Diego Tardelli marcou seu centésimo gol pelo Galo e foi importante para a conquista atleticana
Foi talvez a melhor Recopa Sul-Americana de todos os tempos. Um jogo emocionante, repleto de reviravoltas, com um gol no último minuto que levou o confronto para a prorrogação. E a taça sendo definida com dois gols contra no tempo extra. Ao fim, o Atlético bateu o Lanús por 4 a 3 e levantou o troféu.
A partida começou quente no Mineirão. Logo nos primeiros minutos Leonardo Silva cabeceou um escanteio, e a bola bateu no braço de Ayala. O árbitro marcou pênalti, para desespero dos jogadores do Lanús, mas os braços do meio campista, afastados do corpo, justificaram a marcação. Diego Tardelli bateu e marcou seu centésimo gol com a camisa do Galo.
Mas o Lanús não estava vencido. Logo em seguida uma boa jogada do ataque granate foi concluída com um forte tiro do mesmo Ayala, que empatou o jogo antes dos 10 minutos. Na metade do primeiro tempo Santiago Silva aproveitou um rebote de Victor para colocar a equipe argentina em vantagem.
O jogo era vertiginoso. O Lanús trocava passes, e o Atlético voltava ao estilo da pressão em casa que lhe deu o título da última Libertadores. E aos 37 minutos veio o empate. Marcos Rocha centrou e Maicosuel empatou. Foi a coroação de um excelente primeiro tempo.
O segundo tempo teve outro desenho. O Atlético se plantou na defesa, esperando matar o confronto em um contra ataque. O Lanús dominava a partida e criava pouco, buscando sempre os centros para Santiago Silva. O tempo passava e tudo se encaminhava para a manutenção do empate.
Mas no último lance do jogo tudo mudou. Somoza armou uma jogada, que terminou em um centro para a área. Santiago Silva cabeceou, Victor fez grande defesa e no rebate Acosta colocou para dentro. 3 a 2 para o Lanús, decretando a prorrogação.
O Atlético buscou o ataque desde o início da prorrogação, e acabou premiado, com a ajuda do inimigo. No fim do primeiro tempo Luan foi à linha de fundo e centrou, Gómez tentou cortar e marcou contra. Aos 7 do 2º tempo, em uma jogada já morta, Ayala tentou recuar para Marchesín e marcou contra mais uma vez. Ao fim de 120 emocionantes minutos, o Galo era campeão da Recopa.
ATLÉTICO: Victor, Marcos Rocha, Réver, Leonardo Silva e Émerson Conceição; Pierre e Leandro Donizete; Diego Tardelli (Dátolo), Maicosuel (Guilherme) e Ronaldinho Gaúcho (Luan); Jô.
LANÚS: Marchesín, Araujo (Melano), Gómez (Benítez), Braghieri e Velázquez; González, Somoza, Ayala e Ortiz (Pasquini); Acosta e Silva.
Emmanule Más guardou duas vezes e saiu para o abraço
História do futebol sempre deixou claro uma coisa: time grande precisa saber lidar com a estatura de um time pequeno. E foi justamente o que aconteceu em Bajo Flores. Com um apetite incrível e com um pouco de sorte, o San Lorenzo colocou o Bolívar no seu devido lugar: o lugar de um time de menor expressão, cheio de anseios, de loucura, mas de limites. Assim o Ciclón encheu a sacola dos bolivianos com cinco gols e facilitou sua vida para o jogo de volta, no árido e salgado Altiplano boliviano.
Fatura começou logo no início, quando uma falta no setor esquerdo oportunizou a Pipi Romagnoli que colocasse a pelota na cabeça de Matos.: 1×0 Ciclón e logo aos cinco minutos de jogo. Fácil pensar que tudo ficou numa boa. Mas não foi bem assim. A equipe de Bauza apresentava dificuldades para abrir o jogo pelos flancos, que recebia uma boa marcação do conjunto visitante. Tampouco o visitante conseguia propor alguma coisa consistente que não fosse uma dura marcação no meio-campo, desarme e faltas que parassem o jogo constantemente.
Mas se não dava de um jeito, que desse no jeito de dava. E novamente uma falta no canto do campo. Desta vez na direita, porém com o mesmo Romagnoli para mandar a bola à área de Quiñónez. Pelota voou e encontrou a cabeça de Mas: 2×0 Ciclón. A partir daí o cenário mudou. Não que os bolivianos se abrissem de vez; longe disso. Contudo, o conjunto dirigido por “Bigodón” Azkargorta sentiu que precisava fazer algo diferente no jogo. Pena que esta percepção se deparou com a tranquilidade cuerva e com a certeza de que bastava manejar a pelota com calma para que a vitória fácil ocorresse. Dessa forma, o ideal era explorar os espaços deixados pelo rival. Chances para ampliar o placar surgiram até. Mas a primeira etapa ficou mesmo no 2×0.
Segunda etapa foi marcada pela necessidade do Bolívar em sair de vez para o jogo. E parecia que a equipe do “Bigodón” não tinha um plano para isso. O toque era curto no meio-campo, pois a defensiva cuerva não oferecia espaços para grandes deslocamentos. A situação obrigava o conjunto celeste a dispor de uma competência chamada de “técnica”, e de outra, que a conduzisse, chamada de “habilidade”. Tudo isso pareceu excessivo para os bravos bolivianos. Assim sendo, enquanto os visitantes tentavam construir, os locais marcavam forte e contavam com o desgaste de seu rival.
Difícil imaginar que num contexto desses a pelota não sobraria uma hora para o contragolpe certeiro do conjunto de Bauza. A coisa estava escancarada e várias avenidas se ofereciam como caminhos fáceis para a chegada tranquila ao arco de Quiñonez. Aos 24 minutos não deu outra. Mercier recuperou a pelota e partiu como quis. Tentou fazer o passe, mas a redondinha foi cortada de maneira equivocada pela zaga boliviana. Redonda de novo nos pés de Mercier, que não titubeou em guardá-la no arco boliviano: 3×0.
Prova de que o Bolívar não sabia mais onde estava foi que o seu meio-campo não produzia absolutamente nada no jogo. Além disso, não marcava e permitia que o centro do campo fosse o corredor principal para os volantes azulgranás. De forma que até mesmo quando o arremate buscava aliviar a defesa, despejando a pelota no meio, raramente não encontrava alguém do San Lorenzo para reiniciar a pressão. E foi desta forma que saiu o quarto gol. A redonda saiu voando da área celeste e encontrou Buffarini no meio. O “Pulmão de Aço” tentou fazer o mesmo que Mercier tinha feito. Contudo, bastou passar um pouco do meio-campo para resolver disparar. Arrematou de longa distância e saiu para o abraço: 4×0, apenas quatro minutos após o tento de Mercier.
Aos 42 minutos, novamente a pelota parada e desta vez com Barrientos para buscar a cabeça de alguém. Ficou fácil pensar em Emmanuel Más. Levantamento certeiro e na cabeça do defensor azulgraná: 5×0 e números finais ao encontro em Bajo Flores. Muitos dirão que foi uma noite de pesadelo para o Bolívar; melhor reconhecer que foi uma noite de sonhos para o San Lorenzo. Agora o conjunto de Bauza vai às alturas do Altiplano quase classificado à grande finalíssima da Libertadores. E somente uma tragédia não confirmará a presença cuerva na decisão.
A Copa Argentina chega a sua fase de 16 avos de final. As 32 equipes restantes disputam mais do que a almejada vaga à Libertadores de 2015. O momento atual, de incertezas quanto ao que será o próximo campeonato argentino, oxigena a Copa Argentina e aumenta o prestígio de alguns dos confrontos da fase atual. Boca e River estão em chaves diferentes e só podem se encontrar na Final. Equilíbrio permeia quase todos os confrontos, até por que poucas surpresas restaram, como o Juventud Unida de San Luís e o Estudiantes Caseros.
A Copa Argentina é a melhor competição possível no momento pós-Copa do Mundo para o futebol argentino. Isto pelo fato de que o próximo campeonato, que se chamará “Campeonato de “Primera División” começa em agosto e gera incertezas quanto a sua capacidade de empolgar. É como se até o mais simples torcedor já não suportasse mais os desmandos da cartolagem da AFA. Além disso, a Copa Argentina apresenta disputas interessantes em sua fase de 16 avos. O chaveamento apresenta dois grupos de equipes, e… adivinha… River está presente em um deles e o Boca no outro. Vejamos.
No primeiro grupo estão River, Ferro Carril, Lanús, Colón, Rosário Central, Juventud Unida de San Luís, Tigre, All Boys, Racing, San Martín, Gimnasia LP, Argentinos Juniors, Vélez, Estudiantes Caseros, Arsenal e Instituto de Córdoba. Essas equipes se enfrentarão entre elas até que daí saia um finalista. O rival deste finalista obrigatoriamente sairá do outro grupo, que reúne San Lorenzo (que já eliminou o Almirante Brown), Godoy Cruz, Defensa y Justicia, Newell´s, Talleres, Atlético de Rafaela (que já eliminou o Olimpo de Bahía Blanca), Estudiantes (que já eliminou o Douglas Haig), Belgrano, Independiente, Boca Juniors, Huracán, Banfield e Quilmes.
Os próximos confrontos são os seguintes
Hoje – Arsenal x Instituto, às 18h30 no Estadio Juan Gilberto Funes, em San Luis
Hoje – Godoy Cruz x Defensa y Justicia, às 21h30 no Estádio Bicentenário, em San Juan
24 de julho, quinta-feira – Vélez x Estudiantes Caseros, às 19h15, no Estádio Ciudad Lanús, em Lanús
25 de julho, sexta – Gimnasia x Argentinos Juniors – às 18h10, no Estádio Ciudad Lanús, em Lanús
25 de julho, sexta – Newell´s x Talleres de Córdoba – às 21h15, no Estádio Nuevo Monumental, em Rafaela
26 de julho, sábado – Rosário Central x Juventud Unida de San Luís, às 17h15, no Estádio do Instituto, em Córdoba.
26 de julho, sábado – Boca Jrs x Huracán, às 20h15, no Estádio Bicentenário, em San Juan.
27 de julho, domingo – Lanús x Colón de Santa Fe, às 16h15, no Estádio Julio Humberto Grondona, em Sarandí
27 de julho, domingo – Racing x San Martín San Juan, às 18h30, no Estádio Juan Gilberto Funes, em San Luís
27 de julho, domingo- River x Ferro Carril Oeste, às 21h30, no Estádio Padre Martearena, em Salta
28 de julho, segunda – Tigre x All Boys, às 15h00, no Estádio Tomás Adolfo Ducó, Buenos Aires
28 de julho, segunda – Belgrano x Independiente, às 21h15, no Estádio Florencio Sola, na Grande Buenos Aires, Banfield
05 de agosto, terça – Quilmes x Banfield, às 20h15, no Estádio Padre Martearena, em Salta
Três confrontos da fase 16 avos já ocorreram. San Lorenzo fez 2×0 e eliminou o Almirante Brown, em San Luís. Na cancha do Banfiled, o Estudiantes fez 3×1 e eliminou Douglas Haig de Pergamino. E no estádio Eva Perón, cancha do Sarmiento de Junín, Olimpo e Rafaela ficaram no zero. Nas disputas de pênaltis, deu La Crema por 4×2.
Em geral, não houve uma preparação específica para as disputas da atual fase da Copa Argentina. Durante o Mundial do Brasil, as equipes deram férias ou flexibilizaram bem o trabalho de seus elencos. A preocupação com as negociações deram o tom. Exceções para isso foram as equipes do Estudiantes Caseros, rival do Vélez; do Juventud Unida, rival do Rosário Central; do Defensa, rival do Godoy Cruz, e do Ferro Carril, rival do River Plate. Também o Huracán deu prioridade total ao confronto com o Boca, mas apenas a uma semana do fim da Copa do Mundo.
