Di María na reapresentação fez atividade física. A Argentina sentira falta de um jogador como ele contra a Holanda.
Belo Horizonte – Durante a partida contra a Holanda, a Seleção Argentina demonstrou que necessita de um jogador no meio campo para que a bola chegue com mais precisão a Lionel Messi. E esse atleta é Angel Di María. O meio campista deixou o jogo contra a Bélgica aos 33 minutos do primeiro tempo e busca a recuperação para disputar a final da Copa do Mundo contra a Alemanha.
Nas semifinais, a Argentina teve uma boa postura defensiva, com o ingresso de Enzo Pérez ao lado de Biglia e Mascherano. Apesar da melhora num ponto crítico, Messi, Lavezzi e Higuaín não conseguiram render o esperado. O camisa 10, por sinal, teve seu pior desempenho neste Mundial com a Seleção. E muito pela ausência de Dí Maria, que além de ter uma boa chegada ofensiva, foi um dos jogadores que mais chutou a gol por parte da Argentina nesta Copa.
Nesta quinta-feira, na Cidade do Galo, o jogador fez seu primeiro trabalho físico após a lesão. O feito aconteceu um dia após o jogador ter dado um forte pique para comemorar com os jogadores após o gol de Maxi Rodríguez, que garantiu a Argentina na decisão. Ainda assim, a possibilidade de chegar ao Mundial por parte do jogador do Real Madrid é pequena. Principalmente como titular.
Caso esteja à disposição de Alejandro Sabella para a partida do domingo, às 16h, contra os alemães, no Maracanã, Di María deve ser apenas uma opção para o decorrer da partida e somente em caso de necessidade. E por se tratar de uma final de Copa do Mundo, todo o sacrifício é válido.
A delegação argentina no Rio voltou à cidade depois da vitória nos pênaltis sobre a Holanda, hospedando-se no hotel que Maradona frequentava.
Belo Horizonte – Um dia após a vitória nos pênaltis sobre a Holanda, que rendeu a vaga para a final, a Argentina voltou aos treinamentos na Cidade do Galo. Esse é o penúltimo dia de atividade no complexo do Atlético Mineiro, uma vez que no sábado a delegação já viajará para o Rio de Janeiro. E na Cidade Maravilhosa, a delegação ficará no mesmo hotel em que Diego Maradona está hospedado.
A Argentina chegará ao Rio nos sábado por volta das 12h e seguirá diretamente para o hotel Radisson Barra, que curiosamente recebe o principal ídolo da história do País: Diego Maradona. O ex-jogador argentino está no Brasil comandando o programa De Zurda para uma TV da Venezuela. O treinamento da Seleção Argentina será às 17h30 às 18h30 no Maracanã, seguido de coletiva de imprensa de Alejandro Sabella, às 18h40.
O fato curioso é que Diego Maradona foi ‘acusado’ de ser um amuleto de azar pelo presidente da Associação de Futebol Argentino, Julio Grondona. O ocorrido aconteceu na partida contra o Irã, na segunda rodada da Copa do Mundo.
A Argentina empatava sem gols até o momento em que as câmeras flagraram Maradona deixando o estádio Mineirão, em Belo Horizonte. Após ele deixar o palco, Lionel Messi acabou marcando o gol da vitória. O filho do presidente da AFA, Humberto Grondona, tuitou a frase do pai sobre o acontecido.
A Seleção Argentina fará a sua primeira final de Copa do Mundo após 24 anos. O último foi exatamente conta os alemães, quando perdeu por 1×0 após um pênalti muito contestado. Curiosamente, naquele ano, a Argentina sofreu para chegar à decisão, com várias disputas nos pênaltis e sofrimento contra o Brasil nas oitavas de final. O último título da Argentina com o plantel profissional foi em 1993, na Copa América.
Demichelis aponta a Alemanha como favorita na final, depois de uma falha que quase custou o sonho argentino.
São Paulo – Por um breve momento, Martín Demichelis viu o sonho de ser campeão do mundo ir por água abaixo. A falha aos 44 minutos do segundo tempo, dando oportunidade de Robben marcar o gol da vitória, foi salva por Javier Mascherano. Justo o seu amigo de Renato Cesarini, categoria de base de Rosário.
O defensor, após a partida, comemorou muito a vaga na decisão. Classificou o duelo contra os alemães como ‘a final sonhada’, mas jogando a responsabilidade toda ao rival. “Para mim, a Alemanha é favorita. Conheço-os de A a Z e sei o que pode fazer como equipe”, destacou Demichelis, que ganhou a vaga de titular nas quartas de final.
O jogador terá a oportunidade de dar a volta por cima após a derrota para os alemães em 2010, quando falhou em dois gols. “São duas seleções diferentes, são equipes diferentes em sua postura. Não creio que seja uma revanche”, minimizou o jogador. “Espero que agora aconteça o melhor. Seria o máximo em nossa carreira”, agregou.
Por fim, Demichelis aproveitou para enaltecer Romero, que teve uma tarde/noite excelente, pegando dois pênaltis. “Tínhamos muita confiança em Chiquito (Romero). Ele nos dá segurança lá atrás. Tinhamos também os melhores batedores e mostramos isso”, comemorou o jogador.
Maxi Rodríguez, de vilão a herói em um ano, marcou o pênalti decisivo. Havia perdido uma cobrança na mesma data, um ano antes.
Belo Horizonte – Há praticamente um ano, na madrugada do dia 11 de julho, Maxi Rodriguez partia para a cobrança de um pênalti que poderia colocar o Newell’s novamente em uma final de Libertadores. Mas o jogador acabou parando em Victor. 363 dias depois, foi ele voltou a marca da cal. Desta vez a história foi outra. Bateu no canto diferente. Quase viu Cillessen pegar e ajudou a Argentina a ir para a decisão.
E Maxi Rodriguez admitiu a pressão no momento da cobrança e o alívio de ver a bola estufando as redes. “Era um pênalti decisivo. Passa muitas coisas na cabeça. Quando a bola tocou na rede foi um momento incrível da minha vida”, destacou o meio-campista, que entrou no decorrer da partida.
O jogador terá uma nova oportunidade de dar a volta por cima, agora contra os alemães. Maxi Rodriguez esteve naqueles dois jogos, em 2006 e 2010 e quer ter um momento diferente neste ano. “Tivemos azar contra eles nas quartas de final. Vai ser outro dia. Já estar aqui (com a vaga na final) é impressionante”, agregou o camisa 11 da Argentina.
Mascherano nega medo da Alemanha antes da final, depois do corte que quase tirou o sonho argentino contra a Holanda.
São Paulo – Aos 44 minutos do segundo tempo, uma bola em questão por pouco não tirou o sonho da Argentina de seguir adiante neste Mundial. Algo muito parecido com o que aconteceu em 1998, quando caíram com um gol de Bergkamp. Mas desta vez, um pé crucial salvou a Alviceleste. E tinha que ser de Javier Mascherano.
O jogador tem sido uma das vertentes da Seleção nesta Copa do Mundo. Um monstro mais especificamente. Muito além da raça, mas dos desarmes limpos e na precisão do passe. “Demos o que pudemos. O mais importante é jogar com o coração, com a alma, com a equipe cobrindo os espaços, ajudando nas laterais. A Holanda não teve situações de gol. Jogamos com a cabeça”, destacou o volante na zona mista.
Mascherano seria injustiçado nesse momento se não ficasse entre os melhores jogadores da Copa do Mundo, se não entrar na seleção do campeonato. E mesmo com atuações brilhantes o jogador evita falar no individual, mas sim num coletivo, um espírito desse grupo.
“Até agora eu não acredito. Estou feliz e orgulhoso com o que conseguimos. Demonstramos como se jogar uma semifinal de Copa do Mundo. Agora vamos jogar a partida mais importante de nossas carreiras. E de novo, temos que estar a altura”, apontou o jogador.
