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Elementos em comum entre Racing e Vélez Sarsfield

Racing e Vélez Sarsfield fazem duelo caseiro na Libertadores, entre aquele que se orgulha de ser “o primeiro clube grande” contra quem gaba-se de ser “o primeiro a ser um grande clube”. A sutil diferença na construção desses lemas reflete bem as diferenças de visão entre ambos. Até as camisas alviazuis têm tons, listras e origens diferentes: em Avellaneda se honram as cores nacionais, enquanto no bairro de Liniers se remete à comunidade ítalo-argentina. Mas muita coisa aproxima La Academia e El Fortín para além da satisfação das duas torcida com “goleadas” de 1-0 advindas de um futebol aguerrido e aplicado (visão tão simbolizada no homem acima, Diego Simeone), como veremos.

Para explicar os slogans, é preciso falar da noção de grandeza no futebol argentino. Em 1937, a AFA definiu isso de modo oficial, sedimentando o conceito dos “cinco grandes”. Eles seriam Boca, River, Racing, Independiente e San Lorenzo, os únicos que até então cumpriam os três requisitos da entidade: vinte anos seguidos na primeira divisão, pelo menos dois títulos nela e mínimo de 15 mil sócios. Àquela altura, o Racing era inclusive o clube com mais taças na elite; eram nove, sendo sete delas seguidas, entre 1913 e 1919. Esse heptacampeonato ainda é um recorde e, como dos cinco grandes o Racing foi o primeiro a ser campeão, o lema ficou autoexplicativo.

Ocorre que o time de Avellaneda historicamente é marcado por administrações que no mínimo deixam a desejar em eficiência, para usarmos um eufemismo. O clube acostumou-se a jejuns de décadas, da feita em que elencos vitoriosos que calham de surgir – muito “apesar de” diretorias não “por causa de” – vão envelhecendo. Um primeiro se deu de 1925 e 1949. Depois, de 1967 a 1988. Na sequência, entre 1989 e 2011, e então de 2002 a 2014. Para não falar em hiatos menores, mas ainda assim chamativos: o time não é campeão argentino desde 2019, similarmente à espera vivida de 1952 a 1958 ou de 1961 a 1966. Mesmo o título de 2019 encerrou meia década de espera, desde 2014.

Em 1999, se clamava que a história do Racing “não pode terminar assim”. Foi o ano em que, por conta de presidências irresponsáveis como a do agredido Daniel Lalín, o clube “deixou de existir”

O Vélez, por sua vez, primou por investir-se como um clube social de primeira linha. Seu estádio leva o nome de José Amalfitani, o austero cartola que desde a década de 1910 até falecer viveu o clube, “convidando” simpatizantes que quisessem títulos a adotarem outras camisas: mais do que torcedores, Don Pepe Amalfitani queria sócios. Isso significou um único título na primeira divisão até os anos 90, mas reconhecimento dos próprios rivais quanto à infra-estrutura velezana (e em como o clube, pouco afeito a agitar o mercado com contratações bombásticas, valoriza as categorias-de-base). Não por acaso, o estádio acompanhou o Monumental como os dois campos de Buenos Aires contemplados como sede na Copa do Mundo de 1978. O cartola não viveu para tanto, falecido em 14 de maio de 1969; desde 1972, essa data virou o “dia do dirigente esportivo” na Argentina, indicativo à dedicação honrada de Amalfitani.

A chegada do Vélez à elite se deu inclusive nos bastidores, em 1919. É que naquele ano o campeonato sofreu em pleno andamento uma cisão, com divergências nas cartolagens se desdobrando na expulsão, pela Associação Argentina, do próprio multicampeão Racing juntamente com o então líder Independiente, o então bivice River e também San Lorenzo, Platense, Tigre e Estudiantil Porteño. O estopim envolveu o Vélez, então na segunda divisão: a expulsão de um atleta quando a infração teria sido cometida na realidade por um irmão dele gerou um tapetão que acalorou discussões. Reiniciado do zero, o torneio inclusive veria o primeiro título do Boca na primeira divisão.

Os times expulsos levaram o Vélez consigo para uma liga paralela. Nela, o Racing terminou campeão pela sétima vez seguida. Seu vice seria o próprio Vélez. Embora os seis pontos de vantagem (em tempos em que vitórias valiam dois pontos, e não três) deixem claro que nunca houve uma disputa verdadeira pela taça, o pódio meteórico do novato terminou por justificar o acesso pouco ortodoxo. As duas ligas argentinas viriam a se reunificar em 1927, convalidando assim a oficialidade dos certames dissidentes – que incluíram títulos racinguistas também em 1921 e em 1925, além dos títulos inaugurais de River (1920), Independiente (1922 e 1926) e San Lorenzo (1923 e 1924) na primeira divisão.

