Mês: julho 2014

  • San Lorenzo chega à final da Libertadores após 54 anos

    ciclonfinal

    Golear por 5 x 0 em Buenos Aires já foi o bastante, mas pelo protocolo era preciso jogar em La Paz. Na altitude que derrubou o Lanús antes da Copa. Pelo mesmo placar, de 1 x 0, o Bolívar venceu no final, mas não chegou nem perto de incomodar o sonho antigo do San Lorenzo. Não conseguiu em 1960, na primeira Libertadores. Em 2014, porém, o time azulgrana está na final.

    No gramado judiado do Hernando Siles, o time de Edgardo Bauza fez o óbvio. Postura defensiva, sem correr riscos, e nem longas distâncias em vão. Contragolpes já bastavam para o Ciclón, embora os ícones do ataque (Piatti, Villalba, Romagnoli e Blandi) não renderam o suficiente para chegar ao gol.

    O Bolívar queria acreditar desde o início para não decepcionar o torcedor em festa. Mas foi só “nos inícios”. Bola no travessão no 1º tempo de Capdevila, o melhor em campo. Desperdício de Chávez, na pequena área, no primeiro lance da etapa final. Esse ímpeto ofensivo esfriava lá pelos 15 minutos, e as chances criadas pelos anfitriões diminuíam.

    Só no final, quando o 5 x 0 de Buenos Aires se tornou realmente insuperável, o argentino naturalizado boliviano Yecerotte aproveitou o cruzamento de Capdevila e acertou de voleio para, enfim, vencer Sebastián Torrico: 1 x 0, aos 46 do segundo tempo, placar final. Se em 1960 o San Lorenzo perdeu no desempate para o Peñarol após simplesmente ceder-lhe o mando de campo (entenda), desta vez passou da semifinal, na luta para deixar de ser o único grande clube argentino sem Libertadores.

    Final*

    Nacional-PAR x San Lorenzo – Dia 6/8, em Assunção

    San Lorenzo x Nacional-PAR – Dia 13/8, em Buenos Aires

    *Na final, o gol fora de casa não é mais um critério de desempate

     

  • AFA reinterpreta regulamento e Boca pode assegurar vaga na Libertadores

    viamonte

    Ao final do primeiro semestre de 2014, estava claro para todos que duas equipes tinham assegurado sua vaga na Libertadores de 2015: River Plate e Vélez Sarsfield. No entanto, a AFA divulgou sua própria interpretação do regulamento, diferente daquela veiculada pelos veículos de imprensa do país. E nessa visão oficial, o Boca Juniors ganhou uma chance extra de disputar a maior competição continental no próximo ano.

    A Argentina tem direito a cinco vagas na Libertadores (se o San Lorenzo for campeão da edição atual serão seis). Se classificam os campeões dos dois torneios nacionais disputados em 2015 (River se garantiu ao vencer o Final), o campeão da Copa Argentina, o melhor clube argentino classificado na Sul-Americana de 2014 e a equipe que tiver maior pontuação na temporada 2013/2014. E é esta última vaga que foi alvo de reinterpretação da AFA.

    Vélez Sarsfield e Boca Juniors terminaram a temporada empatados em primeiro lugar. Nos critérios de desempate o Fortín leva vantagem, de modo que foi dado por imprensa e público como classificado à Libertadores. No entanto, a AFA hoje explicou que não considera que critérios de desempate se apliquem à situação. Assim, as duas equipes deveriam jogar uma partida de desempate em dezembro para definir quem fica com a vaga.

    Por que em dezembro? Porque as duas equipes ainda têm chance de conseguir a vaga por outros meios. Por exemplo, um dos dois pode ser campeão do Transición, que se inicia na próxima semana, deixando a vaga livre para o outro. Ou seja, se o Vélez levantar a taça, o Boca automaticamente fica com a vaga, tornando desnecessária a partida desempate.

  • Um encontro com Julio Grondona, o eterno chefe da AFA

    Um encontro com Julio Grondona, o eterno chefe da AFA

    Um encontro com Julio Grondona rendeu uma foto bizarra, logo após o Brasil 3 x 1 que ninguém do site imaginava presenciar.

    grondona

    Por que raios eu iria querer uma foto com Don Julio Humberto Grondona? Mas ela tem uma história bizarra, e a partir de hoje, única.

    Tinha acabado Brasil 3 x 1 Croácia. Esperei a chefe* sair pra circular e ver quem estava do meu lado na Arena Corinthians. Achei Platini, Suker, Carlos Alberto Torres, Bebeto, Cafu, Kaká. Tinha Blatter me pedindo passagem para sair com a chefe, Valcke dando “tchauzinho”, Jennifer Lopez simplesmente linda. E Julio Grondona.

    *Atualização em 12-06-2024, aniversário de dez anos da foto: a tal “chefe” era ninguém menos que Dilma Rousseff. O autor da nota trabalhava na assessoria de imprensa da presidência

    Difícil ser fã dele. No currículo, tem várias acusações e mais tempo como presidente da Asociación del Fútbol Argentino (AFA) do que eu tenho de vida. Mas por instinto automático, quis tirar essa foto.

    Don Julio me olhou de cara feia no início. Deve ter pensado “quem é esse cara e por que interrompeu minha conversa?”. Mas, depois que pedi a foto, soltou o sorriso. Me estranhei do quanto ele parecia genuinamente feliz.

    Mais estranho ainda é que o fotógrafo (que me pareceu ser o filho dele), perguntou: “você é do Catar?”. Na hora eu não entendi a piada, mas depois lembrei da polêmica Copa de 2022 (seria uma confirmação das denúncias?). Nem respondi que era do Brasil, e nem pude conversar mais para não perder o comboio de volta para Brasília. Agradeci e fomos embora.

    Hoje, um mês depois, ele morreu. E essa foto fica ainda mais rara. Um homem questionável, mas meus sentimentos para a família. Grondona assumiu na época da ditadura, mas era respeitado por políticos de direita e esquerda. Ajudou os Kirchner com o Fútbol Para Todos. Na AFA, liderava como uma figura central, de modo que os títulos conquistados no período têm, sim, a marca decisiva dele. Não tem quem o substitua nesse sentido.

    Veremos agora qual será o futuro da Argentina sem a influência dele. Adeus, Don Julio.

  • Radiografia da nova B Nacional/2014, o chamado “Torneo de Transición”

    zonasbn

    No próximo dia 09 de agosto começa a nova temporada da B Nacional, a segunda divisão do futebol da Argentina. Trata-se de uma competição ímpar na história da categoria. Novidades são muitas e as oportunidades de acesso nunca foram tão generosas como agora. Uma rara oportunidade para clubes tradicionais do interior e da Grande Buenos Aires voltarem à elite do futebol local. Esses elementos podem fazer desta temporada uma das mais competitivas de todos os tempos. Vejamos.

    A reorganização do futebol argentino prevê que novos torneios sejam disputados a partir de 2015 em todas as divisões. Contudo, se fez necessário que um período de transição ocorresse no período que vai do fim da temporada, antes da Copa do Mundo, até o final de 2014. Para tanto, em todas as divisões teremos competições recheadas de novidades. Um dos torneios com mais modificações é a B Nacional, a segunda divisão da Argentina. E elas aos tradicionais participantes da categoria, já que as oportunidades de acesso jamais foram tão generosas.

    No total, 22 equipes disputarão o chamado Torneo de Transición. Serão 10 acessos no fim do ano e não haverá descensos. Sendo assim, as equipes terão a tranquilidade para trabalhar pela promoção à elite argentina. Serão dois grupos, chamados de Zonas. Cada uma reunirá 11 equipes, que jogarão entre si nos papéis de anfitrião e visitante. No fim, os cinco primeiros de cada zona serão promovidos para o inchado campeonato argentino de 2015, com 30 equipes. Eis a composição de cada uma das Zonas.

    Zona 1 (ou A)

    1 Aldosivi
    2 Argentinos Juniors
    3 Boca Unidos
    4 Colon de Santa Fe
    5 Douglas Haig
    6 Ferro Carril Oeste
    7 Gimnasia Jujuy
    8 Guarani Antonio Franco)
    9 Instituto de Córdoba
    10 Nueva Chicago
    11 San Martin San Juan

    Zona II (ou B)

    1 All Boys
    2 Atlético Tucumán
    3 Crucero del Norte
    4 Huracan
    5 Independiente Rivadavia
    6 Patronato de Paraná
    7 Ramón Santamarina
    8 Sarmiento de Junín
    9 Sportivo Belgrano de San Francisco
    10 Temperley
    11 Union Santa Fe

    A grande oportunidade de acesso para equipes tradicionais

    Possível que muitos cartolas da 2ª divisão estejam acendendo uma vela para Grondona até agora, pelo verdadeiro presente que o falecido “Chefão” deixou para eles. Contudo, convém que um mínimo de trabalho decente seja feito de forma que o “regalo” não vire presente de grego. Isto ocorre pelo seguinte: a forma como os clubes planejam a temporada da B Nacional consideram o nível altamente disputado da competição. Todavia, a competitividade do recente torneio está no mesmo grau da oportunidade. Disto decorre que se não houver um bom trabalho é provável que o acesso não ocorra.

    Os cinco favoritos da Zona I

    Tudo indica que uma das vagas seja do Bicho. O clube da Paternal montou um verdadeiro esquadrão para retornar à elite argentina. Riquelme chama a atenção e recebe todo o foco da mídia, mas uma equipe sólida tem se formado sob o comando de Borghi. Foram inúmeros reforços importantes, que se somam às boas promessas que quase ascenderam a equipe, ao fim da temporada. A situação é tão confortável que Claudio Borghi pode atuar com vários esquemas de jogo, além de contar com mais de um bom reserva para cada posição.

    Instituto de Córdoba deve mesclar jogadores experientes com uma vasta gama de jovens que brotou das canteiras de Alta Córdoba. A equipe deve apresentar boas promessas do futebol argentino nesta temporada. La Glória perdeu 18 jogadores, mas se recompôs com 11 reforços, além de alguns bons garotos que subiram à equipe dirigida por Daniel Jiménez. Além disso, a pré-temporada foi feita com muita seriedade. Colón de Santa Fe deve ficar com uma das vagas. O conjunto santafesino perdeu 12 jogadores, mas contratou 11. Além disso, o Sabalero deve apostar na fórmula que tem resultado numa mínima reestruturação institucional: a promoção de jovens das canteiras e a venda de alguns deles, ao fim da temporada. No total, 15 atletas foram promovidas à equipe principal desde o início do ano.

    Gimnasia Jujuy, San Martín San Juan, Aldosivi e Ferro Carril devem brigar pelas duas outras vagas. Neste bloco, Gimnasia e San Martín apresentam uma melhor preparação. A vida não será fácil para equipes como Nueva Chicago, Guaraní António Franco e Boca Unidos. Suas torcidas precisarão se contentar em manter os promédios em alta, já que eles serão somados aos da próxima temporada, em 2015.

    Os cinco favoritos da Zona II

    Huracán de Parque Patrícios deve ser o principal candidato ao acesso na Zona II. Kudelka se aproveitou da ótima renovação do elenco para montar um time experiente, mesclado com bons reforços jovens e com garotos da base, indicados com precisão pelo comandante do banco quemero. Germán Mandarino, Mancinelli, Santiago Echeverria e Carlos Arano formam uma primeira linha defensiva quase imbatível para os rivais da categoria. No banco, o polivalente Erramuspe será opção para qualquer defensor que não possa atuar. Uma segunda linha pode ser formada por Vismara, Villarruel e Patricio Toranzo, tendo Gonzalo Martínez, à frente, como enganhce. Esta segunda linha pode avançar Martínez um pouco mais nas partidas em que Kudelka prefira três atacantes.

    O meio-campo pode ser formado ainda por quatro nomes, apresentando Favalli, Iván Moreno y Fabianesi ou Gabi Robledo, mais uma promessa das canteiras de Parque Patrícios. No ataque, o experiente Ramón Ábila pode vir a ser o artilheiro da competição. Augustín Torassa deve acompanhá-lo no setor. Atlético Tucumán era outro candidato certo para o acesso. Porém, embora o Decano tenha mantido “La Pulguita” Rodríguez, perdeu vários jogadores e não somou reforços. Dirigentes do clube forçam a barra em apostar que a tradição decana, além do apoio irrestrito de sua torcida, seguirão a ser suficientes para mais uma boa temporada. Isto pode acontecer, mas é improvável.

    Unión Santa Fe, Sarmiento de Junín e Crucero del Norte se apresentam como favoritos quase certos para ascenderem à elite. O Tatengue realizou um planejamento ímpar para subir. Reforços foram buscados na medida e o técnico Leonardo Madelón tem o grupo nas mãos, além do respaldo de diretoria e torcida ao seu trabalho. O Verde de Junín pode chegar à elite e materializar uma realidade nova no futebol argentino e que também inclui o Colectivero: a predominância da organização institucional em relação à bagunça generalizada que abraça quase todos os clube no país. O Sarmiento é uma das instituições que mais investe numa base que compreende algo em torno de 500 garotos. Já o Crucero del Norte, é um caso ainda mais sintomático dos frutos que um trabalho institucional sério pode render.

    Com apenas 25 anos de vida, o Colectivero pode chegar à elite do futebol local ao fim de 2014. Isto é um tapa na cara de diversas instituições centenárias da Argentina que não conseguem sair das últimas categorias do futebol local. E não há milagres no caso e tampouco grana excessiva. A empresa que patrocina o clube, e que lhe oferece o nome, recusa-se a injetar valores absurdos na equipe por causa do futebol. Desta forma, cabe aos cartolas o desafio de fazer o Colectivero funcionar. O fato de sempre subir de categoria nunca foi motivo para que o planejamento sério fosse abandonado. Caso a equipe não suba à elite, não haverá problema, já que seus dirigentes consideravam esta realidade apenas para 2016.

