um time jovem; pelo Independiente, havia anulado bem Renato Gaúcho na final da Libertadores de 1984, por exemplo. Mas perdeu a cabeça ao sofrer um carrinho frontal de Márcio Bittencourt em 1991, pisando no corintiano enquanto escapava. Foi expulso e nunca mais voltou a jogar pela seleção. “Fui com a ideia de estourar-lhe a cabeça, para quê negar? Nem me lembro o nome, mas sim que atirou em mim com as duas pernas e se eu não saltasse rompia os dois joelhos, então quando baixei do salto lhe agarrei com todas as travas ao longo da costa”, descreveu em 2013.

    VOLANTE: sua seleção vai ganhando por 2-1, é o fim do primeiro tempo, você já tem cartão amarelo e entra forte em Sávio. Leonardo Astrada, jogador com mais títulos do River, era outro nome já experiente (colega de Enrique no título de 1991 na Copa América) expulso infantilmente contra o Brasil. Que, ao contrário de 1991, onde perdeu por 3-2, avançaria: teve um homem a mais em todo o segundo tempo, empatou com o célebre gol com mão de Túlio e levou a melhor nos pênaltis.

    MEIAS: pela esquerda, Diego Armando Maradona. Dieguito ainda era um garoto em 1979 mas estava no auge nas de 1987 e 1989 (não participou da de 1983, que não contou com “europeus”) e não repetiu as deslumbrantes atuações do mundial de 1986. Vale lembrar ainda que a edição de 1987 foi a primeira em que a Argentina sediou e não levou. E sem seu principal astro, suspenso por doping, a Argentina se virou muito bem, ganhando o torneio pelas últimas vezes, em 1991 e 1993.

    Pela direita, Marcelo Gallardo. Era o melhor argentino em campo contra o Peru em 1997, mas foi amaldiçoado do mesmo jeito até ali: perdeu pênalti e foi expulso justamente após converter outro, ao chocar-se com o goleiro na pressa para repor a bola no meio-campo. Antes, na de 1995, conseguira ser o camisa 10 e reserva. Contra a Bolívia, foi substituído no intervalo por Ariel Ortega. Seu outro jogo foi no desastre dos reservas nos 3-0 sofridos para os EUA, onde atuou o jogo inteiro…

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    Gallardo no desastre com o Peru, Maradona fracassando em casa e Messi após a final de 2007

    ATACANTES: Lionel Messi fica na ponta-esquerda. Já era uma estrela global em 2007, marcando dois gols na boa campanha mas não conseguindo vazar Doni na final. E em 2011 não fez nenhum gol, devendo bastante ao monstro que acabara de ganhar a Liga dos Campeões, seguindo opaco em 2015. Centralizado, Martín Palermo, cujos três pênaltis perdidos contra a Colômbia em 1999 (o último foi tentado só pela honra, pois já eram os 45 do segundo tempo e os cafeteros venciam por 3-0) deixaram seu volta por cima na seleção, em 2009-10 ainda mais bonita: entenda. Mas ainda são um recorde e fizeram El Titán virar piada mundial por um bom tempo. No outro flanco, José Percudani (1987), Carlos Alfaro Moreno (1989) e Guillermo Barros Schelotto (1999) tiveram zero gol; embora fossem mais talismãs que goleadores mesmo nos seus clubes, não deixa de ser decepcionante.

    Só que Carlos Tévez já está em sua quarta Copa América. A melhor foi justo a primeira, ainda garoto, com dois gols. Em 2007, só um. Em 2011, além de não fazer nenhum, longe de justificar a enorme pressão popular no técnico Sergio Batista para tolerar o ambiente ruim que Carlitos teria no vestiário. Ainda por cima foi o único a perder pênalti na eliminação precoce contra o Uruguai (que tiraria o emprego de Batista), outro fator que reverberaria na convocação à Copa de 2014. Na de 2015, apesar dos poucos minutos até o momento, dava para exibir mais que o mostrado.

    TÉCNICO: Carlos Bilardo foi o único com três Copas América a perder as três pela Argentina e seria a opção mais óbvia à primeira vista. Alfio Basile escapa pelo brilhante bi de 1991 e 1993 mesmo sem Maradona: os 3-0 na final contra o Brasil em 2007 foram fruto bem mais de um dia tremendamente ruim dos jogadores do que pelo dedo do técnico, que havia levado os melhores jogadores e fazia bela campanha. Sergio Batista ficou entre a cruz e a espada por Tévez em 2011. Não dá para criticar Marcelo Bielsa por buscar renovação em 1999 e em 2004, embora nesta tenha pecado em substituir Tévez – a provocação de Carlitos era ótima para gastar tempo e cavar expulsões brasileiras.

