Mês: julho 2014

  • Mascherano aponta quatro pontos chaves para a classificação à final

    Mascherano aponta quatro pontos chaves para a classificação à final

    As quatro chaves de Mascherano vieram um dia depois do grito de desabafo dele no meio do campo.

    Mascherano

    Belo Horizonte – Um dia após soltar um grito de desabafo no meio do campo, com um tom de campeão mundial, Javier Mascherano apareceu na sala de imprensa da Cidade do Galo neste domingo para falar com os jornalistas. Rouco e ainda muito emocionado, o jogador argentino já previu a próxima partida contra os holandeses, dia 9, na Arena Corinthians, às 17h e destacou alguns pontos importância a serem usados nesta partida.

    Para o volante, a Argentina precisa manter o foco ao máximo e deixar o que já passou (as comemorações e desabafos) de lado nesse momento. “Vai ser chave a concentração, vai ser chave a maneira que vamos jogar, vai ser chave a paciência de cada momento e vai ser chave, principalmente, o desejo de querer passar à final”, agregou.

    Mascherano concorda que houve uma melhora do sistema defensivo na partida das quartas de final. “Basicamente, a análise que pudemos fazer é que utilizamos melhor os espaços. Isso não deu possibilidade à Bélgica de fazer o seu jogo. As estatísticas mostram que eles foram o time com teve mais chances, que mais atacou na Copa. Se não geraram, foi porque cobrimos as linhas”, explicou.

    Para o atleta, a Argentina terá o seu maior adversário neste Mundial, principalmente pela postura do jogo dos rivais. “Holanda é o melhor time com contrataque. Temos que ficar de olho no Sneijder e Robben e Van Persie. Temos que ficar bem próximos, não dar espaços para a velocidade deles, pois são mais fortes do que nós nesse aspecto. Foi uma virtude que tivemos contra a Bélgica”, destacou.

    Apesar de quase entregar que se vê em uma final de Copa do Mundo, o jogador acabou se corrigindo ao dizer que para isso, precisa manter o foco para a partida de quarta-feira. “Estamos em uma grande possibilidade de fazer todo possível para que possamos passar a final. É mais de um mês e meio de convivência sem problemas e discussões. Que termine bem no dia 13, mas antes, na quarta, às 17h, em São Paulo, temos que fazer tudo bem”.

  • Zombado antes do Mundial, Basanta mostra que não veio ao Brasil somente a passeio

    Zombado antes do Mundial, Basanta mostra que não veio ao Brasil somente a passeio

    Basanta responde às zombarias e se firma na Copa de 2014. Uma faixa na torcida chegou a provocá-lo nos amistosos.

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    Belo Horizonte – Durante os últimos amistosos da Seleção em solo argentino, uma faixa na torcida chamava atenção: ‘Basanta, traé Garotos’, referindo-se a famosa marca de chocolates brasileira e também zombando que ele somente viria ao Brasil a passeio. Mas os dois últimos jogos mostraram que o jogador é homem de confiança de Alejandro Sabella, entrando no decorrer da partida contra a Suíça e como titular na vaga de Rojo, contra os belgas.

    E neste domingo, um dia após ajudar a Argentina a fazer história, se classificando para as semifinais, quebrando um jejum de 24 anos se estar entre os quatro melhores, o jogador esteve na coletiva de imprensa ao lado do ‘Jefe’ Javier Mascherano. E ali, teve a oportunidade de falar pela primeira vez sobre como sentiu quando viu aquela faixa, seja no estádio ou nas imagens divulgadas pela imprensa naquele dia do confronto contra a Eslovênia.

    “Não me atrapalhou em nada. Sempre estive focado em dar o melhor de mim. Em todos os clubes que passei, cheguei sem cartel, mas conquistei meu espaço e meus objetivos. Quando cheguei à Seleção, foi igual, pois ninguém me conhecia. Isso me fortaleceu ainda mais para seguir trabalhando e consegui reverter essa situação”, destacou o jogador do Monterey, do México.

    Basanta ressaltou que ter jogador uma partida de Mundial foi algo incrível, ainda mais pela circunstância. “Sempre sonhamos jogar esse tipo de jogo. Foi algo tocante. Eu estava tranquilo, pois trabalhei para isso e estou feliz que deu tudo certo. Ajudei em algo histórico para a Argentina, mas estamos conscientes de que não ganhamos nada”, agregou o lateral/central, que deve voltar ao banco de reservas com o retorno de Marcos Rojo.

    O defensor ressaltou ainda que o convívio com o grupo ajudou muito em sua estreia no Mundial e em uma partida decisiva para a Argentina. “A união do grupo e a conversa dos jogadores que não tem tanta experiência ajudou bastante. Isso fez ficar mais tranquilo, me deixou fortalecido para a hora do jogo”, revelou o Basanta.

    A Argentina enfrenta a Holanda na próxima quarta-feira, às 17h, na Arena Corinthians, em São Paulo. Esse será o segundo jogo em seis partidas da Argentina fora do horário das 13h. O único antes da semifinal foi na estreia, contra a Bósnia, às 19h, no Maracanã.

  • Dí Maria não enfrenta a Holanda, mas trabalha para uma hipotética final

    Dí Maria não enfrenta a Holanda, mas trabalha para uma hipotética final

    Di María fora da semifinal seguia de olho na possível final. O médico da seleção negou o corte definitivo.

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    Belo Horizonte – O médico da Seleção Argentina, Daniel Martinez, negou que o meia-atacante da Seleção Argentina, Angel Di Maria, está cortado da Copa do Mundo. Assim como anunciou a respeito de Sergio Agüero, há algumas semanas, o médico informou que se fará de tudo para o atleta esteja presente no próximo fim de semana, numa hipotética final ou disputa do terceiro lugar.

    De acordo com o médico, Dí Maria já está fora da partida desta quarta-feira, contra a Holanda, às 17h, em São Paulo. O jogador foi substituído aos 33 minutos do primeiro tempo por conta de uma lesão na coxa direita. O jogador está com uma lesão muscular de grau, algo parecido com Sergio Aguero, mas na parte anterior – Aguero teve uma lesão na posterior na coxa esquerda.

    “Fizemos um trabalho preliminar no estádio (Mané Garrincha) e que foi complementando aqui (na Cidade do Galo) com tomografia e ressonância. Ele não jogar o próximo jogo. Depois disso, vamos ver quando ele vai jogar. Vamos avaliar. Um dia conta muito para uma recuperação”, destacou Daniel Martinez.

    Já a respeito de Sérgio Agüero, o médico da Seleção Argentina já confirmou que ele poderá estar presente na partida contra a Holanda. No último jogo, contra os belgas, Agüero já esteve no banco de reservas, mas não foi levando em conta, até por que sua recuperação aconteceu na semana passada, logo após a partida contra a Suíça.

  • Argentina volta aos treinamentos em clima de descontração e brincadeiras de Lavezzi

    A Argentina volta aos treinos em clima de descontração, pouco mais de 24 horas após a classificação.

    Brasília – Pouco mais de 24 horas após ter conquistado a classificação para as semifinais, a Seleção Argentina retornou aos treinamentos na Cidade do Galo, agora com foco nos holandeses. A partida acontece já na quarta-feira, com curto período para preparações.

    O clima era de descontração entre os jogadores, apesar da lesão de Dí Maria. Os jogadores e a comissão técnica tiveram uma conversa animada do meio do campo do centro de treinamento do Atlético-MG.

    Por cerca de cinco minutos, os jogadores receberam as palavras de parabéns por conta a classificação, seguido por brincadeiras de Ezequiel Lavezzi com Alejandro Sabella, que acabou virando um ‘meme’ das quartas de final ao quase cair sozinho ao ver um lance.

    Os jogadores titulares, no entanto, não participaram do trabalho com bola e deram algumas voltas ao redor do gramado da Cidade do Galo. Já os suplentes participaram de um treinamento com bola, inclusive com Sérgio Agüero participando. O jogador já esteve a disposição de Alejandro Sabella no jogo do último sábado, no Mané Garricha.

    Essa será a última semana de preparação em Belo Horizonte, já que a final ou a disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo acontece já no próximo fim de semana. A delegação chegou a Belo Horizonte no último dia 9 de junho e vem fazendo toda a sua preparação na cidade, sempre rasgando elogios a estrutura.

  • Chacarita Juniors campeão em 1969: o título que marcou o país

    Chacarita Juniors campeão em 1969: o título que marcou o país

    O Chacarita Juniors campeão em 1969 conquistou o único título argentino do clube, eliminando River e Boca no caminho. Duas semanas depois, o homem pisaria na Lua.

    Marcos, Puntorero, Recúpero, Orife e Neumann, Petrocelli, Abel Pérez, Poncio, Jorge Gómez, Frassoldati e Bargas

    Dali a duas semanas o homem pisaria na lua e talvez este seja o equivalente do título do Chacarita Juniors no futebol argentino. O título do Estudiantes, dois anos antes, a quebrar o oligopólio dos “cinco grandes” (Boca, River, Racing, Independiente e San Lorenzo), vigente desde 1930, podia ser comparado ao homem no espaço. O Chaca terminou de confirmar que o melhor, mesmo quando pequeno e sem timaço, podia ser campeão, sensação já reforçada pelo título nacional do Vélez no semestre anterior. Que um time que soubesse superar anos e anos de luta e sacrifício na metade inferior da tabela e se organizasse poderia ter seu dia de lugar ao sol. Superando inclusive dois grandes na reta final.