“Aquela é a maquete do estádio que temos agora e esta outra é a que teríamos se tivéssemos nos dedicado só a ganhar campeonatos” é a legenda da charge com o cartola velezano José Amalfitani. Na outra foto, o furor popular com o luxo que era uma piscina olímpica nos anos 50

A filosofia de Amalfitani de inegáveis prós e contras resultou em pouquíssimas lutas “para valer” do Vélez pelo campeonato. Mas o cartola pôde ainda em vida comemorar a primeira volta olímpica do clube, no Torneio Nacional de 1968. E foi justamente em corrida contra o Racing, além do River. Das mais curiosas: os dois gigantes se encontraram na rodada final e quem vencesse era campeão. Mas empataram e, com isso, foram alcançados na liderança pelo Vélez. Isso forçou um triangular extra. O Fortín levou a melhor, sapecando um 4-2 na partida derradeira com o Racing. Em tempos mais sadios, o racinguista Roberto Perfumo se permitiu parabenizar sorridente os campeões nos vestiários. O Vélez, afinal, era então um clube “simpático”. Já o Racing, campeão do mundo no ano anterior, não imaginava a imensidão da seca que tomaria conta da sua sala de troféus.

Aquele título de 1968 seguiu sendo o único do Vélez até o Clausura 1993 abrir a principal era dourada do clube. Em 2011, o time chegou ao seu oitavo título argentino, o suficiente para superar as sete conquistas do Racing (1949, 1950, 1951, 1958, 1961, 1966 e 2001) na era profissional. Na época, o período amador ainda era largamente ignorado pela mídia esportiva e a impressão generalizada era de que o Fortín havia ultrapassado de vez La Academia: afinal, ambos já tinham a mesma quantidade de Libertadores, de Mundial Interclubes e de Supercopa. Para orgulho de Amalfitani, o Vélez venceu em Tóquio utilizou uma escalação com sete pratas-de-casa, recorde igualado ao do Flamengo de 1981. Com um desempate favorável, pois os sete viravam oito se fosse considerado o treinador Carlos Bianchi.

Se nos anos 90 o Vélez criou animosidade com a dupla Boca e River pelos títulos e via seu sucesso internacional despertar rixas também com a dupla Huracán (o então tradicional “sexto grande”) e San Lorenzo (o único grande sem Libertadores até 2014), o início da década passada viu uma rivalidade se retroalimentar com o Racing. O lobby pelo reconhecimento do período amador ganhou força. Em dezembro de 2012 e em julho de 2013, o Vélez então chegou a dez títulos argentinos. “Coincidência ou não”, em agosto de 2013 a AFA passou a enfatizar com todas as letras a oficialidade, então questionada, da era amadora.

O Vélez do bailarino Daniel Willington sorriu para cima do Racing nas decisões de 1968. À direita, Willington é parabenizado por Roberto Perfumo, o racinguista de perfil na imagem esquerda: cavalheirismo para um time “simpático”

Ainda há puristas com a tradição que estava consolidada (especialmente na torcida não só do Vélez, mas também de River e Independiente), mas gradualmente mídia e público foram se acostumando com os sete títulos racinguistas, somados aos nove do amadorismo, “saltarem” para dezesseis; essa confortável vantagem está atualmente em dezoito contra onze. Mas mesmo antes desse (correto, ao nosso ver) revisionismo ser empurrado, o fair play de 1968 já vinha se tornando cada vez mais distante, diante dos antecedentes vividos no Apertura 1995, no Apertura 2001 e no Clausura 2005.

Em 1995, o Apertura parecia favas contadas ao Boca de Maradona e Caniggia. Recém-reforçado com a dupla dinâmica, o clube mantinha-se invicto até a antepenúltima rodada, sofrendo somente seis gols até então. Então veio o inesperado: em plena La Bombonera, onde não vencia havia vinte anos, o Racing bailou por 6-4. O resultado permitiu que o Vélez, no retrovisor, desse o bote e ultrapassasse o Boca na liderança. Na penúltima rodada, o Boca perdeu novamente (para o Estudiantes) e viu-se repentinamente fora da briga pelo título, diante de novo triunfo do Vélez.

O Racing, por sua vez, venceu novamente e, após um início irregular de campeonato, se tornou pelas beiradas o único outro time ainda com chances de título – sonhando em encerrar jejum nacional que perdurava desde 1966. O problema é que a tabela e a rodada final não ajudavam: o Vélez tinha três pontos a mais e enfrentaria justamente o rival racinguista Independiente. Que, como se não bastasse, entraria em campo sob bastante ressaca da recente conquista da Supercopa (aquela dentro do Maracanã sobre o centenário Flamengo de Romário).

Também concorrendo contra o Racing pelo título, o Vélez prevaleceu no Apertura 1995 (note as camisas do Independiente na volta olímpica) e no Clausura 2005

A vantagem velezana final ficou em seis pontos: sem muito esforço, o líder fez 3-0 no outro time de Avellaneda enquanto La Acadé, se desanimando com as notícias que chegavam confirmando que a improvável ajudinha do arquirrival não viria, perdia seu jogo. Mais de um jogador do campeão inclusive desfilou com camisa do Independiente na volta olímpica. O Vélez adiante venceria também o torneio seguinte daquela temporada 1995-96, abrindo vaga para o Racing acompanha-lo na Libertadores 1997. Agrupados na mesma chave, fizeram ali seus únicos duelos continentais. O Fortín venceu os dois jogos (2-1 no Cilindro e 1-0 em Liniers), mas caiu já nas oitavas. O Racing pôde ser semifinalista, mas parou no mesmo algoz de La V Azulada, o Sporting Cristal.