    A outra vaga ficará entre All Boys e Independiente Rivadávia. Ramón Santamarina, Temperley e Patronato de Paraná não parecem em condição de ascender neste momento. Apenas uma surpresa, como aquela história de encaixe de time pode reverter essa realidade. E se isto acontecer, ela deve favorecer o Patronato, da belíssima cidade de Paraná.

    Casos Insólitos, ou o real tamanho do presente

    Banfield, Defensa e Independiente foram promovidos e poderão fazer a pior campanha da história que não serão rebaixados. Não retornarão à B Nacional na próxima temporada, pois não haverá rebaixamento. Além disso, All Boys, Argentinos Juniors e Colón fazem parte do curioso caso de equipes que perderam seus lugares na primeira divisão, mas que podem recuperá-los em um semestre. Porém, isto não é tudo. O pior são os casos das equipes que subiram à B Nacional recentemente. São os casos de Nueva Chicago, Temperley, Ramón Santamaria e Guaraní António Franco.

    Na prática, essas equipes podem subir duas categorias em apenas seis meses. Chicago e Temperley vieram da B Metro, enquanto Ramón Santamarina e Guaraní António Franco, do Torneio Argentino A. No final do ano, essas quatro equipes podem chegar à elite do futebol argentino. Esse presente de Grondona não tem paradeiro na história do futebol local. O outro absurdo consiste em colocar rivais tradicionais em zonas diferentes. O principal caso envolve o Colón, na zona I, e o Unión Santa Fe, na Zona II. Desta forma, os hinchas dos dois rivais terá de torcer para a promoção de suas duas equipes, se quiserem ver o clássico, na próxima temporada.

  • Morre Grondona, o homem que ficou 35 anos como presidente da AFA

    Morre Grondona, o homem que ficou 35 anos como presidente da AFA

    Grondona

    Presidente da Associação de Futebol Argentina desde 1979 e um dos vice-presidentes da FIFA, Julio Grondona faleceu no início da tarde desta quarta-feira por uma insuficiência cardíaca. Com 82 anos, o polêmico dirigente deu entrada em um hospital de Buenos Aires na madrugada desta quarta-feira, mas não resistiu à cirurgia.

    Grondona comandou a AFA por nada menos que 35 anos. Foi nomeado pelo almirante Alberto Lacoste para assumir ao cargo. Além disso, foi o fundador do Arsenal de Sarandí e presidente do Independiente entre 1976 e 1979, conquistando títulos nos últimos dois anos nos Rojos. Sob o comando da Associação de Futebol de seu país, o dirigente viu a sua seleção conquistar um título mundial e alcançar dois vice-campeonatos.

    Apesar dos logros, Grondona deixou uma herança ruim para o futebol argentino. Além de não permitir as eleições – só teve que disputar em uma única vez, contra Teodoro Nitti – ao seu cargo o esporte no país teve mudanças drásticas, com mudanças de regulamento e, a partir do ano que vem, o inchamento da primeira divisão, que terá 30 clubes.

    Além dos péssimos legados no país, conviveu com a denúncia de votos para a Copa do Mundo de 2022, além da venda de ingressos ilegais no Mundial do Brasil, dentre outras polêmicas.

    Com o falecimento de Julio Grondona, o cargo de presidente da AFA ficará a cargo de Luis Segura, presidente do Argentinos Juniors. As eleições estão marcadas para outubro de 2015.

  • Apedrejamento de Maxi Biancucchi mascara problemas do Bahia

    bahia

    Bode expiatório é aquela história: é a materialização da covardia burra e estúpida que joga um pobre diabo no inferno, enquanto protege, em geral, os donos do poder. A situação pode não ser tudo isso, mas é um pouco disto que ocorre no Bahia. O time está à beira do precipício, mas o maior culpado de tudo parece ser o primo de Messi, Maxi Biancucchi. Ao menos é assim que pensa parte da torcida, que protagonizou cenas de terror para cima do moço. Foram pedras sobre seu carro, intimidação e tentativa de agressão física. Enquanto isso, os péssimos gestores do maior clube do Nordeste seguem a fazer besteiras, como a demissão de Maquinhos Santos e a recente contratação do questionável Rodrigo Pastana, odiado por grande parte dos torcedores do Figueirense.

    Na data de ontem, segunda-feira, Maxi Biancucchi foi agredido por alguns torcedores do Bahia, após deixar o treino da equipe, no Fazendão. Seu carro foi apedrejado com ferocidade. Além disso, socos e pontapés, desferidos sobre a lataria de seu veículo, na prática buscavam seu rosto, o que sinaliza que a data de ontem pode ter sido o seu dia de sorte do primo de Messi, não o seu dia de azar. A coisa foi feia. Contudo, ela foi desproporcional, pois joga no lixo a necessidade de ponderações sobre o atual momento do Bahia.

    Fato é que Biancucchi é o alvo principal, pois era a grande esperança da torcida para animar e dar brilho ao Bahia no Brasileirão. E o primo de Messi de fato não é sombra do que foi no rival, Vitória, em 2013. Contratado a peso de ouro, o atacante deixou de receber 80 mil reais na temporada passada para perceber 180 mil na atual temporada pelo Bahia. Normal, portanto que a torcida do Tricolor contasse com o moço. Só que além de não vê-lo brilhar, ainda tem de conviver com as provocações e tiração de sarro dos torcedores rivais, ainda magoados pelo fato de Biancucchi trocar de camisa. E precisamos considerar uma coisa: há de fato legitimidade na decepção da torcida tricolor com o seu desempenho na cancha.

    Até agora, Biancucchi marcou dois gols em 24 jogos. Isto quer dizer que pelo seu salário, cada um de seus gols custou nada menos do que 540 mil reais nestes seis messes em que veste a camisa tricolor. Para se ter uma ideia, no rival, ele anotara 17 tentos em 42 partidas e recebeu algo em torno de 54 mil reais por gol, nos 12 meses em que ficou no Vitória. Mas reflexo de que sua performance não é das melhores, foi o fato de que o atacante foi substituído em 15 dos 24 jogos como titular. Tudo isso depõe contra Biancucchi, mas é necessário dizer que sua chegada ao Esquadrão de Aço já mascarava o principal problema do clube: sua dificuldade de superar a profunda crise institucional que arrasta para o precipício até mesmo as mais genuínas das boas intenções.

    Incompetente buscar um argentino tão caro para o clube, principalmente pelo fato de que ele era o ídolo do grande rival. Bom dizer que mesmo após encerrar as negociação com o Vitória, em 2013, Biancucchi revelava nas redes sociais o seu profundo lamento em não ter continuado no Leão. Tinha tudo para dar errado. E deu. Ao menos até agora. E aqueles que atiraram pedras sobre o carro do atacante deveriam fazer a seguinte pergunta aos dirigentes: “Senhores, por esses valores, por que não contrataram um outro atacante argentino?” A pergunta seria relevante, pois a miopia da cartolagem tornava nítidas apenas as opções mais próximas. Se não distinguia melhores opções nem mesmo no mercado local era natural que não as visse também no mercado argentino. Mas não nos iludamos: isto é reflexo da mais honesta e profunda incompetência.

    Tudo bem que alguns irão alegar que o grande problema das escolhas infelizes vem da “histórica” gestão Guimarães e mesmo de sua versão remodelada e ao mesmo tempo cruel e no mesmo grau: “Marcelinho”. Daí a aposta em Jorginho e, pior ainda, no sempre lamentável Joel Santana. Porém, saltam aos olhos os inúmeros equívocos da “moderna” gestão do Tricolor e que envergonhariam até os antigos gestores (se eles tivessem vergonha na cara, claro!) pelo fato de serem, esses equívocos, em tamanha quantidade e em tão pouco tempo. Da posse de Fernando Schmidt até os dias atuais, Cristóvão Borges foi demitido de forma estúpida. Para o seu lugar apostaram em um técnico de um único bom trabalho, Marquinhos Santos. Mas isso não foi tudo.

    Ocimar Bolicenho era o testa de ferro para os erros do inexperiente Márcio Della Volpe, na presidência da Ponte Preta. Sob sua gestão, a Macaca foi para a segunda divisão, ao mesmo tempo em que Bolicenho foi eleito à presidência da Abex – Associação brasileira dos executivos de futebol. Ou seja, enquanto a “Nega Véia” ia para o inferno, Bolicenho caminhava para o céu. Odiado pela torcida da Macaca, o executivo foi visto pela “moderna” direção do Bahia como a solução para os problemas do Tricolor. Não bastasse isso e ainda trouxeram Cícero de Souza para um mal definido cargo, que depois se configurou como o de gerente de futebol. Souza foi demitido do Criciúma após forte pressão da torcida, que o considerava incompetente para o cargo. Mas não termina por aí.

    Rodrigo Pastana acaba de ser anunciado para a vaga de Cícero de Souza. Lá no Figueirense, Pastana consegue ser mais odiado do que foi Bolicenho na Ponte e Cícero, no Criciúma. Para se ter uma ideia do problema, à demissão esdrúxula do técnico Vinícius Eutrópio, responsável pelo acesso do Figueira, Pastana disse que “era a decisão mais fácil a ser feita”. E se não bastasse tudo o que apontamos, tem mais: Souza assumira o Criciúma em substituição a Pastana, que deixara o Tigre para ir ao rival, Figueirense. Agora, Pastana assume o Bahia, em substituição a Cícero, que deixa o Esquadrão de Aço. Então fica a pergunta: “não dá para os cartolas se livrarem dessa gente?”.

    E pior: com todo respeito a Ponte, Figueirense e Criciúma, o Bahia é diferente. Por questões que permeiam essas diferenças, os dirigentes tricolores deveriam saber que se essa “gentinha” não serve para os clubes citados acima, jamais serviria para o Esporte Clube Bahia. Mas se esses cartolas são míopes- para sermos eufemistas -, não são os únicos.

    Os torcedores que atacaram o carro de Biancucchi também são. Não que o argentino não mereça cobranças e até críticas, mas ele não pode ser o bode expiatório à profunda incompetência dos dirigentes do clube. Tudo o que descrevemos acima trata-se de uma ponderação em torno das agressões ao primo de Messi. Certo é que muitos torcedores baianos condenam o fato e entendem do que falamos, porém se faz necessário que várias ponderações ocorram de maneira a que os principais responsáveis pela crise do maior clube do Nordeste sejam identificados e cobrados à altura dos atos infantis, apaixonados e subjetivos que eles têm tomado desde que se propuseram a ser a “moderna” gestão do Esquadrão de Aço do Nordeste.

  • Santiago Santamaría: o Cucurucho goleador do Newell’s

    Santiago Santamaría: o Cucurucho goleador do Newell’s

    Santiago Santamaría era chamado de Cucurucho, como os argentinos chamam a casquinha de sorvete. Foi um dos maiores goleadores do Newell’s.

    cucurucho

    Cucurucho é como os argentinos chamam aquela casquinha para sorvete. E era assim que era apelidado o ponta-direita Santiago Santamaría, um dos maiores ídolos do Newell’s Old Boys. Pudera: embora não fosse um centroavante e e não fosse exatamente um jogador dos mais regulares nem tão hábil, era tenaz e, principalmente, é o quarto profissional com mais gols pela Lepra, 90. Mais ainda, é também o profissional com mais gols no clássico com o Rosario Central, 9, ao lado de Edgardo Bauza, ex-zagueiro do arquirrival e hoje técnico do San Lorenzo praticamente finalista da Libertadores.

    Nascido em 22 de agosto de 1952 em San Nicolás de los Arroyos, cidade mais próxima de Rosario do que da capital federal embora seja da província de Buenos Aires, Santamaría começou a carreira já no Newell’s em 1971, entrando em jogo contra o Racing substituindo o brasileiro Heraldo Bezerra. Os rubronegros nunca haviam chegado tão perto do título argentino e pararam só nas semifinais. O problema é que foi justo diante do Rosario Central, que ainda por cima seria adiante campeão, pela primeira vez. A revancha demorou três anos, quando os leprosos ganharam seu primeiro título após outro clássico, empatando em 2-2 na casa adversária após estarem perdendo de 2-0. Na campanha, o ponta marcou oito gols em 15 jogos.

    Após o título de 1974, o primeiro argentino vencido pelo NOB, Santamaría passou cinco anos no francês Stade de Reims, perdendo a maior parte do ciclo de César Menotti à frente da seleção. Menotti foi o primeiro a apostar largamente em jogadores do interior e, em tempos onde ir ao exterior afastava jogadores da seleção, El Cucurucho, que já havia sido um dos pré-convocados à Copa 1974, perdeu a chance de ir à Copa 1978 (o mesmo se passou com o então superartilheiro Carlos Bianchi, seu colega no Reims). Voltou ao país em 1979 recusando ofertas de Boca, então bicampeão da Libertadores, e River para voltar ao Newell’s, e um ano depois ele enfim estreou pela Argentina.

    Santamaría jogou oito vezes pela Albiceleste em 1980, marcando um sobre a Áustria em Viena e outro na Bulgária. Mas depois pediu dispensa de novas convocações por motivos pessoais. Mesmo assim, acabou convocado à Copa 1982, sendo a grande surpresa de Menotti: ele vinha trabalhando com 25 pré-convocados desde fevereiro e anunciou o corte de quatro ao invés de três (na época a lista final era de 22 nomes e não 23): Enzo Bulleri, Jorge Gordillo, Raúl Chaparro e o mencionado Bauza, para em seguida anunciar o reingresso do Cucurucho. Na Espanha, Santamaría jogou dez minutos contra El Salvador e 36 contra o Brasil.