    Além de superar dois grandes, o Chacarita também reverteu um déficit em sua rivalidade, com o sumido Atlanta: no início daquela década, o rival vencera a Copa Suécia, torneio oficial que a AFA iniciara ainda em 1958 enquanto o campeonato se paralisou por conta da Copa do Mundo, e fazia se intrometia entre os grandes nas primeiras colocações. Já os funebreros (apelido herdado do Cemitério do bairro da Chacarita, o maior da América Latina e onde jazem Gardel e Piazzolla, embora o clube se enderece desde os anos 40 na cidade de San Martín) ficaram simplesmente em último em 1965, 1966 e 1967. Só não caíram por não haver rebaixamento nos dois primeiros e por haver uma repescagem em 1967. O time também jogou a repescagem em 1968.

    E pensar que o futuro campeão de 1969 ainda estreou levando de 7-1 do Lanús… de fato, não era era uma grande equipe: só o ponta Ángel Marcos e o defensor Ángel Bargas, que estavam desde as malas (Marcos era tricolor desde 1967 e Bargas, de 1966), iriam à seleção. Só Bargas teve algum êxito, indo à Copa 1974 já pelo Nantes – foi ele o primeiro que a seleção usou do futebol europeu e ele é também o jogador mais vezes usado por ela a partir do Chacarita, 16 vezes.

    Mas já no jogo seguinte, ouve uma boa reação, com um 5-0 no Colón. O time se remendara bem com encostados de outros clubes (Juan Puntorero era cria do River, Rodolfo Orife do Estudiantes e Abel Pérez, do Boca) e promovia jovens da base, como Carlos García Cambón, maior artilheiro do clássico com o Atlanta e quem mais marcou gols em um único Boca-River (falamos aqui), profissionalizado naquele ano. Além disso, a maioria do elenco chegara em 1968 ou depois. Só o goleiro Eliseo Petrocelli e o volante Franco Frassoldati também estavam antes disso no clube, ambos desde 1966. Argentino Geronazzo, técnico que chegara em 1968, armara o elenco, cujo esquema foi mantido pelo sucessor Federico Pizarro, treinador campeão.

    O brasileiro Silva “Batuta”; a poética capa da El Gráfico sobre o título do ascendente Chacarita. Na anterior, a revista celebrou o 4-1 que o Independiente levou do Boca, eliminado em seguida

    Aquele Metropolitano foi dividido em dois grupos, a separar rivalidades: no A, ficaram Boca, Independiente, San Lorenzo, Gimnasia LP, Rosario Central, Banfield e Colón. No B, os respectivos rivais River, Racing, Huracán, Estudiantes, Newell’s, Los Andes e Unión. Completavam o B Argentinos Jrs, Deportivo Morón, Quilmes e Platense. E completavam o A Lanús, Vélez, Atlanta e o Chacarita, única dupla rival junta. Após turno e returno e dois jogos intergrupos normalmente reservados aos clássicos, os dois primeiros de cada grupo fariam semifinais prosseguida de final em jogos únicos.

    O Chacarita realmente reagiu bem: foi o segundo time que mais venceu, 13 vezes em 22 jogos, com destaque especial para um 3-0 no Lanús e duas vitórias magras em trincheiras fora de casa: 1-0 no Colón no Cementerio de Elefantes e no Boca em La Bombonera. No clássico com o Atlanta, empatou fora (com García Cambón marcando pela primeira vez no dérbi) e venceu por 1-0 em casa. Terminou com 30 pontos na segunda colocação do seu grupo, tendo de pegar o líder da outra chave: o Racing, ainda respirando o auge de 1967, quando venceu Libertadores e Intercontinental, havia sido justamente quem mais vencera até então, 14 vezes. E tinha o artilheiro do torneio, um brasileiro: Silva “Batuta”, ex-Flamengo e Vasco e que fora à Copa 1966.

    Por ter melhor campanha, o Racing teria a vantagem do empate naquele jogo único na neutra Bombonera. Parecia que isso iria ocorrer mesmo. O jogo rumava no 0-0 até que, a quatro minutos do fim, o racinguista Rulli pôs a mão na bola a um metro da grande área em jogada de Recúpero. Marcos cobrou um virtual escanteio na cabeça do próprio Recúpero emendar no canto esquerdo do goleiro Cejas, futuro ídolo no Santos de Pelé. E no pouco tempo restante quase os tricolores marcam outro, com Marcos elevando a bola a Orife, que chutou e Cejas salvou com os pés. Chaca na final.

    A outra semi foi nada menos que um Superclásico, mas foi bem menos emocionante. No estádio do Racing, um retranqueiro River jogaria pelo empate e se aferrou a manter essa vantagem enquanto o Boca, treinado justamente pelo ex-ídolo rival Alfredo Di Stéfano, não tinha ideias ofensivas apesar de melhores jogadores e de ter goleado por 4-1 o Independiente quatro dias antes. 90 minutos arrastados para trinta intermináveis de prorrogação ficaram no 0-0. O River se classificou, mas para a grande final ficaria marcado pela ausência de dois jogadores que passariam pelo Brasil nos anos 70.

    Festejos da semifinal com o Racing, então o grande time argentino da década: gol da classificação a 4 minutos do fim

    A mais sentida foi a agressividade de Carlos Chamaco Rodríguez, suspenso da decisão ao ser expulso no último minuto da prorrogação da semifinal. A outra foi a do substituto de Rodríguez para a decisão: o jovem Hugo Dreyer, também expulso. Ele passaria pelo futebol paranaense, jogando tanto no Coritiba como pelo Atlético e ainda no Colorado (clube que daria origem ao Paraná em 1989) e Londrina, brilhando sobretudo no Coxa. O River não era campeão desde 1957. O último baluarte dos bons tempos, o veteraníssimo goleiro Amadeo Carrizo, saíra no ano anterior.

    O River começou a final desencontrado. Logo aos 3, Dreyer havia dado um passe errado. Aos 4, Gutiérrez cometeu falta violenta em Recúpero. O Chacarita, do seu lado, trabalhava tranquilamente a bola e abriu o placar já aos 12 minutos: escanteio de Marcos pela ponta-esquerda, cabeceio de Recúpero para baixo ao interior da pequena área, a bola encontra Neumann de costas para o goleiro oponente, Carballo. Cercado também por Miguel López, Guzmán, Ferreiro e Vieitez, Neumann gira e chuta de direita antes que Carballo chegasse. Só Ferreiro também reagiu, mas para reclamar de impedimento embora ele próprio fosse quem desse condição legal a Neumann, um homem de cintura e canelas grossas incomuns a um ponteiro.

    No River, só Oscar Más dava alguma ameaça ao Chacarita, ganhando sempre de Gómez. Foi em jogada de Más que o Millo pôde empatar oito minutos depois: pela esquerda, cruzou à grande área. O goleiro Petrocelli resolveu não interceptar bola endereçada ao goleador Daniel Onega, já perseguido por Bargas. Onega não chegou a tempo, mas o colega Trebucq, que também acompanhava a jogada, consegue concluir livre com a canhota após seu marcador Frassoldati interromper o ímpeto por imaginar que Onega conseguiria. As possibilidades se equilibravam, mas o River se atrapalhava no último toque com a linha de impedimento bem sincronizada da defesa tricolor.

    A situação do River piorou aos 30 minutos. Foi quando houve a expulsão de Dreyer por falta em Neumann. Segundo meios da época, o juiz Barreiro exagerou, pois era a primeira falta cometida por Dreyer, que ainda nem tinha amarelo, enquanto outras jogadas mais ríspidas na partida não foram punidas. E o Chacarita, que sempre conseguia encontrar alguém desmarcado, cresceu ainda mais com a vantagem numérica. E deixou o River incapaz de segurar o empate até o intervalo e na pausa rediscutir suas estratégias: na grande área, Marcos armou de bicicleta, López tentou afastar, mas Neumann buscou a bola e soltou um canhão de canhota, marcando abaixo do travessão seu segundo gol.

    Cena da final contra o River: 4-1

    Como o pior pode piorar mais ainda, mal começou o segundo tempo e o Chacarita ampliou: lançado em profundidade por Recúpero, Marcos correu de um lado a outro do campo, deixou López para trás, driblou um goleiro Carballo que saíra da área para tentar interromper a jogada, parou um pouco para ganhar mais ângulo. Sem temor: “não me apresso. Paro a bola e levanto a cabeça. Não tenho medo que me a roubem. Quase todos os gols que se perdem são pelo desespero em fazê-los”, declarara ainda antes.

    Nisso, López conseguiu se recuperar e tampar a frente de Marcos. Só que López também abriu as pernas e entre elas o capitão funebrero tocou sutilmente, com mais precisão do que força. López caiu sentado para tentar bloquear, mas não impediu o gol mais bonito da tarde. “Gol de caneta”, que não freou o ímpeto tricolor por mais gols. Veio o quarto, com Recúpero lançando a bola à esquerda em cobrança de falta, Orife confundindo a defesa do River ao deixar a bola passar e antes que chegasse no riverplatense Ferreiro, o italiano Frassoldati se antecipa a ele, pega a bola e toca na saída de Carballo. E poderia ter vindo um quinto, com tentativa de Recúpero batendo na trave.