O jejum nacional do Racing chegou a 35 anos em 2001, quando foi enfim finalizado, no Apertura. Na tabela, a disputa foi contra o River, mas a rodada final foi em visita ao Vélez. Que não deu sossego: os visitantes precisaram de um gol em impedimento para abrir o placar. De modo quase sobrenatural, os fortineros empataram justamente pelo jogador que vestia a camisa de número 35, Mariano Chirumbolo. O empate era suficiente ao Racing e a vontade de estragar a festa levou Jonas Gutiérrez a meter forte demais o pé numa dividida e ser expulso – e ao goleiro velezano Gastón Sessa, ele próprio ex-Racing, a buscar a grande área adversária para somar-se ao ataque em cobrança de escanteio nos minutos finais.

Em 2005, então, Racing e Vélez voltaram a disputar o título diretamente, tal como em 1968 e em 1995. O Cilindro possuía uma equipe já bastante desmanchada em relação ao elenco de 2001, ao passo que o bairro de Liniers padecia de um expressivo jejum de sete anos (desde 1998), tempo demais a uma torcida mal acostumada com os anos 90. Inicialmente, era o River quem parecia prestes a ser campeão, mas murchou no terço final do campeonato. Embalado pelos irmãos Zárate e ainda com o goleiro Sessa, o Fortín logo passou a ter no encalço o Racing de Lisandro López e do veterano Simeone, ele próprio ex-Vélez. A conquista pôde se consumar na penúltima rodada e foi a única taça velezana entre 1998 e 2009.

O maior desafogo do Racing foi enfrentando o Vélez: neste cabeceio do impedido Gabriel Loeschbor, acabou o jejum nacional de 35 anos, em 2001

Com a história de pouquíssimos títulos do Vélez até 1993 e os diversos jejuns do Racing, os anos de títulos em comum são raríssimos. Um primeiro foi 2014: Vélez na Supercopa Argentina, Racing no campeonato (no Torneio Transición); depois, em 2024, com a Sul-Americana racinguista (encerrando jejum internacional que remontava a 1988) e título argentino velezano (encerrando jejum de onze anos na liga); por fim, nesse 2025 o time de Avellaneda obteve sua primeira Recopa Sul-Americana, enquanto o Vélez venceu tira-teimas oficiais contra os vencedores de 2024 na Copa Argentina (triunfando sobre o Central Córdoba na Supercopa Argentina) e da Copa da Liga (levando sobre o Estudiantes a Supercopa Internacional).

Feita a introdução, hora de relembrar os principais nomes que, como Sessa e Simeone, se destacaram por ao menos uma das camisas:

Marcelino Martínez: primeiro grande atacante do Vélez na era amadora, integrou aquela movimentada temporada da estreia do clube na primeira divisão em 1919, em que o acesso logrado “nos escritórios” provou-se justificado com o imediato vice-campeonato na primeira divisão – no que por cerca de cinquenta anos foi o pódio mais alto do clube, que ainda era do bairro da Floresta (e não de Liniers) e ainda trajava-se com a “tricolor italiana” (só vindo em 1933 a criar a icônica camisa com La V Azulada). O ponta acumulou 124 jogos até 1924, com 34 gols. Em 1925, então reforçou o Racing e, imediatamente, foi campeão argentino. Foi o último título racinguista na liga até 1949.

Rogelio Domínguez: goleirão formado no Racing, após vencer como titular a Copa América de 1957 (a última da Argentina até 1991) foi contratado pelo Real Madrid de Di Stéfano. Esteve na sequência de conquistas na Liga dos Campeões, mas na época jogar fora do país privava os jogadores da seleção e acabou de fora da Copa de 1958. Ele voltou à Argentina em 1962 para defender o River (onde já estivera nas divisões de base), sob a expectativa de que o clube se desfalcaria da lenda Amadeo Carrizo para a Copa do Mundo. Mas Carrizo, traumatizado como bode expiatório de 1958, negou a convocação e em seu lugar foi o próprio reserva. Assim, Domínguez jogou pouquíssimo no River, onde permaneceu até o fim de 1963.

Parecia estar no ocaso da carreira quando chegou em seguida ao Vélez, alternando-se com José Miguel Marín pela posição em seus dois anos como fortinero. Mas, tendo atuações elogiadas, reforçou o Nacional e com os uruguaios chegou à final da Libertadores de 1967 (justamente contra o Racing) antes de pendurar as luvas no Flamengo em 1969. Logo engatou uma carreira de técnico, fazendo o estilo boleiro, sendo benquisto por seus jogadores. Pouco apegado à aplicação tática, empregava um futebol ofensivo. Na função, passaria outras duas vezes pelo Racing: na virada de 1982 para 1983, como um dos bombeiros que não evitaram o rebaixamento; e de 1986 para 1987, quando a Academia reestreou na primeira divisão. Já dedicamos a ele este outro Especial.