Para o jogador, qualquer questionamento em contra sobre o merecimento de estar ou não na decisão chega a ser ilógico nesse momento. “Se chegamos até aqui foi porque merecemos. Foi um time que lutou pelos seus objetivos. Jogamos com coração, com alma e uma inteligência tática impressionante. Mas com o coração você não ganha nada, mas ajuda”, acrescentou o jogador.
Por fim, Mascherano negou que a goleada da Alemanha sobre o Brasil nas semifinais coloca um medo sobre os argentinos. “Respeitamos a Alemanha, mas ela não nos assusta. Conhecemos os jogadores dele. Estudaremos, trataremos de minimizar suas virtudes. Eles passaram por cima do time da casa. Mas nós podemos”, disse o jogador argentino.
Messi dedica a vitória ao jornalista morto na véspera da semifinal, mesmo sem ter sido a figura do jogo.
São Paulo – O principal astro da Seleção Argentina, o atacante Lionel Messi esteve longe de ser a figura no duelo contra os holandeses. Teve poucas oportunidades e não as aproveitou. Ao menos foi frio durante a cobrança do pênalti não tremeu e ajudou a Alviceleste a conquistar a vaga na final. Curiosamente, não teve a oportunidade de comemorar junto com os atletas no vestiário por ter sido sorteado no antidoping.
Mas da sala de exames, Lionel Messi pode ao menos soltar uma nota no Facebook comemorando a classificação para a decisão. “Infelizmente estive no antidoping e não pude estar vivendo esse momento no vestiário. Me sinto orgulhoso de fazer parte desse plantel. Todos foram fenômenos. Que partida fizeram, que loucura. Estamos na final. Nos falta um passinho mais”, destacou o argentino.
O jogador aproveitou também para dedicar a vitória ao seu amigo e radialista Jorge ‘Topo’ López, que faleceu em um acidente de carro na madrugada desta quarta-feira. “Abraço para toda a Argentina e uma lembrança muito especial para Jorge “Topo” López. Esta vitória vai especialmente para você, amigo. Um abraço muito grande para a família e animo nesse momento”, disse.
Topo López faleceu na noite de quarta-feira, às 1h30, vítima de um acidente de carro. O jornalista estava em um taxi que acabou sofrendo uma batida de um outro carro que estava fugindo de uma perseguição policial. O jornalista da La Red era muito amigo de Messi e faleceu com 38 anos.
Romero agradece a confiança de Sabella em um ano difícil, chegando à Copa sob desconfiança após ser reserva no futebol francês.
São Paulo – Reserva durante boa parte da temporada francesa, Sergio Romero chegou para a Copa do Mundo sob muitos questionamentos. Jogo após jogo, o arqueiro foi demonstrando o porquê Alejandro Sabella o levou para o Mundial como titular, mesmo com poucos jogos entre 2013/14. E durante a entrevista coletiva, onde recebeu o prêmio de melhor jogador da partida contra a Holanda, o jogador aproveitou para agradecer a Sabella.
“Tive a oportunidade de falar (ao Sabella) quando terminou o jogo. Agradeci muito, pois ele me ajudou no momento mais difícil da minha carreira, quando fiquei pela primeira vez no banco de reservas. Agradeço por tudo que ele fez por mim”, destacou o goleiro argentino, minutos depois de ter feito história contra os holandeses.
Romero aproveitou também para agradecer o seu mentor Louis Van Gaal, responsável por levá-lo ao AZ com apenas 20 anos. “Fui ao vestiário abraçá-lo. Ele é uma pessoa que me ajudou a crescer, a ficar atento nas jogadas. É uma pessoa que eu agradeço para a vida toda”, apontou o arqueiro argentino, que pegou os pênaltis de Vlaar e Sneijder após o tempo regulamentar.
Sobre a decisão nos pênaltis, Romero disse ter conversado muito com os jogadores que estavam no banco de reservas e também com o seu treinador de goleiros, que tinha uma lista de todos os jogadores do Mundial e de como batiam. “Eu tinha várias opções. Sabia que nenhum jogador bateria no meio. O Robben eu imaginava que ia naquele canto, mas acabei errando. Todos me ajudaram naquele momento”, destacou.
Por fim, questionado sobre uma falta de ‘Fair Play’ por parte dos atletas argentinos, por não cumprimentarem aos rivais, Romero explicou que não foi de propósito. “Fazia tampo que não conseguíamos ir a final. Foi um momento de desabafo nosso. Mas sempre respeitamos os nossos rivais, seja antes ou depois dos jogos”, agregou o jogador. “Fomos extraordinários”, complementou.
Sabella defende os jogadores questionados, que voltaram a decidir em campo pela Seleção Argentina.
São Paulo – Os pupilos tão questionados de Alejandro Sabella voltaram a decidir para a Seleção Argentina. Não somente Sergio Romero que pegou dois pênaltis decisivos contra a Holanda, mas todos aqueles que foram apedrejados antes da Copa do Mundo. Mas o treinador não se vangloria disso. Pelo contrário. Somente aumenta a confiança dos jogadores que chegaram a uma final depois de 24 anos longe.
De início, o treinador da Seleção Argentina disse apenas que estava “absolutamente feliz” com os seus jogadores. Depois, quando questionado pelo Futebol Portenho durante a coletiva de imprensa, o treinador falou um pouco mais sobre Romero, Enzo Pérez e Marcos Rojo, que souberam lidar com a pressão e jogar bem um Mundial. “Estamos contente por eles e por todo grupo. Sempre foram apoiados e demonstraram que eles estão à altura de vestir a camisa da Argentina”, disse o treinador.
Outro jogador que muita gente não dava confiança antes da Copa do Mundo era Javier Mascherano. O Jefecito voltou a brilhar e praticamente escreve seu nome entre os jogadores que estarão na seleção dos melhores do campeonato. “Mascherano é um baluarte, um símbolo de nossa equipe. Pudemos passar as semifinais e isso lhe tirou uma pressão de dois mundiais. Ele é o único argentino que tem duas medalhas de ouro. Ele é grande dentro da seleção, tanto dentro, quanto fora”, avaliou o treinador.
Sobre a partida, Sabella destacou que houve um equilíbrio durante o embate e que o empate foi mesmo justo. “Tivemos as chances mais claras, mas o jogo terminou empatado. Temos que levar em conta o nosso rendimento. Armei um grupo extraordinário e agora temos uma final pela frente contra uma Alemanha descansada, uma vez que eles decidiram o jogo praticamente no primeiro tempo e nós tivemos que suar por 120 minutos”, complementou.
Sergio Romero na Copa de 2014 calou os críticos que o consideravam o ponto fraco da seleção argentina.
São Paulo – A Copa do Mundo no Brasil veio para calar a boca de muitos. Ou de todos. Principalmente no que se trata da Seleção Argentina. Os jogadores mais questionados do elenco antes do início do torneio voltaram a decidir. E desta vez o personagem foi Sergio Romero. O goleiro foi providencial durante a disputa dos pênaltis após um 0-0 frio na noite desta quarta-feira e recolocou a Argentina em uma final contra tudo e contra todos. Agora o desafio é contra a Alemanha, no Maracanã, palco onde a Seleção começou e terminará a Copa.
E não foi apenas Chiquito quem se mostrou um monstro nas semifinais. Ezequiel Garay também foi um essencial, anulando Van Persie e ganhando todas pelo alto. Javier Mascherano é outro quem merece méritos. Apesar de nunca ter vencido o prêmio de melhor em campo, o atleta vem se mostrando um dos melhores jogadores da Copa do Mundo. Desarma como ninguém e marca de maneira precisa. Se não fosse seu pé, aos 44 do segundo tempo, 1998 se repetiria.
Mas a noite era para ser de Chiquito Romero. Principalmente em uma partida fraca, sem muitas situações de gol. O primeiro tempo foi marcado por poucas oportunidades, mas por uma postura tática muito boa de ambas as equipes. Tanto Argentina quanto a Holanda conseguiram cobrir bem os espaços, impossibilitando avanços ofensivos de Robben e Messi que, bem marcados por Mascherano e De Jong, respectivamente, não conseguiam criar. O fato é que a Argentina soube cobrir os espaços. Foi melhor em campo e controlou a partida e o ímpeto holandês.