Os bolivianos no San Lorenzo formam um grupo pequeno. Quinteros é um dos nomes que vestiram a camisa azulgrana.
Quinteros passando pelos oponentes de hoje, que lutarão por uma inédita vaga na final da Libertadores
O futebol argentino é rico em estrangeiros de sucesso por lá, especialmente uruguaios, paraguaios, colombianos e mesmo brasileiros. Em grau menor, de peruanos e chilenos. Mas não de bolivianos. O mais comum é o inverso, a ponto de a seleção boliviana ser a que mais usou argentinos depois da própria Albiceleste (sim, mais até que a italiana), relação não tão conhecida devido à baixíssima assiduidade de La Verde em Copas, superior na Conmebol apenas à frequência nula da Venezuela. O San Lorenzo só importou dois das terras altiplanas, grandes ídolos no oponente de hoje e justamente os dois maiores goleadores da seleção da Bolívia. E nem eles conseguiram vingar na Argentina.
O primeiro deles foi também o primeiro boliviano no futebol argentino: Víctor Agustín Ugarte, que batiza o estádio da temida Potosí bem conhecido pelos flamenguistas no mínimo adolescentes. Os mais jovens que têm em Marco Etcheverry como o nome mais forte do futebol boliviano deveriam conhecer mais Ugarte. Ugarte defendeu La Verde por dezesseis anos, entre 1947 e 1963. Jogou nesse período a Copa de 1950 e cinco Copas América, vencendo exatamente a última, em 1963, onde a Bolívia foi sede e terminou campeã com um 5-4 sobre com dois gols dele sobre o Brasil – já havia marcado nos brasileiros outro dez anos antes. Esse ainda é o único título internacional da seleção.
No Bolívar, Ugarte também teve longa trajetória, somando quinze anos em diferentes passagens. O San Lorenzo o descobriu em uma excursão por Peru, Bolívia e Costa Rica em 1958, se encantou por ele e o trouxe. Mas o reforço não se acostumou ao clima e ao futebol argentino, apesar de estreia bastante promissora, onde um cabeceio fulminante seu finalizou um 3-2 sobre o Gimnasia LP. Só jogou mais duas outras vezes oficialmente pelo CASLA e dali foi ao colombiano Once Caldas. O recorde de gols de Ugarte na seleção, 16, só foi quebrado por Joaquín Botero, que marcou 20.
Botero jogou pela Bolívia entre 1999 e 2009 e três dos seus gols foram no seu último jogo pela seleção, naquele histórico 6-1 sobre Messi e companhia em 2009, até hoje a derrota mais elástica da Argentina. Em seu país, o Bolívar também é o clube com o qual Botero mais se identificou. Em sua melhor passagem nele, foram 111 gols em 132 jogos, na virada do século. Chegou ao San Lorenzo em 2006 e foi o primeiro boliviano no clube desde Ugarte. Jogou quatro vezes pela Sul-Americana e duas no Apertura, deixando o Ciclón antes do fim do torneio após chances escassas mas também com um estado físico ruim. Curiosamente, o CASLA foi campeão nos torneios seguintes à saída da dupla.
Ugarte e Botero por Bolívar e San Lorenzo. São os maiores artilheiros da seleção boliviana, mas não vingaram na Argentina
A Bolívia já usou 30 argentinos; os da Itália, listados aqui, foram 24. Em parênteses, o ano da estreia: Raúl Fernández (1945), Antonio Greco, Roberto Capparelli (1950), Ramón Santos (1953), Vicente Moreno (1958), Luis Aguilera (1959), Marco Di Meglio, Roberto Cainzo, Eulogio Vargas e Eduardo Espinoza (1963), Juan Díaz, Juan Farías, Raúl Álvarez, Julio Díaz e Marco Rojas (1969), Luis Liendo (1975), Luis Bastida, Héctor Awad e René Taritolay (1977), Miguel Bengolea, Ricardo Fontana e Juan Carlos Sánchez (1985), Carlos Trucco, Luis Cristaldo e Miguel Vacaflor (1989), Gustavo Quinteros (1993), Fernando Ochoaizpur e Sergio Castillo (1996), Leonardo Fernández (2004) e Gerardo Yecerotte (2009).
Destes, cabe destacar alguns. Greco e Capparelli jogaram a Copa 1950 com Ugarte. Cainzo, Vargas e Espinoza venceram a Copa América com o mesmo Ugarte. Juan Díaz, Farías, Álvarez e Rojas venceram a Argentina em 1969 por 3-1 com Díaz e Álvarez marcando em jogo que adiante custaria a vaga da Albiceleste na Copa 1970, na única vez em que ela deixou de participar por eliminação em campo – a única vaga do grupo ficou com o outro membro da chave, o Peru. Outro a marcar gol na terra natal foi Ochoaizpur, que fez o da vitória boliviano por 2-1 em 1997 em noite marcada pelo caso Julio Cruz, que saiu sangrando em incidente suspeito similar ao do goleiro chileno Rojas contra o Brasil.
Quinteros, Trucco (em pé) e Cristaldo (loiro) na Copa 1994
Outros três, Trucco, Cristaldo e Quinteros, foram titulares na última Copa do Mundo com participação da Bolívia, a de 1994, na única em que ela se classificou em campo- é de se notar que em seus máximos logros La Verde tinha ao menos um quarto de argentinos na equipe, pois este trio esteve naquele 2-0 sobre o Brasil em 1993, na primeira derrota brasileira nas eliminatórias e Trucco e Cristaldo estiveram com Castillo no vice na Copa América 1997 – Cristaldo é aquele nocauteado por Edmundo na final. O goleiro Trucco, posteriormente, seria técnico da Bolívia de 2001 a 2003.
Quinteros, por sua vez, também foi técnico da Bolívia na última Copa América e foi outro a passar pelos oponentes de hoje. Quando já havia se naturalizado boliviano, passou pelo San Lorenzo entre 1994 e 1997, sem transcendência: foram só 15 jogos e apenas um deles no título do Clausura 1995, que quebrou o maior jejum do clube na elite, 21 anos. E foi vindo do banco, substituindo o lesionado Oscar Arévalo contra o Mandiyú. Jogaria também no Argentinos Jrs depois. Como jogador, defendeu justo o arquirrival do Bolívar, o The Strongest, só passando pelo time celeste como técnico, função em que foi campeão em 2009.
Quinteros também foi campeão nacional treinando a dupla rival de Santa Cruz de la Sierra (Blooming e Oriente Petrolero). Treina o equatoriano Emelec desde 2012, eliminando dramaticamente o Flamengo na Libertadores daquele ano.
Vale citar ainda o caso do técnico de Quinteros naquele San Lorenzo de 1995: Héctor Veira, considerado o maior ídolo da história sanlorencista. Colecionou outras passagens como técnico da equipe, incluindo a última semifinalista de Libertadores antes da atual, em 1988, e brilhou como jogador azulgrana nos anos 60. Mas sua boemia e desleixo com a preparação física lhe minou o potencial para voos maiores. No fim da carreira, jogou na Bolívia (Oriente Petrolero) e sem brilho no Corinthians. Só defendeu duas vezes a seleção. Ambas justo contra os bolivianos. E é o outro argentino a tê-los treinado. Foi técnico de Botero no último torneio mundial de La Verde, a Copa das Confederações de 1999.
Maior ídolo do San Lorenzo, Veira jogou duas vezes pela Argentina, ambas contra a Bolívia. Trinta anos depois, foi técnico de “La Verde”
Eis a nova camisa do Bicho, que vestirá o “Dream Team” de Borghi
Difícil acreditar que Riquelme deixou o Boca Juniors e se mandou para o “Bicho”. Proposta foi boa, mas não foi somente por isso. No foco da exigente torcida e de quadros da oposição mais fortes que nunca, Luís Segura resolveu se mexer. Ideia não é só a de levar o ídolo xeneize para a Paternal. Trata-se também de formar uma equipe de respeito, recheada de craques experientes e experimentados no futebol argentino. Desta forma, Claúdio Borghi terá um esquadrão sob seu comando. Terá gente de luxo no banco e ainda terá a sorte de disputar um Torneio bem menor e mais fácil do que costumava ser a segunda divisão do país. Porém, fica a pergunta: “e aquela história de que o Argentinos Juniors tem uma das principais canteiras do país?”. Esqueça! Nem tudo é perfeito: a tradicional canteira do Bicho já era.
Primeiro é bom posicionar o presidente do Argentinos Juniors, Luís Segura, nessa história. Convém dizer que ele é o vice-presidente da AFA, homem de Grondona, homem do “eixo do mal”, se considerarmos que essa “gentinha” tem afundado o futebol da Argentina há muito tempo. E pouco a pouco, Segura foi deixando de lado o simpático clube da Paternal. Sua ideia provavelmente estava atrelada à possibilidade de ser escolhido por Grondona para substitui-lo.
Natural que o “Bicho” fosse caindo até mesmo naquilo em que era campeão: na formação e alimento de ótimos jogadores para à equipe e para o futebol argentino e até mundial. E isto foi só um detalhe da queda. Problema foi se acentuando de tal forma que o próprio time foi rebaixado à segunda divisão. E justamente quando todos culpavam a Luis Segura apareceu o escândalo da venda de ingressos, durante a Copa do Mundo. Hora de tirar a pele do cartola; hora, para o cartola, de dar uma resposta ao problema. Daí a formação do “Dream Team” do Argentinos atual.
Convém, todavia, deixar claro que a equipe não se forma só em volta de Riquelme. Outros jogadores de peso foram contratados. Casos de Martín Zapata, jogador que oferece preenchimento ao meio-campo, Gabbarini, Castilejos, Cristian Álvarez, Ezequiel Garre, Basualdo, Daúd Gazale, Mariano Guerreiro e outros. Além disso, Ledesma e Caruzzo chegam à Paternal. De forma que temos dois grupos de reforços. O primeiro, de atletas que não têm a ver com Riquelme e, o segundo, que expressa já a interferência do ex-craque xeneize no conjunto da Paternal. Resta saber quem de fato pode fazer a diferença à equipe de Borghi e trazê-la de volta à primeira divisão.
A partir dos que chegaram, Gabbarini, Basualdo (recuado à zaga), Caruzzo, Garré, Álvarez e Zapata formarão a espinha defensiva da nova formação. Juan Pablo Lemos fica na reserva; “Burrito” Riveros, se chegar, também. Ledesma será um terceiro volante e terá, à sua frente, Riquelme como enganche. No ataque, provável que Gazale, Castilejos e Guerreiro completem a formação. Trata-se de uma esquadra respeitável e que pode amedrontar a todos os rivais na B Nacional. A própria formação pode variar para outros desenhos. De qualquer forma, o certo é que mesmo alguns reforços que chegaram para jogar devem ir para o banco. Mas isso não é tudo.
Facundo Coria tem nome para ser o reserva imediato de Román, mas atualmente tem bola para colocar o ex-enganche xeneize no banco. E a reserva, no atual momento da carreira, pode não fazer bem para Coria. Rodrigo Gómez é o nome de uma das maiores promessas do futebol argentino atual. Tem apenas 21 anos e foi um dos que se salvaram na campanha desastrosa que levou o Bicho à segunda divisão. Tivesse a equipe mais dois jogadores como Gómez e não teria caído. O garoto é mais um que perde prestígio. Assim como ele, Lucas Cano, Reinaldo Lenis, Pistone, Gaspar Iñíguez, Juán Ramírez e Nico Freire também.