    O Chacarita só havia vencido o River oito vezes desde o profissionalismo, em 1931. A última, em 1961. Nos doze jogos seguintes até o de 45 anos atrás, só marcou duas vezes e perdeu onze, empatando o outro. Terminou campeão e foi reconhecido pelo oponente, que atuou com correção mesmo goleado e cujo presidente foi aos vestiários do Chaca cumprimentar o capitão Marcos, que tinha uma revanche na vida (havia se operado de uma úlcera). Marcos também foi muito elogiado pelo maior artilheiro da história da Copa América, Norberto Tucho Méndez.

    “Uma barbaridade. Aqui trabalham todos, fiquem de olho. Aqui não há figurinhas. Se buscam, se juntam, toque e toque… e ganas de fazer gols. Me fez lembrar do Estudiantes. Cuidado que este pode ser outro Estudiantes amanhã. Muito bem Marcos, esse tem a batuta, é quem reparte o baralho, mamita querida!”. O Chacarita não chegou a ser um novo Estudiantes, cujo jogo tático e destrutivo não lembrava o hábil dos tricolores, mas seguiu forte por um tempo: lutou pelos títulos por alguns anos e em 1971 derrotou o Bayern Munique de Beckenbauer, Breitner, Müller e outros por 2-0 no Troféu Joan Gamper. Já o River teria que esperar até 1975 para, após dezoito anos, voltar a ser campeão…

    Festejos da final com o River: Bargas e Abel Pérez comemoram o título, já com camisas trocadas. O capitão Marcos festeja Neumann, autor de dois gols
  • Argentina entre os quatro melhores: a reafirmação de uma tradição

    Argentina entre os quatro melhores: a reafirmação de uma tradição

    A Argentina entre os quatro melhores em Copas confirma uma tradição que Maradona levou ao ápice e que atravessa gerações.

    Maradona: símbolo supremo de uma geração que fez os argentinos terem certeza que mereciam um lugar na elite do futebol mundial
    Maradona: símbolo supremo de uma geração que fez os argentinos terem certeza que mereciam um lugar na elite do futebol mundial

    A Argentina está em festa. Após 24 anos sua seleção está novamente entre os quatro melhores do mundo. Para um país que tem uma escola tão forte, uma tradição tão grande, e  forma tantos bons jogadores, é tempo demais. Mas na verdade a história das copas não está muito familiarizada a ver a albiceleste entre os semifinalistas. O país chegou a ficar 58 anos sem ir tão longe.

    No primeiro mundial a Argentina teve um bom desempenho. Uma brilhante geração chegou à final da primeira copa, repetindo a decisão da medalha de ouro olímpica contra o Uruguai nas Olimpíadas de Amsterdã, dois anos antes. Com jogadores como Monti, Stabile, Peucelle, e outros, a albiceleste foi vice-campeã em 1930. Mas demoraria muito para ter desempenho vagamente semelhante.

    Em 1934 a divisão entre amadores e profissionais fez com que a Argentina mandasse uma seleção muito enfraquecida à Itália, onde acabou sendo eliminada logo na primeira fase. As edições de 1938, 1950 e 1954 não contaram, por motivos variados, com a presença da albiceleste. O que privou aquela que foi a melhor geração do país de disputar um mundial (particularmente dolorosa para a história do futebol do país foi a não realização das edições de 1942 e 1946, quando essa “geração de ouro” estava no auge).

    Depois veio uma série de fracassos. As eliminações na primeira fase em 1958 e 1962. Eliminações na segunda fase em 1966 e 1974. O fracasso nas eliminatórias do mundial de 1970. O país não parava de produzir grandes jogadores, os clubes acumulavam títulos internacionais, a seleção vencia competições continentais, mas em mundiais nada acontecia. Os motivos eram variados: más preparações, interferências políticas da AFA, o fato é que a Argentina não conseguia decolar na maior competição do futebol mundial.

    Assim, quando veio o título em casa no mundial de 1978, a sensação foi de desafogo. Afinal, até ali haviam sido jogadas 11 copas, e o país era um mero figurante na história dos mundiais (tinha apenas um vice, um a menos que Hungria e Tchecoslováquia). Os argentinos sentiam que finalmente iriam ocupar o lugar que mereciam no futebol internacional. E as copas seguintes lhes dariam razão.

    1982 foi uma decepção. Apesar de ter a base de 1978 mais Maradona e Ramón Díaz o desempenho não foi bom: 2 vitórias e 3 derrotas. Mas veio a consagração da seleção de 1986, comandada por um genial Maradona. Em seguida uma seleção muito enfraquecida em 1990 conseguiu se superar, eliminar o Brasil e a anfitriã Itália, para perder a final em um pênalti discutível. A camisa argentina havia ocupado seu espaço na elite do futebol mundial.

    Mas depois veio uma sequência de decepções. Boas seleções, sempre com jogadores excelentes, foram eliminadas prematuramente nos mundiais seguintes. A suspensão de Maradona e a eliminação nas oitavas em 1994 de uma equipe que chegou com pinta de favorita. O gol de Bergkamp nos últimos minutos das quartas em 1998. A inacreditável eliminação da excelente equipe comandada por Marcelo Bielsa na primeira fase em 2002. A sofrida derrota nos pênaltis para a Alemanha em 2006. A humilhante goleada frente à mesma Alemanha em 2010, de uma seleção cheia de talentos mas sem um comando.

    Ontem a seleção argentina entrou em campo carregando o peso de todos esses fracassos. Cada torcedor argentino em frente à TV tinha em mente essa sequência de derrotas. A vitória foi muito importante nesse sentido. A volta às semifinais é a quebra de um trauma. Para os argentinos, agora tudo pode acontecer. Esperam o título, anseiam por ele, mas sabem que uma grande vitória já foi conseguida. A síndrome da derrota prematura foi espantada. O lugar na elite do futebol mundial foi reafirmado.

  • “Pelo contexto, foi nossa melhor partida”, diz Mascherano

    “Pelo contexto, foi nossa melhor partida”, diz Mascherano

    A melhor partida da Argentina deixou Mascherano quase sem voz e entre os mais emocionados na zona mista.

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    Brasília – Praticamente sem voz ao fim da partida contra a Bélgica, Javier Mascherano era um dos jogadores mais emocionados da Seleção Argentina. Na zona mista, exaltava a classificação para as semifinais, fase na qual ele mesmo classificou como objetivo para a Seleção para este Mundial.

    Em entrevista ao Futebol Portenho na zona mista, o jogador classificou a partida como a principal da seleção por tudo que ela representa. “Pela inteligência, pelo contexto, pelo que ela representava, sim (foi o melhor jogo) Não era só jogar uma partida, mas era um jogo que não conseguíamos vencer a 24 anos. E emociona pela personalidade que temos”, respondeu.

    A emoção só não se derreteu em lágrimas diante dos jornalistas talvez por já ter saído em campo e no vestiário. Mas admitiu o sentimento de alegria. “Estou emocionado não pelo que jogamos, mas pelo que vivo ao lado de todos esses jogadores. Sei o que eles pensam, o que querem. Não seguro nem confiante. Estou emocionado pelo passo que demos, mas quero algo mais”, apontou.

    A Argentina não chegava a uma semifinal de Copa do Mundo desde 1990. Na situação, chegou a final do campeonato, feito que foi repedido em 1930 e 1986 – em 1978 era fase de grupos, onde os lideres iam para a final. Até por esse feito, buscando repetir os sucessos anteriores, Mascherano diz que não há como pensar em qualquer outra coisa se não ser em descansar. “Temos que dormir, não tem jeito. Temos um desafio e um desejo. Não podemos deixar passar essa oportunidade”.

    Até por conta da importância dessa partida contra os holandeses, Javier Mascherano evitou falar em qualquer hipotética final. “Me imagino nesse momento no jogo de quarta-feira, onde teremos uma partida complicadíssima, onde vamos ter de usar da mesma inteligência que tivemos hoje e dar um pouco mais se quisermos chegar ao dia 13 de julho”, classificou.

  • Garay evita falar em final: “Temos que manter os pés no chão”

    Garay evita falar em final: “Temos que manter os pés no chão”

    Garay evita falar em final e prega os pés no chão. Passo a passo era o discurso argentino após cada partida.

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    Brasília – Passo a passo. Assim tem sido o discurso dos jogadores argentinos após cada uma de suas partidas na Copa do Mundo do Brasil. A classificação para as semifinais é fruto disso: de uma humildade, sem qualquer sentimento de que está tudo perfeito – até porque não estão.

    Até por isso, Garay, como grande parte do elenco argentino, evita falar em uma vaga na final, antes de superar um obstáculo. “Temos que estar tranquilos a partir de agora. Sabemos que demos um passo importante, mas temos que manter os pés no chão, pois ainda temos um passo mais longo para conseguirmos chegar a final”, destacou o defensor.

    Apesar de quase ter feito um gol contra, Ezequiel Garay fez uma partida correta. Acertou o tempo da bola em vários lances e ajudou a equipe a controlar o jogo no Mané Garrincha. “Foi um jogo complicado que no fim eles vieram para cima, mas conseguimos segurá-los. A Bélgica foi a única equipe que quis jogar de igual pra igual, e isso nos favoreceu”, disse.