Tanto que as melhores oportunidades do jogo, ambas da Argentina, surgiram por ‘coadjuvantes’. Aos 14 minutos, Enzo Pérez – mais um na lista dos questionados antes da Copa do Mundo – recebeu de Higuaín e foi derrubado na entrada da área. Lionel Messi, assim com já havia feito contra a Bélgica, cobrou falta na direção de Cillessen, que só encaixou. Dez minutos mais tarde, Garay teve uma boa oportunidade após cobrança de escanteio, mas mandou para fora.
O único susto sofrido pela Argentina durante o primeiro tempo foi aos 27. Javier Mascherano, ao dividir com Wijnaldum, sentiu o golpe e acabou caindo zonzo no gramado. Na hora do lance, os monitores mostravam um Alejandro Sabella preocupado por perder um dos melhores atletas da posição nesta Copa do Mundo. O jogador foi atendido no gramado, mas voltou em seguida.
A ideia do jogo persistiu no segundo tempo. A Holanda até tinha uma maior posse de bola, controlava o jogo, mas não arrematava ao gol, o que deixava a partida fria e chata, assim como a chuva que caia na Arena Corinthians. A única oportunidade holandesa foi com uma cobrança de Robben, por cima do gol. A Argentina teve uma única oportunidade clara de gol, aos 13, com Higuaín. Lavezzi levou até a linha de fundo de cruzou para o atacante, que acabou prensado por Janmaat.
Foi somente no final que a partida ganhou em emoções. Aos 30, Enzo Pérez aproveitou a vantagem dada pela arbitragem após falta em Messi, levou até a linha de fundo e cruzou para Higuaín, que de carrinho, quase marcou o primeiro gol da partida. Aos 38 foi a vez de Rojo tentar de fora da área, mas Cillessen salvou. Mas foi próximo aos acréscimos que a Argentina sofreu. Aos 45, Demichelis falhou feio, Robben ganhou, levou até a pequena área e chutou. Mascherano, num carrinho providencial fez com que a partida fosse para a prorrogação.
O lance parece ter acordado os holandeses. Nos 15 primeiros minutos da prorrogação, quem mandou no jogo foram eles. Muito por conta do esquema de jogo que a Argentina após a saída de Enzo Pérez, que inexplicavelmente deixou o campo no decorrer da segunda etapa. Mas foi somente aos oito minutos que Robben conseguiu a primeira finalização da Laranja na partida. E Romero estava ali para salvar.
Na segunda etapa, a Argentina teve ainda duas possibilidades de matar o jogo. A principal foi aos 9 minutos. Messi encontrou Palacio livre. Cara a cara com o goleiro, o jogador preferiu por tocar de cabeça por cima ao invés de arrematar para o gol. Dois minutos depois, Maxi Rodríguez até tentou repetir o feito de 2006, com um golaço contra o México, mas a bola bateu no chão. No fim, Sergio Romero esbanjou confiança. Tinha a oportunidade de rifar a bola, mas a segurou até o apito final.
Nas penalidades, Romero chamou a responsabilidade para si. Logo na primeira cobrança ele mostrou que estava ali para decidir ao pegar o pênalti de Vlaar, um dos melhores da Holanda na partida. Na terceira conversão, Sneijder viu Romero ir no canto direito, a meia altura, para pegar. Cabia apenas a Maxi Rodríguez, que no ano passado perdeu um pênalti em outra semifinal, da Libertadores, involuntariamente eliminado o seu Newell’s do coração contra o Atlético Mineiro. Quase perdeu de novo, é verdade. Cillessen até tocou na bola, mas ela caprichosamente entrou.
Acabava então uma série de 24 anos sem final. E graças aos questionáveis, já que os tão badalados jogadores argentinos na parte ofensiva não renderam.
Jogar uma Copa no Brasil. Depois de um massacre da Seleção Alemã contra a Brasileira. Agora contra adversários de ataques impiedosos.
Este, meus amigos, é um dos momentos de maior tensão para uma Seleção Argentina em Copas do Mundo. O maior que eu já vi, pelo menos. Estamos no olho do furacão.
Vi no Mané Garrincha o que só imaginava por histórias dos outros. Brasileiros e argentinos efervescem a rivalidade histórica na torcida: “Brasil, decime que se siente” x “Mil goooools, mil gooooools”. Torcem contra cada passo da Argentina. Embora tenham falhado por 5 vezes, não vão desistir. Mesmo que, para isso, tenham que torcer contra carrascos recentes (Holanda em 2010, em caso de final, Alemanha nesta terça-feira).
E a Holanda? Uma seleção com Robben, Sneijder e Van Persie (talvez De Jong) para comandar um bom time de jovens. Sem falar na experiência de Louis Van Gaal. 12 gols em 5 jogos. A maior prova de fogo ao sistema cauteloso de Alejandro Sabella, que visa proteger a própria defesa frágil.
Se ganhar, e a Alemanha? Os caras que eliminaram a Albiceleste duas vezes seguidas. Fora o baile de ontem no Mineirão. Mineirazo. Ainda que a Alemanha não seja tão forte quanto o 7 x 1 faz parecer, é um sinal de que eles precisam de muito pouco para destruir adversários, tecnicamente e psicologicamente.
Contra tudo isso, não temos uma seleção perfeita. Nem mesmo em boa fase. Nunca se espera um jogo bonito da Argentina de Sabella, mas assustam as vitórias apertadas contra seleções de pouca tradição. Para piorar, sem Angel Di Maria.
Que toda a cautela sirva para frear ataques holandeses, depois alemães. Que Messi seja Messi mais duas vezes. O mesmo pelo qual cantam os “locales” argentinos nas arquibancadas. E não custa um bom apoio de Francisco também.
Argentina x Holanda tem retrospecto desfavorável aos hermanos. A eliminação dramática de 1998, com o gol de Bergkamp, é a mais lembrada.
Bergkamp tira de Ayala em 1998: eliminação dramática para os argentinos
Se a Argentina tem bom retrospecto quando joga em São Paulo (cenário do seu próximo jogo), conforme mostramos aqui, por outro lado tem um histórico não tão animador contra o próximo adversário: oito jogos e só uma vitória, em casa. Só não dá para dizer que é de todo péssimo porque o triunfo veio justo no encontro mais importante, na final da Copa do Mundo de 1978, que retratamos neste outro Especial.
As duas seleções se pegaram pela primeira vez em 1974. Ainda não na Copa do Mundo, mas em amistoso em Amsterdã. Os holandeses já se saíam bem contra argentinos em decisões clubísticas: o Feyenoord venceu a Intercontinental de 1970 sobre o Estudiantes e o Ajax, a de 1972 sobre o Independiente, na única vez em que Johan Cruyff jogou na Argentina. Já naquele amistoso, ele e colegas humilharam pela primeira vez os hermanos: um inapelável 4-1 em 26 de maio, com gols de Johan Neeskens, Rob Rensenbrink, Pleun Strik e Arie Haan aos europeus e com Rubén Ayala descontando aos sul-americanos. Para piorar, o atacante Roque Avallay se lesionou ali e teve de ser cortado.
Exatamente um mês depois, em 26 de junho, já na Alemanha Ocidental, a Oranje e a Albiceleste duelaram na Copa. E na neutra Gelsenkirchen, a surra holandesa foi ainda maior, 4-0. Cruijff marcou dois e Ruud Krol e Johnny Rep, os outros. Era a estreia das duas seleções na segunda fase de grupos e a goleada praticamente eliminou as chances argentinas de ir à final, fato sacramentado pela derrota também no jogo seguinte, contra o Brasil.