Nada de errado em jovens da base esquentarem o banco para craques, enquanto se espelham nos ídolos para o apontamento e lapidação de seus acertos e erros. O que está errado no caso é outra coisa: esses atletas já sentiram o gostinho da titularidade e eles mesmos aprenderam muito com a campanha passada. Qual o espaço que terão agora para mostrar amadurecimento e evolução? Ou seja, o processo de decomposição de uma linha de trabalho, no caso, das canteiras, passa por jogadas manhosas e sutilmente corrosivas. No caso do Bicho, não se tratou apenas de cortar a grana que chegava na base, além disso, praticamente se anula o espaço das últimas promessas que a antiga canteira formou. E esta prática é o recente filho de Luís Segura que vem à luz.
A sorte grande de Claudio Borghi
E Borghi, o que ganha com isso? Muitas coisas. Além de ter um Dream Team a sua disposição, ainda poderá contar com bons reservas e com algumas das últimas jóias do trabalho da base. Certo que a direção do clube não fará esforço algum para negociá-las, assim como já o fez com Franco Flores, que vai-se embora para o Douglas Haig. Os meias Luciano Cabral e Ezequiel Ham ainda seguem na Paternal. O mesmo ocorre com o ótimo Torrén, que pode surpreender e levar a camisa titular, Lucas Rodríguez, Mariano Almandóz, “Patito” Matricardi e Nico Batista. Não faltam opções.
Tudo isso é pouco, se pensarmos que a B Nacional, pesadelo até de clubes importantes, vai ser a mais fácil da história. Começa em 02 de agosto e termina em dezembro, precisamente no dia 06. Não haverá descenso e ninguém vai se apavorar com o fantasma da B Metro. Relevante também é que as disputas serão em dois grupos, conhecidos na Argentina como “zonas”. O conjunto da Paternal integra a Zona A com mais 10 rivais. As disputas serão de ida e volta e apenas em cada zona. Não bastassem tantas felicidades e tem outra: nada menos que 10 das 22 equipes subirão à elite do futebol local.
Este contexto, portanto, pode oxigenar os pulmões de uma instituição tradicional e com a personalidade histórica de poucas. Porém, pode ser uma via de mão dupla. Pode perfeitamente anular aos olhos de todos o processo de decomposição que se opera de maneira eficaz e sutil no maior formador de talentos do futebol da Argentina. Se esta tragédia ocorrer, ela será mais um filho legítimo do cartola da AFA, Luís Segura, a vir à luz.
Schelotto colocou em campo nos treinos uma equipe diferente da que perdeu para o Atlético
Mesmo perdendo a partida de ida, o Lanús segue sonhando com o título da Recopa Sul-Americana. Guillermo Barros Schelotto treinou o time durante a semana com três alterações em relação à equipe que perdeu para o Galo em casa. Duas foram por opções do treinador, e é bem provável que sejam mantidas para o jogo. A terceira, por contusão, pode não ser efetivada na partida.
Nos treinamentos da semana, Schelotto experimentou uma formação tática diferente do habitual. O meiocampista Jorge Ortiz entrou no lugar do atacante Lucas Melano, configurando um 4-4-2, ao invés do 4-3-3 que o Mellizo utiliza desde sua chegada ao clube. Outra mudança por opção foi a entrada de Lautaro Acosta no lugar de Oscar Benítez.
A terceira mudança nos treinamentos teve motivos físicos. O lateral direito Carlos Araujo, gripado, não participou das atividades com o grupo. Seu substituto foi o uruguaio Alejandro Silva. No entanto, há esperanças de que Araujo se recupere e possa participar da partida final.
Assim, o Lanús deverá ter: Agustín Marchesín, Carlos Araujo (Alejandro Silva), Gustavo Gómez, Diego Braghieri e Maximiliano Velazquez; Diego González, Leandro Somoza, Jorge Ortiz e Victor Ayala; Lautaro Acosta e Santiago Silva.
O técnico Paton Bauza conversa com os jogadores antes do treinamento
Com o fim da copa do mundo, a Libertadores será retomada nesta semana. E o representante argentino que ainda está vivo na competição é o San Lorenzo, exatamente o único dos grandes clubes argentinos que nunca levantou a taça. E o Ciclón retoma a busca do sonho continental nesta quarta, às 19:45, contra o Bolívar. A partida será disputada no Nuevo Gasometro.
Em relação à equipe base que disputou as fases anteriores da competição, há duas mudanças importantes. O zagueiro colombiano Valdés se desentendeu com a direção do clube em relação à data de sua apresentação na volta da copa do mundo, e teve seu contrato rescindido. Para tentar suprir a falta do bom defensor mundialista, o escalado é Mauro Cetto.
Outro importante desfalque é Correa, que está afastado dos gramados por conta de problemas de saúde. Em seu lugar jogará Leandro Romagnoli, que também era dúvida. O jogador havia acertado sua transferência para o Bahia, e chegou a receber um adiantamento do clube brasileiro. Mas frente à possibilidade do título continental, o Pipi devolveu os 50 mil dólares que havia recebido quando da assinatura do pré-contrato e estará em campo amanhã.
A última dúvida era Ignacio Piatti, vendido ao Montreal Impact, mas ao fim houve acordo com o clube canadense, e o meia disputará a Libertadores até o fim. Novidades no plantel são os retornos de Gonzalo Verón e Martin Cauteruccio, que estavam lesionados, e Pablo Barrientos, que foi contratado e já se incorporou ao grupo.
Assim, o San Lorenzo entrará em campo com a seguinte formação, já confirmada pelo treinador Edgardo Bauza: Sebastian Torrico, Julio Buffarini, Mauro Cetto, Santiago Gentiletti e Emmanuel Mas; Juan Mercier e Nestor Ortigoza; Hector Villalba, Leandro Romagnoli e Ignacio Piatti; Mauro Matos
O período pós-Mundial quase sempre demanda cortes e novas oportunidades. Enquanto a decisão sobre quem será o treinador da Argentina não sai, os olhares sobre a nova safra de jogadores que integrarão o plantel principal já merecem atenção.
Para 2018*, é possível pensar no mantimento de alguns dos nomes atuais, com idades aceitáveis, como Romero(31*), Fernández(29*), Garay(31*), Rojo(28*), Biglia(32*), Álvarez(30*), Di Maria(30*), Messi(31*), Aguero(30*), Higuaín(30*) e até do experiente Mascherano(34*).
Nomes mais experientes, com idades avançadas para o próximo Mundial como A.Orión(37*), H.Campagnaro(38*), M.Demichelis(37*), Maxi Rodríguez(37*) e Rodrigo Palacio(36*) possivelmente realizaram a última Copa pela Seleção.
Apesar dos trabalhos de base não chamarem atenção como antes, bons nomes podem integrar o novo projeto da Argentina para os próximos anos. Algumas observações por exemplo, podem ser realizadas em cima do último Sul-Americano Sub-20, sob o comando do ex-treinador Marcelo Trobbiani, que mesmo sem os êxitos de anos anteriores com Pékerman ou Sérgio Batista nas Olimpíadas 2008, merecem respaldo sobre alguns nomes.
O 4-1-4-1 da Argentina, que fracassou em casa no Sulamericano sub 20 2013, deixando escapar uma das vagas para o Mundial da categoria na Turquia.
Trobbiani também testou em alguns instantes o 4-2-3-1 com o sub-20 argentino.
Jogadores como L.Romero (Vélez Sarsfield, volante/lateral-direito, 20 anos), M.Kranevitter (River Plate, volante, 21 anos), M.Lanzini (River Plate, meio-campo, 21 anos), Iturbe (Roma-ITA, atacante, 21 anos) e L.Vietto (Racing, atacante, 20 anos), integrantes do último Sul-Americano Sub-20, requerem atenção nos próximos anos. Agustín Allione(recém chegado ao Palmeiras-BRA pelo Vélez Sarsfield, meio-campo, 19 anos), Federico Cartabia(Valencia-ESP, atacante, 21 anos) e Lucas Melano(Lanús, atacante, 21 anos), que entrou bem em alguns jogos do último torneio pela Seleção, imprimindo jogadas em velocidades pelos lados, foram suplentes no último sub-20, mas têm demonstrado promissor futebol.
Quanto a nomes que não integraram o elenco de Trobbiani, mas vêm obtendo destaque em seus clubes, não poderiam faltar Nicolás Tagliafico(Banfield, lateral esquerdo, 21 anos), Gastón Gil Romero(Estudiantes, volante, 20 anos) e Angel Correa(San Lorenzo, meio-campo, 19 anos).
Além dos citados, nomes mais carimbados, inclusive com passagens pela Seleção Principal como Lisandro López(Getafe-ESP, zagueiro, 24 anos), G.Peruzzi(Catania-ITA, lateral direito, 22 anos) H.Canteros(Flamengo-BRA, volante, 25 anos), F.Rinaudo(Catania-ITA, volante, 27 anos), E.Lamela(Tottenham-ING, meia atacante, 22 anos), Eduardo Salvio(Benfica-POR, meio-campo, 24 anos), J.Pastore(Paris Saint Germain-FRA, meia atacante, 25 anos), Mauro Icardi(Internazionale-ITA, atacante, 21 anos) e o jovem goleiro E.Andrada(Arsenal de Sarandi, 23 anos), já convocado por Sabella, também podem contar com novas observações e experiências.
Mesmo sem recentes passagens pela Seleção, outros argentinos realizaram boa temporada nos campeonatos pela Europa, como são os casos dos zagueiros Mateo Musacchio (Villarreal-ESP, 23 anos) e Federico Fazio(Sevilla-ESP, 27 anos). Sem contar o zagueiro Mammana, que dentro das categorias de base do River Plate é tido como uma boa promessa para o sistema defensivo. O jogador, por sinal, fez sua primeira partida como profissional justamente pela Seleção Argentina, nos amistosos antes da Copa do Mundo e viajou como sparring com a delegação para o Brasil
Após boas atuações e 8 gols em 33 jogos na temporada pelo Verona, Iturbe chega à Roma com grande expectativa. Foto:(AS Roma).
Fica aqui uma breve sugestão para um primeiro passo, com as devidas e possíveis variações quanto ao posicionamento dos citados. Há um bom material humano para que o trabalho, seja de Sabella ou outro treinador, seja realizado com sucesso.
O primeiro compromisso da Argentina pós-Copa já está definido. Depois da disputa pelo título Mundial, a Albiceleste voltará a enfrentar a Alemanha, em Dusseldorf, dia 03 de setembro.
Um ano após deixar o Newell’s Old Boys, Ignacio Scocco acertou a volta para o clube, naquela que será sua terceira passagem com a camisa rojinegra. Mas não foi fácil: a Lepra precisou vencer a concorrência com o River Plate, que também tinha interesse pelo jogador. Quarta-feira o jogador deixará a Inglaterra para assinar o contrato.
Após uma ótima temporada em Rosário, Scocco não foi feliz em sua passagem por clubes do exterior. Amargou a reserva no Internacional, não quis esperar por uma oportunidade e se transferiu para o Sunderland, onde também não obteve sucesso. Com isso, o atacante manifestou seu interesse por voltar a seu país, onde deixou boas lembranças em sua última passada pelo Newell’s.
Com a dispensa de Trezeguet, a lesão de Cavenaghi e a iminente saída de Teo Gutierrez, o River Plate está em busca de um atacante, e foi atrás de Scocco, oferecendo 4 milhões de dólares para o clube inglês. Sabendo que o atacante preferia voltar para o clube que o revelou, a direção da Lepra subiu a oferta para 4,6 milhões, seduzindo os ingleses e fechando a negociação. Scocco chega ainda esta semana a Rosário, para assinar um contrato de cinco anos.
