Categories: Arquivo

Blog FP: Mouche – uma contratação qustionável

Segundo veículos brasileiros e argentinos, haveria vários clubes brasileiros interessados no futebol do atacante Mouche, do Boca Juniors. No final da noite de 2a feira circulou a informação de que o Santos já teria acertado tudo com o jogador. Uma contratação que a princípio não parece ser das mais felizes.

Pablo Nicolás Mouche tem 24 anos, e atua como um segundo atacante, preferencialmente pelos lados do campo. É veloz e participativo. No entanto, é muito pouco efetivo: marcou apenas 8 gols em suas 104 partidas pelo Boca Juniors, uma performance absolutamente medíocre para um atacante, ainda que não exatamente um homem de área, uma referência.

No último Apertura, em que o Boca se sagrou campeão, Mouche marcou apenas uma vez, contra o Newell’s, e passou a maior parte do torneio no banco (na reta final, com as lesões dos titulares Viatri e Cvitanich terminou por começar jogando a maior parte dos confrontos). Vale notar que mesmo atuando no setor em que seu time tinha mais dificuldades, Mouche não conseguiu deixar de ser um reserva inquestionável.

Outros dois elementos podem ser citados: 1) basta percorrer os fóruns de torcedores xeneizes para constatar o quanto os hinchas estão felizes com sua partida; 2) exceto o interesse de clubes brasileiros, a imprensa argentina não noticiou nenhuma possibilidade de saída do jogador, seja para clubes argentinos, seja para o futebol de outros países.

Nada disso significa que Mouche não poderá ter um bom desempenho no Brasil. Talvez livre da pressão de uma fanática torcida que o hostiliza permanentemente possa render melhor. Mas o fato é que nada em sua carreira sugere que se trata de um jogador com grande potencial. A esperança dos torcedores do clube que eventualmente o contrate seria de que em um novo país Mouche encontre um futebol que nunca demonstrou em seu país natal.

Tiago de Melo Gomes

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

View Comments

  • Pa, eu acho o mouche um grande jogador que ainda nao consiguiu atingir o seu potencial. O gajo passou muitos anos no banco. Quando tinha de jogar, sem ritmo, acabava por fazer tudo mal. Agora esta mais maduro, é rapido, chuta bem, é bom a fintar, faz grandes cruzamentos. O problema dele é o caracter. E no Boca tinha pressao de mais porque tinha feito mal as coisas nos seus primeiros anos a jogar na equipa principal. Tenho a certeca de que o Pablito vai vingar no futebol brasileiro. Carrega Benfica. Grande abraco da Argentina.

Recent Posts

Entre a Furia e a Albiceleste: os argentinos que defenderam o outro lado da Finalíssima do Mundo

Originalmente publicado em 6 de setembro de 2010 em função de amistoso entre as duas…

7 dias ago

Antes da rivalidade, a herança: como os ingleses germinaram o futebol argentino

Originalmente publicado em 31 de julho de 2016, nos cinquenta anos do título inglês na…

1 semana ago

Helenio Herrera, (muito mais do que) o argentino que treinou as seleções de França e Espanha

"Eu sou imortal, meta isso na sua cabeça. Mas quando chegar a minha hora, quero…

1 semana ago

Suíça, que já teve argentino em Copa, é terra ancestral de dois campeões com a Argentina

Originalmente publicado em 30 de junho de 2014, revisado, atualizado e ampliado Os elencos argentinos…

2 semanas ago

Há 110 anos, no 1º Brasil x Argentina da Copa América, o gol hermano foi de um espectador negro

Originalmente publicado nos cem anos, em 1916 - e revisto, ampliado e atualizado Virou lugar-comum…

2 semanas ago

Cabo Verde, terra ancestral de muitos dos afro e luso-argentinos do futebol

O duelo de Argentina e Cabo Verde na Copa recoloca em evidência aquela que talvez…

3 semanas ago

This website uses cookies.