    Se Menotti pecou em 1979, colheu bem as sementes de 1975. Sobra para Daniel Passarella. Não por ter poupado os titulares contra os EUA em 1995, sofrendo os 3-0 que deixou os hermanos na segunda colocação, forçando um cedo encontro com o Brasil nas quartas. Mas sim por ter tirado o artilheiro Batistuta (que havia marcado) a meia hora do fim naquela partida. A decisão de um time caseiro em 1997 seria compreensível se o Kaiser realmente estivesse interessado em garimpar alguém. Mas não: as eliminatórias à Copa 1998 não tinham o Brasil, pré-classificado pelo título em 1994, mas Passarella tinha um exagerado foco nelas. A ponto dos primeiros treinos na Bolívia terem sido conduzidos pelo assistente Alejandro Sabella enquanto o técnico não chegava…

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    Palermo em 1999 (é contra o Equador e não contra a Colômbia, claro). Tévez na eliminação de 2011. E Passarella, com o assistente Sabella ao fundo
  • Os argentinos na seleção do Uruguai ao longo da história

    Os argentinos na seleção do Uruguai ao longo da história

    Os argentinos na seleção do Uruguai formam uma lista curta e surpreendente, encabeçada por Juan Hohberg. Ele desmaiou em campo na Copa de 1954.

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    Hohberg atendido ao desmaiar na Copa de 1954

    Historicamente falando, o Brasil não é o rival mais tradicional da Argentina e sim o Uruguai. Os dois vizinhos do Rio da Prata tiveram um no outro seus primeiros oponentes internacionais a nível de seleções, duelando oficialmente desde 1902. A Albiceleste enfrentou pela primeira vez o Brasil em 1914, discrepância suficiente para quase quatro dezenas de jogos oficiais anteriores, 37. Destes, 34 haviam sido contra os orientales. Os três jogos demais, aliás, foram contra o Chile, outro país cuja rivalidade é mutuamente mais feroz do que a nutrida contra os brasileiros. Tamanha rixa platina é demonstrada pela quantidade de hermanos que foram charruas. E a metade, de fato, cresceu sentindo-se uruguaia.

    Há registros de seis jogadores da Celeste nascidos na Argentina, com a possibilidade de um sétimo. Três desses jogadores são forasteiros por “acidente geográfico”: todos são filhos de uruguaios e/ou cresceram na margem oriental do Rio da Prata. Fora os seis, há ainda casos especiais. Considerando argentinos apenas aqueles crescidos na Argentina que, já adultos, adotaram os vizinhos, neste rigor apenas três hermanos tiveram coragem de virarem a casaca.

    O primeiro foi Atilio García, o maior atacante que o futebol uruguaio já teve. É o maior artilheiro de lá e também do Nacional, onde, considerando amistosos, conseguiu mais de um gol por jogo, superando os 400. Foi sete vezes seguidas o artilheiro do campeonato e fez dos tricolores os primeiros pentacampeões seguidos por lá. Apesar da distância tão pequena entre Buenos Aires e Montevidéu, porém, El Bigote não era chamado pela Albiceleste: na época, quem atuasse no exterior era desconsiderado nas convocações, algo só alterado nos anos 70.

    Assim, García, que também é o maior artilheiro do clássico com o Peñarol (que já perdeu de 3-2 após estar ganhando de 2-0 com o argentino, recém-operado de furúnculos no rosto, marcando todos de cabeça), naturalizou-se uruguaio. Isto, infelizmente, ocorreu tarde, quando ele já havia passado dos 30 anos. Acabou fazendo apenas dez jogos, mas mantendo a alta média, com dez gols – cinco deles foram na Copa América de 1945, também disputada no Chile como a atual. Os uruguaios viajaram para lá por trem, passando pelo território argentino. O que teria afetado o já significativo rendimento do atacante.

    Atilio García e Juan Hohberg, ambos em qualquer Top 5 de maiores figuras de Nacional e Peñarol

    “Em cada estação, os provincianos, que nesse sentido são piores que os capitalinos, diziam: ‘aí está o traidor, o vende-patria’. Isso influiu muito no seu ânimo”, explicou o colega Roberto Porta, seu colega no clube e na seleção (também jogou pela Itália). O Uruguai ficou apenas na quarta colocação, mas os cinco gols de García lhe deram a vice-artilharia, apenas um gol abaixo dos artilheiros: Heleno de Freitas, do vice Brasil, e Norberto Méndez, da campeã Argentina.