Ignacio Scocco tem 29 anos e foi revelado pelo próprio Newell’s. Ainda jovem iniciou uma trajetória no exterior, passando por México, Grécia e Emirados Árabes, até voltar para a Lepra em 2012.
Juan Román Riquelme foi formalmente apresentado ontem como novo jogador do Argentinos Juniors. O mesmo clube em que o jogador iniciou sua carreira, ainda que jamais tenha atuado pela equipe titular. Também foram apresentados outros filhos pródigos: Caruzzo, campeão pelo Bicho em 2010, e Ledesma, revelado junto com Román nas categorias de base do clube de La Paternal. Mas como seria de se esperar, o Boca Juniors foi presença constante na entrevista.
O camisa 10 se esforçou para mostrar alegria no retorno ao clube que o formou: “não esperava tanto carinho, é um dia especial, saí há 18 anos e agora pude voltar”. E acrescentou: “se hoje tenho o que comer, é graças ao Argentinos. O Boca sempre será importante, mas o Argentinos precisa de mim”. As coisas seguiam esse rumo, até que perguntaram a Riquelme sobre Carlos Bianchi. O camisa 10 respondeu: “não falo de Bianchi. A partir de hoje o melhor técnico do país está aqui ao meu lado [referindo-se a Claudio Borghi, técnico do Bicho] e é ele que vai nos levar de volta à elite”.
A ácida resposta reflete a crença de Riquelme de que Carlos Bianchi teve a ver com sua saída do Boca. O jogador avalia que a direção do clube lhe era hostil, mas que cabia ao treinador bater o pé e exigir sua continuidade no clube. O grupo do camisa 10 acredita que o Virrey não cumpriu seu papel, sem fazer questão de sua continuidade. Assim, a ofensiva contra o treinador mais vencedor da história do clube está em marcha.
Na semana passada, o ex-defensor do clube, “Patrón” Bermudez, foi à campo criticar tanto a direção quanto seu ex-técnico. Hoje, Clemente Rodriguez, um dos jogadores mais próximos a Riquelme, declarou que “Bianchi mudou muito. Antes lutava por seus jogadores”, numa evidente alusão à saída do camisa 10. Quem também saiu a campo foi Jorge, pai de Riquelme, que declarou: “eu esperava mais apoio de Bianchi, que ele dissesse que queria a permanência dele de qualquer jeito. Creio que Román não está aborrecido com Bianchi, mas gostaria que ele tivesse se posicionado de outra forma”.
Ainda que Riquelme tenha evitado o assunto, é evidente que usa a velha estratégia: evita o desgaste público da sua imagem, enquanto pessoas de seu entorno (amigos, parentes, jornalistas) vão à campo comprar a briga do craque. Bianchi, em sua coletiva de ontem, não quis falar do assunto. Mas provavelmente teremos mais desdobramentos da polêmica em breve.
A decisão de Sabella sobre o futuro na seleção foi anunciada em entrevista à TyC Sports, ao fim do ciclo.
Em entrevista ao canal TyC Sports, o atual técnico da Seleção Argentina, Alejandro Sabella, declarou que neste fim de semana irá tomar uma decisão sobre o seu futuro à frente da Albiceleste. Nesses últimos dias, o comandante do vice-campeonato Mundial tirou o tempo para descansar com a família e amigos.
A Associação de Futebol Argentino já se posicionou favorável a manutenção de Sabella à frente da Seleção Argentina pelo menos até a Copa América, uma vez que o ciclo mundialista vai até o ano que vem. Além disso, a decisão precisa ser rápida, já que em setembro já há amistosos internacionais.
“Estou analisando os passos que devo seguir. Neste fim de semana tomarei uma decisão. Devo pensar se estou em condições de dar 100% para o cargo, pois é algo que eu sempre peço para os meus jogadores”, disse o treinador, ao TyC Sports.
A respeito do Mundial, o treinador prefere não lembrar os fatos negativos, como o gol de Mario Gotze, mas de cenas diferentes, como a de Lavezzi. “A primeira imagem que me vem a mente e o carinho de Lavezzi me jogando água. Isso demonstra o carinho do plantel comigo”, brincou o treinador.
Os judeus no futebol argentino vêm de uma comunidade tão estabelecida que Buenos Aires tem até um McDonald’s kosher no Abasto.
A Argentina tem a 6ª maior comunidade judaica no mundo, a ponto de haver em Buenos Aires um McDonald’s Kosher, no Abasto Shopping. Em um país fanático por futebol, natural que alguns membros da diáspora o abraçassem. Há exatos 20 anos, com o mundo ainda focado no tetracampeonato mundial brasileiro um dia antes, ela chorava o atentado à AMIA (Associação Mutual Israelita-Argentina), tragédia que teria por trás Hezbollah e Irã: matou 85 pessoas na manhã de 18 de julho de 1994 e feriu muitas mais. A embaixada israelense já havia sido atacada, em 1992. Ambos os atentados ocorreram na presidência de Carlos Menem, que tem origens árabes e só deixou o islã por uma então vigente exigência constitucional para que, convertido formalmente ao catolicismo, assumisse o cargo. Exagerado supor que Menem tenha alguma ligação, mas é fato que sempre faltou vontade estatal em averiguar direito os casos.
Nossa modesta homenagem é relembrar os mais célebres judeus do futebol argentino. A comunidade de Juan Pablo Sorín e do técnico da Colômbia na última Copa, José Pekerman (o zagueiro Walter Samuel às vezes é outro divulgado como israelita, mas seu sobrenome real é Luján, tendo adotado o Samuel do padrasto), é tão numerosa que já rendeu ao menos dois clubes profissionais só em Buenos Aires. Uma das possíveis razões do alto número é que o próprio pai do movimento sionista, Theodor Herzl, escreveu na obra Der Judenstaat que a Argentina seria um boa opção para imigrantes judeus caso a criação de um Estado próprio nas antigas terras hebraicas não se tornasse possível.
Um desses clubes é o Atlanta, do bairro mais ligado aos judeus da capital, Villa Crespo. O Bohemio foi um clube tradicional na elite por muito tempo, embora não a dispute há 30 anos. Seu estádio tem o sugestivo nome de León Kolbowski, antigo presidente seu. Outro León de lá, Najnudel, é tido como maior impulsionador moderno do basquete argentino e teve influência no futebol do Ferro Carril Oeste bicampeão nos anos 80, conforme já explicamos. Do Atlanta, falaremos mais em breve: ele fará 110 anos neste 2014. Seu clássico, com o Chacarita, é o terceiro mais expressivo da capital, abaixo só de Huracán x San Lorenzo e, claro, Boca x River; retratamos aquio Clásico de Villa Crespo.
Atualização em 12-10-2014: clique aqui para acessar o Especial sobre os 110 anos do Atlanta.
O outro clube é o Macabi, campeão da quarta divisão em 1967 já com uma formação nada judaica: Vicario; Canosa e Redrizzani, Espósito, Gabadián e Pairoux, Lobos, Allende, Soro, Campos e Messina, treinados por José Morales. O mais célebre jogador surgido ali, por exemplo, foi Abel Pérez, defensor campeão da elite justo no Chacarita, em 1969 (leia). O Macabi disputou a terceirona de 1968 e decidiu em seguida desativar o futebol profissional, se desafiliando da AFA, a CBF argentina.
A seguir, alguns dos mais célebres judeus do futebol argentino. A quem se interessar, já fizemos, em 2011, um especial sobre os árabes: clique aqui.
Bard, o “brasileiro” Wergifker e o técnico Hirschl no Gimnasia. Como os outros dois, se destacou no River também
Leopoldo Bard: foi sócio-fundador do River, seu primeiro presidente e jogou nos primeiros elencos do clube. Falamos mais dele neste Especial que atesta que o River, como o Atlanta, também completa 110 anos em 2014 (a versão oficial diz que isso ocorreu três anos atrás). Na sua última fase áurea, na virada para o século XXI, o clube teve outro presidente judeu, David Pintado.
Eduardo Rothschild: sim, a célebre família banqueira teve ramos em Buenos Aires! Eduardo era um meia-direita ofensivo do início do século XX. Jogou pela seleção entre 1909-10, vindo curiosamente de dois clubes que largaram o futebol para abraçar o rúgbi: o San Isidro e o Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires. Ambos chegaram a ser vice-campeões argentinos no futebol.
Imre “Emérico” Hirschl: treinou o Gimnasia LP quase campeão em 1933, em que figuravam José María Minella, nome do estádio de Mar del Plata sede da Copa 1978, e Juan Echevarrieta, maior artilheiro estrangeiro do Palmeiras. Treinou a seleção em 1934 e o River bi de 1936-37 – foi a primeira vez em que um clube argentino pagou a outro pela transferência de um treinador, com o Gimnasia recebendo 5 mil pesos na negociação. Fez história também no Uruguai: treinou do Peñarol invicto de 1949, base da seleção campeã de 1950, sendo até cogitado para treinar a Celeste meses antes da Copa. Um dos maiores técnicos húngaros, como Izidor Kürschner, Béla Guttmann, Gyula Mándi (os três trabalharam no Brasil. Guttmann também treinou o Quilmes), Árpád Weisz, Alfréd Schaffer e Gusztáv Sebes (da mágica Hungria de 1954), todos judeus. Hirschl morreu em Buenos Aires em 1973.
Aarón Wergifker: único brasileiro que já defendeu a Argentina! Na verdade, “apenas nasceu” em São Paulo, em 1914, logo indo com seus pais, imigrantes russos, a Buenos Aires, radicando-se no bairro judeu de Villa Crespo e virando torcedor do Chacarita. Seus documentos de identidade o registravam como russo e não como brasileiro; na Argentina, o largo contingente de refugiados dos pogrons czaristas fez inclusive que a expressão Ruso virasse apelido comum para judeus. Wergifker jogou nos anos 30 na retaguarda do River, quando o clube emergia entre os grandes do país, sendo treinado por Hirschl. Sua dispensa em 1941 nunca foi esclarecida; diz-se até que um médico da equipe simpático ao nazismo, algo tristemente em voga no governo na época, teria inventado que o jogador tinha uma deficiência pulmonar. Foi escolhido pela revista El Gráfico em 2010 entre os cem maiores ídolos do clube. Curiosamente, o “inverso” de Wergifker, isto é, o único argentino que jogou pela seleção brasileira, era filho de judeus ucranianos. Era Adolpho Milman, goleador do Fluminense nos anos 30 e 40 e que acabaria mais conhecido justamente pelo apelido Russo.
Jaime Rotman: goleiro surgido no Argentinos Jrs em 1928 e que defendeu o Vélez por cinco anos, entre 1935 e 1940, quando o clube foi rebaixado pela única vez. Em 1941, passou ao Atlanta, justamente o concorrente velezano contra a queda. Voltou rapidamente ao Vélez em 1944, quando o Fortín reestreou na elite – só o Boca segue há mais tempo ininterrupto nela.
O húngaro Sas, vice na Copa 1938, no Boca (à sua frente, Bernardo Gandulla, ex-Vasco). Scliar no Vélez, Lighterman no Chacarita
Ferenc “Francisco” Sas: outro húngaro. Titular da Hungria vice na Copa 1938, veio pouco depois à Argentina. Foi campeão nacional no Boca em 1940. Também jogou no Argentinos Jrs e se radicou em Buenos Aires, onde faleceu nos anos 80. Seu sobrenome original era Sohn e trabalhou no Macabi.
Isaac Scliar: atacante que conseguiu jogar na elite profissional tanto pelo Argentino de Quilmes, na única vez do clube nela (em 1939), quanto pelo Quilmes. Por ambos, que têm a rivalidade mais antiga do país, abordada aqui, foi rebaixado. Passou por Atlanta e Newell’s até chegar onde melhor se deu, o Vélez, em 1944. Chegou a marcar três gols em um 8-o no Independiente em 1945 e ficou até 1949, quando foi terceiro na artilharia jogando por três clubes na temporada: Vélez, Boca (que brigou contra o rebaixamento) e Tigre (por ironia, um dos concorrentes do Boca contra a queda).