Praticamente quatro anos depois, em 25 de junho de 1978, veio o triunfo hermano. Segundo Juan Carlos Milonguita Heredia, argentino colega de Cruijff no Barcelona, o astro holandês realmente se ausentou da Copa por medo da ditadura argentina, assim como o próprio Heredia, que jogava pela Espanha. Tudo porque o pai dele, também chamado Juan Carlos (El Milonga) e ex-jogador da seleção argentina nos anos 40, teve a casa invadida por soldados que na verdade estavam atrás de outro xará deles, suposto opositor. Mas um militar reconheceu Heredia filho em várias fotos pela casa.
“Então esse milico pergunta se eram fanáticos do Milonguita. Minha mãe respondeu que sim, porque eram os pais do Milonguita. ‘Você é, então, o Milonga?’, perguntou o cara. ‘Sim’, respondeu meu pai. ‘Nos equivocamos’, disse o militar. (…) Três dias depois, meu velho, já recuperado, vai trabalhar e se encontra com um advogado que sabia o que havia ocorrido e lhe contou que na lista negra havia um Juan Carlos Heredia. Se não vinha esse outro milico, o levavam e o matavam”, relatou Heredia filho à revista esportiva argentina El Gráfico de fevereiro deste ano.
“Eu ligava para minha casa desde Barcelona a cada 15 dias mais ou menos. Então meu pai me contou o que havia se passado. Fui falar com Ladislao Kubala, que era o técnico da seleção da Espanha e lhe contei tudo. (…) Não queria ir ao mundial. (…) Meu pai me disse que aguentasse, que não me esquecesse que o topo máximo era jogar um mundial, mas para mim o topo máximo era minha família. Então não vim. Cruijff falou comigo. Queriam convencer Johan na Holanda e disse que não. (…) Ele sabia o que me havia acontecido”. Cruijff teria sofrido em 1972 e imaginava em 1978 seria pior.
Na final de 1978, o jovem Mario Kempes se consagrou, marcando dois gols. Dick Nanninga conseguiu empatar para a Holanda no tempo normal, e Rensenbrink quase virou o jogo no fim dos 90 minutos: se a bola que bateu na trave entrasse, ele terminaria artilheiro isolado da Copa e campeão, mas isso ficou com Kempes, que marcou seu segundo já na prorrogação (revertendo a artilharia de Rensenbrink) e viu Daniel Bertoni fechar o placar. Menos de um ano depois, em 22 de maio as seleções se enfrentaram na Suíça, em Berna. A Argentina até ganhou essa também, mas só nos pênaltis, por 8-7, com Ubaldo Fillol pegando três: o jogo havia ficado no 0-0 ao fim dos 120 minutos.
A vingança laranja teria de esperar por duas décadas, quando houve novo encontro, novamente por um mundial, em Marselha. Apesar de questionamentos ao técnico Daniel Passarella na convocação (bateu o pé em não levou Claudio Caniggia e Fernando Redondo e preferiu o veterano Abel Balbo no lugar de Christian Bassedas, presente em todo o ciclo do técnico até então) e na tática (não usava Gabriel Batistuta e Hernán Crespo juntos bem antes de Marcelo Bielsa fazer o mesmo), a seleção vinha bem no mundial. Foi 100% na primeira fase e superou a rival Inglaterra nas oitavas após chegar a tomar uma virada por 2-1 antes de empatar e vencer nos pênaltis.
Nas quartas de final, uma retrancada Argentina foi derrotada em grande 4 de julho de Dennis Bergkamp. Primeiro, ele forneceu de cabeça a bola para Patrick Kluivert fuzilar Carlos Roa e abrir o placar já aos 12 minutos. Claudio López até empatou rapidamente, aos 18. Mas os hermanos continuaram defensivos mesmo após o adversário Arthur Numan ser expulso aos 21 do segundo tempo.
Para piorar, Ariel Ortega cometeu duas infantilidades a três minutos do fim: tentou cavar um pênalti e em seguida deu uma cabeçada em Edwin van der Sar, levando o vermelho também. O castigo viria no último minuto: Bergkamp fez um dos mais belos gols da Copa, dominando com frieza um preciso lançamento de 60 metros de Frank de Boer, tirando Roberto Ayala da jogada com um toque seco e bombardear Roa quase à queima-roupa. Uma narração histérica holandesa do lance ficou famosa.
Menos de um ano depois, em 31 de março, se enfrentaram em amistoso em Amsterdã: 1-1, gols de Edgar Davids e com Batistuta empatando aos 39 do segundo tempo. A partida seguinte foi lá também em 12 de fevereiro de 2003: vitória local por 1-0, Giovanni van Bronckhorst aos 42 do segundo tempo. O outro encontro entre os oponentes de logo mais foi na Copa 2006, na última partida deles pela primeira fase. Já estavam classificados em pleno grupo da morte (com Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro) e não saíram de um insosso 0-0. Foi o primeiro jogo de Copa em que Lionel Messi e Carlos Tévez foram titulares: Javier Saviola e Crespo, donos das posições ofensivas, foram poupados.
A Argentina nas semifinais de 2014 comemorou com gritos de desafogo, num sábado que os torcedores esperavam havia 24 anos.
São Paulo – O fim do jejum de 24 anos sem estar nas semifinais, retratado com gritos de desafogo, marcou o último sábado para os argentinos. Tanto que ao fim do confronto, vários jogadores comemoravam o feito ao dizer que o objetivo inicial fora cumprido: o de jogar sete partidas neste Mundial. Com o passar dos dias, a ficha começou a cair e eles perceberam que ainda havia outra possibilidade: a de conquistar a vaga na final, seguido de um hipotético tricampeonato.
Ainda que com isso em mente, no duelo contra os holandeses, nesta quarta-feira, às 17h, na Arena Corinthians, o que se percebe é uma Argentina sem pressão alguma ou responsabilidade. Apesar de ser uma seleção de peso no cenário Mundial, para a grande parte da mídia a semifinal já era o ápice. “A pressão sempre existe, mas agora é algo extra, diferente”, disse Alejandro Sabella.
Apesar de franco-atiradores, os argentinos podem ir a campo com uma postura bem defensiva. É bem provável que Sabella arme uma equipe com cinco defensores e três meias que sabem marcar para evitar uma tragédia.
Isso deixa Lionel Messi vai isolado, junto com Higuaín, o que pode prejudicar o estilo de jogo do craque. Ainda mais sem Di María, lesionado. Outra opção é manter o esquema de jogo utilizado entre os 33 minutos em diante, com Lavezzi ajudando no ataque – mesmo que sem precisão nos chutes e cruzamentos.
O fato positivo do elenco é que nunca houve a confiança ou otimismo exagerado sequer dos jogadores ou da comissão técnica. Pelo menos diante da imprensa. A partir da classificação para as semifinais o discurso mudou um pouco, com mais confiança.
“Viemos com a intenção de chegar o mais longe. Queremos mais do que as semifinais e não podemos nos conformar. Já ganhamos, mas vamos ver se ganharemos mais”, finalizou o treinador da Seleção Argentina.
Sabella comenta a goleada da Alemanha sobre o Brasil, a derrota catastrófica que o próprio Scolari admitiu.
São Paulo – A derrota do Brasil de maneira catastrófica para a Alemanha – como o próprio Luis Felipe Scolari ressaltou na coletiva – inflamará a torcida contra os argentinos na partida desta quarta-feira, na Arena do Corinthians. E o técnico Alejandro Sabella sabe disso. A Argentina não terá o mesmo número de torcedores no estádio, muito devido ao preço que os cambistas pedem nas redondezas do estádio (US$ 2,5 mil).
O treinador admitiu que ficou impressionado com a derrota do Brasil por 7×1 para a Alemanha. “Não é um resultado normal entre potências. Alemanha é uma potência, mas enfrentava outra equipe vencedora. Isso é o futebol, o esporte mais ilógico dos esportes”, apontou.