    Sobre a curiosa convocação, o ponta relatou que “havia renunciado à seleção nos fins de fevereiro por um problema pessoal, mas seguia me sentindo parte do plantel, porque Menotti foi como um pai para mim, me conhecia de Rosario desde há mais de dez anos. Meu nível no torneio nacional era bom e senti que poderia ter possibilidades. O corpo técnico se comunicou comigo e lhes disse que meus incovenientes já estavam solucionados, então me confirmaram que voltaria a ser parte desse grupo excelente. Fui ao mundial, estive em dois jogos e foi uma grande experiência para mim”.

    Santamaría foi pensado como um sucessor de René Houseman na seleção, mas não se consolidou como o antigo craque do Huracán e não jogou mais pelo país após a eliminação na Copa. Mas de fato seu nível vinha bem. Em 7 de março daquele ano, o Newell’s recebeu em casa o velho rival. Venceu por 2-1. Com dois gols do Cucurucho: um repetindo uma cobrança de pênalti que errara mas que o árbitro ordenara ser repetida pelo adiantamento do goleiro Daniel Carnevali, e a outra também em bola parada, acertando uma cobrança de falta a 20 metros do gol. Festejou os dois em frente à torcida centralista.

    Santamaría chegou a ser o profissional com mais gols pelo Newell’s, até ser superado em 1984 pelo dono do posto, Víctor Ramos. Já não estava no NOB e sim no Talleres, onde estreara justamente em um 4-1 sobre o ex-clube. Escalamos o Cucurucho no “time dos sonhos” que montamos para a Lepra, no ano passado: clique aqui. Ele, que mesmo quando jogava nunca aparentou um corpo atlético, Faleceu em 27 de julho de 2013, vitimado por um ataque cardíaco.

    cucurucho2
    Em clássico contra o Rosario Central e na seleção
  • Grondona lamenta saída de Sabella da Seleção Argentina

    O presidente da Associação de Futebol Argentino, Julio Grondona, confirmou ao site argentino 442, que Alejandro Sabella não será mais o treinador da Seleção Argentina. “Se uma noiva não quer, não há como convencê-la do contrário”, disse o dirigente, em metáforas, algo bem peculiar ao homem-forte da AFA.

    De acordo com o dirigente, Alejandro Sabella conversará com os jornalistas em uma coletiva de imprensa, em data a ser confirmada pela entidade argentina. É bem provável que tal conversa com os jornalistas ocorra entre quarta e quinta-feira, uma vez que a Grondona espera se reunir com Gerardo Martino antes do fim de semana para apresentá-lo como técnico já na segunda-feira.

    Julio Grondona, ao site 442, preferiu não dizer de fato o que Alejandro Sabella falou a si. “Falei com ele, mas o que ele me disse ficou e ficará guardado para mim”, destacou o dirigente máximo do futebol argentino. Grondona gostaria que Sabella ficasse no cargo técnico da Argentina pelo menos até a Copa América de 2015, no Chile, mas o treinador não conseguiu evitar o desgaste.

  • Martino se reunirá com a AFA nesta semana e deve ser apresentado na segunda-feira

    martino

    A notícia de que Alejandro Sabella deixou a Seleção Argentina não pegou ninguém de surpresa. Pelo contrário, a possibilidade dele sair era dada como certa na imprensa do país. E em meio a isso, a Associação de Futebol Argentino correu nos bastidores atrás de planos B, C, D. E tudo indica que um desses planos deve ser anunciado oficialmente na segunda-feira: Gerardo Martino, ex-Newell’s e Barcelona.

    As informações do La Nación, nas redes sociais, dão como favas contadas o acerto do ex-treinador do Barcelona nesta última temporada. Contudo, uma reunião entre o treinador e o dirigente, que deve acontecer na quinta e sexta-feira definirá ao certo a presença de Martino à frente da Seleção Argentina para os próximos anos. A intenção da AFA é que o novo treinador seja apresentado na segunda-feira.

    As informações de que Gerardo Martino assumirá a Seleção Argentina vão ao encontro das declarações do vice-presidente da federação paraguaia, Federico Acosta, que disse à Rádio 730, de Assunção que Tata estava acertado com a AFA. Também coincidem com as apurações feitas pelo Futebol Portenho dois dias após a final da Copa do Mundo, de que o treinador havia sido procurado. A diferença é que naquele momento o treinador estava mais inclinado a não aceitar.

    Gerardo Martino foi o responsável pela campanha do Paraguai na Copa do Mundo de 2010 e do vice-campeonato da Copa América, em 2011. Assumiu o Newell’s, time em que foi revelado como jogador em 2012 e levou o time as semifinais da Libertadores. O auge do comandante de 51 anos foi o Barcelona, onde só conquistou a Supercopa espanhola, ficando no meio do caminho na Champions League e perdendo a Copa do Rey e a Liga Espanhola nesta temporada.

  • Sabella confirma que não é mais o técnico da Seleção Argentina

    sabella

    Após três anos à frente da Seleção Argentina, Alejandro Sabella não é mais técnico da Albiceleste. O treinador, depois de muitas especulações, confirmou no início da tarde desta terça-feira que não comanda mais a seleção de seu país. Entre as alegações, o cansaço e a falta de ‘motivação’.

    Durante a coletiva de imprensa, após a derrota para a Alemanha na decisão da Copa do Mundo, o treinador da Seleção Argentina havia dito que somente se estivesse com o ‘tanque cheio’ continuaria no comando. Passados 16 dias desde aquela derrota, o treinador viu que não tem mais condições de ficar no cargo.

    Sabella deixa a seleção com o vice-campeonato Mundial, também mostrando como se deve colocar Lionel Messi na seleção. Foi com o atual treinador que o melhor do mundo em quatro oportunidades conseguiu desencantar, marcando gols e tendo boas atuações. As duas últimas, no entanto, foram bem amargas e decepcionantes.

    A AFA agora terá de correr contra o tempo. Até o dia 19 de agosto, o novo treinador precisará dar a lista para o amistoso contra a Alemanha, no dia 3 de setembro em Dusseldorf. Cinco nomes estão no páreo, sendo que alguns já mostraram um pouco contrários, como é o caso de Diego Simeone, que acha que ainda precisa de mais bagagem para comandar a Seleção.

    Tata Martino, que conseguiu reestruturar o Newell’s, mas fez um trabalho fraco no Barcelona – muito pelas lesões de Messi – é o nome mais certo nas casas de aposta. Um cartola da federação paraguaia garante que o treinador já está acertado com a AFA. A bola da vez nos últimos dias foi de José Pekerman, comandante da Seleção em 2006, num momento em que a Argentina soube jogar bem.

    Os outros nomes são o de Manuel Pellegrino, hoje técnico do Manchester City e, curiosamente, de Miguel Angel Russo. Este tem o aval do diretor das seleções argentinas, Carlos Bilardo e também é um queridinho de Julio Grondona. Ramón Diaz, por sua vez, se colocou a disposição, mas seu nome é bem improvável.

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  • Ferro Carril Oeste: os 110 anos do clube de Caballito

    Ferro Carril Oeste: os 110 anos do clube de Caballito

    O Ferro Carril Oeste completou 110 anos como um dos clubes mais tradicionais de Buenos Aires, no bairro de Caballito. Griguol e Márcico marcaram sua melhor fase.

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    Griguol, Márcico, Rocchia, Conte e Cortijo

    Um dos maiores clubes argentinos chega hoje às onze décadas de existência. Embora sumido da elite desde 2000 e decadente há mais tempo, o Club Ferro Carril Oeste tem sucesso poliesportivo como poucas instituições do planeta, tamanho que as demais modalidades ofuscavam o futebol – por vezes por deliberado foco da diretoria verdolaga. De outra forma, o FCO não teria um reconhecimento mundial único para um clube de futebol, ou melhor, um clube “com” futebol: em 1988, foi premiado pela UNESCO. As mais expressivas dessas glórias foram refletidas na imagem acima, alusiva aos 110 anos.

    O homem de cavanhaque é Hugo Conte, ponta do vôlei do Ferro, sete vezes campeão argentino no masculino e quatro no feminino naquela década, em que seus homens foram três vezes campeões sul-americanos e as mulheres, uma vez vices. Conte foi ícone também na seleção argentina, historicamente não tão forte: por ela foi bronze nas Olimpíadas de 1988 e disputou até as de 2000. Ao lado dele, erguendo um seus vários troféus, o meia-armador Miguel Cortijo, cinco vezes eleito o melhor jogador de basquete argentino, três vezes campeão nacional e três na América do Sul na década. Abaixo, o palco em que eles brilhavam, o Ginásio Héctor Etchart (chamado de Microestadio), ao invés do Estádio Arquitecto Ricardo Etcheverry, palco do time de futebol.

    Mas o sucesso do Ferro foi muito maior, em vários outros esportes, da ginástica à pelota basca, do atletismo ao beisebol. Tentamos resumir em outros especiais dedicados ao clube, o dos 25 anos do reconhecimento da UNESCO (leia aqui) e o dos 30 anos do primeiro título no futebol de elite, o de 1982 (aqui). Pois a bola no pé na instituição do bairro de Caballito não deixou de ter belas páginas. Do contrário, não teria para si a outra metade da imagem acima, pois os três homens à esquerda são ícones dos dois títulos do clube na elite, em 1982 e 1984 (sobre ele, aqui). Naturalmente, fazem parte da nossa escalação ideal do Ferro. Uma tentativa que, obviamente, também incorrerá em heresias. Vamos a ela:

    Goleiro: a escalação óbvia seria por Carlos Barisio ou Eduardo Basigalup, arqueiros das taças e 1982 e 1984. Barisio tem até o recorde de invencibilidade no país, 1.075 minutos sem gols. Mas a concorrência é feroz. O segundo homem do Ferro mais vezes presente na seleção é Sebastián Gualco (12 vezes nos anos 40), outro na posição, que já teve Fabián Cancelarich, reserva na Copa de 1990, e onde revelou-se Germán Burgos, figura carimbada nos anos 90. Outro de destaque entre as balizas foi Atilio Patrignani, nos anos 30. O brasileiro Jurandir, ex-Flamengo, chegou a ser capa da principal revista esportiva argentina, a El Gráfico. Roque Marrapodi chegou à seleção nos anos 50. Mas optamos por Antonio Roma.

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    Roma, “melhor que Carrizo”. Ayala e Cúper, de prestígio também na Europa

    El Tarzán não fez inovações como goleiro mas conseguiu o feito de, jogando na mesma época do mito Amadeo Carrizo, sobressair-se mais que ele na seleção. A estreia na Albiceleste veio um ano após começar a carreira no FCO. Embora rebaixado em 1957, deu a volta por cima nos anos seguintes: jogou 32 dos 34 jogos da segundona de 1958, vencida na antepenúltima rodada e emendou com um 3º lugar na elite em 1959, até então o mais perto que o Oeste chegou da taça. Rumou em seguida ao Boca, onde fez ainda mais história, a ponto de ser o boquense com mais jogos na seleção. Foi titular dela nas Copas de 1962 e 1966. Já dedicamos a Roma um especial: clique aqui.

    Lateral-direito: Roberto Ayala jogava mais de zagueiro central mas sabia ser improvisado, mexida obrigatória pelo que representam os dois escolhidos no miolo da defesa. El Ratón foi um defensor fenomenal de meados dos anos 90 para os dos anos 2000. Começou a aparecer na última grande campanha do Ferro na elite, em 1992. Sem maiores incorporações, os verdolagas jogaram com os titulares todos formados nas categorias de base. O goleiro Burgos também estava ali, na defesa menos vazada do Apertura: 9 gols em 19 jogos, menos de meio gol por jogo. O time ficou em 4º. Ayala foi o último que a seleção convocou do Ferro, em 1993, mas só estreou nela já como jogador do River.

    Nem o mais pessimista imaginaria que no ano seguinte, com a saída do presidente Santiago Leyden (no cargo desde 1963), tudo evaporaria tão rápido – a começar com o arquirrival Vélez (sim, eles faziam um clássico) voltando já em 1993 a ser campeão após 25 anos e igualando-se aos dois títulos do Oeste na elite, após nove anos atrás do FCO (sim, isso já existiu). Leyden ainda foi reposto de emergência em 1999, ano do canto do cisne: contra o Independiente em Avellaneda, o time soube empatar em 3-3 após estar perdendo de 3-0. Mas emendou dois rebaixamentos depois, parando na terceirona em 2001, algo que teria acentuado a deterioração da saúde do lendário dirigente, falecido em 2002.

    Zagueiros: dificílimo outros que não a dupla de 1982, formada por Héctor Cúper e Juan Rocchia. Cúper, segundo homem que mais jogou pelo Ferro (463 vezes de 1976-88) era um defensor seguro e bom no jogo aéreo, além de uma grande visão tática que lhe tornava quase um técnico em campo. Tanto que após parar tornou-se um treinador respeitado: na Argentina, na penúltima vez que outro nobre decadente, o Huracán, quase foi campeão, em 1994, e com o Lanús campeão da Copa Conmebol de 1996 (leia aqui); no exterior, pela melhor fase do Real Mallorca, na virada do século e pelo Valencia vice na Liga dos Campeões. Esteve até na Internazionale de Ronaldo.