    Se os anos 40 iniciaram-se com o penta do Nacional, a década finalizaria-se com domínio do arquirrival. Em 1949, o Peñarol montou um ataque apelidado de “Esquadrilha da Morte”. Foram 113 gols em 32 jogos, dos quais só um foi perdido (um amistoso com o Huracán em Buenos Aires). Foi o ano do clásico de la fuga, um 2-0 em que o Nacional abandonou o jogo no intervalo para não levar uma goleada. Assim, a base da seleção uruguaia campeã mundial em 1950 veio dos aurinegros. Isso devia ter incluído todo o quinteto ofensivo deles, que incluía dois da terra vizinha.

    Ernesto Vidal nascera na Itália, na verdade, mas viveu desde os dois anos na Argentina, sendo bem mais hermano que os mencionados três nascidos na margem ocidental da Prata a jogarem pela oriental. Começou a carreira no interior do futebol cordobês, pelo Sportivo Belgrano de San Francisco. Chegou em 1944 ao Peñarol, vindo do Rosario Central, logo virando herói: o penta do Nacional não virou hexa (marca nunca alcançada no Uruguai) por bem pouco, pois vencia a final por 2-0.

    O Peñarol, com gol de El Patrullero Vidal, virou para 3-2. Ele, que também deixou o seu no clásico de la fuga, aproveitando rebote de um pênalti, era o ponta-esquerda da linha formada por Alcides Ghiggia, Juan Hohberg, Oscar Míguez, Juan Alberto Schiaffino e ele. Apenas Hohberg não foi à Copa de 1950 e assim Julio Pérez, do Nacional, foi o tricolor “intruso” no ataque celeste titular no mundial, pois Vidal estava incluído. Só não atuou justo no Maracanazo, com uma lesão fazendo a vaga ficar com Rubén Morán, do Cerro, naquela partida histórica. Hohberg, por sua vez, era o outro argentino daquele Peñarol.

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    A “Esquadrilha da Morte” do Peñarol em 1949 quase toda reproduzida no ataque titular do Uruguai na Copa de 50: Ghiggia, Hohberg (na seleção é Julio Pérez), Míguez, Schiaffino e o “argentino” Vidal

    El Verdugo Hohberg era recém-chegado em 1949 e assim não obteve a naturalização a tempo: “me consideraram para a seleção uruguaia. A AUF realizou gestões com a FIFA à procura da minha habilitação, mas ainda não tinha tempo para tirar a carta de cidadania e devi permanecer à margem”, contou o corpulento meia-direita. Mas pôde protagonizar outro jogo histórico nas Copas: ele participou da de 1954 e quase não atua, exatamente por uma lesão. Voltou a tempo das semifinais, contra os mágicos magiares da Hungria, que abriram 2-0. O argentino personificou a garra charrua e anotou nos últimos dez minutos os dois gols do empate – desmaiou de exaustão após o segundo.

    Há até lendas de que teria perdido o pulso por uns momentos. Ele recuperou-se e atuou na prorrogação normalmente, até quase marcando outro, em um cabeceio que a trave impediu de ser certeiro. Os húngaros, porém, marcaram mais dois gols, com a plateia suíça em delírio tremulando lenços para ovacionar as duas equipes. Hohberg prosseguiu por toda a década no Peñarol, aposentando-se em 1960 como o primeiro capitão a erguer a Libertadores da América, que tivera ali a edição inaugural. Ele voltou às Copas em 1970, treinando a Celeste quarta colocada, por quatro décadas o melhor retrospecto do Uruguai em mundiais, até 2010.

    Os demais argentinos que defenderam o Uruguai foram o lateral-direito Marcelino Pérez (ex-Vasco), vencedor da Copa América em 1935; Alfredo Mañay, que atuou uma vez justo contra a Argentina, em 1948; o volante Gustavo Matosas (ex-São Paulo, Atlético Paranaense e Goiás), vencedor da Copa América de 1987 e que nasceu em Buenos Aires quando seu pai, Roberto Matosas, defendia o River; e o goleiro Fernando Muslera, titular da Celeste nas últimas duas Copas, campeão da última Copa América e novamente no páreo na atual.