O defensor Cap e o goleiro Domínguez juntos no Racing, onde são ídolos. No fim da carreira, jogaram no Vélez

José Luis Luna: ponta-direita que defendeu os três maiores campeões da liga argentina (River, Boca e Racing), mas brilhou bem mais sob a pouca pressão de times não grandes. Luna estava nos Bichos Colorados do Argentinos Jrs que brigou pela primeira vez pelo título argentino, em 1960, na campanha mais próxima da taça até consegui-la pela primeira vez (já em 1984). Embora a equipe do bairro de La Paternal tenha ficado em terceiro, esteve mais perto do campeão do que no vice logrado com Maradona em 1980. Foi então contratado pelo River, sem vingar: em 1962 já estava no Atlanta, que vivia sua fase mais forte, seguidamente se intrometendo entre os cinco primeiros. Como jogador do time do bairro de Villa Crespo, inclusive defendeu a seleção nas eliminatórias à Copa de 1966. Em 1965, trocou o Atlanta pelo Boca e até foi campeão, mas não transcendeu como xeneize, rumando em 1968 ao Vélez.

O time do bairro de Liniers não tinha ainda títulos na elite, pendência resolvida já no Nacional de 1968, com Luna titularíssimo e com cinco gols fundamentais: o do 1-1 com o River no triangular final, impedindo um provável título por antecipação do Millo, e os quatro nos 11-0 sobre o Huracán de Bahía Blanca, uma goleada a princípio exagerada que foi vital para adiante o Fortín ser campeão pelo melhor saldo de gols. Em 1970, chegou a um Racing ainda acostumado aos tempos de ouro, mas que rapidamente entrou em declínio após a saída do técnico Pizzuti. Nos dois anos em Avellaneda, Luna esteve nas piores campanhas racinguistas até então, dois 11º lugares seguidos… após 1971 ele seguiu carreira no incipiente futebol dos EUA.

Vladislao Cap: de origem húngaro-romena por parte de mãe e polaco-ucraniana por parte de pai (!), é raríssimo nome a ter trabalhado tanto na dupla Boca e River como na dupla Racing e Independiente. Ídolo e campeão como jogador do Racing entre 1954-60, o volante foi um oásis no Huracán de 1961 a ponto de ir à Copa do Mundo de 1962 e cavar transferência ao River. Em 1966, rumou ao Vélez para disputar as últimas quatorze partidas da carreira, ficando a dois pontos do pódio por um clube ainda visto como pequeno no futebol. Era justamente ele o treinador do Independiente que em 1971 “roubou” uma taça que parecia ganha pelo Vélez. Como técnico, dirigiu a Argentina na Copa de 1974 e conseguiu treinar Boca e River em um mesmo ano: 1982, quando faleceu precocemente por um câncer. Já dedicamos a El Polaco este Especial.

Victorio Spinetto: defendemos em 2020 ele e não Carlos Bianchi como técnico para o time velezano dos sonhos – em parte, porque Bianchi já era selecionável como jogador, é verdade. Símbolo como jogador fortinero dos anos 30, Spinetto foi ainda maior como treinador: foram mais de dez anos seguidos na função, um recorde a qualquer clube na primeira divisão. Foi Don Victorio quem tirou o Vélez da segundona, em 1943, e dez anos depois era vice-campeão da elite, lugar mais alto que o time chegara até então. Em Liniers, além do período 1942-56 como técnico do time adulto, teve outros em 1958, 1961-62 e 1966-67.

O rosto engana: Osvaldo Zubeldía foi muito mais feliz jogando no Vélez do que treinando o Racing

Em 1971, foi requisitado como bombeiro no Racing na pior campanha até então do clube, o 11º lugar no Metropolitano. Não deixou tantas marcas em Avellaneda, mas sim no ex-clube: uma vitória de 1-0 na antepenúltima rodada sobre o então líder Vélez manteve o campeonato em aberto, contribuindo que na rodada final houvesse a surpreendente ultrapassagem do Independiente. Spinetto ainda treinaria ao longo dos anos 70 o tradicional rival velezano Ferro Carril Oeste, mas se redimiria na velha casa polindo nos anos 80 nas categorias de base muitos dos futuros campeões da dourada década de 90. Já dedicamos a Spinetto, que pôde treinar também o jovem Maradona no Argentinos Jrs, este outro Especial.