O atraso no treinamento, inclusive, deveu-se pela partida das semifinais, que os atletas gostariam de acompanhar até o final. “Eles queriam ver ao jogo. Assistimos ao primeiro tempo e os minutos finais aqui”, destacou o comandante. “Dentro de todos os esportes, esse é o mais ilógico”.
Sabella, inclusive ‘comemorou’ o fato de não ter que pagar entradas tão caras como os cambistas estão pedindo. “Por sorte eu vou estar dentro do campo. Queria estar mais dentro ainda. Futebol é futebol. É uma paixão. É muito dinheiro. Bem vindo seja os torcedores, mesmo sendo muito caro essa entrada que você disse que estão vendendo”, disse.
Por fim, o comandante argentino ressaltou que sabe da “Sempre é bom ter o nosso torcedor ao nosso lado. A respeito dos torcedores em contra eu não posso responder. Sempre existiu uma rivalidade enorme. Normalmente, na América do Sul, quando há clássicos, todos querem vencer. Quando não há, torcem contra. São questões culturais dos dois países”, destacou o treinador da Seleção Argentina durante a entrevista coletiva.
Enzo Pérez substituto de Di María foi a escolha anunciada por Sabella, com atraso na coletiva.
São Paulo – Com um pouco de atraso do que o normal para comparecer a coletiva de imprensa, o técnico da Seleção Argentina, Alejandro Sabella, manteve a sua ideologia de não confirmar a equipe para a imprensa um dia antes. Mas, deixou pistas de que Enzo Pérez poderá ser o substituto de Angel Di María. Além disso, confirmou o retorno de Marcos Rojo para equipe titular, mas sem dar indícios se com uma formação com quatro ou cinco defensores.
O treinador manteve a cautela para divulgar a equipe, até pelo fato dos holandeses também terem problemas as vésperas do jogo. Sabella não deixou isso claro, mas isso pesará bastante para uma formação mais defensiva do que a habitual.
“Não posso confirmar a equipe. Em linhas gerais é bastante provável que eu jogue com a equipe com o Enzo Pérez. Mas vamos esperar um pouco mais”, destacou o treinador. “Vamos ver como a Holanda vai se apresentar. Vamos ver se vão sair nos contragolpes, como vão se portar no meio campo”, complementou.
Sabella aproveitou também pare elogiar o perfil de Louis van Gaal, treinador que enfrentará amanhã. “Holanda tem um treinador de hierarquia. Há pouco ele disse que pode jogar de várias maneiras. E ele sabe fazer isso bem. É um treinador inteligente e nós sabemos o quanto ele é inteligente”, ressaltou o treinador da Seleção Argentina. “O futebol é equilíbrio. Temos que ficar atentos, pois enfrentaremos um adversário poderoso”, agregou.
A Argentina entra em campo nesta quarta-feira, às 17h, na Arena Corinthians, mesmo estádio em que jogou – e sofreu – as oitavas de final contra a Suíça. Se vencer, mantém o retrospecto de jogar uma final quando esteve entre os quatro melhores da Copa do Mundo – só chegou a quatro oportunidades e em todas elas ficou ou com o título ou com o vice-campeonato.
Van Gaal contra a Argentina negou favoritismo antes da semifinal de 2014, apesar de ser um dos técnicos mais elogiados do torneio.
São Paulo – Um dos treinadores mais elogiados nesta Copa do Mundo, certamente é Louis van Gaal. Comandante da Seleção Holandesa o treinador chega as semifinais com a equipe mais vistosa da Copa. É bem verdade que contra equipes de menor expressão, ao exemplo de Austrália e Costa Rica, o time sofreu. Ainda assim, soube levar seu time para as semifinais. Talvez por esse sofrimento contra equipes mais fechadas, o treinador evite falar em favoritismo.
Durante a coletiva na Arena Corinthians, o treinador negou que nesta partida exista favoritos justamente por se tratar de uma semifinal. “Não há favorito amanhã. Os times estão no mesmo nível. Os resultados mostraram isso no mata-mata. Em minha opinião é de 50-50. Temos que ter sorte. A moeda tem que cair ao nosso favor”, destacou o comandante holandês.
O fato é que contra os argentinos, a Holanda tem um retrospecto muito bom. A única derrota, no entanto, foi na final da Copa do Mundo de 1978, por 3×1 (1×1 no tempo normal). Ademais, foram quatro vitórias e outros três empates.
Em Mundiais, vitória holandesa por 4×0 em 1974, 2×1 em 1998 e finalmente o empate sem gols em 2006. Nestes empates, somente um foi para os pênaltis: em 1979, num torneio que comemorava os 75 anos da FIFA. Na ocasião, venceu por 8×7 nos pênaltis.
Van Gaal ressaltou também que a opção por fazer trabalhos fechados nesses últimos dias deveu-se pelo pouco período para treinar a sua equipe: um total de quatro dias, diferente dos seis dias que teve de folga em relação as oitavas e quartas de final. “Temos um dia a menos de descanso. Se tiver um menos, você tem um problema. Por isso fechei os portões, pois queria explicar aos jogadores algumas coisas”, destacou.
Romero e Van Gaal se reencontraram na semifinal de 2014. O holandês é um dos responsáveis por ele ser titular da Argentina.
São Paulo – Um dos principais responsáveis por Sergio Romero ser hoje o titular da Seleção Argentina é nada menos do que Louis van Gaal. Graças ao treinador holandês, o goleiro argentino chegou ao futebol europeu em 2007, após ter feito um bom campeonato Mundial Sub-20 com a seleção argentina.
Mesmo com pouca rodagem no Racing, o atleta pode ter uma oportunidade e acabou se firmando na equipe titular do AZ. Van Gaal não teve a oportunidade de falar sobre o seu ‘pupilo’ na tarde desta terça-feira, na Arena Corinthians, diferentemente de Romero, que rasgou elogios ao seu antigo treinador.
Ao diário holandês De Telegraaf, o jogador rasgou elogios ao seu primeiro treinador no futebol europeu. Disse que se não fosse por van Gaal, sua vida no futebol holandês seria muito complicada e que ele acabou sendo um ‘salvador’ em sua carreira.
“Quando eu cheguei ao AZ em 2007, eu entrei em um mundo novo. Na Holanda eu era um estranho. No vestiário, todos falavam holandês, mas o van Gaal conversou comigo em espanhol. Isso foi importante para passar por essa etapa complicada no início. Ele acabou sendo o meu salvador e minha relação com ele é muito boa. Devo muito a ele”, destacou o jogador.
A relação de van Gaal com os goleiros voltou a aparecer nesta Copa do Mundo. Antes dos pênaltis, Cillessen acabou sendo substituído por Krul, o terceiro goleiro holandês. A aposta de risco, por colocar um arqueiro sem ritmo e frio acabou dando certo. O arqueiro pegou dois pênaltis e pôs a Holanda nas semifinais da Copa do Mundo pela segunda temporada consecutiva.
Vale destacar que Louis van Gaal está prestes a comandar a Seleção Holandesa pelas últimas duas vezes. Isso porque após a Copa do Mundo, o treinador irá treinar o Manchester United. Essa é a segunda passagem do treinador pela Holanda. Em 2002, o treinador não conseguiu a classificação para a Copa do Mundo. Curiosamente, naquele ano, chegou a ser cotado para assumir o cargo de Alex Fergusson no United.
A carreira de Alfredo Di Stéfano é a do maior craque que jamais disputou uma Copa do Mundo. Sua morte, em pleno Mundial de 2014, passou menos notada do que deveria.
Para o luto do futebol em plena Copa do Mundo (ou assim deveria ser encarado), Alfredo Di Stéfano, maior craque a jamais jogar o torneio, pendurou para sempre suas chuteiras ontem, passando a fintar no infinito. É alguém de vida bem detalhada no Wikipédia portuguesa, que reconheceu o verbete sobre ele oficialmente como destacado. Aperfeiçoei esse verbete para que chegasse neste ponto. Por isso, como já fiz com especiais sobre Doval e Ricardo Bochini (outros de verbetes que deixei extensos naquele site), aqui serão reunidas só algumas anedotas. A ênfase maior é no futebol argentino, é claro.