    Sobre Mañay não há maiores registros de uma carreira pré-desenvolvida na Argentina. E os outros todos se iniciaram no futebol no Uruguai. Pérez era filho de espanhóis e com três meses de foi viver na margem oriental. Muslera, filho de uruguaios, vibrou como um autêntico charrua a eliminação imposta à terra natal na Copa América de 2011, onde pegou o pênalti de Carlitos Tévez. Matosas é o mais “argentino”, nacionalidade de sua mãe, mas começou no futebol na base do Peñarol. São casos bem diferentes de Alejandro de los Santos, filho de uruguaios mas crescido na Argentina e que acabou defendendo a Albiceleste campeã da Copa América de 1925. De los Santos é conhecido como um raríssimo negro na história da seleção argentina.

    Marcelino Pérez (com a camisa vermelha, adotada na Copa América 1935), Matosas, Muslera (comemorando eliminação argentina em 2011) e o fugaz técnico Passarella

    Há ainda casos especiais. Algumas fontes aduzem que Juan José Rodríguez, do Racing campeão mundial de 1967, teria defendido a Celeste anteriormente (jogava no Nacional), mas não há dados dessa trajetória. Já Sidney Buck de fato jogou pelo Uruguai, em 1910, duas vezes contra a Argentina. Atuava no Montevideo Wanderers, na época de poderio comparável ao de Peñarol e Nacional. Buck era britânico, mas vale menção, pois também defendeu a Albiceleste, em 1912 – contra o Uruguai. Defendia na época o Quilmes, naquele ano campeão pela primeira das duas vezes.

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    De los Santos: filho de uruguaios, seleção Argentina

    Buck é o único homem a vestir a camisa das seleções adultas desses arquirrivais. Pois Daniel Brailovsky conseguiu suar por eles, mas de forma diversa: começou a carreira no Peñarol e acabou defendendo seleções uruguaias juvenis. Ao passar ao Independiente, jogou amistosos preparatórios da Argentina à Copa de 1982, mas nenhum contra outra seleção. Isso significava que não havia defendido oficialmente nenhum país, tornando-o livre para defender um terceiro. Judeu, no fim da carreira atuou na liga de Israel e, com cidadania israelense garantida pela lei do retorno, terminou aproveitado pela seleção local.

    Considerando técnicos, o outro único argentino além de Hohberg a treinar o Uruguai foi Daniel Passarella. Após a eliminação no mundial de 1998, El Kaiser, dos maiores símbolos do River, foi sondado para treinar nada menos que o Boca, que acabou acertando com Carlos Bianchi. O rival onde o ex-zagueiro foi trabalhar acabou sendo a seleção vizinha, no ano seguinte. Desinteressado em disputar a Copa América 1999, assumiu apenas um mês depois. Teve bons números: ausente das duas Copas anteriores, a Celeste estava em terceiro nas eliminatórias quando o argentino, sentindo-se boicotado nas convocações e com proposta do Parma, renunciou após dez partidas oficiais. Víctor Púa, interino naquela Copa América e com sucesso no time sub-20, assumiu o restante e até reclassificou o paysito ao Mundial, mas sob o sufoco de uma repescagem.

    Vale ainda lembrar os de rota inversa, os nativos do Uruguai que defenderam a Argentina: Horacio Vignoles, do Belgrano Athletic (hoje um clube voltado ao rúgbi), vestiu uma única vez a Albiceleste, em 1913. Em 1916, Zoilo Canavery fez isso duas vezes. Os três jogos somados por ambos foram contra o Uruguai e pode-se dizer que Canavery personifica o vira-casaca: atuava no Racing heptacampeão da época, seria ainda mais ídolo no Independiente e passou ainda por Boca (campeão em 1919, primeiro título argentino dos auriazuis) e River!

    Saiba mais:

    Argentinos de destaque no Peñarol

    Argentinos de destaque no Nacional

    Atilio García: o maior atacante do Uruguai era argentino

  • O time dos melhores argentinos nos rivais da Copa América

    O time dos melhores argentinos nos rivais da Copa América

    Os argentinos nos rivais da Copa América incluem Martino e Ortigoza, vices pelo Paraguai em 2011.