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    Rocchia, 10º maior zagueiro-artilheiro do mundo. Marzolini, melhor lateral-esquerdo da Copa 1966. Saccardi em sua imagem mais lembrada

    Já Rocchia compensava a lentidão no mano-a-mano com bom senso de colocação. E, mais ainda, pelos gols: 86, que lhe fazem simplesmente o décimo maior defensor-artilheiro do mundo em campeonatos nacionais de elite. E ele é o quarto maior goleador do Ferro. Jogou de 1973 a 1983, vivenciando de tudo: o grande ano de 1974, em que um time pouco badalado foi semifinalista no Nacional e perdeu a vaga no quadrangular final do Metropolitano por 1-0 para o Boca, cuja temida barrabrava La 12 ovacionou a entrega dos homens de Caballito; ao rebaixamento de 1977, título da segundona logo em 1978 (Rocchia foi o artilheiro com 15 gols) e a taça inaugural de 1982. Aparece ao meio no primeira imagem.

    Lateral-esquerdo: a grande heresia da lista. Oscar Garré, salvo a temporada 1988-89, quando esteve no Huracán, jogou de 1974 a 1994 no Ferro, vinte anos. Vivenciou o mesmo que Rocchia e algo mais, pois esteve no bi de 1984, na honrosa Libertadores 1985 (não perdeu para Vasco e Fluminense no Rio e só foi eliminado pelo campeão Argentinos Jrs) e naquela campanha de 1992. E, talvez mais do que isso, é o único verdolaga campeão do mundo com a seleção, pois esteve na Copa de 1986. Mas o que sobrava em dedicação faltava em maior técnica e foi justamente um dos mais questionados na convocação de 1986, onde perdeu a titularidade na reta final. Ficamos com Silvio Marzolini.

    O craque-galã Marzolini foi colega de Roma naquele Ferro 3º colocado de 1959, ano em que estreou profissionalmente. Meses depois, estreava também na seleção e se mudava com Roma para o Boca, onde passou toda a década seguinte. É um dos maiores ídolos auriazuis, com cinco títulos argentinos em que o River foi deixado de vice em três. Marzolini jogou as Copas de 1962 e 1966 como o colega, e no mundial da Inglaterra obteve fama mundial, ao ser eleito o melhor da posição no torneio. Menção honrosa ao brasileiro Rodrigues Neto, que ficou de 1978-81 (chegou após defender o Brasil na Copa da Argentina) e até a defendeu a seleção de Buenos Aires, chegando a marcar um gol em um 5-4 no Racing em 1980 após o clube estar perdendo de 4-1. Como muitos, foi ao Boca depois.

    Volantes: Carlos Arregui e Gerónimo Saccardi, dois batalhadores voluntariosos. Arregui tinha bom tato tático, Saccardi tinha melhor técnica. Arregui é o terceiro com mais jogos pelo Ferro, 422 entre 1973 e 1986, estando quase que no mesmo ciclo dos mencionados Rocchia e Garré. Saccardi esteve desde antes: estreou em 1969, com o clube precisando vencer duas vezes seguidas a segundona para subir (terminou líder em 1969 mas não superou a repescagem contra os últimos da elite, venceu de novo em 1970 e enfim pôde ser promovido, goleando-se o Quilmes do jovem Ubaldo Fillol por 4-0), e parou de jogar em 1983. Saccardi teve estrela também como técnico, como em um 3-3 com o Vélez em 1997 empatando no último minuto jogo que perdia por 3-0 e na última vitória sobre o rival, um 2-1 em 1998. Seu aniversário virou o dia internacional do torcedor do clube.

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    Trio do meio de campo bi em 1982 e 1984: o veterano Arregui e os habilidosos Cañete e Márcico

    Meias: Pedro Suárez, já no Boca, foi vice da Copa 1930. Rubén Berón foi um filho pródigo em Caballito, chamado de volta quando o time caiu em 1958 (estava no Newell’s) e em 1962 (no Racing) para imediatamente reconduzi-lo à elite. Já José Manuel Moreno é tido como maior craque da primeira metade do século XX (entenda) e mesmo já veterano ajudou o time a se safar em 1953. Mas ficamos com Adolfino Cañete e Alberto Márcico, ambos bi em 1982 e 1984. Cañete foi um dos mais talentosos paraguaios dos anos 80. Esteve no elenco que devolveu a Blanquirroja às Copas em 1986, onde três gols vieram de passes seus. Os argentinos o conheciam bem pela sua passagem de 1980 a 1984.

    1980-84 foi exatamente quando o Ferro emergiu. Após dois honrosos vices em 1981, para o Boca de Maradona no Metropolitano por um mísero ponto e o River de Kempes no Nacional, veio o título inédito do Nacional de 1982, invicto (só a terceira das cinco vezes que isso ocorreu no profissionalismo); um 3º lugar em 1983; e outra taça em 1984, com o paraguaio abrindo na final o placar nos 3-0 sobre o River de Francescoli em pleno Monumental. Cañete também marcou o único gol do jogo da volta, em Caballito. Márcico, que conquistara a posição de outro que poderia estar aqui, o uruguaio Julio Jiménez (raro homem de bom desempenho por Vélez e Ferro), era sua dupla na inventividade verdolaga.

    Os três gols no River vieram de jogadas do Beto, que deu o passe para Cañete no primeiro, para Hugo Noremberg no segundo e acertou o pênalti do terceiro, tudo isso antes dos 35 minutos do primeiro tempo na casa adversária. Foi eleito o melhor jogador do país naquele 1984. É ele o jogador do Oeste com mais jogos pela Argentina, 16, mas ficou de fora da Copa 1986 pela dura concorrência com Maradona e Burruchaga. Jogou pelo clube de 1980 a 1985 e foi justamente o maestro do Boca que levou a melhor sobre o FCO no Apertura 1992, encerrando o maior jejum nacional auriazul, onze anos desde o maradoniano Metropolitano 1981. Na primeira imagem, é o segundo da esquerda à direita.

    Atacantes: Enrique Gainzarain foi prata nas Olimpíadas de 1928. Dante Lugo e Antonio Garabal, dos anos 50, foram juntos ao Atlético de Madrid e voltaram para jogar a segundona em 1961. Carlos Vidal e Héctor Arregui (irmão de Carlos) formaram boa dupla entre 1967 e 1980, mais ou menos o ciclo de ambos, convivendo com os bons e ruins momentos experimentados por outros já mencionados. São respectivamente o maior e segundo maior goleadores do clube, com 106 e 100 gols. Mas a média foi baixa: Vidal jogou 354 vezes e Arregui, 407 (quarto com mais jogos pelo Oeste, inclusive). Daí que o ataque estaria mais efetivamente servido com Bernardo Gandulla e Miguel Juárez. Gandulla é conhecido no Brasil: o Vasco o comprou do Ferro em 1939, mas entraves o impediam de jogar e ele se notabilizou por, para ajudar de alguma forma o time, procurar repor as bolas que saíam de campo.

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    Gandulla, muito mais o homem que originou a palavra “gandula” no Brasil. Juárez, artilheiro e campeão do Nacional 82. E o técnico que emergiu o clube, Griguol.

    Assim, Gandulla fez a função que exercia passar a ser chamada de “gandula” por aqui. Mas El Nano era mais que um jogador educado: era hábil, forte, bom nos dribles e cabeceio. Em menos tempo de Ferro (dois ciclos, entre 1935-38 e 1944-46), chegou aos 90 gols, que faziam dele o maior artilheiro do clube até as trajetórias bem mais longevas de Vidal e Arregui o superarem e não por muito. Destacava-se em um time fraco, cujo 8º lugar em 1935 chegou a ser por um tempo a melhor colocação que o clube já tivera. Sem ele em 1939, o FCO foi penúltimo. Como outros verdolagas, fez sucesso depois no Boca (para onde foi com Raúl Emeal e Jaime Sarlanga, outros destaques do Ferro em um ataque chamado de La Pandilla), de onde voltou veterano em 1944 para ser o artilheiro de um 13º lugar entre 16 times.

    Já Juárez fez 39 gols em 105 jogos pelo Ferro, onde esteve de 1981-83. Está aqui especialmente pelos 22 que marcou no Nacional de 1982, o primeiro campeonato de elite ganho pelo clube. Um deles, nos 4-0 no clássico com o Vélez em pleno estádio rival do Fortín de Liniers. Além de campeão, El Gitano, um raro reforço de um time montado quase todo nas inferiores de Caballito (vinha do Platense), foi também o artilheiro da competição. E só outro do Oeste também conseguiu a artilharia – Gustavo Reggi, em 1996. Menção honrosa a Esteban Gallego González, maior artilheiro do clube na Libertadores. O problema é que fez ainda mais sucesso no Vélez depois (entenda).

    Técnico: Fácil. Victorio Spinetto conduziu o bom ano de 1974 e é tido como o segundo técnico com mais transcedência em Caballito. Porque o primeiro foi inegavelmente Carlos Griguol, homem mais à esquerda na primeira imagem: treinador das duas taças de 1982 e 1984, estava lá de novo naquela boa campanha de 1992. Três campanhas caracterizadas por sua valorização dos jogadores da base e pelo futebol mais ou menos como o dos times de Muricy Ramalho (marcação forte, gols de bola parada…) que chegou a ser criticado pela chatice mas que era eficiente para o porte do time. “Dizem que somos um time chatíssimo/que especulamos, que jogamos para trás/me chupa um testículo, todo o jornalismo/a Caballito cada vez eu quero mais” era o grito da torcida.

    A resposta aos críticos veio na hora mais propícia: 3-0 no River dentro do Monumental pela final de 1984. Griguol ficou de 1980 a 1994, com um breve intervalo em 1987 no próprio River, que escolhera-o para suceder o histórico Héctor Veira (treinador das primeiras Libertadores e Intercontinental vencidas pelos Millonarios, em 1986). Também fez sucesso em outro clube historicamente fraco, o Gimnasia LP, bivice em 1995-96 sob Griguol à beira do campo e o veterano Beto Márcico lá dentro com os gêmeos Barros Schelotto. Além disso, Spinetto tem uma história ainda maior, desde os tempos de jogador, justamente no rival Vélez, conforme mostramos aqui.

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  • Pekerman na albiceleste: a especulação do momento

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    Enquanto não se define a situação de Alejandro Sabella com a AFA, rumores não param de aparecer. Muitos nomes já foram ventilados como possíveis “plano B” de Julio Grondona. Na ausência de informações da entidade máxima do futebol argentino, nomes aparecem e somem da lista de possíveis candidatos. O mais mais recente a aparecer na lista é José Pekerman.

    Mas a AFA nega todos os rumores e garante não haver plano B. O certo é que o trabalho de Alejandro Sabella foi bem avaliado pela entidade, que investe tudo em sua continuidade. Alguns jornalistas argentinos asseguram que houve uma reunião no último fim de semana entre o treinador e Julio Grondona. Sabella teria dito que não pretende continuar. Está cansado da pressão de treinar a seleção, e sabe que após o vice no Brasil, teria de ser campeão na Russia. O presidente da AFA teria pedido para o treinador continuar, e Sabella ficou de pensar, segundo esses mesmos jornalistas.

    O primeiro nome citado como “plano B” foi Gerardo Martino. Um cartola da federação paraguaia afirmou que Tata estaria já fechado com a AFA. Muitos deram como certo que o ex treinador do Barcelona seria convidado, caso Sabella declinasse do convite para seguir. Mas lentamente seu nome começou a sair do centro das especulações. Em seguida veio o nome de Ramón Díaz, em grande medida pela intensa movimentação de seu agente, que percorreu muitos meios de comunicação para informar que o Pelado aceitaria um convite da AFA.

    Diego Simeone, um dos melhores treinadores da última temporada, chegou a ser mencionado, mas logo ficou claro que o Cholo não deixaria o Atletico. Assim, o nome de Miguel Angel Russo passou a ser o mais citado entre os possíveis substitutos de Sabella. Seu nome agrada a Julio Grondona, e principalmente a Carlos Bilardo, coordenador de seleções da AFA. Russo foi jogador de Bilardo no Estudiantes na conquista do Metropolitano de 1982. Mais que isso, o técnico do Rosário Central é discípulo declarado do Narigón. Todos esses elementos são comuns a Sabella, que também jogava naquela equipe e é um membro destacado da escola bilardista de técnicos.

    O novo nome especulado é José Perkerman. O treinador da seleção colombiana treinou a seleção argentina entre 2004 e 2006, saindo eliminado de forma invicta do mundial da Alemanha. Fez ótimo trabalho com os cafeteros, levando a Colômbia pela primeira vez às quartas de final de um mundial. Sua situação com a federação colombiana é a mesma de Sabella com a AFA: sua continuidade é desejada pelos cartolas, mas ainda não houve definição do treinador. Por isso surgiram especulações sobre uma eventual negociação entre Grondona e Pekerman, mas a própria filha do treinador desmentiu veementemente a informação no twitter.

    No entanto, é importante separar informação de especulação. O que há de seguro é: a AFA quer a continuidade de Sabella, e investe todas as suas fichas nisso. O treinador não pretende continuar, por estar cansado da pressão associada à função. O mais provável é que não fique, mas não há definições. Todo o resto é especulação, algumas fundadas em elementos sólidos, e outras parecem apenas balões de ensaio ou exercícios de advinhação.

  • Bianchi: “levamos gol de um atacante mais gordo que eu”

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    O “mundo Boca” é um ambiente difícil. Mesmo quando os resultados aparecem, as fofocas seguem muito vivas (o exemplo clássico é a rivalidade Palermo-Riquelme, que rendia pautas diárias à imprensa argentina mesmo nos melhores momentos do clube). Quando a maré é negativa, as coisas se exacerbam. O futebol medíocre apresentado no sábado à noite, quando o Boca foi eliminado pelo Huracán da Copa Argentina, fez a temperatura xeneize subir.