Ernesto Lighterman: a ligação judaica com o Atlanta, que já rendeu recentemente até cânticos antissemitas de alguns – ALGUNS – idiotas “torcedores” do rival Chacarita, não impediu que o Chaca tivesse seus judeus. Até porque, apesar de levar o nome do bairro de La Chacarita, o clube era sediado no vizinho Villa Crespo também. El Ruso Lighterman, cujo sobrenome familiar original era Lizhterman, foi um deles (outros, por exemplo, foram os volantes Oscar Sabransky, nos anos 30, e Isaac Saban, nos 40) e pelos tricolores até defendeu a seleção, em 1943. Mas abandonou no auge o futebol por imposição da família. Para se dedicar ao comércio, por sinal. Seus irmãos Rubén Lighterman e José Lizhterman (com Z) jogaram no Atlanta e José teve relativo sucesso em Boca, Racing e Ferro Carril Oeste.
León Strembel: volante de forte marcação de Lanús e Racing, foi titular na vitoriosa Copa América 1946 pela seleção. Foi uma das estrelas contratadas pelo supertime que o Atlanta tentou reunir em 1947 mas que acabou rebaixado, no primeiro descenso do clube: veja aqui.
Ezra Sued: outro do Racing, foi ponta-esquerda do primeiro time tricampeão profissional seguido na Argentina, no elenco de 1949-51 da Academia. Curiosamente, deixava no banco outro judeu, Moisés Merenstein – ambos jogariam amadoramente no Macabi também. Sued foi campeão da Copa América 1947, título que por quarenta anos fez da Albiceleste a maior campeã isolada do torneio, embora o ponta só tenha atuado uma vez. Ele jogava com lentes de contato e a origem árabe lhe rendeu o apelido de El Turco. Jogava ao lado de outro Turco de destaque no Racing: Llamil Simes.
Strembel e Sued no Racing. E Brailovsky no rival Independiente: ele jogou por Uruguai, Argentina e Israel
Moisés Beresi: apesar da sonoridade, Beresi não é sobrenome italiano e sim sefardita. Formado nas divisões de base do Rosario Central, Beresi jogou na Argentina também por Independiente e Almagro. No Brasil, curiosamente defendeu outro time vermelho e outro tricolor em preto, branco e azul: os rivais Internacional e Grêmio. Antes, havia passado pelos cariocas Bonsucesso e Canto do Rio. O camisa 10 teve estrela nos campos gaúchos: campeão estadual em 1946 com o Grêmio, encerrando jejum tricolor de 14 anos e encerrando a série de títulos do “Rolo Compressor” rival. No Inter, esteve no 7-0, maior goleada colorada nos Gre-Nais.
Adolfo Mogilevsky: preparador físico (profe, como chamam os argentinos) dos mais reconhecidos, “convenientemente” faleceu perto dos cem anos, em 2012. Instituiu a pré-temporada nos clubes do país, com etapas nas areias de Mar del Plata e nas montanhas de Córdoba e Mendoza. Com ele, o Banfield foi vice-campeão em 1951, auge do minúsculo time até o primeiro título, em 2009. E o Atlanta viveu a melhor fase do clube, na virada dos anos 50 aos 60, credenciando El Ruso Mogilevsky à seleção – preparada por ele, ela venceu a Copa América 1959, torneio que depois dali ficaria mais de trinta anos sem ganhar. Também trabalhou nela em 1985. Esteve ainda no Chacarita, Ferro Carril Oeste, Lanús, Racing, River, San Lorenzo. Por vezes assumia como técnico interino.
Roberto Zywica: formado no River no meio dos anos 60, chegou a jogar uma vez na seleção. Se destacou mais no Gimnasia LP na virada da década. Jogou os anos 70 em diversos clubes franceses e, ao voltar, passou pelos rivais All Boys e Nueva Chicago e também pelo Atlanta.
Jorge Cyterszpiler: jogar, ele não jogava, nem foi treinador. Mas representou uma revolução no futebol argentino: amigo de infância de Maradona, manteve a parceria como seu precoce empresário, ainda na adolescência do astro. A dupla se mante junta até romperem relações em 1985 por algo nunca totalmente esclarecido ao grande público. De todo modo, ela fez El Ruso Cyterszpiler (corruptela de Zytherspieler, “tocador de cítara” em alemão e em iídiche, à língua polonesa) ser conhecido como o primeiro agente de um jogador no futebol argentino – ou, no mínimo, o homem que disseminou essa profissão. Na qual ele segue ativo, como procurador de nomes como Demichelis, Andújar e Mancuello.
Daniel Brailovsky: defendeu três países! Segundo ele, para o desespero de uma típica yiddishe mama, foi jogar futebol. E ainda por cima começou no exterior, no Peñarol. Jogou pela sub-20 do Uruguai. Entre junho e agosto de 1981, já no Independiente, atuou em amistosos pela Argentina, justamente em um intervalo em que ela não enfrentou país algum, mantendo-se ativa somente contra clubes e combinados. Brailovsky foi usado contra as seleções provinciais de Santa Fe (inclusive marcando na goleada de 4-1), Formosa (4-2) e de Salta (3-2, em jogo por vezes referido como contra o clube local Libertad, base do elenco e fornecedor do uniforme); e os clubes europeus do Valencia (1-0), Hércules de Alicante (2-0) e Fiorentina (5-3). Sem decolar, já estava em 1986 no Maccabi Haifa. Como não havia defendido uma seleção principal oficialmente, ficou livre para então reforçar a seleção israelense.
Manusovich no San Lorenzo. Pekerman como técnico da Colômbia na Copa 2014. E Liberman no Guarani
Luis Abramovich: zagueiro formado no Chacarita, esteve no time que subiu à elite em 1983 (curiosamente, junto com o Atlanta: veja). Se destacou também no Boca, na década mais negra do clube, passando seis anos por lá, onde só conseguiu a Copa Master de 1992.
Osvaldo Grimberg, Fabián Lagman e Patricio Sayegh: sem espaço na Argentina, foram contratados pelo Maccabi Haifa em 1989. Grimberg chegou a ser convocado por Israel, embora não tenha atuado.
Damián Manusovich: formado no Atlanta, El Ruso passou por Vélez e Colón para enfim se firmar no San Lorenzo, onde foi titular na taça do Clausura 1995, muito festejada por encerrar o maior jejum do clube na elite (21 anos). Ele esteve no time do Papa de 1993 a 1999.
José Pekerman: um dos maiores técnicos do futebol argentino, obteve na seleção três títulos mundiais sub-20 (1995, 1997 e 2001) e treinou a Albiceleste principal na Copa 2006 com treze ex-comandados nos mundiais juvenis. Esteve perto de eliminar a anfitriã Alemanha, mas caiu nas quartas e preferiu sair. Devolveu a Colômbia às Copas após dezesseis anos e conduziu a melhor campanha dos cafeteros no torneio, no mundial 2014, onde voltou a cair nas quartas para o anfitrião. Outro exemplo de judeu ex-Chacarita, pois sua carreira de técnico começou na base dos funebreros.
Juan Pablo Sorín: lateral que se destacou na Argentina sobretudo no grande River dos anos 90, mas chegou à seleção ainda como jogador do Argentinos Jrs, em 1994. Foi o único campeão mundial sub-20 de 1995 a vingar e voltou a ser treinado por Pekerman na Copa 2006, onde era o capitão da seleção. Um dos maiores ídolos do Cruzeiro, brilhou ainda no Villarreal também. É talvez o nome mais conhecido dessa lista, mas não é dos mais fervorosos na religião: já foi visto fazendo o sinal da cruz.
Leonel Liberman: outro que passou pelo Brasil, mas sem a mesma categoria. Esteve no Náutico, no Guarani e no America-RJ. Trotou por pequenos clubes chilenos, bolivianos, equatorianos e uruguaios. Na Argentina, foi ex-Argentinos Jrs, Racing e Chacarita, dentre outros.
Guillermo Israilevich: formado no Unión de Santa Fe na virada do século e hoje na segundona pelo Boca Unidos, passou a maior parte da década passada no futebol de Israel, onde defendeu a seleção sub-21. Havia defendido a Argentina na sub-17. No Boca Unidos, foi companheiro de Daniel Kabir Mustafá, argentino que desde 2012 defende a seleção palestina: veja na ESPN.
Colautti pela seleção israelense. Tauber, recém-campeão no Nueva Chicago na terceirona. E Licht, capitão do Gimnasia LP quase campeão da elite
Roberto Colautti: ex-reserva do super Boca da virada do século, na verdade não nasceu judeu. Mudou-se a Israel para jogar no Maccabi Haifa, foi artilheiro da liga local e recebeu a cidadania israelense ao casar-se com uma cidadã de lá. Passou a jogar pelo país e seus gols quase puseram a seleção na Eurocopa 2008, onde ela perdeu a classificação por um mísero ponto. De argentinos, só ele e Brailovsky de fato defenderam a seleção israelense principal.
Eial Strahman: raro jogador de clube profissional aproveitado pela Argentina nos Jogos Macabeus (em 2005), espécie de Olimpíadas judaicas – o time medalhista de ouro em 2009, por exemplo, só tinha amadores, vindos basicamente do Macabi e do Hacoaj. O atacante Strahman estava na base do Talleres, passou ainda pelas de Vélez e River e hoje integra o plantel do clube espanhol Córdoba.
Nicolás Tauber e Lucas Licht: os mais proeminentes atualmente no campeonato argentino. O goleiro Tauber, ex-Chacarita, acaba de ser campeão da terceirona com o Nueva Chicago – veja. O defensor Licht, que chegou a ser convocado pela Argentina em 2010 (embora não tenha entrado em campo), paralelamente foi capitão na campanha do Gimnasia LP que quase desfez no último torneio o terrível jejum de títulos do Lobo (seca que perdura desde o único do clube, em 1929); as chances de taça duraram até a última rodada. Licht participara também da campanha do vice-campeonato gimnasista anterior, em 2005.
Marcelo Araujo e Gerardo Horovitz: Araujo, cujo nome real é Lázaro Zilberman, é uma espécie de Galvão Bueno argentino. Por quinze anos foi o narrador do Fútbol de Primera, programa do canal TyC Sports no Grupo Clarín, programa este que detinha virtual monopólio das transmissões. Foi, ao longo dos anos 90 e 2000, “a voz” associada a registros fílmicos de gols especiais a diferentes torcidas, seja os de Crespo na última Libertadores vencida pelo River, sejam os que deram a Martín Palermo a artilharia maior no Boca. De tão icônico, recentemente veio a trabalhar também no Fútbol Para Todos, exatamente no canal estatal que tirou o monopólio do Clarín em 2009. Horovitz é um dos principais fotógrafos da principal revista esportiva da Argentina, a El Gráfico.
*Agradecimentos especiais ao amigo Esteban Bekerman, professor de Historia del Fútbol da Escuela del Círculo de Periodistas Deportivos de Buenos Aires, historiador do Vélez e cuja mãe, bibliotecária do centro de difusão iídiche da AMIA, só sobreviveu ao atentado pois trabalhava lá à tarde.