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    Martino e Ortigoza, vices pelo Paraguai em 2011

    Exportador há mais de um século para seleções estrangeiras (Paul Romano defendia a França nos idos de 1911), o futebol argentino já recheou quase todas as da Conmebol – ou todas mesmo, se consideramos a passagem de um só jogo de Nelson Filpo Núñez em 1965 pelo Brasil. Técnicos hermanos, aliás, abundam na Copa América de 2015: Jorge Sampaoli no anfitrião Chile, Ricardo Gareca no Peru, Ramón Díaz no Paraguai, José Pekerman na Colômbia e Gustavo Quinteros pelo Equador – e Quinteros no passado foi jogador e técnico da Bolívia. Tampouco é e foi diferente com jogadores na competição continental mais antiga do planeta. Hora de relembra-los.

    Resolvemos não considerar aqueles crescidos no exterior ainda que nascidos na Argentina. Por isso, estarão ausentes na escalação o goleiro Fernando Muslera (2011), o lateral-direito Marcelino Pérez (1935) e o volante Gustavo Matosas (1987), todos campeões pelo Uruguai. O mesmo já valeria para o “venezuelano” Miguel Echenausi e ao “chileno” Matías Fernández, que mesmo sem este critério dificilmente entrariam: o lateral-esquerdo Echenausi jogou três pela ainda incipiente e goleada Vinotinto dos anos 90, e o meia Fernández foi reserva nas duas edições em que participou, em 2007 e 2011.

    Matías Fernández está novamente participando da Copa América, juntando-se na edição 2015 a Vicente Vuoso, do México; Damián Lizio, da Bolívia; Esteban Dreer, do Equador; e a três “paraguaios”, Lucas Barrios, Néstor Ortigoza e Raúl Bobadilla, no grupelho dos nativos argentinos que adotaram outra casaca. Curiosamente, nem todos os jogadores abaixo foram oficialmente naturalizados: Larraz jamais teve a cidadania equatoriana e Raffo só a recebeu na velhice. A escalação reflete bem a seleção que mais aproveitou argentinos na história, a Bolívia, e a que mais vem usando-os recentemente, o Paraguai:

    GOLEIRO: Javier Elizaga pegou pênalti de Carlitos Tévez em 2007, mas o Equador de adoção não avançou de fase. Oscar Ibáñez foi um correto guarda-metas do Peru em 1999, 2001 e 2004, mas sempre caiu no primeiro mata-mata. Carlos Trucco leva pela titularidade na última boa campanha boliviana, o vice em casa em 1997. Já havia sido titular na última Copa do Mundo de La Verde, em 1994.

    DEFENSORES: não há lateral-direito de ofício, pois Marcelino Pérez (ex-Vasco nos anos 30) passou a infância já no Uruguai. Pinçamos uma dupla chilena e uma boliviana: pela direita, Florencio Barrera, que ficou a dois pontos do título ainda inédito à Roja em 1945, e Rodolfo Almeyda, vice em 1955 (o Chile jogava pelo empate na última rodada, mas perdeu o jogo e o título justo para a Argentina) e terceiro em 1956. Pela esquerda, Roberto Cainzo e Eduardo Espinoza, ambos no único título da Bolívia, em 1963 – com Espinoza alternando-se como lateral e volante. Vence assim o paraguaio Ricardo Rojas, que não fez nada demais em 1997.

    VOLANTES: Néstor Ortigoza foi vice pelo Paraguai em 2011, e Luis Cristaldo, pela Bolívia em 1997, além de ser o homem com mais jogos por La Verde. Já Ortigoza, em boa fase no Argentinos Jrs campeão pela última vez, em 2010, foi até convidado em 2009 por Maradona para defender a Argentina mesmo. Faria o autor do gol do inédito título do San Lorenzo na Libertadores, ano passado. Outro argentino da Albirroja, Jonathan Santana, foi substituído em todos os jogos em 2007 e tampouco foi 100% titular em 2011, onde ainda foi expulso na semifinal. Vale menção Eulogio Vargas, campeão pela Bolívia em 1963 em um torneio onde Brasil e Argentina não enviaram seus principais nomes.

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    Trucco, Barrera, Almeyda, Cainzo e Espinoza

    MEIAS: Roberto Acuña já foi o recordista de jogos pelo Paraguai, disputando quatro edições pela grande geração dos anos 90, que merecia sorte melhor do que cair sempre no primeiro mata-mata – mas para a ótima Colômbia (nos pênaltis) em 1995, para o Brasil em 1997 e para a camisa pesada do Uruguai (de novo nos pênaltis) em 1999. Fica pelo flanco direito, pois Carlos Raffo foi o meia-esquerda do Equador nas edições de 1959 e 1963, da qual foi o artilheiro. Autor de dez gols em suas treze partidas pela Tricolor, ele é o único equatoriano goleador de uma Copa América.