Osvaldo Zubeldía: descoberto em sua Junín natal pelo Vélez, foi um meia-atacante efetivo entre 1949 e 1955, tendo como ponto alto o vice-campeonato em 1953 – a melhor campanha velezana até o inédito título em 1968. Seu técnico era o mencionado Spinetto, responsável por um jogo cerebral vital para as ideias do futuro Zubeldía treinador, mais preocupado com resultados (ciente das próprias limitações contra o poderio dos gigantes) do que por jogar bonito. Mentalidade que ele, já técnico, tratou de repetir no seu Estudiantes tri da América nos anos 60, repassando as filosofias de Spinetto ao pupilo Carlos Bilardo, por sua vez entusiasta dela na malandra seleção argentina treinada por este nas Copas de 1986 e 1990. Zubeldía deixou em 1971 o Estudiantes, sentindo o fim de ciclo, para treinar o Huracán. Foi justamente no rival huracanense San Lorenzo que ele, já em 1974, voltou a ser campeão. Foi com esse gabarito que ele chegou em 1975 ao Racing, já como terceiro treinador do clube no Metropolitano.

O ponto alto de Zubeldía em Avellaneda foi um memorável 5-4 em clássico com um Independiente recém-tetra seguido da Libertadores. Sem empolgar no meio da tabela no Torneio Nacional, o clube afundou-se ainda mais no Metropolitano de 1976, brigando pela primeira vez contra o rebaixamento. Zubeldía durou somente até a 11ª rodada e reconstruiu-se no ascendente futebol colombiano, impulsionando o Atlético Nacional. Já dedicamos este Especial a ele, sem parentesco com o ex-técnico são-paulino.

Pedro Dellacha: formado no Boca mas com um único amistoso como partida solitária pelo time adulto, Don Pedro del Area profissionalizou-se efetivamente no Quilmes para virar um dos maiores zagueiros dos anos 50 (Pelé o rotulou de mais duro marcador que teve). Defendeu o Racing de 1952 a 1958, ano em que pôde ser campeão argentino. Era também o capitão da seleção argentina campeã da Copa América de 1957, a última do país até 1991, bem como na Copa do Mundo na Suécia. Como treinador, associou-se mais ao rival Independiente, vencendo a Libertadores de 1972 e estreando Ricardo Bochini no time adulto.

O folclórico “Turco” García e (no canto superior direito) um pé-quente nos bastidores: o preparador físico Julio Santella, em duas imagens de 1985

Em 1974, chegou a um Vélez órfão do superartilheiro Carlos Bianchi. O trabalho foi bom: o Fortín foi líder do grupo no Nacional e terminou ao fim em 3º, campanha chamativa a um clube de ainda um único título na primeira divisão. Dellacha credenciou-se para outro ciclo vitorioso no Independiente, com o qual venceria a Libertadores também em 1975. Seguia no Rojo no início de 1976, mas ao fim do ano voltou ao Racing: virou o primeiro treinador a trabalhar em um mesmo ano nos dois rivais. La Academia havia escapado do rebaixamento por um mísero ponto no Metropolitano. Nesse contexto, o máximo que Don Pedro pôde fazer ao chegar foi uma campanha de meio de tabela no grupo onde o time ficou no Torneio Nacional, a cinco pontos da classificação aos mata-matas. Já dedicamos a ele este outro Especial.

Carlos Ángel López: revelado no Excursionistas, apareceu no River em 1972. Não firmou-se e já em 1973 seguia carreira no Argentinos Jrs. Esse talentoso meia-esquerda então chegou ao Colón em 1974, onde realmente despontou. Lembrado na revista El Gráfico que elegeu em 2012 os maiores ídolos rojinegros, cavou transferência ao Estudiantes para o Torneio Nacional de 1975, onde integrou o elenco vice-campeão. Ainda vestiria bem a camisa do Racing, time pelo qual chegou à seleção – simplesmente concorreu por uma vaga com Maradona na Copa América de 1979. Foi um dos astros que o Vélez buscou no início dos anos 80 para voltar às cabeças, com 29 partidas entre 1981 (semifinalista do Nacional) e 1982.

Claudio García: torcedor do Huracán desde a infância, formou-se no time do coração em 1980 como um ponta tão talentoso, carismático e raçudo como errático; tinha bola para ir à Copa de 1986 a ponto de ser convocado a treinos da seleção mesmo com seu clube sofrendo em paralelo seu primeiro rebaixamento, mas o comportamento pesava contra. Precisando fazer caixa, o time vendeu El Turco ao Vélez. Após duas temporadas razoáveis em Liniers (73 jogos e 17 gols), García iria a um Lyon de segunda divisão antes de virar um folclórico ídolo no Racing no início dos anos 90, obtendo certa continuidade na seleção até ser um dos nomes queimados pelo 5-0 da Colômbia em 1993. Em meio aos tempos de jejum, teve como ponto alto o vice-campeonato na Supercopa de 1992, lembrada pelo gol de mão validado na classificação sobre o rival Independiente.