O célebre poeta Juan Gelman no Atlanta, seu clube do coração. Laureado com o Prêmio Cervantes, faleceu neste ano: falamos aqui
Novela acabou. Qual? A de Riquelme. Sério? Difícil de acreditar, quando se trata de Román. Mas de fato o craque do Boca vai atuar pelo Bicho da Paternal. Negociações duraram quase uma semana, e se iniciaram assim que Riquelme deu a entender que não aceitaria a proposta de Angelici. Contrato será de 18 meses e a grana será bem menor do que aquela que Riquelme percebia no Boca. Então por que foi parar na Paternal? Um pouco por birra, claro; um pouco pelo natural desgaste no clube. Um pouco pelo amor que o agora ex-carque xeneize sempre reconheceu ter pelo Argentinos Juniors. Domingo se apresenta. Segunda, começa a treinar.
Riquelme finalmente deixou o Boca Juniors, após vários anos de especulação em torno de sua saída. E foi para o Bicho da Paternal, time que disputa a segunda divisão na Argentina. Time tão decadente quanto à instituição que o legitima e que tem em Luís Segura o pai e a mãe de ações que pouco a pouco o levam para um precipício sem fim. Certo é que dizem por lá que aportes chegarão não só para tratar de Riquelme, mas também de outros custos relacionados a sua chegada no clube. Que custos? Vejamos.
A operação não envolve somente Riquelme, mas vários de seus aliados da Ribera. Cristian Ledesma já chegou. Clemente Rodríguez e “Burrito” Riveros também chegarão. E a operação xeneização da Paternal deve se ampliar ainda mais, à medida que Román determinar a contratação de mais alguns de seus “aliados”. Certo é que nomes de peso vestirão a camisa do Bicho. Contudo, vale recordar que essa política é a materialização completa do fim das canteiras. E isto é uma bofetada que Segura explode àqueles que gritavam pelas canteiras e que faziam de seu esquecimento as suas consignas contra o atual presidente do campeão da Libertadores de 1985. Para alguns, a chegada de Riquelme é motivo de alegria. Para outros não. Vejamos o que os próximos meses dirão.
Indispensável dizer que o próprio Argentinos foi usado por Riquelme como uma espécie de ameaça a Angelici para aceitar sua oferta de renovação de contrato. O Sport Recife também. No dia 30 de junho o vínculo do maia terminou, mas a novela em torno de sua renovação já era travada há pelo menos seis meses. Agora acabou. E a partir deste momento, enquanto Angelici solta os cachorros sobre o enganche, na Paternal já está tudo pronto para a festa. A apresentação será no domingo, dia 20 de julho. Um dia depois, na segunda, o novo reforço estará à disposição de Borghi para começar a treinar.
Proposta agora passa por utilizar o novo reforço para ampliar o número de sócios. Segundo o próprio Borghi a simples especulação sobre a chegada do enganche já fez com que centenas de hinchas se associassem ao Bicho. Independente disso, o fato é que a B Nacional será outra com a presença do craque. Resta saber se o clube conseguirá retornar à elite do futebol argentino, em dezembro. Graças aos incompetentes dirigentes da AFA esta missão será facilitada, já que 10 equipes serão promovidas ao fim da curta B Nacional, no final de 2014.
Galo em campo para a disputa do jogo de ida da Recopa Sul-Americana. O palco era o La Fortaleza, no Sul da Grande Buenos Aires. Mas onde estava o Lanús? De férias. Problema do Granate, não do Galo. Só que a equipe mineira não fez bem aquilo que um time sério precisa fazer: aproveitar-se da fragilidade rival e visitar o seu arco várias vezes. Disto decorre que o 1×0 foi pouco. E foi mesmo. “Mas quem se importa com isso?”, diriam os dirigentes da CONMEBOL? Afinal, não há placar qualificado na decisão da Recopa. Importa mais que o Galo saiu na vantagem. E ela pode ser decisiva no jogo de volta, em BH, na próxima semana.
Cadê o Lanús? Ninguém viu! Mas não era o anfitrião? Pouco importa, não foi para o jogo. Quem foi então? Um bando de jogadores sem foco, gordinhos até. Desatentos. Parecia que todos eles estavam de mal com a bola. A “pelotita” não era bem tratada, amaciada e chamada de meu bem. Era só chutão na redonda e a coitadinha vivia voando da defesa para o ataque, sem passar pelo espaço da cancha que ela mais aprecia: o meio-campo. Coisa feia de ver.
Quanto a esquemas o Lanús foi assim: um 4-3-3 no papel e um 4-3-l-2, na real. Problema é que os três do desenho eram volantes. E ao menos no jogo de hoje foram três cabeças-de-bagre. E da pior espécie. Melano era meia isolado e sem bola. Deprimido, ele preferia recuar para uma segunda linha de quatro, no meio. Fosse assim e seria algo bom; mas não foi. Sem nenhuma boa vontade com a partida, as duas linhas se aproximavam, ficavam juntinhas e recuavam para proteger a área de Marchesín. Isto em si já é feio. Mas o resultado disso foi um quadro horrendo: um vasto meio-campo sem ninguém para povoá-lo. Efeito disso? Pelota voando da defesa para o ataque. A procura de quem? De ninguém, pois tanto Tanque Silva quanto Benítez tentavam recuar para matar a saudade da bola.
E o Galo? Era um retrato sem cor de um time que aprendeu a ser decisivo. E por quê? Porque Ronaldinho estava emburrado. Fazia cara feia pra bola e não sabia tratá-la com a maestria que todos conhecem. Não estamos falando em querer, mas em saber oferecer um fino trato à pelota. Em parte, talvez em razão de que o tempo de R10 já passou; em parte, talvez pelo fato de que nas férias é melhor comer bem do que treinar um pouquinho. Melhor se divertir do que trabalhar. Melhor maltratar o corpo nos exercícios do prazer do que no castigo diário de uma academia. Melhor pararmos por aqui, para isto não virar uma crônica de fofocas. Melhor pensar que o Galo tem gente que pensa. E essas pessoas estavam no banco.
Levir Culpe é um deles. Guilherme outro. E vejam só… Jô também. Além de Ronaldinho, havia outro que só fazia papel. Tanto é assim que o resumo do esquema era esse: um 4-4-0-1. O zero era o André, sem função na equipe; sem noção de onde estava. Sem noção de quem era. Sem noção. Uma tristeza a presença do moço. E o problema ficava todo com o Maicosuel, o tal do “mago”, que volta a desfilar seu futebol em canchas tupiniquins. Em tese, era para ser atacante de lado de campo. Mas como o André era invisível, o “Mago” ocupava o mesmo espaço que ele. E se sentia estranho. Então voltava para ver se achava algo para fazer no meio-campo. Batia cabeça com Ronaldinho e ficava perdido. Fazia as vezes de ala e tampouco era feliz, já que esse era o único setor da equipe em que as coisas aconteciam. Desta forma, era útil que tanto R10 quanto André fossem embora. E foram.
Na segunda etapa, Jô entrou no lugar de André; Guilherme no de Ronaldinho. E o Galo se achou. Meio-campo ganhou dinamismo. O ataque também. Guilherme otimizou o trabalho dos alas, soube articular com passes precisos e curtos. Soube preencher o setor com um mínimo de qualidade necessária à construção da vitória. E para tanto, encontrou no ataque alguém que sabia fazer o mínimo para um centroavante: o pivô. Jogando de costas para Marchesín, Jô foi decisivo também para o trabalho de Guilherme. Quase todas as pelotas eram ganhas de um sonolento Braghieri. Além disso, as duas alterações finalmente deram sentido às presenças de Tardelli e do Mago Maicosuel. E não fosse por Marchesín o Galo chegaria no arco várias vezes.
Contudo, bastou chegar uma vez, já que pouco importa o número de gols da vitória. Aos 20 minutos, a pelota sofreu aquele carinho típico dos bons momentos do futebol brasileiro. Mas a descrição não diz tudo. Necessário completá-la batendo na tecla de que o Granate estava sonolento e pouco a vontade com o jogo. Todo mundo com sono. Numa cobrança rápida de lateral a pelota caiu nos pés de pés de Jô. Passe bonito para Guilherme e uma assistência perfeita para Tardelli. Pelota no arco, aos 20 minutos da segunda etapa.
Outras chances apareceram, pois o Lanús seguia sofrendo nas disputas do meio-campo. Mesmo a entrada de Lautaro Acosta foi suficiente para modificar o panorama e oferecer um pouco de vida ao Granate, em termos de articulação de jogadas. Disto decorre que a vitória do Galo foi justa. Resta saber se na próxima semana o Lanús ainda estará de férias ou se vai entrar em campo em BH. Independente disso, basta para o Galo que saiba tirar proveito do resultado de ida. Para tanto, mais de 30 mil ingressos já foram vendidos. Prova de que a fiel torcida do Galo se une à equipe na busca de seu quarto título internacional.
Rodolfo Fischer foi ídolo do San Lorenzo e do Botafogo, onde ganhou o apelido de Lobo. Até a data de nascimento dele é objeto de divergência entre as fontes.
Segundo a Wikipédia e blogs, referências nem sempre fiáveis, Rodolfo José Fischer nasceu em 2 de abril de 1944. Outras fontes, como o livro Quién es Quién en la Selección Argentina (de 2010) e a edição especial da revista El Gráfico voltada aos cem maiores ídolos do San Lorenzo (de 2011), apontam que a data correta do seu aniversário de 60 anos é hoje. De qualquer forma, Fischer, que era filho de um brasileiro, fez história no time do Papa e no Botafogo. E também na seleção, embora nem tanto pelos gols e sim por outra razão: segundo aquele mesmo livro, foi El Lobo o primeiro usado por ela desde um clube estrangeiro, o Fogão.
Nasceu em Oberá, na província de Misiones, fronteiriça aos três Estados da Região Sul do Brasil. O pai, Benjamin, era mesmo brasileiro, um gaúcho de origens alemães. Rodolfo unia outras rivalidades no sangue: a mãe era uma polonesa e entre os bisavós do atacante de feições mais indígenas do que germano-eslavas estavam russos e alemães inimigos na Primeira Guerra Mundial. O pai era dirigente do Atlético Oberá e ali o filho começou a trajetória no futebol, embora não em tempo integral: após formar-se no colegial, foi estudar odontologia em Rosario, onde um de seus lazeres era jogar bola no Estrella del Sur. Foi ao San Lorenzo por indicação de um tio, ex-atleta azulgrana.
Fischer estreou em um 18 de abril de 1965 num 1-1 com o Argentinos Jrs. Teve espaço após a tragédia que acometeu o colega Victorio Casa, que perdeu um braço em equívoco da Marinha – contamos aqui. Mas Casa incrivelmente seguiu titular mais um tempo e Fischer jogou só mais duas vezes nesse ano, brilhando em uma: no clássico com o Huracán, o San Lorenzo venceu por 4-2 com dois gols do novato, que para a temporada seguinte começou titular. Curiosamente, um dos jogos da pré-temporada de 1966 foi contra o Botafogo, que soube vencer por 2-0 no estádio do River (gols de Jairzinho e Bianchini).
O reinício para El Lobo foi cambaleante. Após jogar muito mal contra o Atlanta na segunda rodada, ficou onze jogos ausente. Até que marcou três gols no Newell’s em um jogo de times B. Não voltou a sair dos titulares e teve tempo de registrar sete gols em 1966, incluindo em um 4-1 sobre o rival Huracán e em 2-1 dentro da Bombonera sobre o Boca. Em 1967, já começou o ano marcando o único gol de clássico amistoso com o Huracán em Mar del Plata para terminar como o artilheiro do elenco, com 18 gols, incluindo em cada clássico com o rival (triunfos de 2-0 e 2-1) e dois em um 3-2 no River. Formando boa linha ofensiva com Héctor Veira e Narciso Doval, terminou enfim estreando pela seleção argentina. Sua jogada característica era a bicicleta, como os argentinos chamam a pedalada (a “nossa” bicicleta é chamada por eles de chilena).