    O defensor ressaltou ainda que essas próximas horas é importante para que os jogadores extravazem o sentimento de alívio por ter superado as quartas de final. “Temos que desfrutar ao máximo esse momento. E depois, já voltar ao foco para as semifinais”, ressaltou Garay, que ainda elogiou a atuação da equipe num todo. “Cada um sabe o que fazer dentro de campo e a virtude dos nossos companheiros”, finalizou.

  • Zabaleta destaca melhora defensiva: “Fomos mais ordenados”

    Zabaleta destaca melhora defensiva: “Fomos mais ordenados”

    Zabaleta e a melhora defensiva da Argentina nas quartas: o lateral comemorou sem camisa a classificação.

    Zabaleta, sem camisa, comemorou a classificação com os jogadores argentinos para as semifinais.
    Zabaleta, sem camisa, comemorou a classificação com os jogadores argentinos para as semifinais.

    Brasília – A vitória pelo placar mínimo contra a Bélgica que deu aos argentinos um passaporte entre os quatro melhores times do Mundo teve muitos pontos positivos, principalmente no aspecto defensivo. Apesar de alguns sustos, principalmente pelo alto, a Argentina teve uma evolução. Feito elogiado por Zabeleta, que teve um apoio de Demichelis, companheiro de equipe, mas sem classificar que a melhora tenha sido pelo jogador em questão.

    De acordo com o defensor a melhora do sistema defensivo foi notória, o que ajudou num coletivo. “Em linhas gerais, estivemos melhores ordenados, trabalhamos muito bem e demos poucos espaços. Aproveitamos muitos contrataques, nos quais poderíamos ter aumentado a vantagem. Fizemos uma grande partida”, destacou o lateral do Manchester City e da seleção argentina.

    Contudo, Zabaleta foi político em seu discurso, principalmente quando questionado sobre o ingresso de Demichelis no setor. “Cada partida é diferente. Para um defensor, quando a linha dos volantes está junta, ajuda a melhorar. E isso aconteceu hoje. Sei qual a minha função na equipe. É importante que muitos entendam isso. As críticas fazem parte do trabalho. Convivemos com isso”, desabafou.

    Por fim, o jogador comemorou a classificação, ressaltando a importância desse momento para o país, principalmente pelas inúmeras cobranças pela falta de títulos, que já completa 21 anos. “Argentina é um país que exige a qualidade, um país que quer sempre estar entre os finalistas. E passamos muito tempo longe. Agora cumprimos nosso desejo de seguir o caminho”, revelou.

  • Demichelis: “Foi um alívio enorme essa classificação”

    Demichelis: “Foi um alívio enorme essa classificação”

    Demichelis nas semifinais da Copa de 2014 falou do alívio da classificação, após fazer dupla com Garay contra a Bélgica.

    Demichelis fez dupla com Garay na partida deste sábado, que classificou a Argentina para as semifinais
    Demichelis fez dupla com Garay na partida deste sábado, que classificou a Argentina para as semifinais

    Brasília – Há quatro anos, Martin Demichelis deixava o campo de jogo com os seus companheiros com triste e abatido por conta da eliminação para os alemães. Mas nada como um dia após o outro. Mas tal dia demorou um Mundial para acontecer. Nada menos do que 1463 dias.

    Titular pela primeira vez nesta Copa do Mundo, o zagueiro central foi um dos que mais comemorou a classificação para as semifinais, mas negou o sentimento de revanche em relação à África do Sul.

    “Recebemos muitas críticas anteriormente. Não sei se é uma revanche nesse momento, mas é um alivio enorme. Por isso, quando acabou a partida, nos abraçamos, pois fizemos um grande esforço para chegar até aqui”, apontou Demichelis, um dos últimos nomes da lista final.

    Demichelis relembrou também de sua categoria de base. Os jogadores da escolhinha de Renato Cesarini estiveram inclusive no Centro de Treinamento do Atlético, onde a Argentina vem treinando desde o dia 9 de junho.

    “Veio na lembrança coisas que aconteceram quando eu tinha 14 anos, quando estava no Renato Cesarini. Tive muita alegria no futebol, mas não conseguir ter algo na Seleção. Agora já conseguimos o objetivo que era disputar sete partidas”, ressaltou o defensor.

    A respeito da partida, Demichelis classificou o jogo como duro, principalmente pela estatura dos jogadores belgas. “Controlamos bem a partida em linhas gerais. Hoje eles tinham seis ou sete jogadores com mais de 1,90m, melhores no jogo aéreo do que a gente. Mas conseguimos nos suportar bem”, apontou.

    A Argentina enfrenta nas semifinais da Copa do Mundo a Holanda, no próximo dia 9 de julho, em São Paulo, na Arena Corinthians. O retrospecto contra os holandeses não é tão bom. Contudo, na única vez que venceu os holandeses na história, acabou sendo campeão, em 1978. Na situação, a vitória veio na prorrogação (1×1 no tempo normal e 2×0 na prorrogação).

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  • Melhor em campo, Higuaín minimiza fim da seca de gols

    Melhor em campo, Higuaín minimiza fim da seca de gols

    Higuaín e o fim da seca de gols veio nas quartas, uma semana depois de ele ter minimizado a própria estiagem.

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    Brasília – Há cerca de uma semana, o atacante Gonzalo Higuaín entrava na sala de entrevistas da Cidade do Galo minimizando a sua seca de gols, algo não comum para um atacante. Neste sábado, no estádio Mané Garrincha, o jogador voltou a uma sala de conferência para receber o prêmio de melhor em campo, fruto de uma boa partida e pelo gol marcado.

    “Declarei alguns dias atrás que eu estava tranquilo quanto a isso. Trabalhei para chegar a esse momento, marquei e estou feliz. Faltam algumas partidas para cumprir o nosso sonho”, destacou o jogador ao lado do prêmio de melhor jogador da partida. Pela primeira vez na Copa do Mundo, Lionel Messi não recebeu o prêmio nos jogos da Argentina, feito que aconteceu nos últimos quatro jogos.

    Alejandro Sabella também elogiou o jogador. Um dia antes, o treinador havia bancado o atleta, refazendo na partida deste sábado. “Ele foi o jogador que mais correu no último jogo. E hoje ele correu, ajudou, colaborou e fez um gol importante”, destacou o treinador argentino sobre Pipa Higuaín.

    Para a partida das semifinais da Copa do Mundo, quarta-feira, às 17h, em São Paulo, Higuaín e Messi devem ser os únicos jogadores do ‘quarteto fantástico’ em campo. Sergio Aguero já voltou a treinar com bola, mas ainda não é certa a sua condição para a partida das semifinais. O mesmo vale para Dí Maria, que se machucou no primeiro tempo contra a Bélgica e tem grandes chances de ser cortado.

  • Sabella: “Temos que guardar as energias para as semifinais”

    Sabella: “Temos que guardar as energias para as semifinais”

    Sabella nas semifinais de 2014 optou por poupar energia do elenco, depois de cinco jogos até a Argentina controlar um adversário.

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    Brasília – Foram necessários cinco jogos para que a Argentina, enfim, tivesse um controle do jogo, sabendo controlar o adversário, apesar de alguns perigos no fim da partida, com as inúmeras bolas alçadas na área por parte dos belgas. E mais do que isso: foi no momento ideal para que a Argentina acabasse com uma seca de 24 anos sem chegar as semifinais. Nem mesmo o fim de jejum, com a classificação, deixa o técnico Alejandro Sabella eufórico.

    Claro, o treinador comemorou uma classificação, mas voltou a ressaltar o passo a passo e disse que agora é necessário guardar energias, abaixando o otimismo dos jornalistas. “É uma grande alegria para todos nós. Fizemos uma partida excelente. São 24 anos longe de uma semifinal. Mas agora temos que guardar energias”, destacou o treinador.

    “Taticamente fomos bem, criamos um circulo virtuoso. Estamos contentes, mas vamos por mais. Estamos aqui para isso. Cumprimos o nosso objetivo mínimo, que era estar entre os quatro melhores”, complementou Alejandro Sabella, sobre o esquema de jogo utilizado na partida deste sábado.

    Assim como fez nas coletivas anteriores, o treinador preferiu não falar em um possível jogo no dia 13 de julho, data da final da Copa do Mundo. “Vamos pensar no próximo jogo. Será muito difícil, seguramente. Vamos ver como estão os jogadores. Tivemos quatro jogos seguidos ao meio dia (sic). A partir disso vamos ver como a equipe estará”, destacou o treinador argentino.

  • Di María em lágrimas, com risco de ficar fora da Copa

    Di María em lágrimas, com risco de ficar fora da Copa

    Di María em lágrimas passou pela zona mista ao lado de Messi, sem falar com os jornalistas, a caminho da eliminação pessoal.

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    Brasília – Com uma aparência abatida, segurando o choro, Dí Maria passou pela zona mista ao lado de Lionel Messi sem falar com os jornalistas. As perguntas de como ele estava só aumentavam a vontade de desabar. O jogador ainda seguiu um grande caminho até chegar ao ônibus, ignorando os jornalistas. Talvez ali, ele já sabia o quão grande foi a gravidade de sua lesão. Dí Maria se machucou aos 27 minutos do primeiro tempo com um estiramento na coxa direita. O atleta até tentou continuar em campo, mas acabou substituído por Enzo Perez.