Alfio Basile (e Carlos Babington e Julio Santella): um dos maiores ídolos do Racing, El Coco Basile fora xerife do elenco campeão da América e do mundo em 1967. Em fim de carreira, ganhou em 1973 o último título argentino do Huracán, clube onde iniciou parceria com o então volante Carlos Babington. Babington logo tornou-se habitual assistente técnico de Basile nos anos 80. Começaram o ano de 1985 no Vélez, que por sua vez já tinha em Santella um preparador físico pé-quente, integrante de campanhas campeãs de segunda divisão com San Lorenzo (em 1982) e Atlanta (em 1983). A comissão técnica dos três levou o Vélez à final do Torneio Nacional, em julho – enquanto o Racing patinava na segunda divisão.

Basile como xerife no Racing e em duas imagens de 1985: técnico do Vélez no primeiro semestre e do Racing no segundo. Nelas, se vê Babington (homem mais à esquerda na fileira inferior em ambas)

Basile voltou a Avellaneda levando Babington e Santella consigo. A segunda divisão seria vencida pelo Rosario Central, mas La Academia pôde em dezembro assegurar a segunda vaga de acesso. Basile também venceria já em 1988 a primeira edição da Supercopa, único título racinguista entre 1967 e 2001, e voltaria ao Vélez para a temporada 1989-90. Santella também regressaria à antiga casa para comer o filé mignon da Era Bianchi, nos anos 90 (e acabaria acompanhando Carlos Bianchi também no vitorioso Boca de 1998-2004). Já dedicamos este Especial e Basile (único a ter sido técnico de Maradona e de Messi) e e este outro a Babington.

Ubaldo Fillol: o goleirão campeão da Copa do Mundo de 1978 dispensa apresentações e já lhe dedicamos este Especial. Antes de ser campeão de quase tudo no River, teve um interessante ciclo por um Racing que já vivia certa decadência. Chegou a Avellaneda vindo do Quilmes, em 1972, ano em que o clube terminou como vice do Metropolitano após suas piores campanhas até então no torneio. Em 1973, já era chamado para a seleção argentina e em 1974 começou a escrever sua história no River. Após carreira estrangeira por Flamengo e Atlético de Madrid, foi repatriado pelo Racing em 1987. Enfim, pôde ser campeão na Acadé, com aquela conquista da Supercopa de 1988.

Contudo, a derrapagem no campeonato argentino de 1988-89 (após lidera-lo ao fim do primeiro turno) desmanchou aquele elenco racinguista: Rubén Paz foi à Itália enquanto Fillol e o técnico Alfio Basile partiram ao Vélez. Em Liniers, o desempenho como um todo do arqueiro não foi tão vistoso. Ainda assim, La V Azulada terminou em 5º na temporada 1989-90 e a lenda pôde deixar uma impressão final sublime na partida em que pendurou as luvas, na rodada final do Apertura 1990: até pênalti pegou contra o River numa vitória de 2-1 em pleno Monumental, na qual acabou o jogo carregado (nos ombros do próximo nome, por sinal) e aplaudido pelas duas torcidas mesmo que o resultado fizesse o River perder o torneio para o Newell’s. Fillol voltaria rapidamente ao Racing em 2004, já como técnico. Viera como bombeiro, sem lograr resultados necessários.

José Basualdo: volante revelado no surpreendente Deportivo Mandiyú campeão da segunda divisão de 1988, sua ascensão meteórica levou-lhe a jogar dali a dois anos uma final de Copa do Mundo, quando El Pepe já figurava no futebol alemão. Foi repatriado inicialmente pelo Racing, em 1992, integrando a campanha vice-campeã da Supercopa Libertadores. Em 1993, foi a contratação de hierarquia do Vélez, participando ativamente do fim do jejum de 25 anos no campeonato argentino. Como velezano, foi em 1994 à sua segunda Copa do Mundo. No segundo semestre, faturou Libertadores e o Mundial Interclubes. Basualdo também venceu o Apertura 1995, credenciando-se para em 1996 reforçar o Boca – onde seria ainda mais ídolo e vitorioso.

Ambos jogadores de Copa do Mundo, Fillol destacou-se mais no Racing; Basualdo, no Vélez

Roberto Pompei: formado no Vélez como ponta-esquerda, acabou no time adulto (onde estreou em 1990) mais aproveitado como meia-esquerda e por vezes como falso 9. El Tito custou a firmar-se, com só 55 jogos pela liga argentina ao longo de cinco anos; não participou de um joguinho na temporada 1991-92 e na seguinte foi emprestado ao Talleres de Escalada, acabando por se ausentar do redentor Clausura 1993 – que encerrou 25 anos de jejum do Fortín. Em 1994, sua transferência ao San Lorenzo chegou a ser aventada, mas permaneceu e foi premiado com a cobrança do pênalti que garantiu a Libertadores 1994 ao clube. Embora titular no Mundial, não ficou para 1995, vendido ao Racing. Esteve na campanha que chegou a sonhar com título no Apertura 1995, perdido justamente para o Vélez. Assim, Tito Pompei teve cartaz para passar ainda por Boca e Estudiantes na sequência da carreira.