Alfredo Di Stéfano teve um filho com esse mesmo nome e seu pai, ex-jogador do River (em 1915), também se chamava assim. Um tio seu, Dante Pertini, também jogara no clube (e na seleção), nos anos 20. Mas, mais do que eles, quem o fez ingressar nos millonarios foi outro ex-jogador do clube: Alejandro Luraschi, o primeiro goleiro histórico da instituição, pois foi o titular na campanha que colocou o River pela primeira vez na elite, em 1908 – falamos disso aqui. Visitando os Di Stéfano, Luraschi ouviu de Eulalia Laulhé Gilmont, mãe de Alfredito, que o garoto era bom de bola. E o ex-goleiro, na época eletricista, foi a ponte entre o Millo e a promessa.
Di Stéfano estreou no River em 1945 e o time, após um bi seguido do rival Boca, voltou a ser campeão. Mas a novidade só jogou uma vez, contra o Huracán, em derrota por 2-1 no estádio do San Lorenzo. O centroavante riverplatense titular era Adolfo Pedernera, a quem o próprio Di Stéfano já declarou no passado ter sido o melhor jogador que já viu – humilde, Don Alfredo já disse que era inferior tecnicamente também que Cristiano Ronaldo. Pedernera compunha o mais célebre quinteto ofensivo de La Máquina, como aquele River era apelidado, e também do futebol argentino como um todo.
O tal quinteto era composto por Juan Carlos Muñoz na ponta-direita, José Manuel Moreno como meia ofensivo direito, Pedernera de centroavante, Ángel Labruna de meia ofensivo esquerdo e Félix Loustau na ponta-esquerda. Já fizemos especiais sobre Moreno (aqui), Labruna (aqui) e Loustau (aqui). Sem espaço no River, em 1946 Di Stéfano foi emprestado ao próprio Huracán, que no ano anterior se despedira do seu maior goleador: Herminio Masantonio, na época segundo maior artilheiro do futebol argentino (depois, foi superado por Labruna). Masantonio é até hoje também quem tem melhor média de gols pela seleção dentre as que jogaram por ela mais de dez vezes: marcou 21 em 19 jogos.
Atualização em 12-05-2015: nesta data publicamos também especial sobre Pedernera – clique aqui.
No Huracán, Di Stéfano jogou ao lado do maior artilheiro da Copa América (com 17 gols), Norberto Tucho Méndez, sobre quem falamos aqui. Também estavam no ataque os pontas Juan Carlos Salvini e Llamil Simes, que fariam sucesso com Méndez no Racing tricampeão de 1949-51, o primeiro tri seguido do profissionalismo argentino. Mas eles não bastaram para que o Huracán, então ainda visto como “sexto grande” do país, não fosse além de um nono lugar em 1946.
Ainda assim, a passagem de Di Stéfano pelo Huracán não foi ruim: chegou a marcar dois gols em vitória sobre o rival San Lorenzo, campeão daquele ano. E, em 21 de julho, marcou outro com tão somente 8 segundos de jogo, por muito tempo o mais rápido do futebol argentino. A vítima foi justamente o River, no Monumental – o ex-clube terminaria vencendo por 3-1. O recorde durou até 1979 e desde então é de Carlos Seppaquercia, que com 4 segundos fez um gol pelo Gimnasia LP justo sobre o Huracán.
Huracán, talvez a etapa menos conhecida de sua carreira. No meio, assistindo uma preliminar no estádio do clube
Em 1947, o nanico Atlanta, buscando ser a sensação do campeonato, contratou vários astros da época, sobretudo Pedernera e até um então desconhecido Ghiggia (falamos aqui). Sem Pedernera, o River exigiu um valor alto demais para que o Huracán comprasse Di Stéfano em definitivo e trouxe de volta a promessa. A Flecha Loira enfim triunfou: o Millo foi campeão e ele, o artilheiro do campeonato. Por ironia, o projeto do Atlanta naufragou e o novo clube de Pedernera seria rebaixado se perdesse para o River na última rodada. Perdeu com gol de Di Stéfano e aquele foi o primeiro rebaixamento do clube.
O grande desempenho de Di Stéfano o fez ser convocado para a Copa América ao fim daquele ano. Mas ele não era o titular: o dono da posição de centroavante era René Pontoni, hoje mais conhecido fora da Argentina como o ídolo da infância do Papa Francisco – era daquele San Lorenzo campeão de 1946. Escrevemos aqui sobre Pontoni, que passaria pela Portuguesa de Desportos. Pontoni tinha média de gols só um pouco abaixo do tal Masantonio, pois fez 17 em 17 jogos pela seleção. Era exatamente quem concorria nos anos anteriores com Pedernera para centroavante da Albiceleste.
Em 4 de dezembro, Pontoni já havia feito um dos gols em goleada sobre a Bolívia quando uma lesão o obrigou a deixar o campo ainda aos 30 do primeiro tempo. Di Stéfano estreou pela seleção substituindo-o e já ali conseguiu marcar seu primeiro gol pela Argentina. Terminou 7-0, com os mencionados Méndez (duas vezes) e Loustau marcando também. Os seis jogos de Di Stéfano pela seleção se deram naquele espaço de 20 dias em Guayaquil, no Equador. E, como Pontoni, conseguiu média de um gol por jogo, pois marcou seis vezes. Ele jamais defendeu o país na terra natal. Ironicamente, jogaria lá já pela seleção espanhola, enfrentando os velhos compatriotas.
A Argentina terminou campeã daquela Copa América, título que a fez ultrapassar o Uruguai e se tornar isoladamente a maior campeã continental. Perderia esse posto quarenta anos depois, em 1987, o retomaria em 1993 e só voltou a perdê-lo na última edição, em 2011. Era o terceiro título seguido da Albiceleste na competição, até hoje o único tri consecutivo já visto no torneio.
Enquanto o River era campeão de 1947, o Huracán contratou para substituir Di Stéfano o paraguaio Arsenio Erico, o maior ídolo do craque: era justamente quem superava Masantonio como maior artilheiro do futebol argentino, marca ainda sua. “A vida toda quis ser um imitador seu”, escreveu-lhe Di Stéfano após parar de jogar. Erico é o maior goleador da história do Independiente, mas passou em branco nos seus nove jogos pelo Huracán. A maior plateia já vista no campeonato em jogo sem envolver nenhum dos cinco grandes (Boca, River, Racing, Independiente e San Lorenzo) foi justamente entre o Huracán de Erico e o Atlanta de Pedernera em 1947. Em 1948, o Huracán apostaria no próprio Pedernera.
Atualização em 30-03-2015: para saber mais de Erico, clique aqui.
Di Stéfano não jogou mais vezes pela seleção porque ela não fez jogos em 1948 e em 1949, seus últimos anos jogando no futebol argentino. Foram os anos de uma grande greve dos jogadores que, embora profissionais, se consideravam quase escravos dos clubes e lutavam por melhores condições trabalhistas. A greve foi longa, mas não foi atendida. Em agosto de 1949, com relação péssima com os dirigentes do River, Di Stéfano rumou ao atrativo Eldorado Colombiano, que importaria muitas daquelas estrelas argentinas, como os próprios Pedernera e Pontoni, dentre outros.
Em 1947, campeão e artilheiro, enfim triunfou no River. O time celebrou em um cabaré e Di Stéfano é o segundo da fileira de trás, com o contrabaixo. A seu lado, Labruna com maracas. Na imagem à direita, ele no Millonarios com o “concorrente” René Pontoni, do rival Santa Fe
O futebol argentino conservou alguns craques, mas a perda significativa fez com que o próprio presidente Juan Domingo Perón ordenasse, temeroso de um vexame, que a seleção sequer participasse das eliminatórias às Copa de 1950 e 1954. Mas mesmo que esse lamentável radicalismo não ocorresse e a Argentina jogasse essas Copas, muito provavelmente Di Stéfano não as jogaria: só a partir dos anos 70 é que a seleção passou a admitir jogadores do exterior. Nem mesmo Atilio García (leia aqui), que brilhava no tão vizinho Uruguai nos anos 40 – é o maior artilheiro do Nacional e do campeonato uruguaio -, recebia chances, por exemplo, e por isso mesmo resolveu jogar pela Celeste.