Contra o River e marcando nos 6-0 sobre o Flamengo em 1972
No início de 1968, os dirigentes sanlorencistas pensaram em vende-lo ao River. Os torcedores, dessa vez, já idolatravam Fischer, a ponto de impedir e venda. Deu certo: naquele ano, o San Lorenzo se tornou o primeiro campeão argentino de forma invicta na era profissional ao vencer o Torneio Metropolitano (falamos aqui) e Fischer foi o vice-artilheiro do torneio, além de marcar o gol decisivo na final contra o grande Estudiantes da época – depois de já ter vazado o Boca em 2-1 na Bombonera e logrado duas tripletas (5-1 no Atlanta e 3-0 no Ferro Carril Oeste, ambas fora de casa). Curiosamente, ele reencontrou o Botafogo em nova derrota para os alvinegros, em amistoso não-oficial pela própria seleção argentina (1-0, de Jairzinho, na Cidade do México, em 24 de agosto). Embora mais valorizado pelos puristas, porém, o Metropolitano ainda não classificava seu campeão à Libertadores.
Fischer não foi usado nas eliminatórias e a seleção, como se sabe, não se classificou. Erro que ele demonstrou no Torneio Nacional de 1969, onde foi artilheiro com direito a mais duas tripletas, em 5-2 sobre o Talleres e em 5-0 no San Martín de Tucumán, e pela assistência em vitória argentina sobre o próprio Brasil de 1970 meses antes do Mundial, no Beira-Rio. O ano de 1970 seria agridoce por outros motivos também: o atacante acumulou 27 gols por um Ciclón que teve pinta de campeão no Torneio Metropolitano, mas perdeu gás na reta final apesar dos gols de matador sobre o Huracán e nos líderes Independiente e River; e o time ainda chegou à decisão da Copa Argentina, que terminou não concluída após a primeira partida com o Vélez ficar no 2-2. A equipe saiu-se melhor em torneios de verão na Europa, com Fischer deixando o dele em 5-0 sobre o Borussia Dortmund pela final do Troféu Costa Brava, em Girona; e em 3-2 sobre o Anderlecht pelo bronze do Torneio de Cádiz. Também houve medalha de prata, no tradicional Teresa Herrera, perdido apenas nos pênaltis para o Ferencváros.
Em 1971, foram 28 gols somados de Fischer nos dois campeonatos (dentre os amistosos, destaque a um em 3-1 sobre o Inter Bratislava em Buenos Aires), nos quais o time de Boedo, com gol dele, conseguiu sua maior goleada oficial sobre o Huracán até então – um 5-1. Fischer ainda deixou dois cada em cada “clássico secundário” com o Boca, além de novas tripletas duplas (5-2 no Ferro, 4-2 no Colón), mas o máximo alcançado foi o vice no Torneio Nacional. Para 1972, o clube reuniu passado e presente, recontratando o maior artilheiro de sua história para fazer dupla com Fischer: José Sanfilippo, que retornava após dez anos pelos quais trotara por Boca (fora o artilheiro das finais da Libertadores contra o Santos, em 1963), Nacional (novamente vice da Libertadores no ano seguinte) e mesmo Bangu e Bahia.
Sanfilippo não triunfara no Rio em tempos fortes dos alvirrubros, campeões cariocas de 1966 ainda sem ele, mas deixara Salvador como ídolo. Nessa toada, o San Lorenzo conseguiu outro ineditismo em 1972: foi campeão tanto do Metropolitano quanto do Nacional (leia aqui), os dois torneios que dividiram o calendário dos principais clubes do país entre 1967 e 1985. Mas Fischer saiu ainda em meio ao Metropolitano, mas a tempo de deixar 11 gols em 12 jogos na campanha (três, em um 4-0 no River dentro do Monumental, com Sanfilippo completando) e não foi esquecido na música que embalou a conquista: “Con Irusta y Glaria, con Espósito y Rosl, el recuerdo de Fischer también estará“. Em 25 de maio, El Lobo já havia acertado com o Botafogo quando jogou um 0-0 com o Paraguai em Salta. Ali a Albiceleste usou pela primeira vez um jogador de um clube estrangeiro.
No fim da carreira: no Vitória e campeão da segundona argentina no Sarmiento de Junín, em 1980 (agachado ao meio)
Fischer seguiu na seleção para a Taça Independência, em junho, uma minicopa organizada para celebrar os 150 anos da independência do Brasil. Chegou a marcar quatro gols na seleção da CONCACAF, a última vez que alguém marcou tanto pela Argentina (ele já havia somado quatro gols pela seleção em jogo não-oficial em 1967, em 6-1 contra o combinado de Posadas). Apesar do pioneirismo, sua ida ao futebol brasileiro lhe afastou de novas convocações posteriores, embora fizesse sucesso no Botafogo: terminou 1972 vice-campeão brasileiro, com destaque para um 6-0 no Flamengo em que Fischer marcou dois. Apesar do temperamento forte embora introvertido, fez boa dupla com Jairzinho.
Em 1973, esteve na campanha semifinalista da Libertadores com o Glorioso: em uma primeira fase duríssima em que só o líder avançava, o Fogão eliminou a dupla Peñarol (com o argentino marcando no Rio e em Montevidéu) e Nacional e ainda o Palmeiras de Ademir da Guia. Mas a vaga na final foi perdida para o Colo Colo no fim do jogo contra o também chileno Unión Española. O Botafogo não conseguiu títulos na década, se aprofundando no famoso jejum de 21 anos, mas Fischer fez sucesso: por décadas foi o estrangeiro com mais gols no Brasileirão, só sendo superado pelo sérvio Dejan Petković, que jogou muitas vezes mais. Em 1976, o hermano foi jogar com o compatriota e ex-vascaíno Edgardo Andrada no Vitória, onde foi treinado pelo mesmo técnico daquele San Lorenzo de 1968 e que bancara a transferência junto ao Botafogo: Elba de Pádua Lima, o Tim.
Se eles sozinhos não puderam quebrar o domínio estadual do Bahia, o atacante ao menos deixou ótima impressão no Leão da Barra: 31 gols em só 41 jogos por um elenco que soube liderar seu grupo no Brasileirão, acima do próprio rival e da dupla Botafogo e Fluminense. Em 10 de junho de 1976, os dois argentinos atuaram com outros rubro-negros como Valdo e Osni em jogo contra um combinado do Resto do Mundo onde estavam ex-colegas de San Lorenzo: Doval e o goleiro Carlos Buttice – há quem chegue a considerar que foi amistoso de seleção brasileira. Clique aqui e confira. Fischer voltou ao San Lorenzo em 1977. E, já veterano, conseguiu somar mais onze gols e ser artilheiro do clube no Metropolitano. Ficou mais um ano e totalizou 141 gols (sete no clássico com o Huracán) em 272 jogos. Faltou só um gol para ser o terceiro maior artilheiro do CASLA, posto de Rinaldo Martino.
Um setor do Nuevo Gasómetro, estádio sanlorencista, leva o nome do Lobo, que seguiu carreira no Once Caldas por um pé de meia na Colômbia. Um último título veio no Sarmiento em 1980, vencendo a segunda divisão (o que colocou o time de Junín pela primeira vez na elite) ao lado de outros antigos ídolos azulgranas, como Roberto Espórito e Rubén Glaria, e promessas como José Iglesias. Glória final a quem se gabava com estilo: “Alfredo Di Stéfano disse que eu poderia jogar em qualquer parte e esse é o maior elogio que recebi”, declarou ele sobre o grande craque morto na semana passada. Fischer pendurou as chuteiras em 1981, na liga cordobesa pelo Sportivo Belgrano da cidade de San Francisco, reaparecendo na mídia brasileira por conta dos encontros entre Botafogo e San Lorenzo na Libertadores deste 2014. Acesse aqui a matéria do GloboEsporte.com. E clique aqui para conhecer outros elementos em comuns entre os dois clubes.
Com os mantos azulgrana e alvinegro em 2014 e na seleção argentina: é o último agachado. A seu lado, o ex-palmeirense Madurga. Sobre a bola, ao meio, está Carlos Bianchi
Cansado de esperar pelos reforços prometidos, Omar de Felippe deixou o comando técnico do Independiente. Até agora, o único nome que está perto de fechar com o clube é Mariano Echeverría, defensor do Arsenal. Sequer a renovação com Montenegro foi concretizada. O treinador que trouxe o Rojo de volta à elite se cansou e pediu o boné.
O primeiro nome na lista dos possíveis substitutos é o de Gabriel Milito. A favor do ex-defensor conta o fato de ser cria do Independiente, ídolo da torcida, funcionário do clube e ter uma trajetória como jogador que inclui quatro anos no Barcelona. O ponto negativo naturalmente é o fato de ter apenas 33 anos e jamais haver treinado uma equipe principal.
Outro nome forte é o de Jorge Burruchaga, que deixou o Atlético Rafaela, após salvar o clube do descenso em um desempate contra o Colón. Burru ganhou absolutamente todos os títulos possíveis com o clube como jogador (incluindo a Libertadores e o Mundial de 1984), e é nome histórico do Independiente. Também teve uma passagem como treinador por Avellaneda, ficando em 4o lugar no Apertura 2006.
Tata Martino na Seleção Argentina assumiu depois de Sabella, herdando um elenco vice-campeão do mundo.
Na tarde de hoje surgiu a notícia de que Gerardo Martino estaria acertado com a AFA para ser o substituto de Alejandro Sabella na seleção argentina. A informação apareceu em vários veículos da imprensa argentina, e de lá atravessou fronteiras. No entanto, trata-se de algo a ser visto com muito cuidado. Que Tata é uma possibilidade para assumir o comando técnico da seleção em caso de vacância do cargo, não resta dúvida. Mas será que já há um acerto neste sentido?
Para começar, Alejandro Sabella ainda não deixou a seleção, e, como informamos hoje mesmo, a AFA gostaria de tê-lo até a Copa América de 2015, ao menos. Sabemos que cartolas, em especial os sul-americanos, não são conhecidos por manter a palavra, mas é algo a se levar em conta. Tanto mais que Claudio Gugnali, ajudante de Sabella, declarou hoje à Rádio ESPN FM, que a AFA de fato demonstrou interesse na continuidade do treinador atual.
Também vale notar que a fonte das reportagens é um vice-presidente da federação paraguaia. Federico Acosta disse à Rádio 730 de Assunção que soube do acerto “pela imprensa”, o que é verdadeiramente estranho, já que as reportagens sobre o assunto são baseadas exatamente em suas declarações.
A reportagem do Futebol Portenho conversou com jornalistas que ouviram pessoas próximas ao ex-treinador do Barcelona. Segundo essas fontes, o entorno de Martino afirma que de fato houve um convite para assumir novamente a seleção paraguaia, mas o convite foi rechaçado pelo treinador. Para as pessoas próximas a Martino, as declarações de Acosta seriam uma desfeita contra o Tata em função da recusa.
Ainda segundo essas fontes, não houve até o momento nenhum contato da AFA com Martino. Mais que isso, o treinador estaria inclinado a não aceitar um eventual convite para dirigir a seleção de seu país. Avalia que não poderia trabalhar como gostaria, pois estaria atado aos interesses de Julio Grondona e seus amigos e parceiros comerciais. Nessa linha de raciocínio, Tata daria preferência a outras possibilidades (teria já duas ofertas de clubes europeus e estaria esperando por outras).
Esta parece ser a situação do momento. Mas nada impede que amanhã Sabella anuncie seu desligamento da seleção e a AFA convença Martino a aceitar o posto. Mas no dia de hoje o que foi possível apurar é que o nome de Sabella segue sendo o preferido de Grondona, e que um acerto com outro treinador só viria a ocorrer quando o atual treinador deixar claro que não seguirá, o que ainda não ocorreu.