Gastón Sessa: reserva no Estudiantes campeão da segundona em 1995, venceu novamente a Primera B em 1996, no Huracán Corrientes. Galgou ao Rosario Central, onde um bom momento lhe colocou a candidato a goleiro na seleção. Isso nunca se cumpriu, mas ele pôde cavar uma transferência ao River para a temporada 1999-2000. Mas quase não saiu da reserva de Roberto Bonano: El Gato jogou uma única vez tanto no Apertura como no Clausura conquistados naquela temporada e preferiu ter continuidade em um Racing à deriva. Após ter bastante importância na sobrevivência racinguista contra a degola no Clausura, mudou-se a Liniers para viver muita coisa: crucificado por falhar no gol decisivo para a perda do Apertura 2004, redimiu-se com o título velezano no campeonato seguinte. Só que então inventou de chutar o rosto de Rodrigo Palacio na eliminação para o Boca na Libertadores 2007, lance grotesco que lhe provocou uma justa causa. Hoje já é lembrado com mais saudosismo, algo sentido logo em 2008, quando sua volta chegou a ser sondada. Preferiu na época enfim defender o Gimnasia do coração. Dedicamos a El Gato esse outro Especial.

Diego Simeone: seguramente o nome mais famoso dessa lista. El Cholo foi formado no Vélez, tendo uma ascensão meteórica: profissionalizado ainda adolescente em 1987, já em 1988 estreava pela seleção principal, ainda que não a ponto de ir à Copa do Mundo de 1990. Mesmo assim, foi negociado em 1990 com o Pisa, iniciando uma longa carreira europeia. Ao fim dela, optou por pendurar as chuteiras no time do coração, acertando em 2005 com o Racing. Foi um dos protagonistas da luta pelo título do Clausura, precisamente contra o Vélez. A ressaca do vice-campeonato fez o desempenho de La Acadé afundar-se nos torneios seguintes; em 2006, El Cholo parou de jogar para iniciar imediatamente a carreira de técnico no próprio Racing.

Pompei, que converteu o pênalti do título na Libertadores 1994, foi mais que Boban no Mundial Interclubes de 1994. Um ano depois, teve bom passo no Racing vice do próprio Vélez

Simeone não desfrutou de paciência naquele ambiente “tradicionalmente” histérico do Cilindro, mas o título argentino com o Estudiantes ainda naquele ano de 2006 o lançou de vez na nova função. Teve um regresso a Avellaneda em 2011, em um vice-campeonato festejado: o time não pôde brigar a sério pela taça do Apertura, mas afastou-se do risco de rebaixamento nos promedios. O resto é a história conhecida de quem desde então se enraizou no Atlético de Madrid. Já dedicamos este Especial à carreira de jogador de Simeone.

Miguel Ángel Russo: como jogador, o Estudiantes (1975-88) foi seu único clube. Volante do time bicampeão em 1982-83, foi até uma ausência inicialmente questionada na seleção de 1986. Como treinador, teve ciclos vitoriosos nos mais diversos clubes argentinos – a começar pelo Lanús do seu coração, tirado da segundona em 1990 e em 1992. Essa experiência lhe valeu um retorno a La Plata para ser a dupla de Eduardo Luján Manera no Estudiantes campeão da Primera B de 1994-95. No Vélez, foi o treinador da conquista do Clausura 2005, justamente sobre o Racing. Mas associou-se na nova carreira muito mais a Boca (seu clube atual e onde vencera a Libertadores 2007) e Rosario Central (clube que desatolara da segunda divisão em 2013 e onde venceu a Copa da Liga dez anos depois); no Racing, saiu em 2011 sem tirar o clube da respiração por aparelhos nos promedios e sua volta ao Vélez em 2015 não foi digna de maior nota.

Maxi Moralez: talvez o único nome do século XXI a ser querido pelas duas torcidas, seja como habilidoso ponta ou como talismã. Revelado no Racing, pelo qual reforçava as seleções argentinas juvenis, é lembrado ali pelo gol salvador em 2008 nas repescagens contra o rebaixamento. Foi então pinçado pelo Vélez, sendo um dos artífices do título do Clausura 2009: foi inclusive dele o polêmico gol do título sobre o Huracán (em duelo direto na rodada final), mandando no fim da partida a bola às redes ignorando a lesão do goleiro adversário. A taça abriu era dourada em Liniers até 2014. Moralez saiu ainda em 2011, a tempo de festejar o Clausura daquele ano em vistoso tridente com Santiago Silva e Juan Manuel Martínez. Voltou ao Racing em 2023 e, na reestreia, pôde enfim ser campeão pela camisa que ama, na Supercopa Internacional.

Ricardo Centurión: ponta promissor do Racing campeão argentino em 2014, sendo inclusive dele o gol que assegurou o título (no duelo final com o Godoy Cruz), naufragaria no São Paulo, que o emprestou ao Boca em 2016. Ele voltou ao Racing em meados de 2018, participando do início do título de La Acadé na Superliga de 2018-19, saboreado quando Centurión já estava emprestado ao futebol mexicano. Já visto como talento desperdiçado, teve seu empréstimo redirecionado ao Vélez em 2020 e foi eventualmente adquirido em definitivo pelo Fortín. Manteve ali a rotina de seguidos empréstimos até ser vendido neste ano ao futebol boliviano, sem tomar parte nos três títulos comemorados nos últimos doze meses.