    Segundo o diário Olé, Carlos Bianchi teria dado uma bronca muito severa nos defensores centrais no vestiário, logo após o jogo. Díaz e Forlín teriam ouvido do técnico: “tomamos um gol de um atacante mais gordo que eu”. Uma referência ao primeiro gol sofrido, de autoria de Ábila, atacante de 1,84m e 90 kg. A irritação do treinador já havia ficado claro na coletiva pós-jogo, quando falou de “erros de principiante” de sua defesa, uma crítica em tom mais alto que o comum.

    Em entrevista à TyC Sports, Ramón “Wanchope” Ábila não pareceu incomodado com a situação: “ri do que ele falou. Ser magro não garante nada. Niell é baixinho e faz muitos gols de cabeça. Na verdade, estou no meu peso ideal, no último campeonato eu estava mais pesado”. Sobre o gol, o atacante disse: “eles bobearam, eu estava atento, e pude fazer o gol. Depois cada um que diga o que quiser”.

  • River e Racing se classificam na Copa Argentina: veja o desenho das oitavas de final

    Jogadores do River Plate celebram a classificação contra o Ferro na disputa de pênaltis
    Jogadores do River Plate celebram a classificação contra o Ferro na disputa de pênaltis

    Tivemos um fim de semana de muitas definições na Copa Argentina. Se ontem o Boca caiu frente ao Huracán, hoje foi o dia de dois grandes se classificarem: River Plate e Racing. As partidas de sábado e domingo praticamente desenharam o que será a fase de oitavas de final da competição. 13 dos 16 participantes já estão definidos.

    Com um time alternativo, repleto de reservas e juvenis no meio campo e ataque, o River Plate sofreu para conseguir se classificar frente ao Ferrocarril Oeste. Era a estréia oficial sob o comando técnico de Marcelo “Muñeco” Gallardo, e a equipe milionária teve dificuldades. Teve a iniciativa, mas sofreu contra ataques perigosos dos verdolagas. No fim, o placar não se mexeu, e a classificação para as oitavas de final teve de ser definida nos pênaltis. Após um 3 a 3 na primeira série, a disputa foi para as cobranças alternadas, até que na oitava cobrança Alderete mandou para fora e Maidana marcou. O River segue vivo na Copa Argentina.

    Quem também se classificou foi o Racing. Com Diego Cocca no banco e Diego Milito em campo, a Academia não passou por grandes sufocos para eliminar o San Martin de San Juán. A equipe foi superior ao rival nos 90 minutos, criou várias oportunidades, e terminou vencendo pela contagem mínima, graças a um gol de Acuña. Mas a superioridade da equipe de Avellaneda foi clara, a ponto de transformar Ardente, o arqueiro rival, em figura central da partida.

    Na outra partida do dia, o Colón venceu o Lanús por 1 a 0 e também avançou para as oitavas, que estão praticamente definidas. Faltam apenas três partidas para definir os 16 postulantes ao título do torneio: Tigre x All Boys, Belgrano x Independiente (ambos nesta segunda feira) e Quilmes x Banfield (5 de agosto).

    Com os resultados do final de semana, estes são os confrontos das oitavas de final: River Plate x Colón, San Lorenzo x Defensa y Justicia, Rosario Central x Tigre ou All Boys, Talleres x Rafaela, Racing x Argentinos Jrs., Estudiantes x Independiente ou Belgrano, Estudiantes de Caseros x Instituto e Huracán x Quilmes ou Banfield.

  • Independiente na Libertadores de 1984, sobre o Grêmio

    Independiente na Libertadores de 1984, sobre o Grêmio

    O Independiente na Libertadores de 1984 teve o gol do título marcado por Burruchaga, e desde então o clube não voltou ao topo do continente.

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    Burruchaga marcando o gol do título

    Em trinta anos o mundo mudou muito e o Independiente, cujo maior jejum na Libertadores era os nove anos que enfrentava na época, é uma prova disso também. Não inspira mais o prestígio de outrora nos adversários nem mesmo na Argentina. Apesar da decadência, há três décadas os diablos religiosamente seguem como maiores campeões da principal competição interclubes do continente. Razão para que num misto de mística e nostalgia a antiga Doble Visera, campo do clube, passasse a ser o Estádio Libertadores da América. A sétima e última roja foi sobre um brasileiro, o Grêmio, então detentor do caneco. E o gol do título foi quase uma prévia do título hermano na Copa 1986.

    Naquela época, a Libertadores era duríssima já na fase de grupos. Para começar, só o líder avançava. E não havia esta estória de cabeças-de-chave, fórmula que evita times teoricamente mais fortes de se estropiarem precocemente: os dois representantes de cada país eram unidos no mesmo grupo. Isso simplificava a logística mas às vezes originava chaves pesadas. Em 1984, o Independiente encarou inicialmente seu grande concorrente na época, o Estudiantes, que o deixara de vice em dois torneios argentinos seguidos: o Metropolitano de 1982 e o Nacional de 1983, conforme falamos aqui.

    Aquela foi a única boa fase da equipe alvirrubra entre os tempos de tri na Libertadores entre 1968-70 e o renascimento pós-2006 sob Juan Sebastián Verón. Tanto que o técnico que devolvera os pinchas às glórias, Carlos Bilardo, passou a treinar a seleção em 1983. Aquele Estudiantes de 1982-83 jogava um bom futebol e sabia ser aguerrido, como na épica “batalha de La Plata” com o Grêmio na Libertadores anterior: com quatro expulsos, os platenses perdiam em casa de 3-1 para os brasileiros mas conseguiram empatar. O maestro era Alejandro Sabella, então um meia-armador que nem imaginava que seria técnico da Argentina vice na Copa de 2014.

    Além dos pincharratas, a fase inicial teve uma dupla paraguaia. Se o Sportivo Luqueño destoava, o outro era o Olimpia, que vinha descobrindo o que é ser um time copeiro: havia derrotado o Boca na final de 1979, encerrando um ciclo de dois títulos seguidos dos auriazuis e se tornando o primeiro clube do Paraguai a ser campeão continental. E os alvinegros foram quem mais complicaram para a festeira torcida roja, em êxtase especial desde o fim do ano anterior, em que sagrara-se campeã vencendo o arquirrival Racing, que ainda por cima caíra para a segundona: veja aqui.

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    Outro lance das finais: o elegante Marangoni, que poderia ter ido à Copa 1986

    O Independiente jogou fora de casa as três primeiras partidas. Mas ainda assim começou bem, arrancando um 1-1 com o Estudiantes (gol de Alejandro Barberón), 1-0 sobre o Luqueño (gol de Jorge Burruchaga) para perder de 1-0 do Olimpia. Sobre aquele elenco rojo de 1983-84, embora tenha vencido “só” uma Libertadores,  já se disse que jogava melhor até que o conjunto tetra seguido de 1972-75. Pensamento que só não é total heresia pois é compartilhado pelo mítico Ricardo Bochini, único que atuou nos dois elencos. É o maior ídolo da rica galeria do clube de Avellaneda, um craque idolatrado até por Maradona, que por causa dele se dizia torcedor do Independiente.

    Já dedicamos no início do ano um especial a Bochini, campeão mundial em 1986 exatamente na reserva de Maradona: clique aqui. Na época, El Bocha era rodeado no meio-campo por outros três grandes jogadores: atrás, Claudio Marangoni e Ricardo Giusti e, ao lado, Jorge Burruchaga. Do quadrado mágico, só Marangoni não foi à Copa de 1986, apesar da técnica mais apurada que as de Sergio Batista (Argentinos Jrs) ou Julio Olarticoechea (Boca). Com gol do Maranga e outro do volante reserva Sergio Merlini, venceu-se por 2-0 o Luqueño em Avellaneda no quarto jogo do campeão.

    Independiente e Olimpia estavam com cinco pontos. Eles teriam a seguir duelos caseiros. Os alvinegros fizeram 2-1 fora de casa no Luqueño. Já o Rojo deu uma semana depois um baile no Estudiantes: 4-1 de virada, com um de Barberón, um de Burruchaga e dois do maestro Bochini. Foi o único jogo vencido por mais de um gol de diferença naquele grupo e seria fundamental adiante. Os de Avellaneda encerraram sua primeira fase recebendo o Olimpia, que ainda teria mais um jogo a fazer, contra o Estudiantes em La Plata. Marangoni abriu o placar e tranquilizou os colegas, mas até demais: os paraguaios viraram. Burruchaga empatou aos 29 do segundo tempo.

    A tática já havia dado lugar ao desespero insistente, premiado com Sergio Buffarini virando no antepenúltimo minuto, cabeceando cruzamento de um Barberón lançado por Bochini. A vitória no fim também faria a diferença, pois o Olimpia conseguiria derrotar o Estudiantes e chegar aos mesmos 9 pontos do Independiente. Mas foi só por 1-0 (curiosamente, com gol do goleiro Éver Almeida, de pênalti). Aí aquele 4-1 se fez determinante, proporcionando aos rojos três gols a mais no saldo e a vaga na semifinal. As semifinais na época não eram mata-matas e sim uma nova fase de grupos, desta vez triangulares. O Independiente voltou a ter de encarar fora de casa os dois primeiros jogos. E novamente soube como fazer, levando à Argentina um 1-1 com o forte Nacional uruguaio (gol de Barberón) e um 0-0 com a Universidad Católica.

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    Na 1ª fase, o Estudiantes (ao fundo, Sabella, técnico da Argentina na última Copa) parecia dar trabalho, mas isso ficou a cargo do Olimpia. À direita, Bufarini celebra seu gol nos 3-2 sobre os paraguaios

    A fórmula empates-fora-e-vitórias-dentro foi bem aplicada, com um 2-1 nos chilenos (gols de Bufarini e Burruchaga e direito a pontapé inicial ser dado pelo primeiro presidente civil da república pós-ditadura, Raúl Alfonsín, torcedor do clube) e 1-0 nos uruguaios, solitário gol de Burruchaga. Os dois adversários deveriam enfrentar-se depois, mas a partida nem foi realizada pela falta de necessidade: os resultados não lhes permitiam mais chances matemáticas de irem à final.

    Pela frente, o Grêmio. Como campeão anterior, o Tricolor pôde entrar já na fase semifinal, um mimo que soube justificar: logo de cara, sapecou um 5-1 no Flamengo e, fora de casa, arrancou um 2-0 no outro concorrente, os surpreendentes venezuelanos da Universidad Los Andes. Os cariocas venceram os gaúchos por 3-1, mas a seguir o Grêmio aplicou outra goleada no sul: 6-1 na Universidad. Só não se classificou porque o Flamengo chegou aos mesmos 6 pontos.

    O jogo-extra nesse caso, que já não havia na primeira fase, continuava existindo na segunda. A neutra São Paulo recebeu a dupla brasileira, com os gremistas tendo vantagem do empate pelo enorme saldo. Mais longe de casa que os rubronegros, os tricolores cozinharam friamente o 0-0 ao fim de 120 minutos, pois houve prorrogação. Tudo observado em pessoa no Pacaembu pelo técnico rojo, José Omar Pastoriza, ele mesmo um campeão da Libertadores como jogador (em 1972) e que posteriormente até treinaria o próprio Grêmio. Cinco dias depois, teriam os gaúchos a oportunidade de, quem sabe, encher novamente de gols um adversário no Olímpico?

    Não foi o que aconteceu. Enquanto o resto do mundo via as Olimpíadas de Los Angeles, gaúchos e gauchos praticavam jogo em que “foi tal o domínio que os jogadores do Grêmio terminaram totalmente desmoralizados, impotentes ante o toque desconcertante, ante esse açoite de vai-não-vai, freios e passes ao centímetro em que ninguém falava. (…) Poderia e deveria ser goleada. Terminou em baile. Com o povo do Grêmio paralisado, submetido à humilhação de não encontrar a bola que saíam a buscar” foram as palavras da revista El Gráfico sobre o confronto em Porto Alegre. “Todo o estádio aplaudiu de pé”, recordou Bochini sobre o triunfo argentino. “Se apagares este, somos campeões”, teria ordenado Pastoriza ao lateral Carlos Enrique sobre Renato Gaúcho. “Me haviam passado alguns dados, que era meio afeminado e que lhe chamasse de Pimentel ou algo assim”, disse Enrique.

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    O craque Bochini, a boa dupla de zaga Villaverde e Trossero e o homem que anulou Renato Gaúcho: Carlos Enrique

    Para não parecermos parciais, eis o relato da revista brasileira Placar: “o Independiente vence pela sétima vez, jogando duro e bonito. (…) É um time todo ajustado para mesclar jogadores de grande efeito com entradas duras nos adversários, os jogadores atiram-se obstinadamente nos lances mais comuns, como se fossem decisivos. Um time que começa muito bem com o goleiro uruguaio Carlos Goyen, de excelentes reflexos, responsável, tanto no Estádio Olímpico de Porto Alegre, quanto em Avellaneda, pelo zero do Grêmio no marcador. A linha de zagueiros é caracteristicamente argentina. Clausen e Enrique são dois laterais rápidos, marcadores implacáveis, que raramente saem ao apoio mas que ‘matam’ as jogadas pelas pontas – Renato e Tarciso que o digam”.

