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Verón: o poderoso chefão

A recente saída de Alejandro Sabella, após uma vitoriosa passagem pelo comando técnico do Estudiantes, reacendeu uma polêmica. Afinal, qual o papel de Juan Sebastian Verón no Estudiantes? O jogador teria mais poderes do que seria desejável?

Uma matéria publicada hoje no Perfil, um importante periódico portenho, jogou gasolina na fogueira. No texto, Verón aparece como alguém que elege o presidente do clube, escolhe os reforços (baseado na amizade com os representantes; La Brujita teria vetado a chegada de Farias por ser representado por um desafeto) e decreta a saída de treinadores e atletas.

Em um exemplo, Verón explica a um atônito representante de atleta que quem decide quem é contratado no clube é ele, e não o treinador. Em outro, La Brujita decreta o corte de José Luis Calderón da delegação pincha que iria enfrentar o Barcelona no mundial de clubes de 2009. Motivo: o atleta discutiu com Angeleri, membro do grupo de Verón.

A reportagem (que conta outras histórias do mesmo tipo) contemporiza. Lembra que Verón várias vezes desembolsou seu próprio dinheiro para manter jogadores na equipe e para realizar melhorias na infra-estrutura do clube. E acrescenta que é um atleta modelo: treina mais do que todos e dentro de campo é o cérebro e coração da equipe.

A situação não é simples. Por um lado, Verón é evidentemente o maior atleta da história do clube, e tem todos os motivos para ser idolatrado pelos torcedores, respeitado pelos dirigentes e reverenciado pelos colegas. Por outro, é evidente que sua atuação extrapola suas funções em um nível que não se pode ignorar. A polêmica certamente está longe de acabar.

Tiago de Melo Gomes

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

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