O goleiro Sessa e Moralez (que comemora seu gol do título em 2009) deram a cara a tapa para livrar o Racing do rebaixamento e puderam ser campeões no Vélez

Fernando Gago: como jogador, se identificou muito mais com o Boca. Mas o apelido de “novo Redondo” só se mostrou justificado (a ponto do Real Madrid investir nele) no início da carreira, entre 2004 e 2006. Sem se consolidar na Europa, Gago foi repatriado em 2013 pelo Vélez. Ficou só um semestre, mas o Fortín, com o qual venceu a final argentina de 2012-13, foi seu trampolim para voltar à seleção e ao Boca. Teria novo passo rápido por Liniers em 2020, encerrando a carreira. Foi como treinador que chegou ao Racing, em 2021. Seu time fez temporada vistosa em 2022, mas derrapou de modo inacreditável na rodada final: mesmo enfrentando um River desinteressado em ver o Boca campeão, viu os pupilos perderem até pênalti. Restou o consolo da Supercopa Internacional sobre o próprio Boca, no ano seguinte, quando rumou ao futebol mexicano. Não ficou ídolo nem no Vélez e nem no Racing, mas o incluímos como campeão em ambos.

Federico Insúa: profissionalizado em 1997 em um Argentinos Jrs recém-regressado à primeira divisão, mostrou-se aquele camisa 10 clássico em tempos tenebrosos do Bicho. Quando a equipe enfim fez um bom campeonato, no 4º lugar do Clausura 2001, já brigava de novo para não cair, na tabela paralela dos famigerados promedios. A queda realmente veio uma temporada depois, mas El Pocho caiu para cima, reforçando o Independiente – brilhando naquela conquista do Rojo no Apertura 2002, a ponto de também começar a ter suas esporádicas chances na seleção. Destacado também no Boca de 2005-06, Insúa veio já veterano ao Vélez, mas foi figura ativa nos últimos títulos argentinos que o Fortín comemorou antes de 2024: o Torneio Inicial 2012 e a superfinal da temporada 2012-13. Apesar do passado no Independiente, esteve no Racing como assistente técnico de Gago (parceiro dele no meio-campo do Boca e do Vélez), entre 2021 e 2023. E voltou em 2025 ao Vélez, para integrar a comissão técnica do nome abaixo.

Colegas no Vélez campeão de 2013, Gago e Insúa estiveram à frente da comissão técnica do Racing em 2023. Levaram a Supercopa Internacional, embora desse para mais…

Gustavo Barros Schelotto: El Tiburón despontou no bom time noventista do Gimnasia LP (que chegou a ser vice do Vélez, no Clausura 1996) junto com o irmão gêmeo, o atacante Guillermo. Maradona pediu por ambos ao Boca na temporada 1997-98. Embora tivesse talento, o volante viu apenas Guille manter protagonismo com a mudança. Gustavo prejudicou-se ao ir às vias de fato com o técnico Héctor Veira no início de 1998, custando-lhe exílio semestral no Unión. Nunca se firmou por completo na Casa Amarilla, mas ainda assim conseguiu consideráveis 90 jogos e doze gols (bons números a um volante reserva) até ser adquirido pelo Villarreal após o Mundial Interclubes de 2000. O clube espanhol prestara atenção nele por ter sofrido gol em um amistoso ainda em agosto de 2000.

Gustavo não se firmou em La Liga e em um semestre já voltava à Argentina para defender um decrépito Racing. Em sua única temporada neste clube, foi pé-quente instantâneo como um bom coadjuvante no operário elenco que encerrou ao fim de 2001 o jejum racinguista de 35 anos no campeonato argentino. Em 2013, iniciou dupla de técnicos com o irmão gêmeo. Chegaram ao Vélez nesse 2025, substituindo o técnico campeão argentino em 2024, Gustavo Quinteros. Para quem foi tantas vezes feroz antagonista velezano, a camisa fortinera ainda cai estranhamente à dupla, mas os Barros Schelotto já puderam dar duas voltas olímpicas – na Supercopa Argentina (sobre o Central Córdoba) e na Supercopa Internacional (sobre o Estudiantes). Sobre a carreira de Gustavo como jogador, já dedicamos este Especial.

Os gêmeos Barros Schelotto como adversários e como dupla técnica. No Vélez, o ex-racinguista Gustavo se distingue do irmão através da franja. É o mais recente campeão nos dois

Caio Brandão

Advogado desde 2012, rugbier (Oré Acemira!) e colaborador do Futebol Portenho desde 2011, admirador do futebol argentino desde 2010, natural de Belém desde 1989 e torcedor do Paysandu desde antes de nascer

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