    “O miolo de área fica com o gigante ruivo Trossero e o atlético Villaverde, ambos de grande impulsão, imbatíveis pelo alto. O meio-campo, coordenado por Bochini, tem no louro Marangoni um guarda fiel da cabeça da área e municiador insistente do ataque, mais Ricardo Giusti que frequentemente se transforma em ponta-dirieta. Burruchaga, Bufarini e Barberón são os homens de frente. Burruchaga é falso ponta-direita, cujos chutes fortes deram a maioria das vitórias do time na Libertadores, inclusive a de 1-0, contra o Grêmio, em Porto Alegre. (…) Bufarini, só um brigador, abre espaços para Bochini e Giusti. E Barberón, arisco, fecha com bastante frequência para o meio, buscando sempre o chute a gol”.

    No Olímpico, 75 mil viram o 1-0 aos visitantes no único gol das finais. Em 27 de julho de 1984, Avellaneda viu um morno 0-0, três dias após Burruchaga ser lançado em velocidade pela ponta-direita por Bochini aos 24 do primeiro tempo e, perseguido por Hugo de León, tocar na saída de João Marcos. Dois anos depois, a jogada se repetiria, mas com Maradona no lugar de Bochini, Hans-Peter Briegel no de De León e Harald Schumacher no de João, no lance que definiu os 3-2 da Argentina sobre a Alemanha Ocidental na final da Copa do Mundo apenas três minutos depois dos germânicos empatarem jogo que perdiam por 2-0. Trinta anos depois do orwelliano 1984, o mundo mudou muito mesmo…

    FICHA DO SEGUNDO JOGO – Independiente: Carlos Goyen, Néstor Clausen (Rodolfo Zimmerman), Hugo Villaverde, Enzo Trossero e Carlos Enrique, Ricardo Giusti, Claudio Marangoni, Ricardo Bochini e Jorge Burruchaga, Sergio Bufarini e Alejandro Barberón. T: José Omar Pastoriza. Grêmio: João Marcos, Paulo César, Baidek, Hugo de León e Casemiro, China, Osvaldo e Luís Carlos, Renato Gaúcho, Guilherme e Tarciso. T: Carlos Froner. Árbitro: Mario Lira (CHI).

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    Gol de Burruchaga sobre o Grêmio por outro ângulo e seu gol na final de 1986: semelhanças?
  • Copa Argentina marca estreia de Gallardo na Terra Arrasada chamada River Plate

    gallardo

    Até agora poucos entendem bem por que cargas d´águas Ramón Díaz se mandou de Bajo Belgrano. Fato é que após a saída do “Pelado” foram buscar Marcelo Gallardo, que estava sem clube, após sua saída em 2012 do Bolso. Oportuno para o “Muñeco” que possa ter sua quarta passagem pelo River e sua primeira como técnico de futebol. E desde então a confiança em seu sucesso no comando da equipe tem sido enorme, embora sua incipiente carreira como técnico deponha pouco acerca de tamanhas expectativas. Eis que chega o dia da estreia do Millo na Copa Argentina. Será também o debute do novo treinador. E ele já tem pepinos para descascar.

    Desde que Ramón Díaz deixou o River que o clube se concentrou em buscar um técnico novamente identificado com as cores e a história do Millo. Marcelo Gallardo mandava no banco do Bolso e tinha prestígio, pois chegara no clube em 2010 e atuara como jogador até meados de 2011, quando então se transformou no comandante do banco. Esta foi a sua primeira e única passagem como técnico de futebol. Em 2012, deixou o Nacional e vivia sem clube. Contudo, bastou que os dirigentes do seu clube do coração cogitasse seu nome para que o “Muñeco” fizesse o possível para voltar. E voltou. Só que a situação é bem diferente daquela do ano de 1993, quando o pibe das canteiras estreava na formação titular do River Plate. Na ocasião, ele tinha os olhares de Almeyda, Berti, Astrada, Villareal, Medina Bello e Crespo. No banco, a mão protetora de Daniel Passarella.

    Em sua quarta passagem pelo clube Gallardo não será apenas o técnico, mas também o pára-raios protetor de cartolas confusos e pouco atentos à necessidade de inserção do gigante de Núñez na nova realidade do futebol argentino. Assim como o Boca Juniors, o River parece não entender que clubes medianos aos poucos faturam a maioria das competições do futebol local. Fosse só isso e tudo bem.

    Problema maior é que quando se fala em representar a Argentina em termos continentais as novas gerações se lembram do Lanús, Vélez, Arsenal de Sarandí e outros. Até mesmo o quase morto San Lorenzo retira o foco do River ao se aproximar de sua primeira conquista da Libertadores. E se esta situação é inquestionável, o que poucos sabem é que ela também se reflete no plano interno. O River é uma bagunça. E ao chegar ao clube, Gallardo retira aos dirigentes parte da responsabilidade por isso.

    Um dos exemplos passa pelo retorno de Teo “el pistolero” Gutiérrez, que praticamente humilha o River ao obrigar seus dirigentes a fretarem um avião e buscá-lo na Colômbia como condição para retornar ao clube, após a Copa do Mundo. Além disso, Trezeguet, que não serviu nem para o banco do Newell´s, voltou, brigou com alguns e praticamente está de saída do clube. Cavenaghi tem uma lesão que o afasta dos gramados sem que a comissão médica consiga dar um parecer sobre o seu tempo de recuperação. O prazo pode ser de um a oito meses; só que ninguém sabe ao certo. Pior que isso: o “Torito” já insinua que o seu problema só aconteceu por ter feito esforços sobrenaturais pelo clube na temporada passada.

    Leo Pisculichio volta após 14 anos e tudo indica que não foi a pedido de Gallardo. Assim como o ex-atacante do “Bicho”, Pablo Aimar, descartado até por um irrelevante clube da Malásia, e com um fim de carreira marcado por lesões e falta de continuidade na cancha, é mais um que configura aquela prática de todos os cartolas míopes e decantes: se apegar aos craques do passado, independente de suas situações no presente.

    Além disso, o clube se envolve em contratações que não se efetivam porque, ao contrário de outros tempos, alguns atletas optam por equipes menores no país em detrimento do grande gigante de Núñez, casos de Nacho Scocco e agora de Lucas Pratto. Certo que este último ainda não fechou as portas para o Millo, porém a forma como a negociação se encaminha já mostra duas coisas: a primeira de que o clube mais uma vez arrasta e implode seu prestígio para ter alguns reforços; a segunda, de que até mesmo jogadores medianos ou fracos, em relação a quem colava no corpo a gloriosa camisa millonaria, no passado, se vê no direito de utilizar o River ou para fechar um contrato em condições anormais ou para pressionar outras equipes a contratá-lo. Ao mais genuíno hincha millonario vale a pergunta: “quem és tu, Lucas Pratto para negar o River dessa forma?”

    O próprio Aimar insinua que está fechado com as fieis intenções de levar o River ao sucesso na Libertadores. Só que ele fala isso somente agora, após os cartolas do Bicho fecharem a porta para ele em La Paternal. E estamos falando do mesmo Aimar que em anos anteriores disse NÃO ao Millo porque ainda acreditava que poderia ganhar mais alguns dólares na Europa, nos EUA ou até mesmo em praças de futebol desprestigiadas da Ásia, como a longínqua e horrorosa Malásia. Fácil ter amor pelo Millo quando não se tem mais futebol para lhe oferecer. Fácil que dirigentes caíam nessa balela, pois eles adoram que nomes de peso mascarem suas péssimas administrações e assumam a bronca pelo péssimo momento da equipe.

    E se não bastasse tudo isso e Muñeco Gallardo ainda tem problemas reais. Quem joga mesmo na equipe é Gabi Mercado. Só que o lateral não deve jogar tão cedo, pois se lesionou no músculo da perna esquerda e está fora por no mínimo três semanas. O técnico foi buscar o jovem Solari na base entrar no lugar de Mercado. Carlos Carbonero faz “mimimi” e não deve ir a campo, pois sua cabeça está voltada para a suposta chegada ao Palmeiras. Já Álvarez Balanta não apresenta a menor condição física, por ter participado do Mundial. Além disso, não parece ter a menor cabeça em Núñez, após uma proposta da Inter de Milão.

    Neste cenário, Gallardo deve levar a campo uma formação 4-3-1-2, com Lanzini enganchando e gente séria como Maidana, Ponzio e Sánchez na equipe. Em termos de nomes, eis a formação: Marcelo Barovero; Augusto Solari, Jonatan Maidana, Ramiro Funes Mori, Leonel Vangioni; Carlos Sánchez, Leonardo Ponzio, Ariel Rojas; Manuel Lanzini; Rodrigo Mora e Leonardo Pisculichi. O cenário não poderia ser pior para o Muñeco. Ele vai precisar de sorte e terá de mostrar uma competência sobre-humana para se safar do precipício que se anuncia para ele em seu retorno a Bajo Belgrano e ao seu amado clube do coração.

  • Huracán elimina Boca Juniors da Copa Argentina

    Torcida do Boca estava em campo. Nas o time, não.  E o Globo se aproveitou
    Torcida do Boca estava em campo. Nas o time, não. E o Globo se aproveitou

    Cotejo foi no estádio Bicentenário de San Juan. Só que mais parecia a famosa “Caixa de Bombom”, já que todo mundo se vestia com as cores xeneizes, exceto uns gatos pingados, que partiram de Parque Patrício à distante e fria província de San Juan. E dentro de campo foi aquela história prevista: um time sério diante de um bando de garotos mal orientados e perdidos em campo. E a bolinha dos meninos foi pequena demais; minúscula na primeira etapa, quase invisível, na segunda. E se esta era a história do jogo, ela era contada também pelos bravos guerreiros do Globo. Em campo, se desdobraram na marcação, na correria para construir o contragolpe, na braveza de Echeverría, na técnica de Martínez, no meio, e do oportunismo de “Wachope” Ábila, no ataque. Resultado foi 2×0 Huracán e vaga merecida nas oitavas de final da Copa Argentina.

    Desde os minutos iniciais o que se viu foi muita gente na cancha. Muita animação e muitos cânticos para acalentar a moçada. Só que dentro de campo foi aquele corre-corre sem graça, improdutivo: besta. Uma bobagem de jogo. Mas tudo isso do ponto de vista do Boca. Para o Globito não poderia haver jogo melhor. Proposta era mesmo a de vencer o duelo por pontos; primeiro desgastando o rival; depois, se valendo dos espaços ofertados por ele e apostar na correria produtiva para guardar ao menos uma pelota no arco. De forma que o Boca não conseguiu superar a forte marcação pelo centro do campo. E mesmo quando Carizzo e Castellani se soltavam e levavam perigo pelos lados dificilmente a pelota chegava na cabeça do sonolento Gigliotti.

    Quando se defendia, o Globo fazia duas linhas bem recuadas para marcar e contava com o auxílio de Martínez e Toranzo para puxar o contragolpe. Ramón Ábila ficava isolado na frente, esperando pela bola do jogo. Taticamente o Huracán se dispunha melhor pela cancha, mas tampouco isto foi suficiente para movimentar o placar no primeiro tempo.

    Na segunda etapa, a pressão xeneize deu o tom do que seria a peleja em San Juan. Muita correria e a redonda jogada de um lado e de outro e sempre com um cruzamento final para a área, como se não houvesse nenhuma outra forma de se praticar futebol. Visível que para certos técnicos pré-temporada não significa absolutamente nada. Isto é péssimo para o futebol. Contudo, felizmente existe o contrário: técnicos que estudam, modernizam-se e desenham o esquema de seus times a partir das características de seus rivais. Foi assim com Frank Kudelka, que chamou vários jogadores no particular para mostrar como o Boca jogaria. E foi para campo treinar a moçada para atuar nos erros do rival. Em campo não deu outra na primeira etapa. Mas no segundo tempo teve mais.

    Teve o gol de Ábila, logo aos 11 minutos, após um erro no meio-campo e uma enfiada de bola precisa de Martínez para “Wachope” guardar. Na fala do técnico, enquanto treinava os garotos, ele destacava que seria no segundo tempo que o Globito ganharia a partida. Alertava que o cansaço xeneize otimizaria seus erros na condução da pelota e que o desespero em sequer levar perigo ao arco de Díaz seria o seu pesadelo na segunda etapa. Isto, associado à má preparação física do rival, daria ao Huracán, no segundo tempo, todos os espaços que ele não teria nos primeiros 45 minutos de jogo. E foi bem assim que a história aconteceu.

    O problema físico ficou visível na queda de produção de Castellani e Carrizo. E isto junto com a perda de lugar em campo de Callieri, que batia cabeça com Forlin, Erbes e até Hernán Grana. O ex-lateral do All Boys não marcava ninguém, não cobria no meio e praticamente virava atacante para poluir um espaço tomado por um bando de xeneizes batendo cabeça e por um exército quemero comandado de forma brilhante por Santiago Exheverría. Não era a noite do Boca. E para resolver todo o problema bastava chamar o craque no banco. Bianchi mandou a campo “Burrito” Martínez para ser encaixotado por Carlos Arano e Vismara.

    E aos poucos o nervosismo apareceu como sinônimo da perda de rumo dos meninos de Bianchi. E se estavam perdidos era por não ter ninguém para comandá-los. Castellani tem bola para ser titular do Boca Juniors, assim como Grana, Forlín, Isúa e Callieri. Mas correm o risco de serem queimados se a responsa cair todas nas suas costas. Burrito Martínez e Gago tampouco tem jogado bola e faz e tempo. Mas quando a equipe passa apuros, e o seu treinador faz alterações a partir do nome de quem está no banco e não a partir da necessidade de alterações táticas consistentes, é porque esse treinador já abandonou seus homens em campo. E se esses homens são garotos, na sua maioria, eles serão queimados pois não podem suportar uma responsabilidade incompatível com sua natureza. Eis o Boca no jogo de hoje; eis o cenário comandado por Carlos Bianchi no banco de reservas do clube da Ribera.