    O empresário do atleta, Eugênio Lopez, confirmou ao portal UOL que o jogador está fora da Copa do Mundo. Já ao ESPN.com.br, um membro da comissão técnica confirmou que as chances são reduzidas dele chegar até ao próximo fim de semana. “Perdemos um jogador vital”, destacou Alejandro Sabella, durante a entrevista coletiva no estádio Mané Garrincha.

    O twitter oficial da Argentina chegou a soltar que o atleta estava fora da Copa do Mundo, mas depois o apagou. Isso serviu muito cautela por parte da assessoria da AFA, que espera realizar os exames médicos neste domingo. “Ele irá fazer alguns exames e podemos saber ao certo o que ele tem”, disse o treinador, logo após lamentar a lesão do jogador.

    Neymar
    O técnico da Seleção Argentina aproveitou também para solidarizar o atacante Neymar, que se machucou gravemente na partida de sábado. “Gosto dos grandes jogadores. Perder um jogador de hierarquia dele faz com que o futebol caia uma lágrima. Uma das piores coisas é estar lesionados, ainda mais num Mundial. Mando um abraço que estou com ele neste momento difícil”, disse o treinador.

  • Higuaín nas quartas de 2014 coloca a Argentina na semifinal

    Higuaín nas quartas de 2014 coloca a Argentina na semifinal

    Higuaín nas quartas de 2014 era um dos jogadores mais escondidos e questionados da seleção, até decidir contra a Bélgica.

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    Brasília – Um dos personagens mais escondidos da Argentina durante toda essa Copa do Mundo resolveu aparecer nas quartas de final. Gonzalo Higuaín, questionado um dia antes da partida contra a Bélgica, foi o protagonista durante boa parte do confronto. Marcou o gol da vitória, quase fez outro, em estilo maradoniano, e teve seu nome ovacionado por três vezes durante o jogo. Foi decisivo ao marcar o gol que colocou a Argentina em uma semifinal pela primeira vez desde 1990.

    E o seu lampejo foi importante. Isso porque Angel Dí Maria, que vinha fazendo uma boa partida, acabou se lesionando na coxa direita. Já Lionel Messi ficou apagado, principalmente no segundo tempo. Só apareceu quando Pipita Higuaín deixou o campo aplaudido de pé pelos argentinos no Mané Garrincha.

    Mas não foi somente Higuaín quem foi bem. A Argentina, apesar de sofrer em determinados momentos, fez sua melhor partida na Copa do Mundo. Teve um maior controle da posse de bola e após o gol, controlou o jogo. Gol esse que saiu aos oito minutos de jogo. Dí Maria tentou o passe para Zabaleta, mas a bola acabou tocando no defensor belga. A bola caiu nos pés de Higuain, que após quase três meses, voltou a marcar um gol.

    Lionel Messi não fez sua melhor partida ofensivamente. Mas marcou como um leão. O jogador roubou várias bolas no meio campo, desarmou muito e chegou até a ser desleal em alguns momentos. Mas foi decisivo. Deu passes na medida e quando apareceu, deu show. A sua melhor jogada foi aos 38, quando o camisa 10 driblou quatro jogadores na entrada da área e foi derrubado na meia lua. Na cobrança, o argentino acabou mandando pra fora.

    Mas foi no segundo tempo que Higuaín demonstrou o seu melhor. Em dez minutos, foram duas jogadas que o fizeram ser aclamado pelos torcedores e garantiram seu prêmio de melhor em campo. Na primeira o jogador recebeu pela ponta, ganhou dos defensores e bateu cruzado. A bola desviou em Van Buyten e quase matou o goleiro Courtois. Depois, aos nove minutos, fez uma jogada de Maradona que bateu na trave.

    Mas a Argentina teve seus sustos. Os belgas só não conseguiram se controlar e aproveitar as oportunidades de gol. Foram inúmeras bolas alçadas na área que ficou parado no sistema defensivo argentino ou que terminou em impedimentos – seis num total. A defesa da albiceleste teve seu melhor desempenho do mundial, e mesmo o questionadíssimo Basanta se mostrou seguro. Ao fim, Messi ainda teve a chance de marcar um gol sobre Courtois, mas exagerou no preciosismo.

    O fato é que a Argentina chegou as semifinais da Copa do Mundo pela primeira vez após 24 anos. E conseguiu quando teve os torcedores ao seu lado, mesmo neste último jogo longe de ser local. Foi assim em 1930, no Uruguai, em 1978, na Argentina, e em 1990 na Itália – com lembranças de Nápoles, que por conta de Maradona, chegou a ser local contra os donos da casa.

  • A final de 2009 entre Huracán e Vélez, emocionante e polêmica

    A final de 2009 entre Huracán e Vélez, emocionante e polêmica

    A final de 2009 entre Huracán e Vélez decidiu o campeonato argentino em jogo emocionante e polêmico. O título saiu nos minutos finais.

    Moralez comemora prestes a tirar a camisa e ser expulso por isso. Domínguez se volta para reclamar da irregularidade do gol. Ao fundo, Toranzo e Bolatti vêem a façanha do Huracán ruir

    “Meu velho era muito torcedor do Vélez e vivi a situação sonhada por ele. Eu sei que meu velho sempre esteve aí durante o campeonato, eu percebia sua presença; nas situações-limite, quando me complicava o jogo, sei que ele estava e me dava tranquilidade, senti a cada instante sua presença. [Em 1971 eu] tinha 13 anos e fomos ao campo, de mandante íamos sempre e de visitante uma vez ou outra. (…) Lembro que o Huracán não tinha nada a perder essa tarde e que o Vélez antecipou o festejo do campeonato, já tinha toda a festa pronta. Isso é complicado. E não me esqueço mais de como as pessoas rompiam os carnês de sócios. É uma imagem muito forte”.

    A declaração acima foi feita em 2009 pelo atual técnico palmeirense, Ricardo Gareca, meses após ser campeão do Clausura treinando o time do coração, o Vélez. Título que cicatrizou algumas feridas: como jogador, Gareca passou pelo clube no fim da carreira, mas não conseguira taças. E deixou-o justamente no semestre em que o Fortín passou a ser uma máquina de títulos, em 1993. A outra durava desde aquele fatídico jogo em 1971: então time de expressão restrita a seu bairro de Liniers, o líder Vélez, campeão pela primeira vez em 1968, tinha tudo para faturar seu segundo título argentino. Na última rodada, pegaria em casa um irregular Huracán. E abriu o placar no primeiro minuto.

    Só que o improvável aconteceu para o então goleador Carlos Bianchi (autor de 41 gols naquele ano) e colegas. O Huracán virou o jogo, em grande desempenho de Narciso Doval, emprestado pelo Flamengo. Paralelamente, o segundo colocado Independiente venceu o seu e foi campeão. O vídeo abaixo mostra bem o desespero dos velezanos; sua ascensão teria de esperar mais de vinte anos, com a segunda taça só vindo mesmo em 1993, com Bianchi já de técnico. Mas depois os títulos não pararam: hoje são dez nacionais, uma Libertadores, uma Supercopa, uma Recopa e uma Intercontinental, tornando-o mais do que postulante a “sexto grande”. Posto que era justo do Huracán.

    Essa história de “sexto grande” remonta décadas. Oficialmente, a AFA considerou nos anos 30 que grandes eram Boca, River, Racing, Independiente e San Lorenzo. Quem mais se aproximava de ser um sexto era o Huracán, pelos numerosos títulos no amadorismo e que vez ou outra ameaçava brigar por mais. Por muito tempo ele foi visto mesmo como sexto grande, mas o jejum de 45 anos entre 1928 e 1973 atrapalhou, assim como títulos de “pequenos” cada vez mais atrevidos. O Huracán, como um nobre decadente que não se adaptou à modernidade, se especializou em viver do passado.

    Pequenos trocos não faltaram ao Vélez. Em 1998, o time chegou a seu quinto título (mesma quantidade arrecadada pelo Huracán até hoje) vencendo justamente o estraga-prazer de 1971. Um ano depois, empatou fora de casa e praticamente condenou-lhe ao rebaixamento, o segundo da história huracanense – nenhum grande caiu duas vezes na Argentina até hoje. Mas nenhum foi tão cruel como aquele de cinco anos atrás. Aquele ex-rico vinha reaprendendo a ganhar. E não só ganhava como encantava.

    Mas o campeonato não se disputou só entre o velho e o moço. O Lanús, emergente do novo século, também esteve no páreo na maior parte, embalado pelo artilheiro Sand (que chegou a marcar quatro gols em um 5-1 no Independiente), o talentoso Valeri, o meia-armador Blanco (inserido por Maradona na pré-lista de convocados à Copa 2010), alguns gols de Salvio e o último brasileiro de sucesso na Argentina, Jadson Vieira. Campeão pela primeira vez dois anos antes, o Granate foi o líder do trio da 4ª à 8ª das 19 rodadas e a retomou entre a 14ª e a 16ª. Porém, se atrapalhou na reta final. Levou de 4-1 do San Lorenzo na antepenúltima rodada, foi ultrapassado pelos outros dois e na rodada seguinte o outrora líder deu adeus às chances de título ao empatar em casa com o Vélez.