    ATACANTES: a grande decepção, apesar do gol sobre a terra natal anteontem, é por hora Lucas Barrios. Havia sido o maior artilheiro do mundo em 2008 pelo Colo-Colo, sendo sondado pelo Chile. Mas adotou a cidadania paraguaia da mãe às pressas em 2010 para repor na Copa do Mundo a vaga do quase assassinado Salvador Cabañas. Chegou à Copa América de 2011 vindo do bi alemão com o belo Borussia Dortmund de Jürgen Klopp, mas fez só um gol e acabou reserva em plena final.

    Assim, ele perde para o equatoriano Jorge Larraz e para o uruguaio Atilio García. Hugo Lóndero foi vice pela Colômbia em 1975, mas na reserva. Ariel Graziani fez dois gols que permitiram ao Equador superar a Argentina na fase de grupos em 1997, com os tricolores caindo apenas nos pênaltis (contra o México), mas a dupla eleita produziu mais. Larraz defendeu o mesmo país quando a seleção de lá era saco de pancadas. E foi o destaque solitário em 1957, marcando cinco dos seis gols de sua seleção, incluindo o do 1-1 na primeira vez em que ela não perdeu para a Argentina natal dele.

    Aquela foi também a primeira vez que a Albiceleste levou gol de um filho seu, com Larraz até cavando transferência ao futebol espanhol. Já García é uma verdadeira lenda no Uruguai. Maior artilheiro do Nacional, pelo qual fez mais de um gol por jogo (464 em 435), manteve a boa média nas poucas partidas pela Celeste – se naturalizou tarde, infelizmente. Por uma seleção apenas quarta colocada, foi o vice-artilheiro da edição de 1945, um gol a menos que os goleadores Norberto Méndez (da campeã Argentina) e Heleno de Freitas (do vice Brasil). E isso pois jogara abalado com os gritos de “traidor da pátria” que ouvia em cada parada da viagem de trem que cortou a Argentina rumo ao Chile, onde ocorreu o torneio.

    TÉCNICO: nenhum argentino conseguiu ainda vencer a Copa América por uma seleção forasteira. A probabilidade é alta como nunca em 2015, mas por hora o posto é justa e ironicamente do técnico atual da Albiceleste. Gerardo Martino soube anular duas vezes o Brasil em 2011 e recolocou o Paraguai na final após mais de trinta anos. Nem a geração dos anos 90, mais talentosa, chegou tão longe quanto os pupilos do Tata. Que sem ele decaíram a ponto de não irem à Copa do Mundo ano passado, encerrando ciclo de participações seguidas que perdurava desde 1998.

    Atualizações após a Copa América de 2015: Lucas Barrios subiu no nosso conceito ao marcar três dos quatro gols do Paraguai, incluindo dois sobre a Argentina natal, mas avaliamos que segue abaixo dos desempenhos alcançados pelo trio eleito. Alteraríamos, sem dúvidas, o técnico, trocando o lamentável Gerardo Martino por Jorge Sampaoli, o primeiro a vencer com o Chile.

    Saiba mais:

    Atilio García: o maior atacante do Uruguai era argentino

    Bolívia, a seleção que mais naturalizou argentinos

    Copa América: os argentinos que já defenderam o Paraguai

    Todos os argentinos da seleção equatoriana

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    Cristaldo, Acuña, Raffo, Larraz e Atilio García
  • Os argentinos na seleção do Paraguai ao longo da história

    Os argentinos na seleção do Paraguai ao longo da história

    Os argentinos na seleção do Paraguai incluem Gerardo Martino e Néstor Ortigoza. Este texto reúne todos os casos de naturalização.

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    Martino, hoje pela Argentina mesmo. E Ortigoza, herói do San Lorenzo campeão da Libertadores

    A Argentina tem expressiva comunidade de imigrantes paraguaios, e não é de hoje: já nos anos 50 a comunidade fundava o Deportivo Paraguayo. Já houve até jogadores vizinhos na seleção argentina: Constantino Urbieta Sosa, curiosamente ex-jogador de Nacional e San Lorenzo, campeão e vice da última Libertadores, jogou a Copa de 1934 – estava no Godoy Cruz, sendo o único jogador do Tomba na Albiceleste no século XX. Delfín Benítez Cáceres, ídolo de Boca e Racing, atuou uma vez nos anos 40 e o ex-velezano Heriberto Correa participou das eliminatórias à Copa de 1974. E há os da rota inversa, acentuada nos últimos anos.