    Mas estamos falando de um problema do Boca, não do Huracán. Ao Globo bastava seguir na sua proposta de desgastar o adversário e praticar seu jogo a partir dos erros do seu confuso rival. E esses erros eram cada vez maiores. Pelota era conduzida e jogada na área. Às vezes até que assustava um tantinho, mas o fato é que os comandados de Kudelka se faziam senhores da partida e justificavam o placar. Tanto foi assim que logo aos 21 minutos Fede Mancinelli guardou o segundo gol no arco de Orión. Pelota parada quase no meio-campo e Toranzo a levantou para o cabeceio livre do ex-zagueiro do Olimpo de Bahía Blanca: 2×0 Huracán e números finais à partida.

    Depois disso, melhor mesmo era se o jogo tivesse acabado. Isto porque o que se via era um retrato de time que nada tinha das tradições futebolíticas da gloriosa esquadra da Ribera. Jogo sem variação; o mesmo 4-4-2 de sempre: cansativo, previsível e estudado aos extremos pelos técnicos dos times adversários.

    A cada segundo, ficava claro que o resultado era justo não tanto pelo futebol praticado pelo Huracán, mas pela ausência do futebol dos xeneizes que o Huracán, no seu planejamento, sabia que o seu rival não jogaria. Coisa feia; cenário de horrores: verdadeiro pesadelo para quem aprendeu a torcer pelo Boca por amar o seu futebol de qualidade, mágico e de ampla capacidade de surpreender. Este futebol não apareceu hoje no Bicentenário de San Juan. E por isso o Globo mereceu a classificação. Segue na Copa Argentina e espera por Banfield ou Quilmes, nas oitavas de final do torneio.

  • Fim de semana de Copa Argentina. E de possíveis surpresas

    boca

    Copa Argentina reserva bons jogos para o fim de semana em vários rincões do país. Rosário Central, Lanús e Boca entram em campo, no sábado; no domingo, River e Racing completam a festa. Contudo, surpresas podem aparecer; principalmente nos confrontos do Central, Boca e River. Problema é que enquanto alguns clubes se perdiam em debates internos irrelevantes, seus rivais trabalhavam sério, assim como demonstrou o Estudiantes Caseros diante do Vélez.

    Em sua fase de 16 avos, a Copa Argentina se revela um torneio interessante na mesma medida que pode revelar algumas surpresas dos confrontos programados. Isto porque o torneio se tornou uma sensação neste período imediatamente pós-Copa do Mundo. Porém, enquanto o Mundial do Brasil acontecia, os participantes da fase de 16 avos se prepararam de forma bem diferente para os jogos. Clubes como Boca, River, Racing, Vélez se perderam em debates improdutivos sobre assuntos que iam da saída ou chegada de reforços a brigas, picuinhas e até pleitos eleitorais.

    San Lorenzo e Lanús direcionaram suas preocupações legítimas para as disputas continentais, enquanto no Independiente a cartolagem ainda não se dava e não se deu conta de que o Rojo já está na primeira divisão e que é necessário um planejamento mínimo para problemas que vão do pagamento de salários atrasados à baixa qualificação técnica do elenco; problema pelo qual De Felippe pediu demissão e Gabi Milito recusou o convite para comandar o baco de reservas do Rojo.

    Ao mesmo tempo, clubes menores trabalharam sério com vistas a importunar seus rivais da Copa Argentina. Foi assim com o Estudiantes de Caseros, que passou fácil pelo Vélez por 2×0. Foi da mesma forma com o Defensa y Justicia, que mesmo após abrir 3×0 contra o Godoy Cruz, e permitir o empate, eliminou o Tomba nos pênaltis e segue na competição. E embora sejam notáveis as estaturas de Boca e River, sobre seus rivais, algumas surpresas ainda podem ocorrer. Vejamos.

    Rosário Central x Juventud Unida de San Luís

    Legítimo que equipes da elite entrem no Torneio apenas em sua fase de 16 avos de final. Isto, porém, na teoria. Na prática, uma equipe modesta como o Juventud Unida já passou por cinco rivais até se deparar com um gigante como o Rosário Central. Então, enquanto o Canalla tenta entender o torneio, o seu pequeno rival já ganhou casca, manha e Know-how na competição.

    Normal que nessas condições uma equipe encontre e lapide uma forma de jogar. Das cinco partidas que disputou, “La Juve” venceu duas e empatou três por 0x0. Marcou cinco gols e levou apenas um. E apesar de ter eliminado o tradicional Unión Santa Fe, o seu mais duro confronto foi justamente o primeiro, quando ficou no zero contra o Sportivo Estudiantes, seu grande rival histórico de San Luís. Na ocasião, a vitória por 5×4 nos pênaltis redeu lágrimas, provocações e pontapés.

    A equipe de San Luís montou um elenco experiente, com média de idade de quase 28 anos. O mais experiente é o porteiro Tombolini, com 37 anos e a opção de “La Juve” para levar qualquer confronto para a disputa de pênaltis. O técnico Darío Tempesta joga com três atacantes diante de rivais pequenos, mas diante de rivais como o Rosário Central, costuma formar a equipe com um 3-5-2 no papel, mas na prática apenas com um atacante, já que Iván Agudiak atua como uma espécie meia de ligação para Giménez, isolado e brigando sozinho com a zaga rival.

    Só que a AFA atrapalhou bem os planos da pequena equipe de San Luís. Alguns de seus experientes jogadores deixaram a equipe. Outros, com as mesmas características foram contratados, mas a entidade maior do futebol argentino de maneira inexplicável não os liberou ainda para jogar. Considerando este problema, Tempesta vem treinando exaustivamente uma equipe com vários garotos da base. E são principalmente eles quem enfrentarão o conjunto de Rosário. O duelo será no domingo, às 17h15, na cancha do Instituto, em Córdoba.

    Boca Juniors x Huracán

    Após o término da B Nacional, o Globo tratou de empossar sua nova diretoria, presidida por Alejandro Nadur, novo homem-forte da gloriosa instituição de Parque Patrícios e dirigente comprometido em recolocar a equipe no seu devido lugar: a elite do futebol argentino. Nesse tempo, a preocupação foi também a de preparar o elenco de Frank Darío Kudelka para as disputas da B Nacional. Vale lembrar que o Huracán fez uma ótima campanha e por pouco não foi promovido na temporada anterior.

    Relevante dizer que 14 jogadores deixaram a equipe, já que em sua maioria tratava-se ou de jogadores improdutivos, como Matías Defederico, ou de outros que pediam muito para renovar, casos de Mauro Milano e Alejandro Quintana. Essas saídas permitiram uma renovação do elenco, com a promoção de jovens da base e a chegada de sete bons reforços, como Lucas Favalli, Fede Vismara e Santiago Echeverría.

    A pré-temporada foi realizada em Santa Fe, onde o Globo venceu um amistoso contra os reservas do Colón por 2×1 e outro contra o Atlanta por 1×0. A partir da chegada de alguns reforços, e após a vitória no primeiro amistoso, Kudelka finalmente canalizou todas as preocupações para o duelo contra o Boca Juniors, pela Copa Argentina. No papel, o Huracán vai com formação ofensiva para o confronto. O desenho expressa um 4-3-3, com Agustín Torassa, Ramón Ábila, Gonzalo Martínez no ataque. Mas, na prática, a proposta consiste numa marcação acirrada já a partir da saída de jogo do rival.

    Apostando que o conjunto de Bianchi deva perder a disputa na condição física, os homens de Kudelka devem explorar os espaços deixados pelo Boca, principalmente no segundo tempo. Enquanto os xeneizes sabem pouco sobre o rival de sábado, os quemeros estudaram atentamente os seus rivais da Ribera. O jogo será neste sábado, às 20h15, no Estádio Bicentenário de San Juan.

    Ferro Carril Oeste x River Plate

    O Ferro Carril perdeu 14 jogadores, após o fim da B Nacional. Dentre eles, alguns “insubstituíveis”, como Renso Rérez, Marcos Acuña, Alejandro Rébola e Pablo Vegetti. Apenas sete reforços chegaram a Caballito e afora o caso de Álvaro Klusener todos os demais não repõem a qualidade perdida com as baixas. O jeito foi promover alguns garotos da base, como os enganches Christian Curuchet e Nico Echegaray, o volante de contenção Lucas Ferrari e o meia-atacante Federico Segóvia, que tem de tudo para ser uma revelação do Verdolaga na próxima temporada da B Nacional.

    A equipe dirigida pela dupla de treinadores Luis Madero e Claudio Marini experimentou exaustivamente a formação que entrará em campo contra o River, no domingo. Trata-se de um 3-5-2 bem defensivo, que deverá ser repetido ao longo da próxima temporada. A equipe será formada por Damián Albil; Pablo Frontini, Javier “Satanás” Páez e Eduardo Tuzzio; Lucas Mancinelli, Israel Coll, Pablo Alderete, Guillermo Vernetti e Rodrigo Mazur; Gonzalo Bazán e Nico Caballero. Ou seja, uma formação que mescla veteranos, como Tuzzio, “Satanás” Páez, Frontini e Albil com jovens da base, como Mazur, Coll e Vernetti.

    No clube, a expectativa é grande em torno da partida de domingo. A julgar pela forma como o Ferro atuou nos amistosos, o Millo precisará de paciência para lidar com o ferrolho defensivo do rival. O conjunto de Caballito trabalhou muito para surpreender o River e não será novidade se eliminar da Copa Argentina a um dos mais altivos gigantes do futebol mundial.

    Mais duas partidas no domingo

    Na tarde de domingo, às 16h15, no estádio do Arsenal, em Sarandí, o Lanús tentará se recuperar da perda da Recopa para o Galo. O rival do Granate será o Colón de Santa Fe, clube que tem abusado de suas canteiras, sem um investimento apropriado para isso. Neste confronto dificilmente teremos alguma surpresa. O conjunto do Sul da Grande Buenos Aires deverá ficar com a vaga.

    Já em San Luís, às 18h30, o Racing será rival do San Martín de San Juan. A Academia levaria certo favoritismo diante do rival se não fosse o local da partida. San Luís faz fronteira com San Juan e favorece a tomada do estádio Juan Gilberto Funes pela apaixonada hinchada do Verdinegro. Além disso, a razoável preparação do San Martín ganha relevo frente à bagunça que reina no conjunto dirigido agora por Diego Cocca.

  • Palermo em Buenos Aires: o bairro com mais clubes de futebol

    Palermo em Buenos Aires: o bairro com mais clubes de futebol

    Palermo em Buenos Aires já concentrou mais clubes de futebol que qualquer outro bairro, numa época em que a cidade fervilhava de times.

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    Lavezzi há dez anos, em 2004, no Estudiantes de Buenos Aires. Pablo Mouche, hoje no Palmeiras, também foi formado no clube, hoje habituado à 3ª divisão mas poderoso há cem anos

    Palermo é o maior bairro de Buenos Aires, tão grande que nos guias de turismo é comum ser subdividido, como o Palermo Soho, Palermo Hollywood, Palermo Viejo… Em uma cidade caracterizada por cada bairro costumar ter seu próprio time ou mais, natural que Palermo tivesse vários. Lá o futebol nasceu no país, aliás. Até o River passou por lá rapidamente. Outro clube dali, o Club Atlético Palermo, completou na última segunda-feira o seu centenário e revelou Higuaín. Mas hoje o bairro não tem simplesmente nenhum representante no futebol adulto: seus clubes ou lhe deixaram (fino, tem terrenos dos mais caros da capital), ou se extinguiram, ou desativaram o departamento, caso do Atlético.

    O Buenos Aires Football Club, fundado em 1867, foi quem introduziu o futebol na Argentina: leia aqui. Seu campo ficava perto de onde hoje está o Planetário Galileo Galilei. Mas antes mesmo do primeiro campeonato argentino (o mais antigo do mundo fora do Reino Unido), em 1891, o clube, embora tenha participado, já se focava no rúgbi. Um incêndio nos anos 50 destruiu sua sede em Palermo e hoje ele, rebatizado Buenos Aires Cricket & Rugby Club, está na cidade de San Fernando. Em 1897 e em 1898, competiu na elite o Palermo Athletic Club, sem ligação com o Atlético. Se desafiliou já em 1898 da AFA (na verdade, de sua antecessora, a AAFL – Argentine Association Football League). Foi quinto em 1897 e sexto em 1898, em um certame que na época só tinha sete clubes.

    Também em 1898, fundou-se o Club Atlético Estudiantes, que revelou Lavezzi. Está em festa agora: eliminou ontem o favorito Vélez nos 16 avos da Copa Argentina, torneio em que foi semifinalista ano passado. Foi o primeiro Estudiantes do país. O mais famoso deles, fundado em 1906, pôs “sobrenome” no seu nome formal exatamente para se diferenciar, chamando-se oficialmente Club Estudiantes de La Plata. Na época, fazia sentido, até porque o Estudiantes BA era forte: tinha jogadores na seleção e aplicou em 1909 aquela que ainda é a maior goleada já vista no país, um 18-0 sobre o grande clube da década anterior, o Lomas, campeão naqueles torneios que contaram com o Palermo Athletic.

    Com 12 gols naquele jogo, Maximiliano Susán tem o recorde de maior artilheiro em uma partida na Argentina. Se tornaria um raro latino no grande clube da época, o Alumni (leia aqui). Ele e o irmão José Susán (quem sugeriu a criação da Copa América) jogaram na seleção, assim como Oscar Ivanissevich, que se inseriu na política argentina a ponto de ser embaixador nos EUA entre 1946-48. Esteve por trás de diversos atos para a legitimação popular do governo de Perón, sendo ministro da Educação de 1948-50 e, já no governo da viúva do general, Isabelita, de 1974-75. Ivanissevich foi co-autor da “Marcha Peronista” e também esteve por trás do ingresso de foragidos nazistas ao país.