    La V Azulada chegara a ser líder da 9ª à 13ª rodada e tinha no seu forte a boa regularidade: raramente tropeçava, perdendo uma única vez: um 3-1 fora de casa para o Gimnasia LP exatamente na 14ª rodada, quando perdeu a liderança para o Lanús. Só que os comandados de Gareca empatavam demais: foram sete igualdadas. Venceram 11, uma a menos que Huracán e Lanús, por exemplo. O Globo começou com tudo, com duas vitórias seguidas, com a segunda sendo um 4-1 fora de casa no Racing (dois gols de Defederico). Só que naquele início de campeonato, cambaleou: perdeu duas seguidas após a goleada e perdeu as três entre a 7ª e a 9ª rodada. Àquela altura, ficou a 6 pontos do líder Vélez e a 5 do Lanús.

    E aí os comandados do técnico Ángel Cappa embalaram. Da 10ª à 18ª e penúltima rodada, só não venceram uma, um empate fora de casa com o Estudiantes em 1-1 – ironicamente, sofreram gol de Christian Cellay, cria e torcedor do Huracán. Essa série de vitórias incluiu um 4-1 no Argentinos Jrs, um 1-0 fora de casa no Tigre (último vice-campeão), 3-2 no Godoy Cruz, 4-0 no River, 2-1 no Rosario Central fora de casa, 2-1 no Banfield, 1-0 no clássico com o San Lorenzo fora de casa e 3-0 no Arsenal. O 3-0 no Arsenal na penúltima rodada aliado ao empate entre Vélez e Lanús repôs o Huracán na liderança que abandonara após a 3ª rodada. Os gols foram marcados por alguns dos destaques daquele belo elenco: Bolatti, Toranzo (que marcaram também nos 2-1 no Banfield) e Defederico. Era o estilo tik-tik.

    Pastore
    Pastore, craque do campeonato, festeja seu primeiro gol nos 4-0 sobre o River, onde marcou outro e deu passe para mais um sobre Falcao García e colegas. À esquerda, na capa de El Gráfico a retratar outros meias-armadores de destaque naquele Clausura: o lanusense Sebastián Blanco e Moralez (a última capa da revista a mostrar alguém do Huracán havia sido em 1994)

    O bom zagueiro Goltz, hoje de sucesso no Lanús e tão pedido pelos argentinos para jogar a Copa 2014, fez o da vitória sobre o San Lorenzo, que não perdia o clássico desde 2001 – isso porque só usara reservas naquela ocasião, por estar paralelamente focado na final da Copa Mercosul com o Flamengo. E a derrota azulgrana anterior à de 2001 como mandante havia sido em 1991. Bolatti e Toranzo marcaram também nos 4-1 sobre o Argentinos Jrs e Goltz e Defederico fizeram os seus no 3-2 sobre o Godoy Cruz. Os quatro ganharam oportunidades na seleção na época. O último huracanense nela havia sido em 1996, o lateral Pineda, da Copa 1998.

    Mas a grande revelação era Pastore. Fez os dois gols da vitória sobre o Central em Rosario e outros dois no impiedoso 4-0 no River: um cruzado de fora da área e outro tocando na saída do goleiro após receber de Defederico e driblar de caneta Nicolás Sánchez. Também deu o passe para o gol do estreante Medina após triangulação com Toranzo, que marcou o último ao emendar de fora da área um rebote. Pastore ainda deixou outros dois em um 3-0 no concorrente Lanús, ainda no início do campeonato, e outro naqueles 4-1 no Racing. E também foi à seleção (ele e Bolatti acabariam chamados à Copa 2010, com Bolatti marcando o da classificação ao mundial inclusive sobre o Uruguai no Centenário). Mas o que marcou foi mesmo os 4-0 sobre Falcao García e colegas, que tiveram a misericórdia do árbitro Sergio Pezzota: o juiz encerrou o massacre antes dos 45 minutos regulamentares.

    Por acaso, a última rodada opôs quem ainda podia ser campeão. O Vélez vencera os quatro jogos anteriores àquele empate com o Lanús na rodada anterior. Mas a série impressionante do Huracán o credenciava como favorito. Especialmente porque não perdia havia onze jogos, a única hipótese em que perderia a taça. E porque, no semestre anterior, ganhara do mesmo Vélez por 3-0 (um de Defederico, um de César González e, claro, um de Pastore). Tinha o melhor ataque, com 35 gols. Só que, além do fator casa e ter mais fogo sagrado em decisões, o Vélez tinha a melhor defesa, com 13. A revelação nesse sentido foi Otamendi, hoje no Atlético Mineiro. Também foi à Copa 2010.

    O Vélez só venceu uma vez por mais de dois gols de diferença naquele torneio, um 4-0 no Godoy Cruz com dois de Maxi Moralez e um de Larrivey, justamente os protagonistas velezanos daquela épica tarde de 5 de julho de 2009. Mas também teve seus episódios de destaque, como quando virou para 4-2 um jogo que perdia fora de casa por 2-0 para o Colón (gols de Cristaldo, dois de Hernán López e outro do ex-Corinthians Juan Manuel Martínez) ou quando, também perdendo por 2-0, soube empatar com o Racing (gols de outro ex-Corinthians, o zagueiro Sebá Domínguez, e Víctor Zapata). E o jogo com o Huracán também seria uma tarde tremenda.

    Bolatti Toranzo Defe Ota
    Bolatti, Toranzo, Defederico e o velezano Otamendi, outras revelações do campeonato. Todos estrearam pela Argentina entre 2009 e 2010

    Se Moralez e Larrivey foram os protagonistas velezanos, foi porque infelizmente o da partida foi a arbitragem conduzida por Gabriel Brazenas, desde cedo: aos 8 minutos, após cobrança de falta, anulou-se um gol legal de Eduardo Domínguez (ex-Vélez) para o Huracán – os velezanos alegam que, por outro lado, seu jogador Zapata sofreu nessa jogada falta não marcada ao querer adiantar-se para deixar Domínguez impedido. O impedimento foi pela posição realmente irregular de Goltz, mas ele não participou da jogada. Dez minutos depois, veio uma chuva de granizo que, longe de esfriar a tensão, só serviu para interromper o jogo por meia hora. Quando a partida pôde ser retomada, o Vélez teve um pênalti a seu favor. Mas Monzón pegou a cobrança de Hernán López. Ambos os times tiveram suas chances depois: o velezano Velásquez teve até gol (bem) anulado. Por outro lado, Otamendi, que já havia sido amarelado, merecia o vermelho em uma falta forte sobre Goltz no início do segundo tempo.

    Com o tempo se passando e nada do placar ser aberto, o Huracán passou a cozinhar o empate. Aos 35, Arano entrou com os dois pés no joelho de Cubero dentro da área, mas Brazenas não deu pênalti ao Vélez nem advertiu Arano. Mas aos 38 minutos do segundo tempo veio a polêmica maior. Moralez lançou Larrivey, um ex-Huracán considerado ídolo lá: quando o Clarín publicou livro em 2008 sobre o centenário huracanense, pôs Larrivey como o mais recente dos cem maiores ídolos da clube; fora o goleador da campanha que recolocara o Globo na elite, em 2007. Há cinco anos, chocou-se com o goleiro Monzón, que nisso soltou a bola. Brazenas não interrompeu e Moralez pegou a sobra e marcou com o gol vazio. Em seguida, por tirar a camisa, foi expulso.

    O Huracán, mesmo com um a mais e com a partida tendo quatorze minutos de acréscimo, se desestabilizou. As demoras nas devoluções de bolas que saíam do campo foi o estopim final para o sereno Ángel Cappa também perder a calma. Larrivey quase fez 2-0 e terminou agredido por ex-colegas. O golpe não foi superado ali nem depois: apesar do vice, o Huracán não se classificou à Libertadores nem à Sul-Americana seguintes e segue sem ser campeão da elite desde 1973 e em 2011 terminou rebaixado enquanto o Vélez, que antes daquele dia de cinco anos atrás não era campeão havia outros quatro, somava mais um título com o técnico Gareca. Em 2012 e 2013, vieram outros.

    O Globo, por sua vez, segue na segundona e bem longe da glória que lhe escapou por uma bola dividida. Polêmica que comoveu até José Sanfilippo, maior artilheiro do rival San Lorenzo (e do clássico entre os dois). Falamos a respeito em link fornecido abaixo, assim como outros que o Futebol Portenho publicou na época. Foi o primeiro campeonato argentino coberto pelo FP, criado em abril daquele 2009.

    Diretorias de Vélez e Huracán divergem com relação a final

    Torcida do Huracán esgota entradas em menos de 2 horas

    Vélez e Huracán definem o campeão em grande jogo

    Vélez é campeão do Clausura 2009

    Assim o Vélez chegou ao título

    Cappa: “Se equivocou em dois lances que nos tirou o título”

    Brazenas não viu falta no lance do gol

    Brazenas admite que errou na final

    “Se ficar impune, o futebol argentino não terá remédio”, diz Cappa

    Torcedores do Huracán armam protesto contra Brazenas

    Sanfilippo quer 18 meses de punição para Brazenas

    Polêmica
    Sequência da grande polêmica: Larrivey e Monzón se chocam, o goleiro pede falta, não é atendido e Moralez, apesar dos esforços de Arano (3) e Domínguez (25), marca observado por Toranzo (18)
  • Argentina enfrenta a Bélgica e o pesadelo das quartas de final

    Argentina enfrenta a Bélgica e o pesadelo das quartas de final

    Argentina x Bélgica nas quartas de 2014 reeditou um confronto que já tinha dado pesadelos aos hermanos em Copas.