    O primeiro hermano na Albirroja treinou-a na primeira Copa do Mundo, em 1930. Mas José Laguna também tem história na Copa América: jogando pela Argentina, marcou o primeiro gol do primeiro Brasil x Argentina da competição, em 1916, partida na qual ele curiosamente estava na verdade na plateia, sendo “convocado” no improviso para substituir um titular. Primeiro presidente do tradicional Huracán, ele era negro e treinou o Paraguai também na Copa América, em 1945.

    Novo argentino na Albirroja, só nos anos 70: Adolfo Lazzarini, que passou pelo trio de ferro Olimpia, Cerro Porteño e Libertad, sendo o ponta-direita reserva do Olimpia campeão da Libertadores de 1979 (sobre o Boca), a primeira do clube e do futebol paraguaio. Jogou as eliminatórias à Copa de 1978. Como ele, Jorge Amado Nunes também se iniciou no futebol guarani, no Cerro Porteño. Foi à Copa do Mundo de 1986 e chegou a defender o Vélez, sem render.

    Eduardo Luján Manera, ex-jogador do Estudiantes tricampeão da Libertadores nos anos 60, tentou levar o Paraguai à Copa de 1990, sem êxito. Oscar Valdez (que como jogador brilhou no Valencia e defendera a seleção espanhola) treinou o país em 1990 e Héctor Corte, nas eliminatórias de 1993, ambos sem melhor sorte – embora os comandados de Corte quase tenham eliminado a Argentina, classificada à repescagem apenas pelo saldo de gols.

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    Nunes (1986), Rojas (1998) e Acuña (1998, 2002 e 2006) jogaram Copas do Mundo

    A Copa do Mundo paraguaia seguinte foi a de 1998 e contou com outros argentinos de nascimento que iniciaram a carreira na terra das raízes: Roberto Acuña, criado no Nacional, e Ricardo Rojas, no Cerro Corá. Acuña passou por Boca e pelo Independiente de sua Avellaneda natal (venceu a Supercopa 1995 sobre o Flamengo) e defendeu a Albirroja por longevos dezoito anos e outras duas Copas mais, em 2002 e 2006. Rojas foi mais breve na seleção mas teve mais êxito na Argentina: jogou muitos anos no River, virando folclore pelo gol de cobertura (vaselina, para os argentinos) que fechou um 3-0 no Boca em plena Bombonera, em 2002, maior goleada millonaria sobre o rival no estádio dele.

    Quando Gerardo Martino, líder daquele belo Newell’s de Marcelo Bielsa nos anos 90, assumiu a seleção após títulos treinando Cerro e Libertad, mudou o curso: ao invés de abrigar argentinos do campeonato local, ela passou a importa-los do campeonato vizinho mesmo. A maioria não tinha mesmo chances de defender a Albiceleste: o primeiro foi Jonathan Santana, surgido no San Telmo, passou por River, San Lorenzo e Independiente, onde foi rebaixado em 2013. Foi o primeiro.

    Sergio Aquino, ex-pupilo de Martino no Libertad, veio a seguir e foi a regra que virou exceção: ele começou a carreira no Paraguai, tendo antes defendido os rivais Cerro e Olimpia. Estreou em 2009 na Albirroja mas não se firmou. O nome seguinte, em 2009, foi Néstor Ortigoza. Autor do gol do título da Libertadores de 2014 pelo San Lorenzo (por sinal, sobre o Nacional paraguaio), ele já brilhava em 2010 no Argentinos Jrs campeão argentino pela última vez. Nesse período, Darío Ocampo chegou a ser convocado mas jamais entrou em campo pelo Paraguai.

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    Santana e Barrios, da Copa de 2010, e o mais novo argentino, Bobadilla

    O próximo reforço foi Lucas Barrios, naturalizado de emergência para a Copa de 2010 para suprir a ausência do baleado Salvador Cabañas. Barrios, por sua vez, nunca rendeu na Argentina, mas brilhava no Borussia Dortmund de Jürgen Klopp. Ele até poderia ter defendido o Chile, que sondara-o por seus gols por Cobreloa e Colo-Colo, pelo qual foi o maior artilheiro do futebol a nível mundial em 2008. Mas ele preferiu defender a terra da mãe. Como Santana e Ortigoza, foi ao mundial da África do Sul e integrou os vices de Martino na Copa América de 2011, embora já sem brilhar.