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    O Estudiantes foi o primeiro clube argentino a vir ao Brasil. O jornal mostra fotos do recordista Susán. À direita, festa nos vestiários ontem pela classificação sobre o Vélez na Copa Argentina. O clube só caiu nas semis ano passado, contra o San Lorenzo

    O Estudiantes BA também foi um dos pioneiros em excursões por interior e exterior. Em 1907, jogou contra um combinado da recém-fundada liga cordobesa, jogo que o público pediu 30 minutos extras de tanta empolgação. No mesmo ano, foi o primeiro oponente de capital federal recebido em Rosário pelo Newell’s Old Boys, que perdeu por 3-2. Mas a mais importante veio em 1910, quando se tornou o primeiro clube argentino a vir para o Brasil. Jogou quatro vezes, marcou 23 gols e sofreu 3. Em 1915, o Estudiantes hospedou por um ano o River, então ainda um humilde clube do bairro sulista de La Boca e que só se mudaria de vez para a fina zona norte portenha em 1923.

    Se amizades entre clubes é algo comum hoje, vide associações entre diversas torcidas organizadas pelo Brasil, uma das primeiras iniciou-se em 1903, entre o Estudiantes e o Montevideo Wanderers, que acabou adotando o mesmo uniforme alvinegro do time argentino. Chegou a definir-se até que quem fosse sócio de um seria considerado da mesma forma no outro. Se enfrentaram no aniversário de 110 anos do Estudiantes, em 2008. O alvinegro argentino foi vice nacional em 1907 e em 1914 mas decaiu com o profissionalismo, instalado de vez em 1931. Quando o clube enfim se profissionalizou, teve que começar na segundona. Só conseguiu estar na elite de novo em 1978 e logo caiu.

    Ainda no amadorismo, o Estudiantes BA inaugurou sede social em outro bairro, Villa Devoto. Em 1963, ergueu seu estádio atual, na cidade de Caseros, na municipalidade de Tres de Febrero, vizinha a Villa Devoto. Daí que hoje o Estudiantes de Buenos Aires também é conhecido como Estudiantes de Caseros. A mudança originou o Clásico de Tres de Febrero, travado com o vizinho Almagro (que também tem uma amizade ilustre, com o Grêmio, pelo uniforme parecido: veja aqui). Os alvinegros gostam de lembrar de um 5-1 em 1996 que os promoveu à segundona. O mais célebre vira-casaca dessa rivalidade talvez tenha sido o pai de David Trezeguet, que também foi jogador.

    Curiosamente, o ano de 1914 também teve o Estudiantes de La Plata como vice argentino, pois cada xará disputava uma liga diferente; só a do alvinegro era reconhecida pela FIFA mas hoje ambas são consideradas pela AFA e historiadores. Essas duas ligas passaram a existir em 1912, por conta de outro clube de Palermo: o Club de Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires, mais conhecido pela sigla GEBA. Ele entendia incabível ter de cobrar ingressos dos seus sócios quando jogava em casa. Daí se desafiliou da então AAF (Asociación Argentina de Football, sucessora da AAFL) para fundar a FAF (Federación Argentina de Football) junto com outros ex-clubes da elite e da segundona da AAF.

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    Estádio do GEBA, que sediou o primeiro Brasil x Argentina e a primeira Copa América. Ao centro, o Porteño nos anos 20 e jogador atual de rúgbi do clube, hoje focado na bola oval

    Foi por esse fator que Independiente e Boca passaram à elite: o Rojo foi recrutado pela FAF a partir da segundona da AAF, que em 1913 reagiu e inchou sua elite, incluindo Boca e outros. As duas ligas se unificariam em 1915 e ambos foram mantidos na primeira divisão. Em 1912, o Independiente quase venceu a FAF, mas a taça ficou com outro time de Palermo, o Club Atlético Porteño, que foi campeão também em 1914. Carlos Izaguirre, autor do primeiro gol da história de um Brasil x Argentina, era do Porteño e fez também outro gol no mesmo jogo, um 3-0 que completará cem anos em setembro. Já dedicamos um especial ao clube aqui, e sobre sua tumultuada decisão com o Independiente aqui.

    O Porteño já vinha mal antes do profissionalismo (foi rebaixado em 1929) e logo desativou seu futebol com a nova era. O clube, que passou a focar-se no rúgbi, ainda existe, mas sediado na cidade de San Vicente, no limite sudoeste da Grande Buenos Aires. Porteño e GEBA tiveram outros vizinhos consigo naquela cisão de 1912, o Club Atlético Kimberley e a Sociedad Sportiva Argentina, que não foram tão proeminentes. A Sociedad desativou o futebol um ano depois e passou a se dedicar ao hipismo, popular no bairro – o Campo Argentino de Polo fica nas antigas instalações da Sociedad e é em Palermo que o turfe ocorre cada segunda no Hipódromo Argentino. O Porteño teve esse nome por um cavalo vencedor de lá, na atmosfera que rendeu também o mais famoso tango, “Por Una Cabeza”, de Carlos Gardel.

    O Kimberley, por sua vez, foi rebaixado já na reunificação das ligas, em 1915, e desapareceu. O Kimberley mais famoso do futebol argentino é o de Mar del Plata, célebre internacionalmente por ter sua camisa alviverde usada pela França na Copa de 1978, folclore que retratamos aqui.

    Voltando ao GEBA: ele foi fundado ainda em 1880, mas só passara a praticar futebol já no século XX. Ele também foi vice argentino, na sua liga, em 1913, exatamente para o Estudiantes de La Plata, campeão argentino ali pela primeira vez. Na época, uma prestigiada competição era a Copa Competencia, travada entre clubes rosarinos e da Grande Buenos Aires para definir moralmente um campeão nacional. O Porteño inclusive a venceu, em 1915, sobre o Racing, e 1918, sobre o River. O GEBA foi vice em 1910, exatamente para o Estudiantes BA, em uma curiosa final entre um Gimnasia e um Estudiantes que não são os arquirrivais de La Plata.

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    Evaristo e Zumelzú (em pé) no Sportivo: eles foram vices nas Olimpíadas 1928 e na Copa 1930. Sede do Atlético, cuja origem britânica é mostrada nas cores. Higuaín no infantil do clube e retornando para dar aulas nele

    Apesar da falta de troféus, o GEBA foi fundamental no futebol mundial: no seu estádio que ocorreu aquele primeiro Brasil x Argentina. Aquiles Molfino, atleta do clube, fez o outro gol daqueles 3-0 dos hermanos. O campo sediou também a primeira Copa América, em 1916. Um ano depois, em 1917, porém, o time foi rebaixado e o GEBA decidiu desativar seu futebol. Como o Buenos Aires FC e o Porteño, é outro cujo principal esporte bretão atual é o rúgbi; seu estádio foi por muitos anos a casa dos Pumas, a seleção argentina, cujo uniforme foi sugerido pelo clube. Ele segue no bairro de Palermo e continua uma das maiores tradicionais instituições poliesportivas do país. Falamos mais dele aqui.

    Enquanto todos esses clubes emergiam, o bairro ganhava novos. Em 1908, nascia o Club Sportivo Palermo. E em 21 de julho de 1914, o Atlético. As duas equipes que levam o bairro no nome chegaram a se fundir brevemente em 1933-34, após trajetórias díspares. Eles apareceram na elite juntos por sinal, ambos em 1920. O Atlético foi logo rebaixado, voltando em 1922 como campeão da segundona. Seu melhor desempenho foi um 5º lugar em 1926 na liga que tinha Boca e Huracán – uma nova cisão de ligas ocorrera em 1919 e seria resolvida em 1927. Apesar da 5ª colocação entre dezoito clubes, o Atlético foi removido da liga reunificada de 1927 enquanto o 18º de 1926, o Porteño, foi admitido.

    Já o Sportivo vinha melhor. Ele, que curiosamente chegou a jogar em Caseros também e a ter uma rivalidade com o Argentinos Jrs, foi vice em 1922 e naquela reunificação das ligas, em 1927, ficou em 8º em um certame com 34 clubes. Revelou Juan Evaristo e Adolfo Zumelzú, vices pela Argentina nas Olimpíadas de 1928 (que tiveram ainda Luis Wuihmüller, também do clube, e Ludovico Bidoglio, revelado nele) e na Copa de 1930. Mas, como outros clube do bairro, ficou de fora do profissionalismo e isso lhe condenou às divisões inferiores. Não voltou a ser o mesmo e enfim se desafiliou da AFA há trinta anos, em 1984, logo se extinguindo de vez – até hoje é o último a ter pedido a desafiliação.

    O Atlético, por sua vez, está ameaçado de extinção. Mas por hora segue no bairro e seu futebol remanesceu, mas só no infantil, onde surgiu La Pipita Higuaín. Já o departamento de basquete, por exemplo, revelou Ricardo González, capitão da seleção argentina que venceu a primeira Copa do Mundo, da bola laranja, em 1950 (falamos aqui). A última vez que o bairro foi ligado ao futebol de alto nível foi em publicidade da Gillette em 2010, com um gol entre as Torres Mirabilia, os dois edifícios mais altos da capital. Por razões óbvias, o garoto-propaganda foi Martín Palermo, que, como mostram vídeos de making off (ele realmente acertou, na quarta tentativa), teve que enfrentar ventania e seu sofrimento por vertigens…

  • A primeira vitória e as impressões iniciais de Gareca no Palmeiras

    Treino do Palmeiras.

    E Gareca venceu a primeira partida no comando do Palmeiras. Início complicado após enfrentar Santos e Cruzeiro, com clássico chegando neste final de semana, contra o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro. Difícil sequência, verdade, e vitória em boa hora contra o Avaí pela Copa do Brasil ontem, quarta-feira. Ao poupar Wendel, Tobio, William Matheus, Renato, Mendieta, Diogo e Lúcio, que sofreu fratura na face na derrota para o Cruzeiro, Gareca manteve o ideal de observar nomes da base, selecionando para o jogo Léo Cunha  Gabriel Dias, Eduardo Júnior e Érik.

    “Acredito nos jovens. Se eles não jogarem, não terão experiência. Eles têm de jogar” (Ricardo Gareca).

    Diante do Avaí, Mouche estreou como titular e não agradou. Apesar da intensa movimentação pela direita, a mobilidade e transição pelo centro deixaram a desejar. Normal para quem acaba de chegar. Apesar de um esquema bem definido, o Palmeiras ainda carece de um meia armador, que pense e dite o ritmo de algumas jogadas da equipe. Destaque na vitória com dois gols, Felipe Menezes não é este jogador, ou pelo menos não tem sido. A opção no meio pode ser Mendieta. Para a função, exercida antigamente por Valdívia, Gareca solicitou pedido por Maxi Moralez(ex-Vélez, atualmente no Atalanta-ITA). A possibilidade parece difícil, mas o nome é conhecido e agrada o treinador.

    A equipe gradativamente demonstra sinais de melhora, mesmo com suas claras limitações quanto ao repertório no elenco. Diante do Cruzeiro, pela última partida no Campeonato Brasileiro, fim de primeiro tempo e uma segunda etapa merecedores de atenção, pela marcação mais adiantada da equipe, lados fechados e rápidas roubadas de bola(34 contra 20 do Cruzeiro) para o controle do jogo(56% de posse).

    Palmeiras aplicado no 4-2-3-1 na vitória diante do Avaí, em Florianópolis, pela Copa do Brasil.
    Palmeiras aplicado no 4-2-3-1 na vitória diante do Avaí, em Florianópolis, pela Copa do Brasil.

     

    Heat Map 1
    A carência de um meia centralizado empobrece as jogadas pelo centro do Palmeiras. Mapa de calor do primeiro tempo contra o Avaí. Fonte: Footstats

     

    A chegada de Allione, conhecido de Gareca no Vélez, ao Palmeiras: 

    Revelado pelo Vélez Sarsfield, o jovem meio-campista de 19 anos tem como suas principais características o forte jogo pelos lados do campo, com características para apoiar o ataque e ser aplicado também defensivamente. Allione defendeu a Seleção Argentina sub-17 e sub-20, no último sulamericano em que a equipe não conquistou uma das vagas para o Mundial da Turquia, em 2013.

    Allione atuando pelo Vélez na Libertadores 2014, sob o comando de Turu Flores no 4-4-2.
    Allione atuando pelo Vélez na Libertadores 2014, sob o comando de Turu Flores no 4-4-2.

     

    Allione pela direita no 4-4-2 do Vélez na eliminação para o Nacional do Paraguai pela Libertadores 2014.
    Allione pela direita no 4-4-2 do Vélez na eliminação para o Nacional do Paraguai pela Libertadores 2014.

    Em 2013, com Gareca no comando, Allione também atuava pela direita, e no sistema 4-3-1-2 servia de suporte defensivo e ofensivo, auxiliando Insúa na armação e aproximação à área adversária.

    Diagrama 3
    Sob o comando de Gareca em 2013 – Vélez no 4-3-1-2, com Allione integrante do trio de volantes, pela direita.

    O próximo desafio do Palmeiras de Gareca é nada mais nada menos que um clássico, e diante do Corinthians. Ciente da importância da partida, o treinador palmeirense contará com o retorno dos jogadores poupados em Santa Catarina e espera engatar sequência de bons resultados a partir de agora. Dias de trabalho e paciência à vista no Palestra.