    Seleção Argentina treinou no estádio Mané Garrincha na véspera da partida.
    Seleção Argentina treinou no estádio Mané Garrincha na véspera da partida.

    Brasília – Os dois últimos Mundiais para a Seleção Argentina tem sido deprimentes, sempre parando nas quartas de final. Eliminado pela Alemanha em 2006 e 2010, o adversário deste ano será diferente e ‘acessível’ em relação ao peso dos rivais passados. Mas dizer que a Bélgica é um rival fácil é dar sorte para o azar, principalmente por esta ser uma das melhores gerações daquele país desde o século passado.

    Soma-se também a má atuação argentina nos últimos jogos, o que deixa aquele pulga atrás da orelha irritando a cada dia que passa. E o time de Alejandro Sabella, sob os cuidados de Lionel Messi e seus amigos, terá a oportunidade de quebrar essa má fase na Capital da República, às 13h, num estádio imponente, do tamanho que foi o jogador que leva o seu nome: Mané Garrincha.

    Colabora com a preocupação o fato de uma de suas principais figuras, o então questionado Marcos Rojo, não estar presente (suspenso pelo segundo amarelo). Isso faz com que o treinador argentino opte por improvisar José Maria Basanta no posto. O jogador, apesar de fazer essa função, é central de ofício. E as lembranças de um zagueiro pelas pontas não trás boas recordações em quartas de final do Mundial. Foi nas costas de Nicolas Otamendi tomou o primeiro gol dos alemães na África do Sul, que culminou num 4×0 vexatório.

    Demichelis, possível titular contra a Bélgica, participou do vexame nas quartas em 2010 e falhou em duas oportunidades.
    Demichelis, possível titular contra a Bélgica, participou do vexame nas quartas em 2010 e falhou em duas oportunidades.

    Naquela situação também esteve Martin Demichelis, que deve entrar na vaga de Federico Fernandez. Curiosamente, fará sua primeira partida em Copa do Mundo desde aquele fático dia 3 de julho de 2010, quando falhou no segundo gol e não conseguiu acompanhar Podolski e Ozil no último. Demichelis deve ser utilizado neste jogo para dar uma maior segurança a Pablo Zabeleta, que não vem bem. Como ambos atuam em um mesmo clube, isso pode ajudar.

    Junto com o defensor, outros sete jogadores que atuaram naquele jogo estão no atual plantel, sendo que cinco são titulares (Romero, Mascherano, Dí Maria, Messi e Higuaín). Maxi Rodriguez e Sergio Agüero ficarão no banco de reservas. Esse último, por sinal, é uma grata surpresa no elenco, já que sua lesão teve uma recuperação de lesão na coxa rápida e poderá ser utilizado no decorrer da partida, caso Sabella ache necessário.

    O mais preocupante é a manutenção de Fernando Gago entre os titulares. O jogador não faz um bom Mundial – a Argentina está mal, mas ele consegue ser o destaque negativo – e poderia muito bem ser suprido por Lucas Biglia. O que salva são os lampejos de Lionel Messi e Angel Dí Maria, que vêm se destacando neste Mundial – muito graças a Javier Mascherano, diga-se. Já Ezequiel Lavezzi e Gonzalo Higuaín têm mais uma possibilidade de ajudar a Argentina neste Mundial.

    Ainda que com problemas e pesadelos, a Argentina é a favorita para o embate, assim como aconteceu nos últimos quatro jogos desta Copa do Mundo. Mas pode voltar a ter dificuldade para quebrar um jejum de 24 anos (cinco Mundiais) sem estar entre os quatro melhores países do planeta. Vale lembrar que as três melhores participações foi nas quartas (Holanda, 98; Alemanha 2006 e 2010). Em 1994 caiu para a Romênia, nas oitavas e em 2002 caiu na primeira fase.

    ARGENTINA: Romero; Zabaleta, Garay, Fernández e Basanta; Mascherano, Gago (Biglia) e Di María; Messi, Higuaín e Lavezzi
    Técnico: Alejandro Sabella

    BÉLGICA: Courtois; Alderweireld, Van Buyten, Kompany e Vertonghen; Witsel, Fellaini, Mertens, Hazard e De Bruyne; Origi
    Técnico: Marc Wilmots

    Local: Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF)
    Horário: 13h (de Brasília)
    Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
    Acompanhe a transmissão em tempo real pelo twitter @futebolportenho a partir das 11h direto do palco da partida.

  • Argentina adotou nova postura tática nas oitavas, melhorou, mas sentirá ausência de Rojo

    Capa

    A entrada de Lavezzi no lugar de Aguero mudou a postura tática da Argentina em campo. A Albiceleste ganhou poder de marcação pelos lados do campo através do atacante do Paris Saint Germain, que depois da vitória diante da Suíça falou sobre a dificuldade encontrada ao precisar ter maior comprometimento defensivo dentro da proposta de Sabella.

    Sem Aguero, a Argentina adotou contra a Suíça o 4-4-1-1, com Lavezzi e Di Maria abertos pelos lados do campo, buscando as jogadas em profundidade e aplicados na marcação pela faixa lateral do campo. Ainda sem mostrar aquilo que melhor fez nas Eliminatórias e amistosos, contragolpear, a Argentina diante de adversários mais fechados neste Mundial é obrigada a avançar as linhas de marcação e se atentar nas rápidas tramas adversárias. Fortalecer os lados do campo foi uma das soluções encontradas por Sabella.

    Diagrama 1
    Argentina no 4-4-1-1 diante da Suíça em São Paulo.

    Com o passar do primeiro tempo, Sabella inverteu os lados de atuação de Lavezzi e Di Maria. Com Rojo mais útil na marcação que Zabaleta, Lavezzi passou a ter mais liberdade para avançar pela esquerda, e não sofreu tanto com o desgaste físico.

    Lavezzi
    Mapa de calor de Lavezzi na primeira etapa em São Paulo – início mais defensivo pela direita e maior liberdade pela esquerda, com o suporte de Rojo. Fonte: Footstats

    A Argentina sentirá a ausência de Rojo neste sábado diante da Bélgica pelas quartas de final. O lateral argentino, suspenso por cartão, além de grande disposição física nos avanços e recomposição, tem sido fundamental marcando alto, na faixa média do campo, onde passou a ser o segundo maior desarmador da Seleção Argentina neste Mundial. Atrás apenas de Mascherano(21), Rojo tem 17 desarmes na competição.

    Rojo
    Marcos Rojo muito participativo no setor médio do campo, auxiliando na marcação mais alta da Argentina. Fonte: Footstats

    Sem Rojo, Basanta integrará o setor esquerdo da defesa argentina. Apesar de zagueiro, Basanta foi mais utilizado por Sabella na maioria das vezes como lateral esquerdo. Foi assim no amistoso diante da Itália e nos jogos pelas Eliminatórias, contra o Paraguai e Uruguai. A ordem para Basanta é clara e objetiva: defender. Os últimos treinos com o zagueiro do Monterrey(México) tiveram trabalhos específicos de jogadas um contra um, em virtude da preocupação de Sabella com os avanços pelos lados do campo dos belgas.

     Além de Basanta, Biglia pode ser nova opção de Sabella para o lugar de Gago, que treinou nesta sexta mas tem sido questionado pela forma física em declínio no decorrer dos jogos da Argentina. Os indícios são de que a Argentina siga jogando com 3 atacantes em campo, ora no 4-3-3, ora no 4-4-1-1, como fez contra os suíços.

     

     

  • Sabella: “Se não chegarmos às semifinais, será frustrante”

    Sabella: “Se não chegarmos às semifinais, será frustrante”

    A frustração de Sabella seria não chegar às semifinais. A Argentina desembarcou em Brasília com sentimento de tensão.

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    Brasília – A Seleção Argentina chegou à Brasília com um sentimento de tensão. Após uma classificação sofrida sobre os suíços, a delegação passou por um baque, com a morte da filha de Titi Fernandez. Justo às vésperas de uma quarta de final, fase que a Argentina não consegue superar desde 1990. A missão de passar dessa fase será neste sábado, às 13h, contra a Bélgica, no estádio Mané Garrincha.

    Apesar de sempre ressaltar que um trabalho de três anos não pode ser jogador no lixo por conta de uma eliminação numa Copa do Mundo, o Alejanro Sabella admitiu que uma eliminação pode ser classificada como um fracasso nesse momento. “Se não conseguirmos chegar onde sempre planejamos (semifinais), será uma frustração. O resultado não é decisivo para avaliar um trabalho de três anos, mas queremos chegar ao máximo”, destacou.

    Em meio à opinião, o treinador argentino foi autocrítico quanto ao favoritismo que os torcedores e a imprensa colocam a sua equipe. “Sempre os argentinos pensam que somos mais do que somos. Há parte boa e parte ruim nisso. É um tema cultural. Quando eu era criança eu ouvia que era o melhor, mas nunca havia sido campeões”, desabafou o treinador.