O Estudiantes campeão em 2009 teve Verón e Boselli como protagonistas, numa conquista que os pinchas ainda descrevem como recente.
Verón e Boselli
Como os pinchas já descreveram: parece que foi ontem. Mas não. Já se completam cinco anos que Juan Sebastián Verón fez o majestoso gesto de levar a taça da Libertadores da América no tetracampeonato do Estudiantes de La Plata.
O Estudiantes LP foi o único campeão que veio da fase preliminar da competição. Teve a terceira campanha mais cheia de jogos (16 ao todo) até o título e a maior desde 1967. E a campanha para o tetra não foi fácil. Desde o gol de Ramón Lentini contra o Sporting Cristal na fase preliminar que deu a classificação ao Estudiantes para a fase de grupos ao gol decisivo de Mauro Boselli sobre o Cruzeiro.
A equipe do técnico Alejandro Sabella, que se credenciaria anos depois a ser técnico da Argentina vice mundial (uma das críticas a seu trabalho foi justamente o alto número de jogadores de técnica contestada com quem trabalhara no Estudiantes. Mas o mais criticado, Marcos Rojo, foi eleito o melhor lateral da Copa 2014), se classificou em segundo no grupo 5, do qual o próprio Cruzeiro havia terminado na liderança e o vencido por 3-0 no Mineirão. Com três vitórias, um empate e duas derrotas na primeira fase, o time de La Plata partiu para o mata-mata vencendo todas e chegou à final.
O clube emplacara três Libertadores nos anos 68, 69 e 70, com um estilo que ainda divide opiniões: alguns desmerecem as quatro finais seguidas na competição (as três primeiras, vencidas) e um troféu Intercontinental por serem supostamente fruto de pura violência e antijogo; quando muito, admitem somente Juan Ramón Verón, pai de Juan Sebastián Verón, como único craque. Frisamos que aquele time era mais irritantemente astuto do que necessariamente violento: veja aqui, aqui e aqui. Fato é que o clube de La Plata já passava 39 anos sem ver a taça e precisava sair desta seca.
“Ele e seus companheiros conquistaram o que tantas vezes sonhamos. É a continuidade de um projeto (…). Imediatamente depois da final, me lembrei de Osvaldo Zubeldía, o criador de toda essa revolução. E graças a esse elenco, agora todos os torcedores do Estudiantes poderão dizer que sabem o que é ganhar uma Libertadores (…). Foi realmente emocionante, porque pudemos voltar a viver sensações que ficaram gravadas no coração há 40 anos”, declarou Carlos Bilardo, técnico da Argentina campeã de 1986 que, como jogador, estivera naquele Estudiantes vencedor dos anos 60. Zubeldía era o seu técnico ali.
Após a “era do Tri”, a equipe alvirrubra de La Plata foi a que mais sofreu com o jejum da Libertadores dentre aquelas que já venceram o torneio mais de uma vez. Apesar de títulos argentinos em 1983 (com Sabella como meia-armador do clube: confira aqui), o clube havia voltado a se portar como o time médio que era antes daqueles títulos em série, chegando até a ser rebaixado com um iniciante Verón filho em 1994. O time voltou a emergir com o retorno do já consagrado até Verón em 2006. Mas faltava faturar novamente a Libertadores, uma questão de honra principalmente para o capitão.
O Estudiantes enfrentou o Cruzeiro, comandado por Adílson Batista, no místico estádio Mineirão em busca da vitória para ser campeão da Libertadores. O estádio carregava consigo um retrospecto desfavorável para as equipes argentinas. De 35 confrontos, os argentinos só saíram vencedores em quatro oportunidades. Mesmo com os clubes argentinos mostrando superioridade de títulos na América do Sul, eles costumavam não se dar bem no Mineirão. Os pincharratas conseguiram superar isso naquela noite do dia 15 de julho de 2009.
Antes, no jogo de ida em 8 de julho, o Estudiantes contou com 52 mil torcedores no Ciudad de La Plata, na partida que terminou sem gols e com a certa satisfação de “dever cumprido” por parte da equipe brasileira. Mal poderia ela esperar pelo que iria ver uma semana depois.
Na partida de volta, era o tudo ou nada. O Cruzeiro abriu o placar no primeiro tempo, em um momento onde não criava muita coisa. Henrique, de fora da área, arriscou e marcou após desvio de Leandro Desábato, um dos zagueiros argentinos mais comentados no Brasil. Mas Gastón La Gata Fernández conseguiu o empate logo na sequência, após uma bobeada da defesa cruzeirense, no qual pensava que o título já estava com eles. Fernández recebeu de Christian Cellay, bem lançado por Verón nas costas de Gérson Magrão. Foi daí que o “Mineirazo” começou a se desenhar.
As atenções estavam voltadas para Verón, que não foi tão vistoso como seu pai. Pelo contrário. Na partida decisiva, bem marcado, apareceu pouco à vista da maioria. No entanto, tomou conta do meio-de-campo, sendo quem mais desarmou naquela noite. Kléber e Wellington Paulista não conseguiam receber a bola de Ramires e Marquinhos Paraná. Verón também armava: foi dos pés dele que saíram os dois gols argentinos. O segundo, em cobrança de escanteio para Maurito Boselli, ex-Boca Juniors, cabecear e virar o marcador do Mineirão para dar a vitória por 2 a 1 para os pinchas.
Se aproximando o fim, os argentinos administravam totalmente o jogo. O goleiro Mariano Andújar mostrava ser nome forte para a seleção argentina naquela época, tomando o lugar que poderia ter sido de Juan Pablo Carrizo na Copa 2010, que contou ainda com Clemente Rodríguez e Verón, é claro – Enzo Pérez veio à de 2014 junto com o reserva Federico Fernández. Outro membro era o caudilho Rolando Schiavi, que dali a uns meses se tornaria o mais velho estreante na seleção. Rodrigo Braña, Christian Cellay, Mauro Boselli e até Leandro Desábato receberiam chances também.
O público do time mineiro se calou. Cerca de 65 mil pessoas estavam apreensivas com o destino que o jogo tomava. Já os poucos torcedores pinchas que estavam lá faziam sua parte, gritando e alentando sem parar. La Brujita Verón praticamente segurava para não chorar. Mas depois do apito final não conseguiu se controlar, assim como os pinchas que viveram aquele momento. Choro, emoção, arrepio. Se a fórmula SA = S²+L (Sucesso do Aluno = Sangue, Suor + Lágrimas) tem eficácia com os vestibulandos, o Estudiantes soube aplicá-la muito bem para se tornar tetracampeão da América.
Os soldados de Sabella já haviam demonstrado não se assustar com o fator Brasil em uma final: seis meses antes, haviam vencido o Internacional, no Beira-Rio, pela final da Sul-Americana 2008, mas acabaram perdendo aquele título ao levarem o empate na prorrogação. Mas há cinco anos cravavam suas cores vermelha e branca no Mineirão. E La Brujita fez história.
Além disso, Verón também teve a missão de levantar a Taça mais desejada da América, tendo o prazer ainda de dar a volta olímpica ao lado do pai. Será que seu filho, El nieto de la Bruja, vai ser campeão da Libertadores também? Essa pergunta passa pela cabeça de todos os pinchas, mas só o tempo dirá. Foi bonito e ficará para sempre este dia em que o Estudiantes LP reencontrou a América pela quarta vez.
No bololô geral, Verón se destaca. A seu lado, o técnico Sabella, que treinou a Argentina vice mundial no Brasil
O Lanús na Recopa se preparou com um amistoso contra o San Lorenzo durante o Mundial de Clubes.
Lanús fez amistoso com o San Lorenzo durante a Copa do Mundo.
A Copa do Mundo pode parar todo o planeta e aficionados por futebol. Mas os clubes não pararam por conta dela. Um ou outro jogo, principalmente aqueles onde as seleções jogavam, tudo bem, mas num geral, nada de descanso. Até por que vários times já têm compromissos agendados. Ao exemplo do Lanús, que nesta quarta-feira enfrenta o Atlético Mineiro, pela final da Recopa Sul-Americana.
A partir das 22h desta quarta-feira, em La Fortaleza, o Lanús tenta parar o time de Ronaldinho Gaúcho e companhia. O time de Guillermos Schelotto terá algumas mudanças em relação a equipe que terminou o Torneio Final, antes da Copa do Mundo. Ismael Blanco, Jorge Pereyra Díaz, Paolo Goltz, Carlos Izquierdoz e Gonzalo Castillejos não fazem mais parte do plantel. Por outro lado, Iván Bella, Matías Ibáñez e Gustavo Gómez chegaram à equipe, além de outros jogadores que retornaram de empréstimo, como o caso de Diego Braghieri, que no ano passado fez uma falta polêmica em Ronaldinho, quando atuava pelo Arsenal.
Para a partida contra o Galo, Guille deve utilizar a mesma equipe que enfrentou o San Lorenzo, em amistoso no último dia 9, no campo auxiliar do Nuevo Gasómetro (o Ciclón também tem confrontos marcados para o próximo dia 23, contra o Bolívar, em casa). Na situação, o jogo ficou empatado em 1×1 após dois períodos de 40 minutos. O time atuou com Agustín Marchesín; Carlos Araujo, Gustavo Gómez, Diego Braghieri, Maximiliano Velázquez; Diego González, Leandro Somoza, Víctor Ayala; Lucas Melano, Santiago Silva e Oscar Benítez.
Além do amistoso contra o San Lorenzo, o Lanús venceu o Gimnasia LP por 2×1 no dia 5 de julho, com dois gols de Oscar Benítez. A partida foi disputada com um tempo de 35 minutos e outro de 30. O clube iniciou a sua pré-temporada no dia 23 de junho, em um Resort Luján, na província de Buenos Aires.
A AFA tenta manter Sabella no comando até a Copa América seguinte, com o ciclo começando dois meses depois.
Daqui a pouco menos de dois meses a Seleção Argentina iniciará o seu ciclo para a Copa América do ano que vem e para o Mundial de 2018, na Rússia. Contudo, ainda não é sabido qual treinador comandará a Albiceleste no próximo dia 7 de setembro, novamente com os alemães, em Düsseldorf.
Na Associação de Futebol Argentino (AFA), fala-se em prolongar o contrato de Alejandro Sabella por ao menos um ano mais, visando justamente a Copa América. O torneio será realizado entre os dias 11 de junho a 4 de julho, com mais uma oportunidade para a Seleção Argentina sair da FIFA, que completará 22 anos no ano que vem (última conquista foi em 1993).
Durante a entrevista coletiva após o jogo contra os alemães, Sabella preferiu não falar sobre o seu futuro. “Agora quero descansar e estar com os meus colaboradores e minha família. Sei que a Seleção tem compromissos assumidos, mas depois verei”, destacou o comandante da Albiceleste.
À frente da Seleção Argentina, Sabella comandou 31 jogos, com apenas cinco derrotas – duas no Superclássico das Américas, duas nas Eliminatórias (Venezuela e Uruguai) e mais recentemente contra a Alemanha, no segundo tempo da prorrogação. Até pelos números, há o desejo de que o treinador permaneça sob o controle da Seleção.
Ainda assim, a imprensa argentina especula três nomes caso Sabella não deseje ficar. O candidato mais forte é o de Diego Simeone. Contudo, o treinador chegou a admitir que ainda não está preparado para assumir tal posto, uma vez que necessita agregar mais experiência na profissão.
Gerardo Martino, que não fez um trabalho tão bom no Barcelona, também é cotado, mas suas criticas ao futebol argentino deixam-no um pouco fora do páreo. Fala-se também em Ricardo Gareca, que recentemente iniciou seu trabalho no Palmeiras. Pekerman e Sampaoli correm por fora.