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Vélez chega às semifinais em seu melhor momento no ano

O Vélez mudou poucos nomes em 2011 em relação ao bom time de 2010. Apesar disso, o início do ano foi muito dificil para o Fortín, que quase nem se classificou para a segunda fase da Libertadores. Mas com o passar do tempo a equipe se acertou, e hoje lidera o Clasura e chega como favorito às semifinais do torneio continental. Entenda o que mudou.

Quando 2011 começou a equipe perdeu Somoza, o xerife do meio campo, cedido ao Boca Juniors, mas trouxe David “Mago” Ramirez, um dos melhores jogadores argentinos de 2010, do Godoy Cruz. O grande desafio do treinador Ricardo Gareca era encaixar o jogador no bem azeitado 4-3-1-2 que há anos estava estruturado no clube. Até porque o trio ofensivo formado por Maxi Moralez, Burrito Martinez e Santiago Silva já estava consolidado, e a expectativa era por saber como Ramirez, um meia atacante, seria aproveitado nesse sistema.

Após maus resultados, El Tigre resolveu investir em um novo sistema e dar por encerradas as experiências com Ramirez, condenado a ser mais um reserva de luxo do Fortín, ao lado do talentosíssimo Ricky Alvarez. A equipe encontrou sua maneira de jogar em uma nova distribuição de jogadores pelo campo que é de dificil definição, mas talvez seja adequadamente expressa como um 4-4-1-1.

O setor defensivo é o que todos já conheciam. No gol o limitado Barovero. Nas laterais o seguro Cubero, o líder da equipe em campo, e o ofensivo Papa. Pelo centro o confiável Sebá Dominguez (ex-Corinthians) e o vacilante Ortiz. A novidade está na linha de quatro jogadores formada por Gareca. Um setor que é uma grande novidade formada apenas com jogadores que já estavam no clube.

Quem substituiu Somoza como xerife do meio campo foi Franco Razotti, que se planta à frente da defesa para dar o primeiro combate aos atacantes adversários. A seu lado, com mais liberdade de apoio, está Victor Zapata, canhoto com bom passe. Pelo lado direito, joga Augusto Fernandez, jogador revelado pelo River e que se encontra na melhor fase de sua carreira, atacando e defendendo com eficácia. Pela esquerda, Burrito Martinez, antes um atacante agressivo, agora ataca e defende pelo lado esquerdo.

À frente da linha de meio campo atuam dois velhos conhecidos da torcida fortinera. Como enganche Maxi Moralez, habilidoso, com muita visão de jogo e capaz de se deslocar com facilidade pelos lados do campo. À frente o Gorila Branco Santiago Silva, potente como sempre e melhor do que nunca.

O sistema pode parecer simples e defensivo, mas não é nenhuma das duas coisas. Quando a equipe recupera a bola o lado esquerdo do Vélez se transforma em arma mortal, com o avanço qualificado de Papa, o enorme poder ofensivo de Burrito Martinez e a tendência de Zapata a se adiantar por esse lado. É o lado forte do ataque do time, o que mais atrai atenção dos adversários. E exatamente por isso são igualmente mortais as viradas de jogo de Moralez e Zapata para que Fernandez entre de surpresa pela direita para marcar gols e fazer assistências.

O avanço de Martinez e Fernandez subitamente transforma o sistema frequentemente em um 4-2-3-1, ou até em um 4-1-4-1 com quatro meias ofensivos, com a chegada de Zapata. Martinez pode entrar em diagonal enquanto Zapata abre pela esquerda, e nesses momentos a equipe pode até configurar um 4-1-3-2.

Com isso, Ricardo Gareca encontrou uma equipe simultaneamente sólida na defesa e extremamente agressiva no ataque. Com seus jogadores talentosos, seu sistema flexível e um ótimo conjunto, o Vélez é o grande candidato ao título do Clausura e chega muito forte nas semifinais da Libertadores.

Tiago de Melo Gomes

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

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