A associação colombiana fazia sucesso, mesmo descredenciada pela FIFA por diversos desrespeitos de regras financeiras em tempos em que a entidade estava longe de ser tão empresarial. O mal estar com o aliciamento de diversos jogadores sul-americanos, porém, a fez assinar um pacto de que eles continuariam seus até outubro de 1954, com possível prorrogação até 31 de dezembro. O Millonarios de Bogotá, clube de Di Stéfano e Pedernera (que enfim jogaram juntos), era quem mais brilhava e chamou a atenção na Espanha: o Real Madrid o convidou para amistoso para celebrar os 50 anos do time madrilenho, em 1952. Di Stéfano arrebentou e os colombianos ganharam por 4-2.
A sua relação com o futebol colombiano, apesar do sucesso, parecia gasta também: no natal de 1952, ele anunciou que queria ir embora e voltou a Buenos Aires. O Millonarios não aceitou perdê-lo a acionou a FIFA (que reconhecera a liga pirata após o pacto), que advertiu todas as suas federações que o jogador não deveria ser contratado por ninguém enquanto o contrato com o time de Bogotá vigorasse. Di Stéfano até chegou a pensar em parar de jogar, mas seguiu por mais uns meses no Millonarios. Na Pequena Taça do Mundo de 1953, marcou dois gols em um 5-1 no seu ex-River, em fevereiro.
Já aquela sua exibição naquele jogo com o Real Madrid chamou a atenção do Barcelona, que iniciou conversações para contratá-lo: o principal astro blaugrana, o húngaro Ladislao Kubala, estava com tuberculose. Em maio de 1953, Di Stéfano chegou à Catalunha. O presidente barcelonista Enrique Martí já havia fechado com o River por 4 mil dólares mas não chegava a um acordo com o Millonarios, que exigia 27 mil. Era necessário negociar com os dois clubes pois, por aquele pacto, o Millonarios era dono de Di Stéfano até 31 de dezembro de 1954 e o River voltaria a ser a partir de 1 de janeiro de 1955.
O Real Madrid então entrou na disputa: um enviado do clube foi a Bogotá com os 27 mil dólares por Di Stéfano e conseguiu do River garantias de neutralidade em eventual conflito entre Real e Barcelona pelo jogador. A situação era essa: por interferência daquele pacto, Di Stéfano passaria a ser do Real até o fim de 1954, pois o clube madrilenho não o comprara do River, que teria os direitos sobre o jogador a partir de 1955 e já os tinha vendido ao Barcelona. Com esse conflito, a federação espanhola não autorizou o uso de Di Stéfano por ninguém enquanto não houvesse uma solução.
Sentindo-se abandonado pelo Barcelona, o argentino irritou-se ainda mais ao ser quase negociado com a Juventus sem ser consultado. A federação apontou uma solução salomônica: Di Stéfano jogaria pelo Real Madrid a temporada 1953-54 e pelo Barcelona na de 1954-55, voltando ao Real na posterior e ao Barça na subsequente. A dupla de início concordou. Em setembro de 1953, Di Stéfano era inscrito como jogador do Real Madrid e Enrique Martí renunciava à presidência do Barcelona após as gafes.
À esquerda, perfil de Di Stéfano no “manual de esportes do Cascão”, lançado em 1997 (e por onde conheci o jogador). À direita, a santíssima trindade argentina
O Barça, no mês seguinte, com Kubala já plenamente recuperado, declarou que julgava-se grande demais para compartilhar um jogador tão conflitivo e que, fora de forma, não empolgara logo de início na Espanha (perdeu na estreia por 4-2 para o Nancy, embora tenha marcado um gol). Renunciou a seus direitos sobre o craque e assinou isso antes de jogo contra o Real Madrid no dia 25. Perdeu de 5-0, com Di Stéfano marcando dois. Ali começava a era de ouro do clube da capital. Na época, o Real Madrid atravessava jejum de vinte anos na liga e com menos títulos nela que Barcelona e até Atlético de Madrid, Athletic de Bilbao e Valencia – consegue-se imaginar isso hoje? Ele ainda viraria amigo do próprio Kubala, com quem pôde jogar pela Espanha e em amistosos comemorativos do Barcelona. Aceitou jogar no Espanyol no fim da carreira porque Kubala era o técnico.
Di Stéfano foi campeão espanhol pelo Real já na temporada da estreia e ao fim da década já fazia do time o maior campeão do torneio. Venceu seguidamente as cinco primeiras Ligas dos Campeões, marcando em todas as finais. Mas, em tempos em que o futebol não era tão movido a dinheiro, ele chegou a jogar amistosos comemorativos pelos rivais Barcelona e Atlético, que, por protocolo ou não, emitiram notas oficiais de pêsames pela morte do craque: veja a do Atleti (cujo presidente declarou no velório que Di Stéfano “não somente fez grande o Real Madrid mas a todo o futebol espanhol”)aqui e a do Barçaaqui. Pelé já declarou sua preferência por ele ao indagado sobre um rival argentino para si. Se enfrentaram só uma vez, ao menos por seus clubes: Real Madrid 5-3 Santos, em 1959.
Foi no exterior que Di Stéfano entrou para os titãs do futebol. Na Argentina, era “só” um veloz centroavante hábil em manter a bola perto do pé naquela geração de ouro dos anos 40, tão boa que, embora aquele tri da seleção na Copa América fosse em três anos seguidos (1945-46-47), só cinco jogadores estiveram nos três: dentre eles, os mencionados Pontoni, Méndez e Loustau, o único que titular em todas. À revista El Gráfico em 1983, meses antes de falecer naquele mesmo ano, Labruna elencou Di Stéfano não entre os maiores argentinos, mas entre os maiores estrangeiros. De fato, na época o nível do futebol argentino era mais exigente que o europeu.
“Ele só entra na minha relação pelo que fez na Europa”, justificou Labruna, que poderia ter sido movido pelo ciúme também: após seis anos de sucesso treinando o River Plate, de 1975 a 1981, livrando o clube de um jejum de dezoito anos sem títulos e conquistando oito, Labruna foi demitido por não conseguir o mesmo sucesso na Libertadores. Seu substituto foi justo Di Stéfano, campeão ainda em 1981, no que acabou sendo histórico: Don Alfredo treinara o Boca campeão em 1969 (sobre o River no Monumental e com 86% de aproveitamento). Até hoje é o único técnico campeão na dupla.
Com a morte de Di Stéfano, aquela celebrada geração argentina dos anos 40, apontada como capaz de ter sido campeã do mundo se a Segunda Guerra e a greve não impedissem, perde também um de seus últimos remanescentes. Pode-se dizer que o último astro ainda vivo é o ex-goleiro Amadeo Carrizo, outro a estrear pelo River (do qual é atual presidente de honra assim como Don Alfredo era no Real) em 1945. Di Stéfano já declarou que teria feito ainda mais gols se Carrizo seguisse jogando com ele na Colômbia e na Europa, em alusão aos proveitosos lançamentos que o goleiro fazia aos atacantes. Abaixo, links de diversos especiais do site a terem A Flecha Loira como protagonista e a homenagem em vídeo de final dos mais comoventes feita pelo Real Madrid, sob “My Way” de Frank Sinatra, e outro com palavras de Carrizo sobre a morte do ex-companheiro.
