Durante a última semana, o Vélez foi retratado por diversas vezes como um adversário duríssimo para o Santos. De fato o clube de Liniers merece ser visto com respeito, mas é importante notar: a equipe não vive um bom momento.
O Fortín que os brasileiros provavelmente se lembram é a bela equipe do primeiro semestre de 2011. Com bons jogadores, excelentes opções de banco e um futebol envolvente, o Vélez venceu de forma inquestionável o Clausura 2011. E teria feito uma inesquecível final da Libertadores com o Santos, caso não houvesse sido eliminado de forma surpreendente pelo Peñarol na semifinal.
Mas as coisas mudaram. A equipe perdeu jogadores importantes, em especial o enganche Maxi Moralez e o centroavante Santiago Silva, que ainda não foram substituídos à altura. O talentosíssimo Burrito Martinez ainda não encontrou seu melhor futebol em 2012. O treinador Ricardo Gareca ainda não encontrou sua equipe ideal. E reforços como Insua, Pratto e Óbolo ainda não mostraram o futebol que se esperava.
Mesmo com essas dificuldades, o Vélez conseguiu se impor claramente ao instável mas forte Atlético Nacional. E a escalação da equipe que enfrentará o Santos sugere que a postura será semelhante à que se viu contra os colombianos, com muito pragmatismo no lugar do jogo vistoso visto em 2011.
O setor defensivo do Vélez é o mesmo há anos. Barovero no gol, Ortiz e Dominguez na zaga, Cubero e Papa como laterais. Embora longe de serem jogadores excepcionais, são confiáveis e se aproveitam do bom entrosamento. Mas as contusões de Ortiz e de Tobio, seu substituto imediato, trouxeram um problema. Cubero será deslocado para a zaga central, onde não está acostumado a atuar, e o jovem e inexperiente Peruzzi será o lateral direito. O que significa que o setor onde atua Neymar estará armado com improvisações indesejadas.
A se julgar pelo visto em partidas anteriores, Ricardo Gareca deverá utilizar um trio de volantes à frente da zaga, composto por Cerro, Cabral e Zapata. O objetivo é proteger a defesa fortinera, mas os três jogadores são capazes de se lançar ao ataque, auxiliando na marcação mas também colaborando na armação. O destaque é Victor “Chapa” Zapata, com seus avanços qualificados, geralmente pelo lado esquerdo do meio campo.
O caminho para uma eventual vitória fortinera deverá passar pelas jogadas de Fernandez pela direita e Martinez pela esquerda. Os dois jogadores, que estão entre os mais importantes da equipe, são responsáveis pelas jogadas mais agudas do Vélez em 2012. O ponto de chegada das jogadas é o camisa 9, que normalmente é Lucas Pratto, mas hoje será Mauro Óbolo, devido à lesão do titular.
O Vélez que enfrentará o Santos deverá atuar de forma cautelosa e pragmática. Ciente da superioridade do adversário e temerosa da alteração no lado direito da zaga, o Fortín deverá buscar se proteger ao máximo do poderoso ataque rival. A grande arma ofensiva deverá ser o contra-ataque, com atuação destacada de Fernandez e Martinez, apoiados pelo avanço na surpresa dos volantes.
Defensivamente a equipe do Tigre Gareca deverá tentar “encaixotar” Paulo Henrique Ganso entre os volantes, e neutralizar Neymar com a ação de Peruzzi e Cubero, com a possível ajuda de Cerro. Se a estratégia “marcação e contra-ataque” funcionar, o Fortín terá chance de vitória e inclusive de classificação. O risco é se ver dominado por um Santos que tem diversos jogadores capazes de decidir a partida. A grande questão será ver qual das duas equipes conseguirá impor seu jogo ao rival.
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