    Até por conta dessa pressão, o treinador da Argentina admitiu que nos últimos dias, os jogadores voltaram a conversar com uma psicóloga, algo que já havia feito antes do Mundial. “Já havia feito uma prévia análise com psicóloga antes da Copa. Mas decidimos chamar novamente. Tenho um momento que é mais relaxado e outras de concentração a pleno”, agregou.

    Se a Argentina conseguir a classificação para as semifinais, terá como adversário o vencedor de Holanda e Costa Rica. A partida será no dia 9 de julho, na Arena Corinthians. A outra semifinal – entre Alemanha e o vencedor de Colômbia e Brasil, acontece um dia antes, dia 8, em Belo Horizonte, no Mineirão.

  • Demichelis e Basanta são as novidades para a partida contra a Bélgica

    Demichelis e Basanta são as novidades para a partida contra a Bélgica

    Demichelis e Basanta contra a Bélgica foram as novidades argentinas, apesar do treino fechado no Mané Garrincha.

    demichelis

    Brasília – O treino da Seleção Argentina era fechado no estádio Mané Garrincha. Mas para tudo se encontra uma alternativa. No meio das pilastras e corredores do imponente estádio, alguns jornalistas puderam acompanhar boa parte do trabalho, até serem percebidos por funcionários do COL. Mas, o tempo foi necessário para observar duas mudanças pontuais na equipe titular.

    Uma delas era esperada. José Maria Basanta entrou na vaga de Marcos Rojo, como confirmou o próprio treinador nas últimas duas entrevistas coletivas – inclusive em Brasília. A outra era até cogitada, mas sem tanta certeza. O fraco desempenho de Federico Fernandez durante os quatro primeiros jogos impulsionou Alejandro Sabella a sacá-lo do time titular para dar lugar a Martín Demichelis, que entrou praticamente pela porta dos fundos neste Mundial, na vaga de Nicolas Otamendi.

    “Nos últimos dias fizemos alguns regenerativos por conta das viagens. A equipe não está confirmada. Tenho algo em mente, mas como não falei com os jogadores, não posso passar para vocês”, destacou o treinador durante a entrevista coletiva no estádio Nacional Mané Garrincha, antes do treinamento no mesmo local.

    A terceira mudança, que era a mais esperada, não aconteceu. Fernando Gago, um dos mais questionados no meio campo, não foi substituído por Lucas Biglia, ao menos no período que os jornalistas puderam acompanhar os trabalhos as escondidas. Assim, somente duas mudanças foram observadas em relação que sofreu contra a Suíça.

    Apesar dos elogios de Alejandro Sabella durante a entrevista coletiva desta sexta-feira a Rodrigo Palacio, o treinador não fez a substituição tática na frente, mantendo Ezequiel Lavezzi entre os titulares. Sergio Aguero treinou normalmente, mas será opção para o banco de reservas. Desta maneira, a Argentina enfrentará a Bélgica, no Mané Garrincha, com: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Basanta; Gago, Mascherano, Dí Maria; Lavezzi, Messi e Higuaín.

  • Los Andes e os acessos em família: avô, filho e neto

    Los Andes e os acessos em família: avô, filho e neto

    Los Andes e os acessos em família formam uma história única: avô, filho e neto participaram de subidas diferentes do mesmo clube.

    Ontem fez vinte anos a data de 3 de julho de 1994. Nela, a Argentina se entristecia com a eliminação da seleção na Copa de 1994, em jogo eletrizante entre os colegas de Maradona (expulso do mundial no dia 30 anterior) e a sensação Romênia. Mas a cidadezinha de Lomas de Zamora, ao sul da capital federal, se dava ao direito de festejar, mesmo que uma reles promoção de seu clube à segunda divisão. Ingredientes extras ajudaram.

    O clube em questão é o Los Andes, que é o rival original do Banfield, da mesma municipalidade de Lomas de Zamora. Mas o enfraquecimento das Milrayitas (“Mil Listrinhas”, em alusão à camisa de finas listras alvirrubras) fez com que os torcedores do Banfield redirecionassem o ódio a um antigo amigo, o também vizinho Lanús, cujos hinchas por razões parecidas retribuíram mutuamente, fazendo o Clásico del Sur: seu rival original é o Talleres da cidade de Remedios de Escalada, outro sumido – ele não joga a elite desde 1938 e hoje o principal Talleres do país é o da cidade de Córdoba.

    Quando a realidade ainda não era essa, o Los Andes chegou pela primeira vez à segunda divisão, e com uma campanha arrasadora: de 30 pontos possíveis, os lomenses somaram 28 e se sagraram campeões da terceirona. O artilheiro do torneio foi um certo Manuel Da Graca. Em 1960, sem ninguém da linhagem, o time venceu a segundona e chegou à elite pela primeira vez. Curiosamente, o jogo do acesso foi um 2-1 no Talleres de Escalada. Em 1961, quando a equipe esteve na primeira divisão e o Banfield, não, foi logo rebaixada – junto com o Lanús, por sinal.

    A volta à elite veio em 1967, de forma incomum: os quatro primeiros da segundona jogaram um “torneio reclassificação” com os seis últimos da elite. Os seis primeiros do torneio jogariam a primeira divisão em 1968. Isso fez com que o Defensores de Belgrano, melhor colocado na segundona, ficasse de fora da elite em 1968 (foi o mais perto que chegou dela na era profissional). Já o Los Andes, com um suado quarto lugar, conseguiu, marcando a 5 minutos do fim o gol da vitória por 2-1 sobre o Unión. E aí foi a vez de Abel Da Graca brilhar: com 10 gols, o filho de Manuel foi o artilheiro do minitorneio.

    Da Graca filho não marcou naquele dia, mas deu o passe para o primeiro gol. O técnico era Jim Lopes, que havia acabado de treinar a Argentina vice da Copa América naquele ano. Ele fizera carreira no futebol brasileiro, com títulos por Portuguesa, São Paulo e Palmeiras. O Los Andes seguiu na elite até 1971 e não tornou a ter uma década tão boa. Para a temporada 1993-94, estava na terceirona outra vez.

    Los Andes de 1994. Hernán Da Graca é o primeiro agachado. Fuertes é o terceiro

    Aquela edição da Primera B Metropolitana foi ainda mais confusa que a dos acessos de 1967: haveria Apertura e Clausura e o título seria definido entre os vencedores de ambos, caso fossem diferentes. A taça ficou com o Chacarita Juniors, que derrotou o Tigre na final. Mas o Tigre não subiu junto, apesar do vice: ele se juntaria nas semifinais de um “torneio reduzido”, travado em mata-mata pelos clubes que, fora ele e o Chaca, ficaram do terceiro ao oitavo lugar na tabela unificada dos dois turnos. Por um ponto a mais que o nono colocado, o Los Andes se garantiu nesse torneio.

    A grande revelação dos alvirrubros foi o atacante Esteban Bichi Fuertes, que passaria pelos gigantes Racing, Independiente (é talvez o mais célebre a fracassar na dupla rival de Avellaneda) e River mas que brilharia especialmente no Colón, onde é quem mais jogou e mais marcou gols – já veterano e ainda nesse clube, aos 36 anos, se tornou em 2009 o mais velho estreante na seleção argentina. E foi Fuertes o herói do primeiro mata-mata, marcando em ambos os jogos contra o Defensa y Justicia: vitória em casa por 2-0 e fora por 1-0.

    Mas no segundo mata-mata, uma semifinal justo contra o Tigre, a estrela que passou a brilhar nas Milrayitas foi a de Hernán Da Graca Guerra, filho de Abel e neto de Manuel. Em casa, 0-0. Fora, ambos empataram em 1-1 e na prorrogação cada um fez mais um, com Hernán deixando o seu ali. Nos pênaltis, ele converteu a sua e, embora Fuertes tenha errado, o Los Andes avançou por 4-3 para a final, contra o Deportivo Armenio. Em casa, o Los Andes venceu por 1-0. E fora abriu a contagem com somente 15 segundos de jogo. O gol? Foi de Hernán. O Armenio só conseguiria empatar e a partida ficou no 1-1.

    “Quando entrávamos em campo pela porta atrás do gol, e nos aproximávamos da plateia, os torcedores do Los Andes iam parando para aplaudir o velho, que baixava a cabeça envergonhado, enquanto eu o olhava orgulhoso. (…) Quando logramos o acesso à primeira divisão, senti o lisonjeio e o carinho dos torcedores do Milrayitas em suas inumeráveis mostras de apreço”, já escreveu Abel Da Graca sobre a experiência própria e com o pai nos acessos com o clube de Lomas.

    Já sobre aquele 3 de julho de 1994, Abel assim relatou: “nesse dia fui ao campo com meu pai e ambos nos abraçamos chorando quando Hernán fez o gol e essa foi a alegria maior que me deu o futebol; em pouco tempo o velhinho nos deixou, mas pôde ver seu neto ganhar um acesso igual ao que eu e ele ganhamos”. A família Da Graca também retrata bem como muitos dos argentinos de pele clara e cabelos lisos podem ter sangue africano, embora os hermanos negros sejam hoje mais raros.

    Hernán celebra o gol que ontem fez vinte anos