A cena final do vídeo do Real é do filme La Batalla del Domingo, de 1963, um dos três em que Di Stéfano foi ator, junto de Con los Mismos Colores (1949, em que ele, Méndez e Mario Boyé, do Boca, gravaram em meio à greve para ter algum dinheiro, interpretando amigos de infância que viravam jogadores profissionais de clubes rivais e ao fim se uniam na seleção) e Once Pares de Botas (1954). No humorístico La Batalla del Domingo, ele, descontente com relatos infiéis aos fatos, interpreta a si mesmo interferindo metalinguisticamente em um filme sobre sua vida que seria lançado por conta de sua despedida do Real. Na história, o diretor então aceita as exigências de Di Stéfano em retratá-lo como um homem comum. No fim, ele é indagado se quer que alterem também o final e se está emocionado: “um pouco. Todas as despedidas são tristes. Algum dia tem que ir-se. Lhe custa. Dói. Porque aqui está o melhor da minha vida”.
O ferrolho contra a Holanda era a aposta de Sabella, mesmo com o treino fechado à imprensa.
Belo Horizonte – O treino desta segunda-feira pela manhã bem que não precisava ser fechado para os jornalistas. A atividade na Cidade do Galo, já com todos os jogadores – com exceção de Di María – teve apenas um trabalho físico seguido do tradicional futebol-tênis. Sem qualquer indício de um time titular para a partida contra os holandeses, algo que só será conhecido pelos jogadores durante o treino na Arena Corinthians, nesta terça-feira.
Ainda assim, surgem rumores de mudanças mais drásticas na equipe principal treinada por Alejandro Sabella. Isso por conta da boa atuação do sistema defensivo na partida contra os belgas. Apesar de não ser lateral-esquerdo de ofício, José Maria Basanta conseguiu cobrir bem os espaços na sua posição, além de ter chegado bem a linha de fundo. O fato é que Marcos Rojo também cumpriu bem seu papel nos jogos anteriores, antes da suspensão.
Neste caso, Alejandro Sabella pode voltar com o esquema que não agradou a ninguém na estreia da Copa do Mundo: com cinco defensores. Neste caso, Ezequiel Lavezzi, que até entrou bem, mas não conseguiu ser eficiente no ataque, perderia o posto de titular na partida contra os holandeses, com José Maria Basanta atuando como zagueiro pela esquerda. Ezequiel Garay continuaria como o central fixo no meio e Martín Demichelis atuaria pela direita, congestionando o sistema holandês, que além de rápido, se mostrou eficiente e forte neste Mundial.
Para o lugar de Angel Dí Maria, mais um jogador que tem como características de marcação, o meia Enzo Perez. O jogador foi eleito nesta semana o melhor jogador da temporada portuguesa atuando como segundo volante e foi um dos que mais desarmou durante toda a partida contra os belgas, menos somente do que Basanta. Além de Enzo, Biglia e Mascherano ficariam no meio campo, evitando um poder mais ofensivo dos holandeses. Desta maneira, somente Messi e Higuaín seriam os jogadores de frente da Argentina.
A Argentina viajará para São Paulo na manhã desta terça-feira, às 11h, véspera da partida contra os holandeses e ficará hospedada no Grand Mercure, no Ibirapuera. O treino da seleção argentina será às 18h30 às 19h30, com coletiva de imprensa do técnico Alejandro Sabella às 19h40, no estádio do Corinthians. A partida será nesta quarta-feira, às 17h.
Em meio à vitória da Seleção Argentina sobre a Bélgica, uma notícia deixava toda a imprensa em alerta. Alfredo Di Stéfano sofreu um ataque cardíaco no sábado e entrou em coma. Dois dias depois, com 88 anos, o ex-jogador não superou a crise e em meio a Copa do Mundo, torneio que nunca pôde disputar, acabou falecendo no início da tarde do Brasil. Di Stéfano está entre os principais jogadores da história do futebol mundial, e para muito, o melhor da história.
Alfredo Di Stéfano nasceu no bairro de Barracas em Buenos Aires, atuando por River Plate, Huracán, Millionários da Colômbia, Real Madrid e Espanyol. Marcou 789 gols como profissional. Conquistou nada menos do que cinco Liga dos Campeões da Europa. Nesse período, conquistou por duas vezes o prêmio de melhor jogador do Mundo – na época dado pela revista France Football. Em 2000, virou presidente de honra do Real Madrid.
Seu único título com a Seleção Argentina foi durante a Copa América de 1947. Foram apenas seis jogos pela Albiceleste, todos eles naquele torneio, em Guayaquil, no Equador. Marcou seis gols, sendo três na Colômbia e os outros sobre Bolívia, Peru e Chile. Como a Argentina não quis participar das elimintórias às Copas de 1950 e 1954, o jogador não pôde defender o seu país de origem em mundiais. Ainda assim, não poderia ser convocado, pois na época a Argentina não convocava atleta do exterior.
Anos depois, em 1956, teve a oportunidade de jogar pela Espanha (onde fez 31 partidas e 23 gols, um deles sobre a Argentina, inclusive). Mas ainda assim não pode disputar a Copa do Mundo por três motivos: em 1958, os espanhóis não se classificaram; em 1962, acabou se lesionando na véspera da Copa, mas viajou com a delegação com a possibilidade de atuar na segunda fase, mas a Furia foi eliminada ainda na primeira; e em 1966, ele chegou ao fim de sua carreira futebolística. Ainda que tivesse oportunidade de jogar no mundial da Inglaterra, a FIFA impedia desde 1962, após o do Chile, que jogadores naturalizados atuassem pela seleção de adoção se já tivessem jogado pela do país natal.
Com três mudanças em relação à vitória sobre a Suiça nas oitavas, a Argentina entrou em campo contra a Bélgica em Brasília neste sábado. Basanta, Demichelis e Biglia substituiram Rojo, suspenso, Fernández e Gago. Mudanças pontuais, na medida, para que a Argentina alcançasse a classificação para a semifinal da Copa.
A postura tática foi mantida, o 4-4-1-1 com Lavezzi na esquerda dedicado em atacar e marcar pela faixa média do campo. Basanta atuou como lateral defensivo e cumpriu o objetivo, anulou a maioria das jogadas da Bélgica pelo setor esquerdo. Com quatro desarmes, o zagueiro do Monterrey foi o melhor argentino no quesito e um dos destaques da equipe.
Mapa de calor de Basanta na partida – poucos avanços ao ataque credenciam Basanta como um zagueiro preso na lateral. Fonte: Footstats
A Bélgica assustava nas bolas aéreas, e aí veio a importância de Demichelis, preciso pelo alto na sociedade com Garay. Solidez defensiva da Albiceleste, segura após o gol de Higuaín e com prontidão para substituir Di Maria, lesionado. Enzo Pérez, eleito o melhor jogador da Liga Portuguesa 2013/2014 não apareceu tanto com a bola nos pés, mas ocupou bem os espaços pelo lado direito, realizou 3 desarmes e puxou dois bons contragolpes. Um deles quase terminou em mais um gol de Higuaín, muito ativo no ataque em sua melhor partida na Copa.
Sem afobação, a Argentina soube administrar o jogo. Biglia foi um dos responsáveis pela melhora no passe e rápida recomposição pela direita. Hazard não rendeu, era dobrado na marcação em muitos instantes por Zabaleta e Biglia. O 4-4-2 estava armado, pronto para contragolpear e esperar o fim do jogo. E a tendência é que a estratégia seja mantida contra a Holanda, porém com maior busca do manejo da bola, já que a Laranja tem demonstrado nesse Mundial uma postura muito clara em contragolpear sobretudo.
Aguero estará à disposição de Sabella nesta quarta, no banco de reservas, e Rojo deve voltar para a titularidade, possivelmente na árdua função de marcar Robben pela esquerda. Tratando-se de Holanda nesta competição, a equipe de Sabella precisará contar muito com a compactação dos setores e domínio da bola para evitar que a Holanda imprima velocidade com espaço. Messi foi o jogador que mais teve a posse de bola diante da Bélgica(8%), chamou o jogo para si e foi muito importante na manutenção da postura cautelosa e sólida da equipe. Repetir o feito pode ser fundamental para que a Argentina volte a vencer na Copa.