    Em 2012, as novidades foram Jonathan Fabbro, ex-Atlético Mineiro e que acabou se convertendo em raro “estrangeiro” a defender Boca e River – ele se destacou no Cerro Porteño semifinalista da Libertadores 2011, quando os azulgranas (em sua melhor campanha no torneio e treinados pelo argentino Leonardo Astrada) deram muito trabalho, com gol dele, ao futuro campeão Santos; e Ricardo Mazacotte, que já atuava no Unión de Santa Fe embora formado no Nacional. Outro poderia ter sido Juan Iturbe, formado na base do Cerro Porteño (reserva daquele time de 2011) e que defendia o Paraguai nas seleções juvenis, mas ainda em 2010 ele optou pela Argentina natal.

    A saída de Tata Martino para o seu velho Newell’s, porém, fez-se sentir e os guaranis acabaram de fora da Copa de 2014. Em 2015, voltaram a acertar com argentinos: o técnico mais vezes campeão do River Plate, Ramón Díaz, é o novo treinador da seleção. Dentre os convocados, Ortigoza, Barrios e o estreante Raúl Bobadilla, um formado no River que está no alemão Augsburg.

    Esta nota é reprodução parcial, revista e atualizada de outra publicada em 2014 no Futebol Portenho, logo após Ortigoza marcar o gol do inédito título do San Lorenzo na Libertadores: clique aqui.

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    O Paraguai na Copa de 1930: o técnico Laguna, de calça comprida, é o último em pé. E o atual treinador, Ramón Díaz

     

     

  • Por que a Argentina não era favorita na Copa América de 2015

    Por que a Argentina não era favorita na Copa América de 2015

    A Argentina na Copa América de 2015 carregava um favoritismo que o texto contesta com argumentos concretos.

    Foto: Clive Rose/Getty Images.
    Foto: Clive Rose/Getty Images.

    Tomara que eu quebre a cara. Que esse texto volte à tona depois como previsão furada. Mas precisava escrevê-lo, pois tanto Messi quanto a imprensa brasileira apontam um favoritismo argentino. Discordo.

    Vamos esquecer aquela Argentina de 2014. Aquela que por MUITO pouco não venceu a Alemanha acabou com a saída de Alejandro Sabella. A Argentina que encara o Paraguai hoje (12) não é “A” favorita. Favorito mesmo, “O” favorito, é o Brasil, e vou explicar.

    Sabella aplicava um futebol cirurgico e cauteloso. Sabia que a defesa era o ponto fraco da Albiceleste, com zagueiros fracos e lentos. Por isso, priorizava a marcação com três volantes recuados, e na criação, Messi e Di Maria acionavam o ataque de estrelas como Higuain e Aguero.

    Martino? Meu amigo Junior Marques o define muito bem como aprendiz do Loco Bielsa. Com o Tata, o time pressiona com marcação avançada, e se solta com dois pontas num 4-3-3. Messi sai do meio e parte da direita, embora tenha liberdade para flutuar. Com o novo técnico, a Argentina não espera, mas protagoniza o jogo com a bola nos pés.

    Com um arsenal de ataque que possui Messi, Tevez, Aguero e Higuaín, Di Maria na ponta e Pastore ganhando espaço, isso poderia ser uma virtude. Um dia, com paciência, vai ser sim. Hoje, ainda não. A Argentina precisa de tempo para adaptar-se a filosofia de Martino. Hoje, os atacantes ainda são pouco decisivos, e a defesa sofre sem os volantes próximos.

    A vantagem está na forma e na fase dos jogadores que estão hoje do outro lado dos Andes. Messi brilha mais do que em 2014, e Martino tem menos lesionados que Sabella (no Brasil, Aguero, Higuain e Di Maria baixaram à enfermaria).

    Nunca é prudente duvidar de Lionel Messi. A Copa América para ele é a chance de finalmente ganhar um título como capitão da Selección, carente de troféus desde 1993. Mas olhando por uma perspectiva mais realista, o Brasil está totalmente encaixado ao futebol proposto por Dunga, com Neymar voando quase tão alto como La Pulga.

    Francamente, planejando à longo prazo, a Copa América ajudará a Argentina a se acostumar as boas ideias de Martino, para se aperfeiçoar nas Eliminatórias e, se conseguir a classificação, chegar chegando na Copa 2018. Um título conquistaria confiança. Mas a chance é maior de que ele não venha.